quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 NÓS TEMOS REALMENTE QUE NOS ENVERGONHAR DE NOSSA VITÓRIA?




Eis como se comportam os povos que conhecem a sua história. Acima vemos, uma comemoração extraoficial eletrizante dos 80 anos do desembarque da Normandia. Houve também cerimônias oficiais com a presença maciça de chefes de estado de todos os países que lutaram, menos a Rússia. Gente de toda a Europa se encontra nesses festejos, inclusive alemães e italianos, que eram inimigos dos aliados naquela ocasião.  

Antigos veteranos da Segunda Guerra Mundial, que lutaram contra uma ditadura totalitária, belicista e sanguinária, apesar de velhos e doentes, eles têm todos os motivos para se encherem de orgulho e aparecerem em qualquer lugar de cabeça erguida, pois cumpriram o seu dever com galhardia, sem falar do imenso respeito e carinho de pessoas de todas as idades para com eles. Essa gente conhece bem a sua história e sabe o quanto lhe deve, e não perde a oportunidade para mostrar o quanto lhe é grata por isso. 

Embaixo vemos comemoração, em Paris, dos 80 anos do fim Segunda Guerra Mundial. Por que eles fazem isso? Afinal, os alemães, os quais são hoje os principais aliados dos franceses, não foram os grandes derrotados nessa guerra? Eles não temem magoar os alemães? Claro que não. Os alemães não facilitaram a vitória dos franceses e seus aliados, que venceram essa guerra por méritos próprios, com muito sacrifício. Por isso comemoram com boa vontade, alegria e orgulho a história de seus parentes, que estiveram no conflito, e que hoje estão nos livros que eles leem, e que revelam o quanto a luta foi dura e o quanto TODOS devem àquela geração — nessa comemoração o nosso infeliz presidente não compareceu aos festejos da vitória das democracias, mas foi se aninhar nos braços do maior e mais sanguinário ditador da atualidade: Vladimir Putin, num desfile de 9 de maio em Moscou, com os representantes de outras ditaduras. 



Bem diferente é no Brasil. Um país onde o povo quase faz questão de não conhecer e valorizar a sua história. Onde ser ignorante é uma honra e o presidente da república se gaba de não ter estudos. Essa é a foto de Marcolino José Dias, um típico soldado brasileiro da época da Guerra do Paraguai, um daqueles que apareciam nos jornais do exército paraguaio desenhados como se fossem macacos. Mas ele foi um herói, sua atuação na tomada da fortaleza de Curuzú foi épica. Segundo dizem. Entretanto tudo o que ele seus companheiros fizeram, foi relegado ao esquecimento. Livros sobre a guerra do Paraguai, que retratam fielmente o que aconteceu, quase não existem mais; é difícil até nos sebos, sinal que poucos foram vendidos em seu lançamento. Não espere também encontrar muita informação sobre Marcolino, pois não há, como se seus contemporâneos já soubessem que poucos se dariam ao trabalho de lê-la, como os ignorantes que adoram aplaudir as mentiras que os paraguaios inventam a nosso respeito. A maioria de nossos veteranos, após essa guerra, definharam em asilos precários e agora, que já não é possível tratá-los como ‘macacos’, como no passado, traidores brasileiros se unem aos eternos derrotados e eternos ressentidos paraguaios para acusá-los de genocídio.

A má sorte de Marcolino é ter nascido no seio de um povo que não é digno de sua coragem e de seu desprendimento, um povo que ignora a sua história, sem senso de gratidão e, por isso, facilmente enganado até por seus piores inimigos. No mais, os paraguaios têm que engolir sua arrogância e seu ódio a nós, pois, se como dizem eles, nós não passamos de ‘macacos’, eles que levem na sua memória a lembrança de terem levado uma surra colossal de... ‘macacos’.


 


ATÉ QUANDO FINGIREMOS QUE ELES NÃO EXISTIRAM?

Em 1944, entramos numa guerra que não era nossa nem representava perigo ao nosso território. Enviamos 25 mil homens à Europa, dos quais uns 450 e poucos morreram, que, adicionados às vítimas nos navios torpedeados, dão algo em torno de mil mortos, numa campanha que não durou nem um ano, apoiados pelo país mais rico do mundo.  O resultado foi o grande e chamativo monumento dos pracinhas, acima, uma homenagem justa ao seu sacrifício naquele conflito, no qual entramos meio a contragosto, improvisadamente, por imposição de antigos tratados pan-americanos.

Na Guerra do Paraguai, nós tivemos um conjunto de forças atuando que passou dos 60 mil homens, que sofreram baixas dezenas de vezes piores, por mais de cinco anos, em condições materiais muito piores e com mais improvisação ainda, contra uma força superior aos alemães na Itália de 1944, ao lado de aliados que mal se sustentavam. O legado foi uma multidão de veteranos com sequelas atrozes, para conter uma invasão ao território nacional. O que sobrou desse enorme sacrifício são pequenos monumentos municipais,  a maioria voltado para a representação de nobres oficiais, ficando os soldados comuns: os pretos, os pobres, os recém libertos, etc., relegados ao esquecimento. Quando faremos um monumento nacional digno desses combatentes tão injustiçados e esquecidos, que, em termos proporcionais, fizeram muito mais que os pracinhas da 2ª Guerra Mundial?


QUAL É A DIFERENÇA? 





Eduardo Simões

Sabemos que, ao final da Segunda Guerra Mundial, os nazistas, após terem perdido todas as suas reservas de homens adultos disponíveis à guerra, convocaram jovens adolescentes para o campo de batalha, como mostra a foto acima com o Ministro da Propaganda Goebbels, parabenizando um deles. O soldado mais jovem a lutar pelo exército nazista, oficialmente, foi Alfred Zech, com 12 anos.

Os comunistas soviéticos não poderiam ficar atrás! A foto do meio mostra o soldado mais jovem a lutar na frente de combate na Segunda Guerra, Serguei Alekshov, com apenas 7 anos. É verdade, porém, que ele, quando ia ao front,, não ficava na primeira linha e estava sempre acompanhado de seu pai adotivo, o que não excluía o perigo de ser ferido, como o foi diversas vezes.

Quem foi mais longe nessa aberração foi o ditador do Paraguai, Solano López, que no final da guerra, na batalha de Acosta Ñu, pôs em linha uma tropa de adolescentes. Testemunhas oculares apontam para crianças de menos de 10 anos, mobilizadas pelo ditador e criminosamente camufladas com barbas postiças, feitas de crina de cavalo, para parecerem adultos. Essas crianças foram mais criminosamente postas em locais de fogo cerrado. Alguns deles, segundo Doradioto, p. 415, estavam acompanhados das mães. 

