sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 


EXCESSO DE CIRCO OU DE TRAGÉDIA?

Eduardo Simões

Acabamos de mostrar ao mundo como uma eleição pode fragilizar e até destruir uma democracia, e como nós, brasileiros, estamos descompromissados com o futuro do que restou do Brasil. Fizemos uma campanha maluca, cara, polarizada, cheia de inversões, quebrando todos os antigos paradigmas, exceto em Minas, para surpresa de ninguém, só para chegar onde estávamos no início.

Foi tudo em vão? Creio que não? Graças a todos esses acontecimentos, nós ficamos ainda mais ressentidos e nos odiando mutuamente do que estávamos antes das campanhas. Então, mudamos... Para pior. Quatro coisas, porém, podem ser dadas como líquidas e certas:

a) Lula teve mais votos que Flávio. Não há o que discutir... Até prova em contrário. Ponto.

b) Ficou claro que Flavio não poderia esperar um julgamento justo e minimamente imparcial. A intervenção de Zanin, advogado do Lula, atropelando o TSE, e o pedido ilegal de retenção de passaporte de um senador da república, sem uma acusação formal, é a cereja do bolo dessa panificadora marginal em que se tornou o nosso Supremo. Este, como as gangues das periferias, vai criando impunemente leis e interpretações ao sabor das circunstâncias e dos interesses de seus membros ou do Executivo. Ponto.

c) Os dois lados têm mais motivos do que nunca para se odiarem e, mais cedo ou mais tarde, isso vai explodir. A direita bolsonarista é muito chucra e a esquerda lulo-petista, dissimulada e demasiado gulosa para admitir a normalidade do rodízio democrático do poder. Dilma Rousseff disse uma vez: “o PT  vai fazer o diabo para não perder a eleição”. O Lula fez. Aliás, as nossas massas estão ficando cada vez mais familiarizadas com esse ‘tipo’, para não sentir os efeitos perversos dessa proximidade. Ponto.

d) A tosquidão, a chucrice dos bolsonaros ficou evidente. Eles não aprendem com a experiência. Isso apareceu na menção estúpida dos “nove dedos” do Lula, mostrando bem qual é o tipo de rede ou grupos onde Flavio ‘enriquece’ o seu discurso político, e na declaração catastrófica, feita nos EUA. Proclamou-se sozinho presidente do Brasil, nos Estados Unidos, quando seus  aliados já aceitavam o resultado.

Flavio deve se sentir uma espécie de deus, tipo Apolo, que adora a academia, mas evita as bibliotecas. A sua derrota foi fruto do clima infantil de “já ganhou”, que assomou seus partidários após o 1º turno, e que agora ajudará a colar a certeza de que os bolsonaros são fregueses de carteirinha da esquerda, como Haddad e Marina o são da direita. Se a direita admitir que ele a represente novamente na próxima eleição presidencial, passará atestado de falta de inteligência. Tá okay?

Essa declaração de Flávio, ainda que posteriormente corrigida, mostrou o seu verdadeiro caráter, assim como a declaração de Lula de que iria “acabar com a polícia”, expressa muito, senão tudo, o que o presidente pensa sobre o assunto. Dando um pelo outro, não quero troco.

A única saída natural, lógica, para Flavio seria alegar perseguição e parcialidade da justiça lulista. Nesse quesito, há vários fatos gravíssimos de descumprimento da lei a favor do governo ou contra a oposição, que, dito por sua pessoa nesse momento, poderiam até mudar a percepção de muitos estrangeiros sobre o que se passa neste país. A falsa democracia petista ficaria exposta, sem falar que Lula e o STF, pressionados pelas declarações, talvez se vissem obrigados a afrouxar a perseguição, e mesmo se o fizessem de iniciativa própria, Flávio poderia reivindicar a vitória de sua iniciativa, se cacifando para um papel de destaque na oposição, mesmo à distância.

Porém, pensando apenas no curto prazo — estou supondo que ele pensa —, imaginando uma força que ele nunca possuiu, escancarada na derrota burra do segundo turno. Flavio alucinou e deu motivos para que o seu partido, o grande vitorioso nas eleições, tomasse a iniciativa de isolá-lo para não ficar completamente isolado no Congresso recém-conquistado. Ou seja: mesmo naquilo que venceu, o bolsonarismo fracassa. O que é irônico nesse isolamento é que está sendo estimulado justamente pelo Centrão, a quem o patriarca Jair teceu elogios e jurou pertencimento, após chamá-lo de “ladrão” na disputa eleitoral. Não há nada de novo sob o sol, muito menos no bolsonarismo.

Fora isso, alguns falam no aumento das possibilidades de uma terceira via ou, pelo menos, de um bolsonarismo pensante, tipo Tarcísio de Freitas e outros. Esta situação, porém, não interessa nem ao bolsonarismo nem ao PT. Tarcísio passará a ser alvo privilegiado do governo e da mídia chapa branca, mais interessados numa ressurreição dos bolsonaros, que, como naquele filme de Alberto Sordi e David Niven, já mostrou ser “O melhor dos inimigos.” Como um dia o velho Jair imaginou que seria o Lula, esborrachando-se todinho. São muito incompetentes.

Enquanto esses movimentos todos são facilmente perceptíveis na elite da nossa política, o ‘chão de fábrica’, ignorado pelos especialistas da grande imprensa, legiões e mais legiões de admiradores, correligionários, militantes, simpatizantes, etc., se agita perigosamente. Gente impressionável e fortemente influenciada pela linguagem agressiva, intolerante e, às vezes, até criminosa, dos dois candidatos, continuamente incendiada por nuvens de notícias falsas oriundas de canais, sites, blogs etc., posta-se, principalmente do lado perdedor, ansiosa para dar o troco. Que, nesses casos, é quase sempre maior do que a dívida contraída.

Mas há outro fator também, poderoso, tradicionalmente desprezado nas análises, o qual é o caos financeiro do país; ampliado pelo governo, num processo descarado, com a benção do STF, de compra de voto, que encontrou a mais generosa boa vontade dos eleitores, e que não pode, agora, ser acomodado debaixo do tapete de nossa irresponsabilidade. Falta espaço.  

Seus efeitos já se fazem sentir, confirmando, aparentemente, as profecias catastróficas daqueles que não se venderam nem especularam a possibilidade de revogação da lei da gravidade. Sem falar do movimento crescente nas redes sociais de empresas demitindo funcionários de esquerda ou parando sua contribuição para as ONGs. Mais do que uma represália, isso prenuncia uma crise inédita na economia real provocada pelo aumento explosivo dos impostos, a redução da carga laboral e a fuga de capitais.

