terça-feira, 5 de maio de 2026

 

O CORONEL MOREIRA CÉSAR E 

CANUDOS DEVEM MORRER

A PROFECIA DO BARÃO DE COTEGIPE

Meus Agradecimentos;

A meu pai e minha mãe, Maria Leda, pelo dom da vida e do amor aos livros.

Ao meu grande mentor Antônio Simões, pelo estímulo à qualidade de minhas leituras e ao correto significado do conceito de honra.

Minhas filhas Silvia e Madu, minhas grandes motivações, por seu incentivo e grande amor, assim como à sua mãe. Que Deus se apiede de todos nós.

À minha netinha Maria Antônia e a meu genro, Marcos Migueis, assim como a seus familiares, meus grandes amigos, pela vontade de Deus.

A um dos militares mais corretos e dignos do Exército Brasileiro, o coronel Antônio Moreira César e o seu 7º Batalhão de Infantaria, sob o seu comando, a tropa mais valente, confiável e galante do Exército Brasileiro. Nunca mais haverá uma tropa como o 7º B.I. de 1897.


Soldados do 7º B.I. durante a 4ª Expedição, num instantâneo de Flavio Barros. Imagine se eles posariam assim tão relaxadamente se Moreira César ainda fosse o seu comandante e a melhor unidade do exército nacional! São o retrato da improvisação e do descaso reinantes nessa expedição e no resto do país.  Como unidade independente o 7º B.I. foi extinto em 1908.

 

INTRODUÇÃO

Canudos é o horror, o máximo horror, o nosso horror. Um horror que nos provoca, ao mesmo tempo, repulsa e atração, embora na maioria das vezes ele atraia mais do que repele, como uma vertigem à beira de um abismo, enquanto forcejamos, em meio à névoa, em ver as fantasmagorias que daí brotam, preferindo a lenda que choca aos fatos que mostram a natureza mais política e humana desse conflito, e que poderiam nos curar dessa superficialidade.

Normalmente, o fenômeno de Canudos e tudo que o cerca são analisados sob a perspectiva da ideologia vigente e do modelo histórico que ela alega pressupor, sem considerar a realidade, a partir de uma perspectiva moralista e anacrônica, conforme, não raro, os interesses pessoais de quem o discute. O tema, portanto, está sujeito a deformações e interpretações que não resistem ao confronto com a realidade documental, ou com o que restou dela, perdida em páginas de velhos jornais, livros e revistas que poucos leram, ou mesmo da lógica mais elementar. 

Talvez já seja hora de sabermos, para além da fantasia literária e da história de afogadilho, o que aconteceu por lá, e alhures, mesmo correndo o risco de nos surpreender e sermos obrigados a refazer antigos conceitos e crenças petrificadas que, de tempos em tempos, nos levam a repetir os mesmos erros — embora sair de uma rota errada, mas familiar, para outra, recém-aberta, também envolva riscos.

Viver é correr riscos e assumir responsabilidades pelas consequências dos riscos que corremos. Os homens e mulheres que construíram nossa história, conscientemente ou não, arriscaram-se para obter vantagens para si ou para o que julgavam ser o interesse nacional ou de sua comunidade. Há sempre uma dose de subjetividade nas ações humanas, logo de ideologia, ainda mais quando é para mover outros numa determinada direção, lá onde a ignorância, a ilusão e a boa-fé se fundem para construir aquilo que chamamos de condicionamento histórico.

A questão seria, portanto, evitarmos os extremos, seja por desilusão com a objetividade, mergulhando na ideologia, ultrapassando o limite saudável da fantasia ou da mitologia, seja por desprezo pela subjetividade, insistindo na ilusão do fato puro. Entre um extremo e outro há uma zona luminosa onde um rico debate pode ocorrer e, por meio dele, aprimoraremos as nossas ferramentas de análises, com novas abordagens, e até novos documentos, trazendo à luz novos fatos, sepultando ou fortalecendo novas ou antigas teorias. A ciência é um cemitério de ideias.

Levantando o véu da literatura e dos interesses, historicamente condicionados de grupos específicos de ‘salvadores da pátria’, percebemos que Canudos foi um desses momentos especiais, que ajudou a forjar aquilo que seríamos, pela revelação do que éramos, ou fomos historicamente levados a ser, por nossa própria escolha. Nós, muitas vezes, não agimos sabendo, mas agimos querendo. Então, apesar de todos os condicionamentos, é sempre o indivíduo que escolhe o seu destino, como nos ensinaram o Almirante Luís Filipe Saldanha da Gama, o Coronel Antônio Moreira César, e outros, que ora entulham ora alargam o nosso caminho para o futuro, correndo os riscos que o seu tempo e o seu lugar na sociedade impunham que corressem ou evitassem.

Viver é correr riscos, mas só vivem verdadeiramente aqueles que têm a coragem de assumir os resultados, bons e maus, dos riscos que escolheram.

Eduardo Simões


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