O que há de comum nisso?

Não por coincidência, as três situações ocorrem em regimes totalitários — sim, podemos gabar a América do Sul por lançar o primeiro regime totalitário do mundo moderno. Pelo menos no Hemisfério Ocidental do globo. Essa, aliás, é a maior característica dos regimes totalitários: o completo desprezo, e até ódio, pela vida humana, principalmente a das crianças, que deleitam o ego dos ditadores. “Vejam como eu sou poderoso!”

O que há de desculpável?

É compreensível que crianças peguem em armas quando pertencem a uma etnia e essa etnia está explicitamente em desvantagem e sob o efeito de uma pena de morte decretada por uma etnia mais poderosa já agindo em seu território. Aí é cada um por si. Se for capturada, a criança fatalmente morrerá, só por ser daquela tal etnia. Não era nenhum desses casos.

É compreensível que, em zonas sob disputa e sob domínio do terror estrangeiro, algumas famílias liberem seus filhos mais jovens para lutar. O caso do Serguei foi extremo, pois perdeu pai, mãe e irmão mais velho, ficando sozinho, embora nada desculpe, posteriormente, o Exército Vermelho tê-lo enviado para o front de guerra, e não para a proteção da retaguarda. Que infâmia não esperar de um regime totalitário, que se propõe, sozinho, a salvar um povo ou toda a humanidade?

Mas, mesmo essas crianças liberadas individualmente pelas famílias, que aparecem em fotos de propaganda, em regimes não totalitários, são casos isolados, excepcionais, e já têm, em que pese sua pouca idade, uma estrutura física avantajadas, e nunca menos de 14–15 anos. As menores que isso só aparecem apenas em fotos de  propagandas.  

As crianças paraguaias que pereceram em Acosta Ñu estavam lá apenas para evitar que o ditador fosse preso. Ao invés de o grande ditador ter honra e se entregar, ou abandonar o poder, como se queria dele, ele preferiu sacrificar crianças para continuar sobre as cinzas do seu poder. Estava 'se lixando' para o seu povo. 

Qual é a diferença?

A grande maioria dos alemães, capitalistas, democráticos, civilizados, se envergonha profundamente desse período.

Os russos estão perdidos na história, e por isso só a repetem. Não acham isso certo, mas não hesitam em matar civis na Ucrânia, inclusive crianças, enquanto expõem símbolos da antiga URSS.

Os paraguaios tornaram esse episódio um galardão na história do seu país e de sua sociedade, e o reforçam, até hoje, em histórias em quadrinhos, como uma lançada recentemente, chamada GUARANI-TERRA SEM MAL, em que os brasileiros são apresentados como negros, cruéis e sanguinários — eles não perdem uma oportunidade para justificar seu ódio contra nós. Essa historieta é tão desonesta que não apresenta as crianças utilizando as barbas postiças como o general Caballero mandou, para os brasileiros pensarem que eram homens adultos. Por que nossos soldados não atirariam?

Os paraguaios transformaram o seu crime, e a sua infâmia, de convocar crianças para proteger um ditador sanguinário e psicopata em glória nacional, e se gabam disso até hoje. Nem imaginam que o envio de crianças para fazer o que é próprio de adulto significa, antes de tudo, o fracasso dos adultos dessa sociedade em alcançar seus objetivos e negociar ganhos com seus vizinhos. É apenas um ato de covardia e desespero. COMO QUERER QUE ISSO SEJA MODELO PARA O PAÍS?

Enquanto isso, nós, levados pela mentira e pela patifaria deles, fazemos questão de desmerecer publicamente os nossos antepassados que só foram para o Paraguai porque este nos atacou. Nesse ponto, somos muito piores e, com certeza, mais idiotas do que eles. 



terça-feira, 18 de agosto de 2026

 


A COMPANHIA DOS MERCADORES AVENTUREIROS NO REINADO DE ELIZABETH I - 3

[trechos traduzidos de artigo de George Unwin]

[Acima, retrato provável de Thomas Gresham]

Qual a relevância deste relato um tanto tedioso dos Mercadores de Lã para a história dos Mercadores Aventureiros dois séculos depois? Simplesmente esta: em quase todos os pontos essenciais, a situação do século XIV se repete no século XVI. É claro que as circunstâncias e condições, políticas, diplomáticas, comerciais e industriais, são bastante diferentes nos dois períodos. Mas o paralelo é suficientemente próximo para ser  instrutivo. A posição dos Mercadores de Lã no comércio exterior de lã, como um grupo relativamente pequeno e exclusivamente privilegiado de exportadores de lã, foi determinada por sua relação com o Governo, com os produtores de lã e com a maioria desprivilegiada dos comerciantes de lã. O governo conferiu-lhes o monopólio do comércio de exportação, em consideração aos seus serviços na cobrança de taxas alfandegárias, na concessão de empréstimos e no pagamento de grandes subsídios às potências continentais. Os criadores e comerciantes de lã os viam com hostilidade, por limitarem o mercado, baixarem o preço pago ao produtor ou ao intermediário e por se interporem entre eles e os comerciantes estrangeiros. Se substituirmos lã por tecido, produtores de lã por fabricantes de tecidos, comerciantes de lã por comerciantes de tecidos e o pagamento de dívidas pela transmissão de subsídios, podemos dizer dos "Aventureiros" de meados do século XVI o que dissemos dos "Mercadores de Lã" de meados do século XIV.

O ponto de partida é a crise ocorrida entre 1551 e 1553. Temos a sorte de possuir um relato claro, e até mesmo vívido, tanto das causas quanto do tratamento dessa crise, feito por um dos principais atores envolvidos — Sir Thomas Gresham — em duas cartas escritas por ele, uma endereçada ao Duque de Northumberland, e a outra à Rainha Elizabeth logo após sua ascensão ao trono. Na segunda dessas cartas, o grande financista procura iniciar a jovem rainha nos mistérios das trocas cambiais, conforme ele as entendia — ou, pelo menos, conforme desejava que ela as entendesse. O ponto essencial é este: houve uma imensa queda na taxa de câmbio da Inglaterra com a Flandres. Trinta anos antes, em 1520, vinte xelins ingleses equivaliam a trinta e dois xelins flamengos. Em 1551, equivaliam apenas a dezesseis xelins flamengos, e o governo de Eduardo VI [filho de Henrique VIII] estava pesadamente endividado com banqueiros de Antuérpia [na Bélgica, onde também ficava Bruges]. A situação do câmbio era motivo de extrema preocupação. 