A crise econômica contratada pelas intervenções do governo no setor já está em andamento, como  num rastilho de pólvora aceso, rumo a um paiol cheio de explosivos — a somatória dos nossos golpes, indiferenças e ressentimentos reais ou imaginários, nascidos da realidade ou inculcados pelo discurso da luta de classes, frutos do abandono dos mais frágeis, da corrupção generalizada, das benesses eleitoreiras, dos marxistas de botequim, do discurso de ódio recíproco.

Será que ainda sobrará alguma coisa que valha a pena ser gerida ou governada por tanta gente sequiosa de poder, seja lá nos Estados Unidos, seja por aqui mesmo?

Por fim, um pensamento quase otimista para quem já o é muito.

A MINHA MAIOR PREOCUPAÇÃO NÃO É SABER SE HAVERÁ UMA TRAGÉDIA NESTE PAÍS, MAS QUANTAS VEZES MAIS O NOSSO POVO ESTARÁ DISPOSTO A REPETI-LA.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

 


BELA SOFIA

Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, esquecerão o que você fez, mas nunca esquecerão como você as fez sentir.

Um amigo é alguém que, mesmo sabendo tudo sobre você, se importa com você.

Perdoe os seus inimigos, nem que seja para irritá-los.

É melhor ser odiado pelo que você é do que ser amado pelo que você não é.

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente, esperando resultados diferentes.

Aceitamos o amor que achamos merecer.

São as nossas escolhas que mostram quem somos, muito mais do que as nossas habilidades.

“A imperfeição tem beleza, a loucura pode ser genialidade e é melhor ser absolutamente ridículo do que absolutamente entediante.”

“Enquanto ele lia, eu me apaixonei da mesma forma que a gente adormece: devagar, e depois de repente.”

“Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando para as estrelas.”

“O tolo pensa que é sábio, mas o sábio sabe que é tolo.”

terça-feira, 27 de outubro de 2026

 


A COMPANHIA DOS MERCADORES AVENTUREIROS NO REINADO DE ELIZABETH I - 8

Se quisermos observar os efeitos nocivos do princípio oposto, basta consultarmos os registros da Companhia dos Mercadores Aventureiros de Newcastle na primeira metade do século XVI. Um artesão não tinha permissão para importar ou exportar uma carga por conta própria. Um capitão ou comerciante estava proibido de agir como seu agente. Um capitão não podia atuar em sociedade com um comerciante. Tais restrições eram fatais para o crescimento do capital no comércio. O que constatamos ser verdade para o conjunto geral dos Mercadores Aventureiros também se aplica às companhias locais que estavam sendo formadas no início do reinado de Elizabeth.

Certamente, elas não eram órgãos de um comércio em expansão. Onde a expansão ocorria, ela se expressava na resistência ao monopólio reivindicado pelas companhias. Quando tratarmos das novas grandes companhias nacionais, descobriremos que a mesma verdade se aplica a elas. Podemos, no entanto, deixar de lado a questão da expansão e nos voltar para a outra questão: até que ponto os Mercadores Aventureiros foram o órgão ou instrumento de uma política consistente adotada pelo Governo? O estudo da ascensão das novas companhias nacionais a partir dos Mercadores Aventureiros, ou em conexão com eles, nos ajudará a encontrar resposta para essa questão...

Na segunda década do reinado de Elizabeth, de 1568 a 1578, duas novas influências começaram a desempenhar um papel predominante na história comercial, logo, não podemos prosseguir com nossa narrativa sem mencioná-las. Essas influências foram as da empresa de capital aberto e a busca por tesouros. Em grande medida, essas duas influências eram idênticas. A primeira das grandes companhias de capital aberto, que acabou se tornando a Companhia da Rússia, é uma exceção parcial à regra. Mas a Rússia nunca foi concebida para ser mais do que uma etapa nessa jornada. O título original da Companhia era “Os Mercadores Aventureiros da Inglaterra para a descoberta de terras, territórios, ilhas, domínios e senhorios desconhecidos” e seu objetivo final era a riqueza das Índias e do Catai, e as lendárias minas de Golconda. A primeira viagem de Frobisher, em 1576, partiu com esse objetivo pela rota noroeste, [circundando o litoral norte do Canadá]; suas segunda e terceira viagens foram impulsionadas por uma falsa descoberta de minério de ouro em Terra Nova; e sua última viagem desviou-se para os atrativos mais certos da Costa do Ouro e do Caribe.

As companhias africanas fizeram do pó de ouro seu primeiro objetivo e recorreram ao tráfico de escravos como uma segunda opção lucrativa. A Companhia Real de Minas foi fundada em 1564 na esperança de que ouro e prata pudessem ser descobertos no próprio solo da Inglaterra, e a decisão dos juízes em 1567, que desapropriou o Conde de Northumberland de seu direito de mineração em favor da Coroa, pode ter sido uma das causas da Revolta do Norte. 

Mas as mais lucrativas dessas empresas pertencem a uma classe cujos registros completos, por razões óbvias, jamais virão à luz — as companhias de corsários, ativas após a ascensão de Elizabeth, e cujas façanhas, por mais gratificantes que fossem para os beneficiários dos dividendos, tornaram o oceano inseguro para o comércio desarmado durante longos períodos do reinado. O exemplo supremo, bem como o mais conhecido, dessa forma de roubo internacional foi a captura por Drake, em 1579, do que se supõe ter sido mais de um quarto de toda a produção das minas espanholas, uma soma superior a 600.000 libras esterlinas. Desse montante, um quarto de milhão foi para o tesouro da rainha e outro quarto para os acionistas do empreendimento, rendendo algo em torno de 4.700%.

Não vamos aqui discutir a moralidade desta forma de empreendimento, mas simplesmente os seus efeitos sobre a prosperidade do comércio. Não há dúvida de que estes foram extremamente prejudiciais... O peso tanto dos factos como dos argumentos opõe-se à suposição de que as façanhas dos corsários elisabetanos favoreceram a expansão do comércio inglês. Fatos mostram que não foi esse o caso... O corso inglês não só atuou continuamente como um obstáculo concreto ao comércio externo, como em pelo menos três ocasiões foi a principal causa da paralisação completa da maior parte deste, provocando assim três graves crises no comércio e na indústria.

Na primeira dessas ocasiões, a interrupção do comércio em 1564 entre a Inglaterra e os Países Baixos, houve outras causas contribuintes, notadamente o Ato de Navegação e a outra legislação de 1563 dirigida contra o comércio dos Países Baixos, mas a situação chegou ao auge devido à pirataria praticada no Canal da Mancha por navios ingleses. A interrupção durou um ano e a ruptura com os Países Baixos nunca foi sanada. Os Mercadores Aventureiros, expulsos de Antuérpia, tentaram estabelecer seu entreposto comercial em Emden, na Frísia [Alemanha], mas, em virtude do comércio insuficiente, foram obrigados a transportar suas mercadorias para Colônia e Frankfurt. É significativo ter sido em meio a essa crise que os Aventureiros receberam sua carta régia e obtiveram a confirmação da licença para a exportação de 30.000 tecidos brancos, o que constituía seu monopólio.

