O
CORONEL MOREIRA CÉSAR E
CANUDOS
DEVEM MORRER
A
PROFECIA DO BARÃO DE COTEGIPE
Meus Agradecimentos;
A meu pai e minha mãe,
Maria Leda, pelo dom da vida e do amor aos livros.
Ao meu grande mentor Antônio
Simões, pelo estímulo à qualidade de minhas leituras e ao correto significado
do conceito de honra.
Minhas filhas Silvia e
Madu, minhas grandes motivações, por seu incentivo e grande amor, assim como à
sua mãe. Que Deus se apiede de todos nós.
À minha netinha Maria Antônia
e a meu genro, Marcos Migueis, assim como a seus familiares, meus grandes amigos,
pela vontade de Deus.
Soldados
do 7º B.I. durante a 4ª Expedição, num instantâneo de Flavio Barros. Imagine se
eles posariam assim tão relaxadamente se Moreira César ainda fosse o seu
comandante e a melhor unidade do exército nacional! São o retrato da improvisação
e do descaso reinantes nessa expedição e no resto do país. Como unidade independente o 7º B.I. foi extinto
em 1908.
INTRODUÇÃO
Canudos
é o horror, o máximo horror, o nosso horror. Um horror que nos provoca, ao
mesmo tempo, repulsa e atração, embora na maioria das vezes ele atraia mais do
que repele, como uma vertigem à beira de um abismo, enquanto forcejamos, em
meio à névoa, em ver as fantasmagorias que daí brotam, preferindo a lenda que
choca aos fatos que mostram a natureza mais política e humana desse conflito, e
que poderiam nos curar dessa superficialidade.
Normalmente,
o fenômeno de Canudos e tudo que o cerca são analisados sob a perspectiva da
ideologia vigente e do modelo histórico que ela alega pressupor, sem considerar
a realidade, a partir de uma perspectiva moralista e anacrônica, conforme,
não raro, os interesses pessoais de quem o discute. O tema, portanto, está
sujeito a deformações e interpretações que não resistem ao confronto com a
realidade documental, ou com o que restou dela, perdida em páginas de velhos
jornais, livros e revistas que poucos leram, ou mesmo da lógica mais
elementar.
Talvez
já seja hora de sabermos, para além da fantasia literária e da história de
afogadilho, o que aconteceu por lá, e alhures, mesmo correndo o risco de nos
surpreender e sermos obrigados a refazer antigos conceitos e crenças
petrificadas que, de tempos em tempos, nos levam a repetir os mesmos erros
— embora sair de uma rota errada, mas familiar, para outra, recém-aberta,
também envolva riscos.
Viver
é correr riscos e assumir responsabilidades pelas consequências dos riscos que
corremos. Os homens e mulheres que construíram nossa história, conscientemente
ou não, arriscaram-se para obter vantagens para si ou para o que julgavam ser o
interesse nacional ou de sua comunidade. Há sempre uma dose de subjetividade
nas ações humanas, logo de ideologia, ainda mais quando é para mover outros
numa determinada direção, lá onde a ignorância, a ilusão e a boa-fé se fundem
para construir aquilo que chamamos de condicionamento histórico.
A
questão seria, portanto, evitarmos os extremos, seja por desilusão com a
objetividade, mergulhando na ideologia, ultrapassando o limite saudável da
fantasia ou da mitologia, seja por desprezo pela subjetividade, insistindo na
ilusão do fato puro. Entre um extremo e outro há uma zona luminosa onde um rico
debate pode ocorrer e, por meio dele, aprimoraremos as nossas ferramentas de
análises, com novas abordagens, e até novos documentos, trazendo à luz novos
fatos, sepultando ou fortalecendo novas ou antigas teorias. A ciência é um
cemitério de ideias.
Levantando o véu da literatura e dos
interesses, historicamente condicionados de grupos específicos de ‘salvadores
da pátria’, percebemos que Canudos foi um desses momentos especiais, que ajudou
a forjar aquilo que seríamos, pela revelação do que éramos, ou fomos
historicamente levados a ser, por nossa própria escolha. Nós, muitas vezes, não
agimos sabendo, mas agimos querendo. Então, apesar de todos os
condicionamentos, é sempre o indivíduo que escolhe o seu destino, como nos
ensinaram o Almirante Luís Filipe Saldanha da Gama, o Coronel Antônio Moreira
César, e outros, que ora entulham ora alargam o nosso caminho para o futuro,
correndo os riscos que o seu tempo e o seu lugar na sociedade impunham que
corressem ou evitassem.
Viver
é correr riscos, mas só vivem verdadeiramente aqueles que têm a coragem de
assumir os resultados, bons e maus, dos riscos que escolheram.
Eduardo Simões
Nenhum comentário:
Postar um comentário