“A primeira causa”, diz Gresham, “da queda da taxa de câmbio foi a redução do valor da moeda por Sua Majestade, o Rei, seu falecido pai, de 6 onças de pureza para 3 onças, o que fez com que a taxa de câmbio caísse de 26 xelins e 8 pence para 13 xelins e 4 pence...

Em segundo lugar, devido às suas guerras, Sua Majestade contraiu grandes dívidas na Flandres...

Em terceiro lugar, a grande liberdade concedida à Steelyard [ou 'Stalhof', o entreposto da Liga Hanseática em Londres] e a licença para o transporte de sua lã e outras mercadorias para fora de seu reino...” [provavelmente os alemães fizeram algum ‘favor’ ao rei].

“Agora, para remediar essas coisas, no ano de 1551, Sua Majestade o Rei, seu falecido irmão [Eduardo VI, irmão e antecessor de Elisabeth I], chamou-me para ser seu agente e depositou em mim toda a confiança, tanto para o pagamento de suas dívidas no exterior quanto para o aumento da taxa de câmbio. ... Primeiro, negociei com o Rei e com meu senhor de Northumberland [John Dudley, a ‘eminência parda’ de Eduardo] para rever o acordo com a Steelyard, caso contrário, não seria possível concretizá-lo. ...

Em segundo lugar, negociei com Sua Majestade o Rei, seu irmão, para obter crédito junto a seus próprios mercadores e, quando chegou a hora, negociei com eles.”

A ordem dos eventos é clara. As guerras de Henrique VIII levaram a um grande acúmulo de dívidas e a uma desvalorização drástica da moeda, reduzindo-a à metade de seu valor anterior. Essas causas produziram uma crise financeira sob Eduardo VI. A solução de Gresham foi utilizar os Mercadores Aventureiros, o principal grupo de mercadores ingleses que negociavam com os Países Baixos. Mas, para utilizá-los efetivamente, ele precisava conceder-lhes um monopólio completo, o que implicava a supressão dos privilégios dos mercadores alemães do Steelyard.

Isso não era uma questão trivial. Durante três séculos, os mercadores da Liga Hanseática desempenharam um papel fundamental no comércio exterior da Inglaterra. Importavam a maior parte dos produtos do Báltico — cereais, madeira, peles, suprimentos navais — e, através do seu entreposto em Bruges, conduziam grande parte do comércio inglês com o centro e o sul da Alemanha. Até então, constituíam um dos principais canais para as exportações de tecidos ingleses para a Alemanha, a Europa Oriental e a Rússia, que cresciam constantemente.

No início do reinado de Henrique VIII, exportavam anualmente cerca de 20.000 peças. Esse montante cresceu constantemente desde então e, em 1549, saltou para 44.000 peças. O valor disso pode ter sido pouco inferior a um quarto de milhão de libras esterlinas, que era o montante da receita ordinária da Coroa naquele período. Não obstante, os privilégios da Liga Hanseática foram suspensos em fevereiro de 1552, com o objetivo de dispor todo o comércio de exportação nas mãos dos Mercadores Aventureiros, tornando-os, assim, um instrumento mais eficiente das manipulações financeiras de Gresham.

A estreita ligação entre a posição dos Mercadores Aventureiros e as exigências das finanças governamentais está plenamente demonstrada. Resta indicar a conexão que a nova situação tem com o comércio geral da Inglaterra e com sua principal indústria. Sobre o primeiro desses pontos, Gresham é, novamente, nossa melhor autoridade. Em sua carta ao Duque de Northumberland, em abril de 1553, ele descreve um conflito que então assolava a própria Companhia. Os Aventureiros sempre alegaram representar toda a Inglaterra — os portos provinciais e Londres —, mas a tendência natural era que se tornassem uma corporação fechada, representando predominantemente os interesses de Londres. Uma lei do Parlamento, de 1492, reduziu as taxas de admissão e declarou a Companhia aberta a mercadores provinciais; mas aqueles admitidos em consequência dessa lei — os membros da Nova Liga Hanseática, como eram chamados — nunca foram admitidos em pé de igualdade com os membros da Velha Liga Hanseática, e não podiam apresentar seus filhos e aprendizes nessas mesmas condições. A questão foi levantada novamente em 1551-2 e afetou vitalmente a expansão do comércio inglês.

.....

Em abril de 1550, alguns comerciantes de tecidos queixaram-se ao Conselho Privado de que os Mercadores Aventureiros, por acordo, fixaram o preço dos tecidos tão baixo que os fabricantes perdiam £ 1 por peça. Outros comerciantes de tecidos, contudo, que foram chamados e interrogados, negaram qualquer cumplicidade na queixa. Os Aventureiros, disseram eles, não eram os culpados. A verdadeira causa do problema era o excesso de comerciantes de tecidos, muitos dos quais nunca cumpriram um período regular de aprendizagem na área. A verdadeira solução era restringir o seu número e regulamentar a produção de tecidos com maior rigor. O governo tomou medidas imediatas na direção sugerida [interessava mais diretamente aos seus bolsos]. Após uma Comissão do Parlamento ter ouvido o depoimento de “diversos comerciantes honestos de tecidos” — presumivelmente aqueles que defendiam os mercadores e desejavam regulamentação e restrição — e também o depoimento dos próprios mercadores londrinos, um extenso código foi elaborado, regulamentando minuciosamente a fabricação de cada tipo de tecido, o qual foi transformado em lei e permaneceu como a base de toda intervenção legislativa subsequente no comércio.

Isso foi acompanhado por outra lei que restringia severamente a criação de novas empresas na indústria têxtil, exigindo delas sete anos de aprendizado em tecelagem. Diante desses fatos, creio que estamos justificados em tomar a Companhia dos Mercadores Aventureiros como ponto de partida e centro de uma investigação sobre a conexão entre as finanças do governo, a organização do comércio exterior, a regulamentação da indústria e as relações comerciais entre a Inglaterra e a Alemanha durante o reinado de Elizabeth. Podemos até mesmo presumir que existia uma relação causal, uma interação vital de algum tipo, entre esses diferentes aspectos do desenvolvimento econômico. Mas, quanto à natureza dessa interação e seu significado histórico mais amplo, peço que suspendam seu julgamento até que tenhamos discutido cada um desses aspectos separadamente.

Thomas Gresham qualificou-se como Mercador Aventureiro por meio de um aprendizado regular, mas aos 32 anos, em 1551, tornou-se agente financeiro da Coroa. A situação financeira do governo de Eduardo VI era desesperadora naquele momento. Uma grande dívida havia sido acumulada com banqueiros estrangeiros em Antuérpia, e o crédito do país estava em baixa. A moeda havia sido desvalorizada diversas vezes. O que se vendia como um xelim não continha mais do que quatro pence em prata; com a consequência de que, não apenas o comércio e a indústria nacionais estavam completamente desmoralizados, mas também as relações comerciais e financeiras com países estrangeiros estavam totalmente desarticuladas.