A segunda crise surgiu em dezembro de 1568, diretamente da apreensão do ouro espanhol, que havia se refugiado de corsários no porto de Plymouth, mas esse ato indefensável do governo [de Elisabeth I foi apenas a gota d’água. Um ano antes, o embaixador espanhol havia reclamado, em vão, dos ultrajes cometidos por corsários ingleses. Em janeiro de 1569, as mercadorias dos aventureiros e comerciantes dos Países Baixos, e dos mercadores ingleses na Espanha, foram apreendidas num valor de quase 200.000 libras, e houve represálias contra as mercadorias dos mercadores espanhóis na Inglaterra. Os cronistas da época se vangloriaram de que o saque inglês foi maior que o espanhol. Mas, como o Dr. Scott aponta com muita propriedade, isso, se for verdade, foi uma pequena consolação pela paralisação do comércio por vários anos com os dois melhores parceiros comerciais da Inglaterra: os Países Baixos e a Espanha, nenhum dos quais se recuperou completamente durante o reinado de Elizabeth.

Nota da IA Google

1. A apreensão dos navios do Tesouro Espanhol (Inglaterra, novembro/dezembro de 1568)
  • O incidente: tempestades forçaram cinco navios espanhóis a buscarem abrigo nos portos ingleses de Plymouth e Southampton. As embarcações transportavam ouro e prata (cerca de 400.000 florins) que eram empréstimos de banqueiros italianos destinados ao pagamento do exército espanhol de Filipe II nos Países Baixos. 
  • A ação: A rainha Elizabeth I, aconselhada por William Cecil, autorizou a apreensão do dinheiro, tratando-o como um empréstimo transferido para a Coroa Inglesa. 
  • A consequência: Filipe II respondeu confiscando propriedades inglesas na Espanha e nos Países Baixos, rompendo relações diplomáticas e comerciais e escalando o conflito que culminaria na Guerra Anglo-Espanhola. 
[Os ingleses também alegaram que a decisão acima foi uma resposta ao que acontecera no México naquele mesmo ano].

2. A Batalha de San Juan de Ulúa (México, setembro de 1568)
  • O incidente: Uma flotilha de corsários ingleses, liderada por John Hawkins e Francis Drake, entrou no porto de San Juan de Ulúa (atual Veracruz, México) para reparos e reabastecimento após enfrentar tempestades. 
  • O confronto: Uma frota de socorro e de guerra espanhola, comandada por Francisco Luján e pelo vice-rei Martín Enríquez, chegou ao local. Após um breve acordo, os espanhóis atacaram os ingleses de surpresa.
  • O desfecho: A maior parte da frota inglesa foi destruída ou capturada; apenas Hawkins e Drake conseguiram escapar. Este episódio gerou um profundo ressentimento nos navegadores ingleses, impulsionando décadas de represálias e corsarismo contra os navios e colônias espanholas. 

Sobre a terceira crise, a de 1587, espero falar na minha próxima palestra. Passando dos fatos aos argumentos, um pouco de raciocínio será suficiente para mostrar que as influências predominantes numa época de busca por tesouros não são favoráveis ​​à expansão do comércio comum. Em primeiro lugar, fica claro que, na paixão universal pela especulação, alimentada pela esperança de prêmios como o de Drake, muito capital seria desviado de canais de empreendimentos mais saudáveis; e grande parte desse capital foi perdida. 

Mas há evidências ainda mais conclusivas. Encontramos o Conselho Privado escrevendo ao Lorde Prefeito em 1577, instruindo-o a pressionar os comerciantes londrinos relutantes a apoiarem as expedições de Frobisher (nas quais cerca de £ 20.000 foram perdidas) e a suprimir os discursos obscenos daqueles que lançavam dúvidas sobre a autenticidade do minério de ouro falso. E, de fato, os principais comerciantes das companhias comerciais também figuravam entre os principais investidores nos empreendimentos de mineração e nas viagens africanas e americanas, e também estavam interessados ​​no corso em sociedade anônima.

Em nossa época, novas descobertas de ouro, embora quase invariavelmente consumam mais capital especulativo do que rendam, podem estimular, até mesmo superestimar, o crédito. As descobertas do século XVI, de fato, tiveram uma forte tendência a fazer isso. Mas, como tentei demonstrar em meu relato sobre o desenvolvimento do crédito internacional, a caça ao ouro dos corsários mais do que contrabalançou essa tendência. Ela desferiu um golpe fatal no próprio cerne do crédito. Tornou o sistema bancário e financeiro internacional praticamente impossível. Diante desse resultado, o governo recuou. Após a apreensão do ouro espanhol em 1568, que provocou uma crise que desestabilizou o comércio e a indústria por vários anos, Elizabeth teve, por fim, que reconhecer a quantia como um empréstimo dos banqueiros genoveses a quem pertencia. Esse efeito direto e imediato sobre o crédito, decorrente da apreensão em Plymouth em 1568 e da posterior captura de Drake, é bastante evidente...


Nota do tradutor

Schumpeter contesta, no seu livro “História da análise econômica”, essas conclusões de Unwin, afinal, naquela época havia um estado de guerra permanente entre as potências, o que justificaria as ações de corso. Quanto à afirmação de que os tesouros arrebatados aos espanhóis em nada contribuíram para o desenvolvimento comercial da Inglaterra, podemos aludir, seguindo Schumpeter, que o aumento inesperado das rendas do Tesouro Real reduziu o apetite do Estado por novos impostos, o que beneficiava a iniciativa privada inglesa de uma maneira geral.

Houve, contudo, efeitos indiretos sobre o crédito, decorrentes da preocupação do governo e da nação com o ouro, que, por serem menos óbvios, foram mais insidiosos na época e que merecem maior atenção do estudioso. Em resumo, a preocupação prática com o ouro gerou uma reação à teoria bullionista, da qual o comércio e a indústria pareciam prestes a escapar. Por mais paradoxal que pareça, é um fenômeno psicológico natural que as nações com maior acesso ao ouro e à prata também tivessem as leis menos liberais sobre metais preciosos. Enquanto milhões fluíam para seus cofres, o espanhol ressentia-se de cada ducado exportado pelo estrangeiro. Gresham nos deu um relato vívido de como foi hostilizado na Espanha, quando foi, como agente da Rainha Maria, trazer alguns metais preciosos com a aprovação de seu marido, Filipe [a rainha Maria, da Inglaterra, teve um casamento ‘torto’ com Filipe II de Espanha]. O mesmo ocorreu na Inglaterra, quando os bucaneiros começaram a trazer ouro de minas descobertas em alto mar [os navios que saqueavam], quando os aventureiros africanos trouxeram pó de ouro da costa da Guiné, quando ainda havia grandes esperanças de que as cargas de lastro [pedras comuns que eram postas na parte mais baixa da quilha dos navios para lhes dar estabilidade] de Terra Nova dos navios Frobisher contivessem uma alta porcentagem de metais preciosos [ou seja: queriam minerar o fundo dos barcos], todos os antigos mecanismos restritivos à liberdade comercial foram revividos.