Sob a pressão dessa crise, Northumberland e o Conselho tentaram, por orientação de Gresham, uma série de medidas desesperadas. Uma delas foi o famoso estratagema de Gresham de usar os Mercadores Aventureiros para pagar uma parcela da dívida do governo a uma taxa de câmbio favorável. Essa façanha, que envolveu a revogação dos privilégios dos mercadores hanseáticos e a concessão de um monopólio aos Aventureiros, foi aparentemente realizada pela primeira vez em outubro de 1552 e repetida em maio de 1553. Logo depois, o rei Eduardo morreu, Maria tornou-se rainha, Northumberland foi executado por traição e, a pedido de Filipe [da Espanha], os privilégios hanseáticos foram restaurados. Mas Gresham conseguiu manter sua posição como agente financeiro estrangeiro da Coroa; e em 1554, 1555 e 1556, o governo de Maria continuou a seguir sua política de usar os Mercadores Aventureiros para pagar seus débitos.

Ao mesmo tempo, restringiu mais uma vez os direitos comerciais de que gozavam os mercadores hanseáticos, até que, em 1657, a Liga rompeu relações comerciais com a Inglaterra. Elizabeth, ao ascender ao trono, renovou o cargo de Gresham nos termos mais gentis. Ele agora tinha que enfrentar outra crise financeira em nome do Governo; e recomendou a adoção de sua antiga estratégia... A série de empréstimos dos Mercadores Aventureiros foi renovada em 1559 e continuou em 1560 e 1561. Foi durante esse período que a ligação entre a Companhia dos Mercadores Aventureiros e o Governo se tornou mais estreita do que nunca. A Companhia tornou-se um dos principais recursos financeiros do Governo. O governo, por sua vez, concedeu privilégios únicos à Companhia. Com a revogação dos privilégios dos mercadores hanseáticos em 1552, o governo pretendia entregar a maior parte do comércio entre a Inglaterra e os Países Baixos aos aventureiros e, pela carta régia de 1564, o monopólio da Companhia foi ainda mais protegido da concorrência de outros mercadores ingleses. Quanto à estreita ligação entre as políticas financeira e comercial, não há dúvida alguma...

Permitam-me citar o relato do Dr. Lingelbach:

“O sucesso da política comercial dos primeiros Tudors deveu-se, em grande medida, à eficaz ajuda dos Mercadores Aventureiros. Eles conquistaram o comércio inglês dos estrangeiros e lançaram as bases para a posterior supremacia comercial dos ingleses. ... Foi por meio dos Mercadores Aventureiros que Gresham conseguiu restaurar o crédito financeiro do reino e inverter a taxa de câmbio a favor da Inglaterra num período extremamente crítico.”

As conclusões do Dr. Hagedorn são muito semelhantes.

“Os Mercadores Aventureiros”, escreve ele, “representavam o maior poder financeiro da Inglaterra. [...] E assim aconteceu que a Coroa confiou grande parte de seus próprios negócios aos Aventureiros, e que Thomas Gresham, o grande comerciante a quem foram confiados todos os assuntos da Companhia, foi nomeado em 1551 agente financeiro da Coroa em Antuérpia. Surgiu, portanto, uma ligação sistemática e íntima entre política e comércio, que encontrou seu centro no principal ministro de Elizabeth, Cecil [William Cecil, Lord Burghley]. Os membros da Companhia eram, ao mesmo tempo, agentes políticos do Governo. A Companhia, por outro lado, prestava-se à consecução dos objetivos mercantilistas do Governo. Cada um trabalhava a favor do outro.”

Passar da aceitação de um fato incontestável: a conexão entre o controle do comércio pelos Mercadores Aventureiros e a política financeira do Governo, para a visão sobre a natureza e os resultados dessa política expressa pelo Dr. Lingelbach e pelo Dr. Hagedorn, pode parecer um passo pequeno... [Mas] pode a arte de governar realizar tais feitos? Pode um governo, em um momento crítico, com a ajuda de um monopólio do comércio exterior, elevar a taxa de câmbio a seu favor e, assim, restaurar o crédito do reino? Pode operar com tal monopólio de modo a garantir uma nova estabilidade financeira para si mesmo e, ao mesmo tempo, lançar as bases da supremacia comercial para o país? Se puder, a filosofia econômica de Adam Smith é vã. Devemos queimar A Riqueza das Nações e retornar às autoridades terrenas da Escola Mercantilista. Mas, antes de prosseguir, convém examinar as evidências.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

 


O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 36
[Segundo o blog 'Cangaço na Bahia', os dois padres sentados ao centro seriam os frades que foram a Canudos, mas o religioso que está à direita não é um frade capuchinho, mas um padre secular, denunciado pela fileira de botões na frente da batina. Provavelmente, pelo que se sabe, frei Caetano de São Leo deve ser o que está sentado à esquerda, enquanto frei João Evangelista do Monte Marciano é o frade de longas barbas brancas, bem no estilo dos velhos capuchinhos, sentado ao seu lado].

O rompimento com a Igreja

O governador Rodrigues Lima, que em 1893 fizera uma tropa voltar da perseguição a Antônio Conselheiro, incomodado com o crescimento de Canudos, solicitou ao arcebispo de Salvador, Dom Jerônimo Tomé, a sua apreciação, afinal havia uma mensagem religiosa, pretensamente católica, envolvida. Talvez o governador até alimentasse a esperança de que a Igreja assumisse o pepino de dispersar aquela gente. D. Jerônimo concordou e mandou uma missão de frades capuchinhos, sob a liderança do Padre João Evangelista do Monte Marciano, acompanhado do Frei Caetano de São Leo. Os dois, italianos.

A ação de padres estrangeiros nesse momento pode ter a ver com a preocupação da Igreja em romanizar o clero e a fé do povo brasileiro, que estiveram até ali presos às regras do Padroado, que enfraquecia a relação dos padres com Roma, transformando-os em funcionários públicos, pagos pelo imperador.

As mudanças provocadas na relação Igreja-Estado, com a Proclamação da República, até certo ponto, desejadas por Roma, confundiram o entendimento de muitos. Foi nesse momento que surgiu o registro de nascimento em cartório, em substituição ao batistério para efeito de censo, o casamento civil, independente do religioso e o único válido para o Estado, a administração secular dos cemitérios e as capelanias militares foram esvaziadas. Nada disso, Conselheiro e os seus, insuflados por padres e bispos do antigo Padroado, admitiam, enquanto Roma as considerava questões menores e perfeitamente negociáveis.

Sobre essa missão dos frades, podemos considerar o seguinte:

a) Foi correto o arcebispo mandar frades italianos? A outra questão é: na área da Arquidiocese de Salvador, havia padres brasileiros com boa formação e interesse em participar dessa missão? 

b) O fato de eles serem italianos comprometeu a missão? Vamos considerar: 1º — Frei João Evangelista já estava no Brasil há mais de 20 anos e tinha um razoável conhecimento sobre a terra e sua gente. 2º — O seu relatório tem uma linguagem objetiva: 'vi isso', 'ouvi aquilo'. Ou se prova que ele não poderia ter visto o que viu ou ouvido o que ouviu, ou somos obrigados a reconhecer, no seu relatório, um testemunho precioso sobre o que acontecia em Canudos.

Diz-se, preconceituosamente, que se eles fossem brasileiros teriam sido mais compreensíveis, e que seria mais fácil um acordo, mas afirmar isso é não enxergar o óbvio. O impasse em Canudos foi agravado por decisões de autoridades políticas brasileiras e o seu arrasamento foi obra exclusiva do Exército Brasileiro. Quando os canudenses mais precisaram, só contaram com o apoio de padres estrangeiros, como o frade italiano Jerônimo de Montefiore, em Queimadas, e os frades alemães Gabriel Grömer e Pedro Sinzig, em Cansanção, entre 22 de agosto e 28 de outubro de 1897.

Onde estavam o padre Sabino e o padre Agripino, que celebravam missa em Canudos ou o recebiam com festas em suas paróquias? E os padres brasileiros que, ao contrário da ordem do arcebispo, autorizavam o Conselheiro a fazer suas pregações, vendo o aumento das doações e os trabalhos grátis em suas paróquias? Frei João Evangelista e Frei Sinzig nos deixaram dados sobre Canudos ou defenderam os canudenses. Onde estão os testemunhos e as defesas dos padres brasileiros?

Eis, abaixo, um resumo do que o frei João Evangelista do Monte Marciano viu em Canudos, entre 13 e 21 de maio de 1895, no chamado: “Relatório apresentado pelo Revdo. Frei João Evangelista de Monte Marciano ao Arcebispado da Bahia sobre Antônio Conselheiro e seu séquito no arraial dos Canudos.

a) A viagem foi difícil e lenta pela falta de recursos locais. Era uma região muito inóspita.

b) Dezoito quilômetros antes de Cumbe, depararam-se com um grupo de homens, mulheres e crianças, seminus e armados, sendo recebidos com desconfiança — a distância de Cumbe a Canudos é de cerca de 250 km. Esse caminho, pelo Cumbe, será repetido pela coluna Moreira César.

c) A entrada em Canudos abriu-lhes um cenário de muita pobreza:

"Casinholas toscas, construídas com barro e telhado de palha, de porta, sem janelas nem arruadas. O interior é imundo… os moradores… quase nus… atestavam no aspecto esquálido… as privações que curtiam."

Mas já havia estratificação econômica e social, pois as melhores casas ficavam próximas da casa do Conselheiro.

"Vimos depois da praça… ladeada de cerca de doze casas de telha, e nas extremidades, de frente uma à outra, a capela [creio que o edifício que o Conselheiro chamava ‘santuário’] e a casa de residência de Antônio Conselheiro."

d) Em seguida, ele viu uma guarda armada de perto de mil homens, muito excitados, mas com armas primitivas: bacamarte, garrucha, facão, etc. Eles estavam fardados com calça e blusa azul, semelhante ao exército do Império, com um gorro azul e alpercatas.

e) A mortalidade era alta. Em duas horas, ele viu passar pelo menos oito funerais, conduzidos por homens armados, sem os cuidados religiosos de praxe. Soube depois (pelo padre Sabino?) que isso era comum.

f) A descrição do Conselheiro coincide com a da imprensa: cabelos longos, nos ombros, desalinhados, barba grisalha mais para branca, camisolão azul, gestos medidos e graves, rosto muito pálido.

g) Enquanto ele falava com o Conselheiro, tentando demovê-lo, uma multidão se aproxima e, ignorando a presença do chefe, começa a bater boca com o frade. Isso denota um fenômeno comum em movimentos carismáticos de massa. Num primeiro momento, após atrair e dirigir as pessoas, um líder carismático, teatral e superficial, é, às vezes, por elas dirigido. Essa impressão é reforçada pela seguinte observação: "ninguém consegue falar-lhe a sós, porque seus pretorianos não deixamdia e noite montam guarda a Antônio Conselheiro."

O líder já não tem o controle de sua agenda, nem fica muito claro quem a tem. É o tempo das eminências pardas. Nesse momento, Conselheiro lhe diz: "No tempo da monarquia, deixei-me prender, porque reconhecia o governo; hoje não. Porque não reconheço a república." Ele, portanto, está consciente de que está em confronto direto com o poder público, e a razão que apresenta é estritamente pessoal: "não reconheço a república."

Nesse raciocínio, onde será que ficavam os milhares que o seguiam?

h) O Conselheiro parecia prestar uma deferência especial aos padres, sem nunca assumir as funções deles, mas frei Evangelista observa algo notável: "não dá jamais o exemplo de aproximar-se dos sacramentos, fazendo crer com isso que não carece deles". Isso seria um desvio doutrinário grave, mas também expressão do catolicismo popular, menos sacramental e mais devocional. Noutro extremo, isso poderia ser resultante da leitura compulsiva da Missão Abreviada, que jamais consentiria a Conselheiro aproximar-se dos sacramentos, após ter abandonado duas famílias — ouso dizer que ele devia se sentir muito mal ao ler esse livro, enquanto se purgava com o seu estilo de vida, enquanto pregava-o às multidões.