Com um saque imediato de ouro e prata sempre em mente, a nação deixou de confiar nas silenciosas, porém irresistíveis, agências do comércio externo e do crédito internacional, pelas quais o fluxo de ouro e prata era mantido em um nível mais baixo. E, em sua ânsia de reter o estoque ilícito de ouro e prata, prejudicou as agências que mantinham um fornecimento regular. Agarrou-se à sombra — o ouro e prata — e ignorou a substância — o crédito.

O espírito reacionário [de cunho medieval-feudal] manifestou-se nas restrições impostas às bolsas de valores. Quando as bolsas eram favoráveis ​​à Inglaterra, havia pouca tentação de interferir nelas, e no período anterior, quando o fluxo de ouro passava por Antuérpia, as trocas com os Países Baixos eram normalmente vantajosas. Em 1575, época em que os ganhos ilícitos do corso estavam no auge, surge uma queixa de que o ouro estava sendo exportado da Inglaterra para o Oriente, por meio dos Países Baixos. Esse escoamento do excesso de ouro, em busca de um nível mais baixo de câmbio e um mercado melhor em outro lugar, era inevitável e desejável, mas clamou-se que a Inglaterra estava sendo roubada de seu tesouro arduamente conquistado, e um plano foi proposto para impedi-lo.

Esse plano envolvia o controle e a tributação das bolsas pelo governo. Os estrangeiros que exportavam o ouro faziam-no secretamente, e acreditava-se que a única maneira de descobrir suas operações seria manter um registro de todas as operações de crédito internacional por meio da bolsa — em suma, inspecionar a conta bancária de cada comerciante. Foi proposto o pagamento de uma libra esterlina em todas as transações cambiais. Isso cobriria o custo do registro, contribuiria com uma espécie de imposto de selo para o governo e desestimularia o comércio de câmbio. O plano foi adotado pelo governo; mas os comerciantes, nativos e estrangeiros, imediatamente se levantaram dizendo que, se isso continuasse, o comércio seria intensamente prejudicado.

As operações de câmbio, diziam os comerciantes nativos, não eram um expediente ocasional e anormal, mas sim parte integrante do cotidiano do comércio. Os cambistas desempenhavam as mesmas funções que os banqueiros modernos — multiplicavam a utilidade do capital. Com a ajuda deles, um comerciante poderia girar seu capital quatro ou cinco vezes mais rápido do que sem eles. Se a mesma parcela de capital fosse girada vinte vezes por ano por meio de lançamentos nos livros do cambista, teria pago, segundo o novo esquema proposto, o montante dos impostos chegaria a cinquenta por cento do valor das operações.

O protesto dos comerciantes estrangeiros lança luz em outra direção. Não conseguiríamos, diziam eles, realizar um centésimo do nosso comércio atual se não concedêssemos crédito de vários meses aos nossos clientes ingleses, e toda a base desse crédito repousa na liberdade das operações de câmbio. Um imposto acabaria com isso imediatamente.

Não sei por quanto tempo essa política desastrosa persistiu, mas o simples fato de ter sido tentada deixa claro que, na segunda década do reinado de Elizabeth, havia fortes influências em ação, claramente contrárias à expansão do comércio. A insegurança do alto-mar aumentava os fretes, dificultava as pequenas empresas, exigia proteção governamental, justificava um sistema de licenças e, assim, levava à restrição e ao monopólio. A apreensão das frotas de metais preciosos não só causava longas paralisações no comércio, como também enfraquecia a base material do crédito internacional. A preocupação com o metal precioso e o medo de perder ganhos ilícitos, na verdade, geraram um ataque à instituição do crédito; e o crédito, então como agora, era o principal recurso do empreendedor iniciante no comércio. Tais eram as condições desfavoráveis ​​sob as quais a terceira década do reinado de Elizabeth começou e uma nova época de formação de companhias teve início. A história da formação da Companhia de Mercadores que negociava com a Espanha e Portugal é de particular interesse.

Antes da paralisação causada pela apreensão de metais preciosos em 1568, a Espanha era um dos melhores mercados para tecidos e milho ingleses em anos bons, além de peles irlandesas e outros produtos. Os comerciantes dos portos provinciais — Ipswich, Bristol, Chester e Exeter — que foram excluídos do comércio com os Países Baixos pelos aventureiros londrinos, encontraram na Espanha um campo aberto para seus empreendimentos. Na época da paralisação, nada menos que £ 58.000 em mercadorias de comerciantes ingleses foram encontradas em portos espanhóis. Durante seis anos, esse valioso comércio ficou praticamente suspenso, e o pouco que se manteve, além do contrabando e do corso, exigia uma licença especial do governo.

Mal o comércio começara a se reerguer, após o acordo com a Espanha em 1574, as influências negativas do período de restrição se manifestaram em propostas para confinar o comércio a uma companhia especial. O plano, convém observar, foi apresentado por alguns membros dos Mercadores Aventureiros, que, durante o período de restrição, refletiram sobre os muitos inconvenientes causados ​​pela falta de ordem no comércio com a Espanha e propuseram que este fosse controlado pelo estabelecimento de uma companhia suplementar nos mesmos moldes dos Mercadores Aventureiros. A filiação ordinária seria restrita àqueles que já atuavam no comércio antes da paralisação, incluindo os mercadores dos portos provinciais. Filiais especiais seriam formadas em Bristol, Exeter e Chester, em conexão com as companhias locais dos Mercadores Aventureiros. Aqueles que não atuavam nesse ramo do comércio antes de 1568 só poderiam ser admitidos como resgatadores, mediante o pagamento de uma alta taxa de entrada.

Mais vinte e quatro membros da Companhia dos Mercadores Aventureiros foram admitidos em condições especiais. Nenhum artesão ou varejista seria admitido. Os problemas da nova companhia surgiram logo após sua formação. Aqueles que já atuavam no ramo se recusaram a abandoná-lo. Eles foram presos pela Companhia, com base nas cartas-patentes da Coroa; mas solicitaram habeas corpus, que os juízes não se sentiram capazes de negar. O Conselho Privado, que, apenas algumas semanas antes, vinha intimidando os comerciantes de Londres, ao subscrever a aventura mineira de Frobisher em Terra Nova, escreveu e instruiu os juízes a não emitirem mandados de habeas corpus em benefício dos comerciantes livres. Em Bristol e Chester, o antigo conflito entre artesãos, varejistas e atacadistas, que havia sido resolvido com a admissão de algumas das classes excluídas, foi reavivado pelas cláusulas restritivas dos novos regulamentos da Companhia.