"As cerimônias do culto a que preside… são mescladas de sinais de superstição e idolatria", diz o frade, como se ele acrescentasse elementos ritualísticos desconhecidos pela ortodoxia.

i) Estimula-se a divisão dos bens dos que querem entrar para a comunidade, assim como guardam as imagens de santos, que uns e outros trazem, para formar como que um panteão, no santuário, e à frente deles o fiel realiza grandes reverências.

j) Notou a presença de criminosos na comunidade, como João Abade (2 assassinatos) e José Venâncio (dezoito assassinatos).

l) A missão começou no dia 14 de maio. O fato notável foi a presença de povo, marcadamente do sexo masculino, mas armado. Conselheiro compareceu, segurando o seu bordão — como fazem os bispos (?) — e ficou ao lado do altar, de frente para o povo, provavelmente atrás ou ao lado do frade. Ele não interveio, mas, por meio de gestos, aprovando ou desaprovando, controlava a reação da multidão à pregação.

m) Ele normalmente fazia pregações ao povo, mas, enquanto o frade esteve lá, ele não fez nenhuma.

n) No dia 18, o frade falou da necessidade de se submeter às autoridades e de eles saírem dali, o que causou grande desagrado. No dia seguinte, beatos e pessoal da guarda fizeram manifestação pública contra o frade, espalharam boatos de um ataque do governo e reforçaram a vigilância das estradas.

o) Dia 20 de maio, João Abade organiza uma grande manifestação contra os padres, agora chamados de maçons, republicanos e protestantes.

p) Começa, segundo o frade, um controle rigoroso de quem entra no povoado; no geral, “aos amigos do governo ou republicanos conhecidos e suspeitos, ela [a milícia do Conselheiro] faz logo retroceder, ou tolera que entrem, mas trazendo-os em vista”.

q) Ele também faz uma acusação séria: "Sucedeu durante a minha estada a um pobre coitado que, por exigir a restituição das imagens que tinha trazido [aparentemente desistira de morar em Canudos], foi posto na prisão." Isso desmente o bordão de que a cadeia de Canudos estava sempre vazia. Robert Levine, em seu livro O sertão prometido — massacre de Canudos, também fala de outros aprisionamentos.

r) Aqueles que entravam na cidade com recursos, mas sem compromisso com a fé no Conselheiro, corriam o risco de saque. "Um certo comerciante, que lá se estabelecera, vindo da cidade do Bonfim", sofreu essa desdita. Semelhante destino teve a loja dos Mota, após a execução dos proprietários.  

O frade suspende a missão no dia 21 de maio e, após uma tentativa fracassada de confissão, ele parte, amaldiçoando o arraial, rompendo oficialmente qualquer elo entre este e a Igreja Católica, embora para o Conselheiro e os seus nada tenha mudado.

Eis alguns comentários do frade:

"Não é só um foco de superstição e fanatismo… é, principalmente, um núcleo, na aparência desprezível, mas um tanto perigoso e funesto, de ousada resistência e hostilidade ao governo constituído do país.

É aquilo um estado no estado: ali não são aceitas as leis, não são reconhecidas as autoridades, não é admitida a circulação do próprio dinheiro da república."

O frade, decerto, ‘carregou nas tintas’, mas é preciso considerar também que:

a) A Igreja Católica precisava esclarecer qual era a situação teológica da Comunidade de Canudos, uma vez que Conselheiro continuou utilizando um discurso parecido, costumes, nomes e símbolos da igreja. No seu testamento, Conselheiro falará na necessidade de defesa e pertencimento à Igreja, que ele seguia naquilo que lhe interessava ou compreendia, sem perceber a contradição.

b) Esse relatório, ao contrário do que dizem, e da ‘profecia’ do Conselheiro, feita quando os padres se foram, não teve a menor influência no que se seguiu. Ninguém o citou para justificar ou anular alguma decisão durante a campanha. Foi um aviso às autoridades, que, se tivessem agido antes, poderiam ter resolvido o assunto com menos perdas.

c) Canudos era um estado, com leis próprias, diversas da Constituição, com uma forma diferente de governo, e que estava se expandindo. Os primeiros combates se darão a dezenas de quilômetros de seu núcleo urbano. Deixada a si mesma, a tendência seria a sua expansão, num desafio crescente ao Estado, com outras lideranças aparecendo, talvez mais inteligentes, mais ousadas e menos escrupulosas. A guerra seria tão inevitável quanto foi, só que muito pior.

As leis e a Constituição devem ser seguidas, e quando queremos atender a casos especiais, esses casos precisam estar previstos em lei, sob pena de o país ficar entregue à lei da selva, à lei do mais forte. É um grande erro pessoas defenderem uma posição de indiferença frente a Canudos. A lei escrita, quando obedecida, dá estabilidade à sociedade e protege os mais fracos. Os canudenses estavam sujeitos a um homem mentalmente instável, cercado por valentões armados.

As autoridades tinham a obrigação de intervir e, com moderação, fazer acordo para o cumprimento da lei e dos valores dominantes na sociedade nacional, além de proteger os mais fracos, antes que aquilo convulsionasse todo o sertão. O governador Joaquim Rodrigues Lima leu o relatório do frei João Evangelista, colocou-o sobre a mesa de trabalho, estalou os lábios, franziu o cenho e disse para si mesmo:

— O bispo não conseguiu resolver. Quem quiser, que descasque esse abacaxi!

Mandou arquivar.


sábado, 15 de agosto de 2026


O BRASIL TEM UMA GRANDE DÍVIDA COM O SEU POVO

Essa bela estrutura, chamada de Templo da Vitória, foi montada no Campo de Santana, Rio de Janeiro, em junho de 1870, para recepcionar as tropas chegadas da guerra. Entretanto, era uma estrutura provisória, feita de madeira, gesso e lona, uma mera e enganadora fachada, digna do regime que a ergueu, e por isso, após ficar uma semana de pé, foi desmontada, e nunca mais se falou nele.

Agora que sabemos que nossos soldados, os heróis vitoriosos que participaram dessa guerra infame, provocada pelo paraguai, são tratados nesse país como criminosos genocidas, enquanto na sua VOLTA AO BRASIL, foram esquecidos e relegados, tanto pelo regime monárquico como pelo republicano, morrendo muitos na miséria, creio que é hora de resgatar esse pecado, essa desonra nacional, levantando esse monumento, mas com o nome de Templo da Gratidão aos Voluntários da Pátria, cercado de estátuas em tamanho natural de soldados do Exército e da Marinha imperiais e dos corpos de voluntários da pátria de todas as provinciais do império, com muitas placas contendo os nomes  deles, para as famílias poderem ver aí seus antepassados, e no centro uma reprodução em tamanho natural de um acampamento brasileiro nessa guerra, com um fogo no centro sempre ardendo. Seria um momento de imersão e conhecimento profundo sobre esse conflito.

Tanto quanto o permite a sensibilidade moderna.


 ESSES HOMENS NÃO MERECEM RESPEITO?

(Veteranos da Guerra do Paraguai)






Para haver um genocídio, são necessárias duas coisas: um demônio para dar a ordem e um covarde para cumpri-la. Esses homens, todos VETERANOS DA GUERRA DO PARAGUAI, foram por ventura covardes comandados por demônios, ou antes, por terem passado o que passaram e sobrevivido, foram homens, como poucos conseguiriam sê-lo e, certamente, nenhum de seus detratores jamais o conseguiria?