Os “meros comerciantes” de Chester queixaram-se ao Conselho de que os artífices e artesãos se revoltaram contra os regulamentos e receberam liberdade do prefeito para fazer o que bem entendessem. Conflitos semelhantes fervilhavam em Londres, onde foram complicados pelo fato de o governo ter começado a conferir monopólios aos vários ramos do comércio varejista. A Companhia dos Vinicultores havia, algum tempo antes, formado um truste e obtido do Governo o monopólio da venda a varejo de vinho. O monopólio parece ter controlado o comércio de vinhos franceses por conta própria e elevado os preços em Londres a tal ponto que o Conselho Privado foi obrigado a enviar um aviso por meio do Lorde Prefeito. O monopólio dos vinicultores recusou-se então a oferecer ao monopólio espanhol o que este considerava um preço razoável para os vinhos espanhóis e portugueses, e o Conselho Privado viu-se obrigado a resolver o conflito de interesses, que ele próprio criara, autorizando os comerciantes espanhóis a revenderem as suas próprias cargas.

Ao mesmo tempo, o Conselho emitiu um grave aviso à Companhia Espanhola [constituída por mercadores ingleses em 1530]. Aquele tinha sido informado de que as mercadorias por eles importadas — vinho, azeite e, sobretudo, frutas — eram vendidas a preços muito elevados. Os comerciantes prestes a partir para a Espanha deveriam ser informados de que, a menos que os preços das suas próximas cargas fossem reduzidos, o governo consideraria necessário fixar uma tabela de preços para a proteção do público.

Se os mercadores tivessem respondido a essa exigência, suas palavras seriam: “O aumento dos preços deve-se às novas condições sob as quais o comércio é conduzido. Pagamos (como decerto pagaram) uma boa quantia pelo monopólio. Nossos fretes aumentaram devido ao uso de grandes navios, que somos obrigados a empregar em benefício da marinha [para poderem ser usados como barcos de guerra em caso de necessidade], e pelo custo do comboio [da armada inglesa] que vocês nos obrigam a aceitar.” “E, além disso”, poderiam ter acrescentado um ano depois, “vocês estão contribuindo ainda mais para o aumento dos preços ao nos proibirem de trazer qualquer coisa em troca de cereais além de lingotes, sal e laranjas.”

Assim que a Companhia Espanhola foi ‘arrumada’, os mercadores londrinos iniciaram um movimento para negociar de maneira semelhante com o comércio do Báltico. Esse comércio, assim como o comércio com a Espanha, até então fora aberto a todos os ingleses e constituía um recurso tão importante para os comerciantes independentes da costa leste quanto o comércio com a Espanha o fora para os do sul e do oeste. A partir de então, seria restrito aos membros de uma nova corporação — a Companhia das Terras Orientais. O paralelo com o caso da Companhia Espanhola era muito evidente. A justificativa para a formação da companhia residia na prevalência da pirataria [que o próprio Estado inglês estimulava]. Tendo o governo dinamarquês ameaçado represálias por atos de pirataria cometidos por navios ingleses, considerou-se conveniente cobrar uma indenização, a fim de apaziguar a vítima e garantir a proteção dos comerciantes ingleses.

Os portos provinciais da costa leste deveriam participar da nova companhia, mas apenas os mercadores que negociassem com o Báltico antes de 1568 seriam admitidos. No primeiro rascunho da carta régia, propôs-se excluir todos os membros das outras companhias nacionais, mas a Companhia Espanhola e os Mercadores Aventureiros protestaram e, no final, tornou-se fácil para um grande mercador londrino pertencer às três companhias. O efeito da formação dessas duas companhias, a Companhia Espanhola em 1577 e a Companhia das Terras Orientais em 1578, foi que duas esferas adicionais de comércio foram colocadas sob a regulamentação e o controle de organizações modeladas pela Companhia dos Mercadores Aventureiros e dominadas por membros antigos ou atuais dessa companhia, e que essas importantes esferas de comércio ficaram, a partir de então, legalmente fechadas à livre iniciativa de expansão do comércio. Influências semelhantes devem ter atuado na formação, nessa época, de companhias separadas para o comércio com a França, a Barbária e com Veneza.

Podemos agora retornar à nossa primeira pergunta: havia alguma política por trás desse movimento? A resposta dependerá do uso que fizermos da palavra “política”. As companhias claramente não foram fruto de uma política no sentido de um plano deliberado, consistente e previdente. Os dois principais fatores em sua formação foram o oportunismo temerário do corso e os interesses de grupos de mercadores londrinos. Mas a política, no sentido que acabei de definir, é mais frequentemente uma ilusão da mente acadêmica do que um fato histórico. A política, como de fato se observa na história, é um conjunto de mecanismos para os quais um governo se volta sob a pressão de problemas práticos, e que gradualmente adquirem a uniformidade consciente de um modelo de ação, e começam, por fim, a ser defendidos como tal. Os monopólios de Elizabeth eram um conjunto de mecanismos desse tipo para a solução de problemas fiscais e administrativos; e as companhias comerciais foram gradualmente convertidas, pela influência semiconsciente da política, em instrumentos de monopólio, como era típico desse período.

O resultado dessa tendência é mais claramente demonstrado no caso da Companhia do Levante, formada em 1581, dois anos depois da Companhia do Oriente. O comércio com o Levante, assim como o comércio com a Espanha e o comércio com o Báltico, havia sido aberto a todos os mercadores ingleses até então. Na década de 1570, foram tomadas medidas para fechá-lo. Dos quatro capitalistas que desempenharam um papel de liderança nesse processo, um era um proeminente mercador aventureiro, um segundo era membro do conselho administrativo da Companhia do Oriente e um terceiro era um funcionário da alfândega. Uma missão especial e grandes somas foram enviadas para obter do Sultão concessões e exclusão de outros comerciantes.

A companhia admitiu apenas vinte membros, sendo organizada em regime de sociedade anônima, com Elizabeth como principal acionista. Nada menos que £40.000 do ouro capturado em 1579 foram investidos pela Rainha na Companhia do Levante. O monopólio das groselhas era a característica central do comércio, e os lucros dessa fonte estimados em £ 11.500 por ano. A participação do governo, porém, não se limitava a dividendos. Ele impôs um novo e substancial imposto sobre as groselhas, que se revelou o ponto de partida das lutas constitucionais sob o reinado de Jaime I. 