Como podemos suportar, sem dar uma resposta à altura, o fato de os paraguaios, que nos agrediram à traição, e sem motivos, em 12 de novembro de 1864, virem agora chamá-los de GENOCIDAS, enquanto os argentinos chamam seus descendentes de MACACOS!!!! Ante o aplauso febril dos HISTORIGUAIOS esquerdistas, os mesmos que chamam de TRAIDORES DA PÁTRIA os tontos que aplaudem a política tarifária idiota do presidente americano, só porque são oposição política ao seu chefe?

Alguns, desprovidos de discernimento ou tolos em demasia, alegam que eles não foram voluntários, mas antes foram forçados pelo governo a ir para a guerra, como se isso fosse demérito para eles, quando é justo o contrário!!!! Um bebezão, um imaturo, quando as coisas não saem como ele quer, entra em parafuso e colapsa, batendo o pezinho e rolando pelo chão, enquanto um homem adulto adapta-se, e, se for superior, torna-se um HERÓI, vencendo alguém mais forte — embora covarde o bastante para atacar um navio de passageiros —, dentro da casa deste, sobrevivendo à guerra.

Quanto aos argentinos, lembrem-se de que, em 20 de fevereiro de 1852, os nossos ‘macacos’, avós dos atuais, desfilaram, armados, pelas ruas de sua bela capital.

Faz bem à saúde respeitá-los!





sexta-feira, 14 de agosto de 2026


NOSSO MAIOR CRIME, OFICIAL, NA GUERRA DO PARAGUAI.

Foi não ter cuidado de nossos veteranos, muitos deles das classes sociais mais pobres, que foram compulsoriamente enviados para a frente de batalha com o título de VOLUNTÁRIO DA PÁTRIA. Muitos, estropiados, que não tinham bom suporte familiar, acabaram morrendo à míngua. Esse crime sim, foi muito pesado — Marcelo Santos Rodrigues, baiano, numa dissertação de mestrado chamada Os (In)voluntários da Pátria, disse que na Bahia, em 1916, o governador Antonio da Costa Pereira, "em nome da 'sã política racional, orientada para a confraternização dos povos'" solicitou que houvesse, oficialmente, apenas uma celebração da guerra, antes eram duas, num louvável desejo de paz e reconciliação com o Paraguai. Mas isso, também, diminuiria pela metade o seu constrangimento, pois a Bahia foi o estado que mandou mais 'voluntários', e os veteranos costumavam aparecer em peso nessas comemorações, mostrando, nos seus corpos, tanto a dimensão de seu sacrifício quanto do abandono a que as autoridades os relegavam. 

Na mesma linha, fugir de obrigações jurídicas e morais, seguiu-se a queima dos arquivos da escravidão, em 1891, ordenada por Rui Barbosa, e a paralisia das investigações da CPI do INSS, sobre o roubo dos velhos e pobres aposentados, depois que as investigações começaram a atingir o filho do presidente, em 2026.


ATÉ TU, REDE GLOBO?

O portal G1 da REDE GLOBO, em uma página intitulada OS TROFÉUS DE GUERRA QUE O PARAGUAI QUER DE VOLTA, no seguinte endereço — https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/08/15/os-trofeus-de-guerra-que-o-paraguai-quer-de-volta.ghtml — repostou um artigo do site da Deutsche Welle, datado de 15.08.2023, onde um professor da UNESP, o senhor Paulo Henrique Martinez, sustenta o discurso típico dos historiguaios onde o Brasil, apesar de ser o agredido nessa guerra, é apresentado até hoje, aos paraguaios, como agressor e genocida, conforme o mandamento da esquerda, defende que o Brasil deve devolver automaticamente, sem reparação, todos os trofeus, conseguidos ao custo de muitas vidas brasileiras durante a guerra, como se só a dor e as perdas dos paraguaios, que provocaram essa guerra, merecessem respeito. Eles ainda nos devem os passageiros do vapor Marquês de Olinda. Devolvam-nos!!!! Para ilustrar a matéria, o portal, que tem um serviço de checagem chamado Fato ou Fake, posta uma informação completamente fake, pois, como já vimos, esses meninos são colombianos e essa foto é de 1902. Sem falar da informação absurda, capturada no print, de que a guerra aconteceu no século 10, logo no auge da Idade Média.

Portanto, já prescreveu!

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 


GUERRA DO PARAGUAI — OS HISTORIGUAIOS ATACAM O BRASIL, NOVAMENTE, COM A SUA ARMA PREFERIDA: A FRAUDE.

Eduardo Simões

Chamo de historiguaios aqueles brasileiros que, por um desacerto da natureza ou desparafusamento mental, travam uma guerra de morte, diuturna, contra o seu país, sempre que o assunto é Guerra do Paraguai. Esse tipo de gente começou a aparecer, e quase imediatamente ganhar notoriedade, com o lançamento, em 1979, do livro Guerra do Paraguai, um genocídio americano, de um dos mais encarniçados inimigos de nossa pátria, o paulista Júlio José Chiavenato. 

O seu livro é pouco mais que um monte de mentiras, distorções e desinformação, mas, no seio de um povo ignorante de sua história, ‘vendeu como água’ e o fez famoso da noite para o dia, apesar de o autor não ter nem qualificação acadêmica. O seu livro ganhou autoridade de 'revelação divina’, mudando quase instantaneamente a abordagem majoritária desse tema — como nenhum outro historiador sério o conseguiu —, tornando verdade irrefutável uma antiga máxima de sabedoria: ‘Deus começa por tirar o juízo daqueles que querem se perder’.

Nem todo esquerdista é historiguaio, mas todo historiguaio fanático, daqueles que não perde uma oportunidade para dar uma estocada, é esquerdista. Existem também os incautos, os tolos, tanto de direita como de esquerda, que se deixam levar. Agora, leitor, peço-lhe a atenção para a foto abaixo, que, segundo, historiguaios histéricos seria de crianças paraguaias supostamente massacradas pelo exército brasileiro na batalha de Acosta Ñu. Campo Grande, na nomenclatura brasileira — quando damos rosto às ‘vítimas’, fica mais fácil incutir ódio ao ‘agressor’ ou, como nesse caso, ‘o que terminou vivo’ ou ‘o que venceu’. Os historiguaqios odeiam o Brasil apenas porque ele venceu a guerra, que ele não provocou.


Segundo uma enxurrada de sites de historiguaios e ignorantes, a foto acima seria de crianças paraguaias mortas por tropas brasileiras em combate, num verdadeiro crime de guerra, afinal quem ‘animal’ teria coragem de atirar em crianças tão pequenas, inocentes e desprotegidas? Mas a questão prévia é:

Guerra é coisa de adultos. O que essas crianças estão fazendo, armadas,  num campo de batalha?