Se o monopólio da Companhia do Levante era flagrante, o das outras companhias comerciais não era menos real. A Companhia Russa aumentava o preço das cordas, a Companhia Espanhola o preço das frutas e do azeite, e a Companhia Francesa o preço do vinho. Ouçam as queixas do honesto pastor Harrison em 1586. “Quando cada nação”, diz ele, “tinha permissão para importar suas próprias mercadorias, os produtos estrangeiros eram muito melhores, mais baratos e mais abundantes. [...] Não nego que a marinha do país seja em parte mantida por seu comércio, mas o preço das mercadorias também se mantém alto, agora que eles monopolizaram as vendas, sob o pretexto de promover o bem comum.” Mas, no final, o monopólio mais sério era aquele que permanecia nas mãos dos Mercadores Aventureiros: o monopólio da exportação de tecidos brancos.

Um inglês patriota, poderíamos argumentar, não se importaria de pagar um ou dois centavos a mais pelas frutas para o seu pudim de Natal se pudesse se convencer, ainda que erroneamente, de que navios de guerra estavam sendo construídos com o dinheiro arrecadado. Mas, se a exportação da principal manufatura da Inglaterra fosse permanentemente restringida, logo faltaria dinheiro tanto para os navios de guerra quanto para o pudim. E, de fato, os Mercadores Aventureiros haviam conseguido, durante esse período, estreitar os canais de exportação como nunca antes. Até então, seus antigos rivais, os mercadores hanseáticos, haviam se esforçado para manter um volume considerável, embora precário, de exportações para os panos da Inglaterra.

Em 1576, seus direitos comerciais em Londres foram limitados. Em 1580, foram totalmente suspensos. Ao mesmo tempo, os Aventureiros começaram, com a aprovação do Conselho Privado, a restringir ainda mais as ações de seus próprios membros.

MUNDO ANGLO-SAXÃO



  • Eu não sabia se “plagiado” era com ‘g’ ou com ‘j’, então copiei e colei.
  • Eu deveria saber que nunca duraria como instrutor de mergulho em alta-pressão. Eu não gosto de ser pressionado.
  • Meu avô é um pouco esquecido, mas gosta de me dar conselhos. Um dia ele me chamou para um canto e me deixou lá.

  • Um começo para Guerra nas Estrelas: Há muito, muito tempo, no futuro.
  • A disfunção erétil talvez não seja tão dura quanto imaginam…
  • Eu odeio quando faço um pedido para uma estrela e ela não para para me escutar. É por isso que eu não paro para isso.
“Sempre que sinto necessidade de me exercitar, deito-me até que a vontade passe.”

Minha esposa disse que sou um idiota que não consegue fazer a coisa mais simples do jeito certo. Então eu arrumei as malas dela e fui embora.

Um cara se aproximou de mim em uma balada e disse: “Eu pego vinte vezes mais garotas do que você — haha.” Respondi: “Vinte vezes zero é zero.”

Eu pedi minha namorada em casamento pelo telefone. Não deu certo. Ela pediu para eu lhe dar mais linha.

Como eu já disse: nunca me repito.


segunda-feira, 26 de outubro de 2026


O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 44 


O ataque:

Antes de atravessar o Vaza-Barris, Euclides da Cunha ‘fabrica’ um incidente ridículo:

“Toda uma companhia do 7º, naquele momento, fez fogo, por alguns minutos, sobre um jagunço, que vinha pela estrada de Uauá. E o sertanejo não apressava o andar. Parava às vezes. Via-se o vulto impassível aprumar-se… e prosseguir depois, tranquilamente… Surpreendidos, os soldados atiravam nervosamente sobre o ser excepcional, que parecia comprazer-se em ser alvo de um exército. Em dado momento, ele sentou-se à beira do caminho e pareceu bater o isqueiro, acendendo o cachimbo. Os soldados riram. O vulto levantou-se e encobriu-se, lento e lento, entre as primeiras casas” (idem, p. 328).

Segundo Euclides da Cunha, o 7º era uma tropa de ridículos incompetentes, comandados por um desequilibrado, condenado ao fracasso. Compare-se isso com o testemunho ocular transcrito abaixo, do jornal Gazeta de Notícias de 24 de março de 1897:

"Organizando-se a tropa para passar o rio Vaza-barris, um bandido ousado, do outro lado do rio, e sozinho, olhava altivamente para as forças e placidamente deu um tiro contra as mesmas, e logo depois, carregando a arma, foi ferido de morte pelas tropas legais." Euclides adultera.

A pontaria dos atiradores do 7º era famosa, e ninguém a desafiava impunemente.

Aqui a história sofre uma inflexão e fica cada vez mais confusa.

Segundo Benício, os soldados nem conseguiram atravessar direito o rio. Cunha e Benício dizem que a manobra de pinças foi tão mal feita, que as tropas que vinham por um lado tiroteavam nas que vinham do outro, como se estivessem disputando uma pracinha em um pequeno subúrbio. Em Canudos, esse espaço era enorme. Eles ressaltam a desorganização do ataque e realçam o colapso mental de Moreira Cesar. Só um pequeno grupo, sob o comando do tenente Figueira, do 7º, atingiu o povoado e pôs-se a queimar as casas mais próximas à margem. O resto foi um terrível fracasso — coincidentemente, Figueiras apoia aparentemente o relato do major Rafael Augusto.

Já o General Tristão de Alencar Araripe, em Expedições militares a Canudos: seu aspecto marcial, diz que o ataque teve, no seu início, “um certo sucesso”. Que o 7º, o 9º e a polícia baiana conseguiram penetrar o arraial e incendiar várias casas. Embora nada diga sobre o Vaza-barris.

Aristides Milton, em A campanha de Canudos, assevera que não só o 7º atacou a Igreja Nova, assim como avançou sobre as casas próximas e as incendiou. Também dá a entender que uma manobra de cobertura, da qual participou o tenente Figueira, teve dificuldades em atravessar o Vaza-barris cheio, para atacar os conselheiristas, que não paravam de seguir para as igrejas. 

Euclides fala da grande dificuldade de atravessar o Vaza-barris e que, após tentar em vão ocupar a igreja, partiram para o interior do casario ao redor, travando luta casa por casa em Canudos, em total desvantagem para os soldados. Só Cunha também fala de uma carga de cavalaria contra as casas, o que seria um completo desvario.

E outras bobagens.

O testemunho de Rafael Algusto, impresso no jornal do Comércio do Rio de Janeiro de 8 de março de 1897, portanto feito logo após os acontecimentos, e transcrito tanto por Aristides Milton quanto por Alencar Araripe, é completamente inverossímil. Transcrevo, agora, a parte referente ao ferimento de César.