Quem convocou, armou e enviou essas crianças para resolver um assunto só de adultos, causando-lhes morte ou outro dano, foram os brasileiros, ou foi o psicopata necrófilo, corruptor de crianças, que governava o Paraguai?

Imagine que você é um soldado brasileiro, armado, guardando uma posição sob ordem superior, e uma criança dessas avança contra você, com a baioneta apontada para a sua barriga. O que você faria? Ficaria especulando se a arma era de verdade, se, por acaso, o fuzil era de chocolate e a lâmina de açúcar de confeiteiro? E aí diria a si mesmo: “Vou deixar ele me furar, mas, se for de verdade, eu vou ficar muito zangado.” 

Então a gente começa a observar detalhes que não batem.

1º — O tipo de baioneta: observe que ela é bem diferente daquela que aparece na reprodução do quadro que abre esse post, detalhe de uma obra do pintor Pedro Américo, A batalha do Avaí, e que é a imagem exata da baioneta mais usada na Guerra do Paraguai: a baioneta de alvado ou de cubo, também chamada de baioneta de soquete ou de encaixe (abaixo). Posteriormente, na Europa, no final dos anos 1860, a baioneta-espada ou baioneta sabre, semelhante às que aparecem na foto, começou a se popularizar com os novos fuzis Chassepot e Lee-Enfield. Mais tarde chegariam à América do Sul. Logo, as baionetas não batem. 


2º — O rosto dos soldados: vemos no quadro de Américo que os soldados têm barba ou um grande bigode ou os dois, além de cabelos compridos — os paraguaios que aparecem nos quadros têm os cabelos ainda maiores, enquanto na foto os soldados aparecem com o rosto liso, bigode pequeno, e cabelos bem aparados. Os avanços e descobertas da medicina, em especial nos quesitos de higiene e medidas sanitárias públicas, a partir do final dos anos 1870, tornaram as longas barbas e cabeleiras, comuns aos soldados do século XIX, coisas do passado.

3º — Os sapatos e botas: uma coisa singular, em todos os quadros, fotos e imagens de soldados paraguaios, é que a maioria deles está descalça. Na foto original, em que esses meninos aparecem inteiros, todos estão de sapatos ou botas, até os meninos.

4º — O uniforme da infantaria: o paraguaio é um casaco vermelho com calças brancas e às vezes até algo como uma saia, semelhante ao kilt escocês com franjas na extremidade, e aí o uniforme é feito por variações de azul, muito mais próximo ao usado no exército imperial. O uniforme do exército paraguaio tem platina ou patilha de ombro (uma lingueta de tecido abotoada) para evitar que as alças da patrona ou da baioneta escorreguem. Os uniformes da foto não têm isso.

5º — O quepe: usado pelos meninos e os soldados nada têm a ver com os quepes usados pelos paraguaios na Guerra do Paraguai, que se caracterizam pelo uso da faixa tricolor na cúpula sobre a cabeça (a copa ou coroa).

6º — As roupas e os chapéus dos indivíduos que não estão fardados são muito modernos para 1870.

7º — A nitidez da foto é incompatível com o padrão das fotos da época da guerra, as pequenas sombras nos rostos quase não aparecem nas fotos mais antigas.

Veja, abaixo, uma ilustração sobre a Guerra do Paraguai feita num livro inglês sobre esse assunto:

 


Observe esses detalhes da ilustração, ausentes da fotografia, no momento em que os paraguaios atacam um quadrado uruguaio. Os soldados não só estão descalços, como têm as calças rasgadas. Era um exército muito pobre, com grandes problemas de abastecimento. Têm a vantagem de conhecer bem o terreno que nenhum dos aliados conhecia, sem falar na surpresa de todos com o ataque paraguaio. A ideia de que o Paraguai era um país próspero e igualitário é uma mentira deslavada. Não passava de um povo pobre, fanatizado por uma ditadura totalitária nefanda, que preferiu levá-los quase ao extermínio a sair por conta própria do poder, mostrando o caráter absurdo e necrófilo da nossa esquerda historiguaia.

Mas não tem problema, pois afinal eu descobri a foto original, batida em 1902 e publicada na página 53 da edição de 19 de julho de 1902 da revista semanal parisiense L’Illustration, que você pode ver abaixo.




O texto de chamada diz “LA GUERRE CIVILE EM COLOMBIE – les soldats-enfants de l’armée governamentale [A guerra civil na Colombia – os soldados-crianças do exército do governo]. Na verdade, é uma foto de uma guerra civil colombiana, chamada de ‘Guerra dos Mil Dias’ ou ‘dos Três Anos’. O texto abaixo da foto, muito apagado, cita apenas generalidades, mas diz que essas crianças têm em torno de 12 anos, sendo que um dele mal completou 11 — provavelmente o corneteiro — e que seu comandante é o general Pompilio Gutierez. Esses não são meninos-tambores ou mascotes, que só participavam das bandas regimentais e dos desfiles festivos, mas combatentes de fato. ISSO É UM CRIME!!!! A foto está levemente retocada embaixo.

Está explicado a coloração azul dada aos uniformes, de acordo com o padrão usado pelo exército colombiano nessa época.


Eis uma prova mais recente que a foto se refere a eventos na Colômbia.


Um povo doente! Um post do Comando de las Fuerzas Armadas do Paraguai, de 16 de agosto de 2024 comete a aberração de evocar o sacrifício de crianças, digo mais uma vez, NUM ASSUNTO EXCLUSIVO DE ADULTOS, para comemorar o dia das crianças no Paraguai, sem nem perceber que isso é um testemunho arrasador contra o caráter de sua própria população. Quem convocaria crianças de até SETE anos para um sacrifício desses, só para garantir a sua perpetuação no poder, uma vez que já lhe fora dito, por Mitre, na conferência de Yataytí-Corá, de que se López renunciasse a guerra cessaria? Hitler convocou as crianças e Solano López também — Napoleão, o grande vilão da esquerda, preferiu renunciar a destruir o seu país e mais ainda o seu povo.  Que povo transforma um homem que faz isso no seu supremo herói nacional?


Eis o resultado do apaziguamento e estratégia de paz a qualquer custo. Eles capturaram um navio de passageiros, numa típica ação de pirataria, sequestraram um governador de província e seus companheiros, os torturaram, os submeteram às piores privações, os mataram e se desfizeram de seus cadáveres, e agora nos apontam com os únicos culpados, enquanto eles são apenas vítimas. Nas escolas eles ensinam as suas futuras gerações a nos odiar até à morte.  

E AINDA QUEREM INDENIZAÇÃO!!!!!!