Chegamos à margem do Vaza-barris às 11h30 do dia, estendendo-se logo a força em ordem de batalha…

“Após os tiros, deu o coronel ordem para o assalto, ficando ele em uma eminência, do alto de cá, e próximo da artilharia [esse detalhe é importante]. Os conselheiristas, que atiravam maravilhosamente [como se tivessem sido treinados por especialistas?] com carabina, vararam o infeliz coronel com uma bala, acidente este que me foi imediatamente comunicado e ao Tamarindo, mas que nós ocultamos.”

Vejam: logo após a ordem de ataque, às 11h30, Moreira César é atingido e, portanto, não tem participação na batalha. Ou seja, Moreira César não fez nada nesse dia além de criar um problema para o comando e ainda insistir para o ataque prosseguir no dia seguinte. Entretanto, todos os autores são unânimes em dizer que foi Moreira César quem dirigiu os primeiros ataques, e que seu ferimento só aconteceu lá pelo meio da tarde — Villela Júnior, que viu o coronel ser baleado, diz que foi por volta das 15:00h, outros, em torno de 16:00h. Uma coisa, no entanto, parece clara: Augusto e Tamarindo estavam associados, embora em graus diferentes de comprometimento.

“Ficou então Tamarindo [segundo Augusto] dirigindo o assalto e, após vararmos o rio, atravessamos do modo seguinte: a polícia e o 16º pela esquerda, a ala esquerda do 7º e mais o 9º batalhão pela direita, e eu com a ala direita [do 7º] pela frente.

Dado o sinal previamente combinado, demos princípio ao assalto, havendo a ala direita do 7º se apoderado logo de cerca de 12 casas que serviam de pequenos redutos. A força policial e o 16º atacaram galhardamente pela esquerda, mas, havendo ficado sem munição, foram obrigados a se retirar precipitadamente. Isso deu lugar a que o inimigo dirigisse os seus fogos especialmente para a ala direita do 7º, e o fazia com tanta certeza de tiro que pôs logo fora de combate grande número de oficiais e praças.

Vendo que estava sacrificando inutilmente o meu pessoal, visto que a polícia se retirava e a ala esquerda com o 9º muito pouco podia fazer, fiz retirar a mesma ala e coloquei-a na margem do rio, por trás de uma cerca. Tal era a fuzilaria, porém, que o inimigo fazia, que os oficiais e praças caíam mortos e feridos, inclusive eu, que fui ferido levemente na coxa e nádega direita [Deu as costas para o inimigo?].

Sustentamos o combate até às 6h30 da tarde sem conseguirmos tomar a cidade, sendo certo que logo notei covardia por parte das praças, em geral. Afinal, pouco antes de vir a noite, retiramo-nos para a margem de cá, onde fomos acampar.”

Pelo relato, parece estar havendo uma hecatombe de baixas, mas os números finais de baixas nos registros do Exército, para o 7º, nessa jornada e no dia seguinte, apontam para 7 oficiais e 20 praças mortos, em uma unidade que possuía 30 oficiais e 416 praças. Dos 7 mortos, dois o foram longe do front: Poly e César, sem falar dos que morreram depois tentando controlar a desordem e auxiliar os retardatários na fuga.

Augusto é, na sua versão, um chefe formidável, preocupado com seus homens, abandona a sua posição por iniciativa própria, quando as baixas ainda eram pequenas! E os leva para uma posição segura. Como ele também era dotado de 'dons especiais', começa a notar um certo 'ar' de 'covardia' dominando os soldados, que ele nada fez para dissipar, os mesmos homens que formavam uma das unidades mais admiradas e citadas do Exército. Isso, porém, prepara maravilhosamente o leitor para a debandada em seguida, com a tropa sob o seu comando, jogando nas costas de Moreira César a pecha de ter treinado mal o 7º. Assim, fácil.

“Sustentamos o combate até 6¹/² da tarde, sem conseguirmos tomar a cidade… logo notei covardia por parte das praças, em geral (testemunho do Major Rafael Augusto em A Campanha de Canudos, de Aristides Milton, Edições Senado Federal, Vol. 5, Brasília, 2003, p. 81).”

Por alguma razão que só Deus sabe, ele omite o toque de retirada, citado por outros autores, como o Sargento Villela, que estava lá.

Augusto também tem outra qualidade, que eu não diria rara: não hesita em jogar seus camaradas no fogo para se destacar. Ele percebe e denuncia a superiores, no Rio, a certeza da derrota, a 'loucura' e a 'epilepsia' de Moreira César e a ‘covardia’ dos soldados. Agora detecta o desalento do coronel Tamarindo e o expõe: “O pobre Tamarindo ficou acabrunhado e sem ação.”

Ele ainda porá na boca deste a mais desmoralizante frase da campanha: “É tempo de murici, cada um cuide de si”, tão marcante em Os Sertões, talvez até para ocultar o fato de ele, Rafael Augusto, ter cuidado tanto de si, quando começou a... correria.

Segundo o Sargento Villela Júnior, a marcha acelerada da coluna de César só foi contida no Vaza-barris, quando a artilharia foi posicionada a 400 m do perímetro da cidade, em frente às igrejas. Entre a cidade e a artilharia deslizava o Vaza-barris com 18 a 20 m de largura. Mais ou menos nesse momento, segundo o jornal República, a coluna sofre um forte ataque dos conselheiristas por um dos flancos, repelido com grandes perdas para os atacantes.

Por volta das 11:00h, tem início o bombardeio pesado da artilharia, em especial sobre a Igreja velha, cujo teto desabou, matando muita gente, mas com poucos estragos na Igreja Nova. As paredes desta eram de pedra e alvenaria maciças, e possuíam uma largura de mais de um metro, fato confirmado pela 4ª Expedição.

 

Afinal, o que aconteceu em Canudos?

Segundo Euclides da Cunha, houve uma espécie de 'invasão bárbara' à cidade, com os soldados se apossando de algumas casas no limite do arraial, preocupados somente em saquear, sem perceber o contexto, sendo logo abatidos. Até serem salvos pelo toque de retirada.

Euclides da Cunha, fiel ao seu objetivo, afirma.

“Quase sempre, depois de expugnar a casa, o soldado faminto não se forrava à ânsia de almoçar… tinha, porém, às vezes, um pospasto crudelíssimo… uma carga de chumbo… Os jagunços à porta assaltavam-no (p. 334–335)."

Isso é uma mentira solerte. Se algum soldado ficou faminto, foi porque estava de regime, pois, como vimos, a coluna foi acompanhada por um lote de reses, para servir carne fresca aos soldados, e havia água à vontade no rio. Testemunhas garantem que as casas dos maiorais foram de fato tomadas, com os soldados se abastecendo do que encontraram.

Canudos tinha disso sim. 

 

O estranho recuo da polícia baiana

            Para dar mais eficiência ao avanço, era necessário que ambas as alas, esquerda e direita, avançassem no mesmo ritmo, por isso o coronel resolveu efetuar reparos no posicionamento de algumas unidades, em função da resistência que encontravam, como o esquadrão da cavalaria e a tropa da polícia. Euclides, deturpa e avacalha. 

[Moreira César] "determinou que aquela [a polícia] seguisse à extrema direita, atacando o bairro ainda indene e completando a ação que se desdobrara toda na esquerda. A cavalaria, secundando-a, teve ordem de atacar pelo centro, entre as igrejas. Uma carga de cavalaria em Canudos… Era uma excentricidade."

Quando Euclides quer destruir alguém, não economiza, mesmo não tendo fatos, ou os tendo poucos. E quando os tem, os deturpa. O pior ficou para a cavalaria.

"O esquadrão — cavalos abombados, rengueando sobre as pernas bambas — largou em meio galope curto até à beira do rio, cujas águas respingavam chofradas de tiros; e não foi adiante. Os animais assustadiços refugavam. Dilacerados à espora, chibateados à espada, mal vadearam até o meio da corrente, e empinando e curveteando, freios tomados nos dentes, em galões, cuspindo da sela os cavaleiros, volveram em desordem à posição primitiva (p. 337)."

A ação da cavalaria de Euclides da Cunha não passa de uma bufonaria, de um deboche com o leitor. Vejamos o que o sargento Villela Júnior, testemunha ocular, disse sobre a ação da cavalaria em suas memórias:

"Também já estava agindo dentro da cidadela o esquadrão de cavalaria, comandado pelo capitão Pereira Franco, queimando casebres de palha e liquidando jagunços à espada (Canudos: memórias de um combatente, p. 22)."

O jornal República, de 6 de abril, narra assim esse momento: "A cerca de 200 m de distância da cidade, a cavalaria avançou… e a polícia, depois de avançar, fez movimento de recuar."

É nessa hora que Moreira César diz que vai “dar brios a essa gente”, o que, no relato de Euclides e Rafael Augusto, o faz se aproximar perigosamente do front e levar o tiro fatal. Isso induz o Dr. Afrânio Peixoto, cheio de amor à pátria e querendo ajudar onde não podia, a afirmar categoricamente que Moreira César, confuso pela epilepsia de última hora, agia movido pelo intuito inconsciente de se matar.

Mas o fato relatado por testemunhas é que Moreira César reposiciona a força de polícia, dirige-lhe estímulos e... continua o relato do República: "A polícia avançou, portando-se com heroísmo e conseguindo desalojar os jagunços casa por casa, incendiando-as até que, por falta de munição, teve de abandonar a posição conquistada com tanto valor."

Realmente, é estranho essa falta de munição na polícia baiana, o que fez alguns autores apressadamente concluírem que a força não estava abastecida. Quem mais profundamente aborda esse assunto é Oleone Fontes, em Treme-terra, p. 297, onde nos diz que, quando começou a faltar munição, o comandante da tropa mandou soldados irem pegar mais.

Eles voltaram pouco depois, dizendo que não havia munição para as armas utilizadas pela polícia baiana — os fuzis Comblain. Mas Oleone ressalva: "Cunhetes [caixotes de madeira com munição e alças de corda] havia. Não foram enviados… por motivos que jamais se descobrirá jamais."

E Dantas Barreto, em Acidentes da guerra, não só confirma esse incidente, mas acrescenta um reparo:

“A polícia da Bahia esgotara a munição de bolsa [as patronas], seu destemido comandante tomou providências rápidas para refazer-se desse elemento… mas o quartel-mestre, sob cuja vigilância ficaram os cargueiros [com a munição], despachou os homens mandados ao seu encontro… dizendo que já não havia munição de Comblain, com que se achava armada a força baiana.

Verificou, entretanto, o tenente Severo [que era da artilharia e ouviu essa conversa], a quem não escapara semelhante informação traiçoeira; que existiam ainda quatro cunhetes [cada qual com cerca de 1.500 cartuchos] da munição pedida, mas por mais que se esforçasse o valente artilheiro para o remuniciamento pedido, não conseguiu fazê-lo, por não haver quem se encarregasse de tão arriscada empresa [ou seja, negaram aos que a vieram pedir, e não tiveram coragem de levá-la, depois que a encontraram]. Em tal emergência… a digna milícia estadual… viu-se na contingência de abandonar sua posição vantajosa” (p. 131).

De outra forma: havia munição, uma unidade na frente de combate precisava dela, mas, por alguma razão misteriosa, a seção responsável pela sua guarda negou-a.

Das duas, uma:

1 – Houve incompetência ou descuido, e a munição foi negada sem querer.

2 – Foi proposital, e então estamos diante de um caso claro de sabotagem, de traição, que decerto atende aos interesses daqueles que queriam Moreira César longe do Rio, mas sem resolver o problema de Canudos.

Quando houve a derrocada da Força Expedicionária, os canudenses encontraram essa munição e mais dezenas de cunhetes, em torno de 60 mil cartuchos, e a mandaram de volta para o Exército Brasileiro, nos corpos dos soldados mortos ou feridos na 4ª Expedição.

Eduardo Simões

domingo, 25 de outubro de 2026

 


SOLILÓQUIOS BRASILEIROS — OS PROBLEMAS SOBRE A ORIGEM DA POPULAÇÃO AMERICANA.

A teoria dominante sobre o povoamento da América está fortemente ligada ao período final da última glaciação — a Glaciação Wisconsin — terminada aproximadamente há 11.700 anos. Nesse período, devido ao acúmulo de água nas geleiras que cobriam o Canadá e o norte da Europa, o nível dos oceanos baixou uns 150 m, criando uma união terrestre entre a Ásia e a América, a Beríngia.

Acreditava-se que grupos de caçadores do Paleolítico do centro da Ásia e da Sibéria oriental tenham tomado esse caminho, seguindo manadas de animais, como os mamutes, bisões, caribus e até leões, que vieram dar no continente americano. A princípio, acreditava-se que esse movimento começou entre 11.500 e 13.000 anos atrás, conforme descobertas arqueológicas feitas numa localidade chamada Clóvis, nos Estados Unidos, que serviu como marco inicial do povoamento das Américas.

Essa datação, entretanto, apresentava problemas, pois ficava difícil explicar como caçadores a pé, com ferramentas tão simples, conseguiram, em tão pouco tempo, cobrir distâncias tão vastas. Na falta de uma explicação melhor, a teoria de Clóvis prevaleceu. Essa fortaleza cronológica começou a ruir quando novos sítios arqueológicos, até na América do Sul, começaram a apresentar datas mais antigas. O mapa abaixo apresenta as datas encontradas para algumas delas. (No inglês, utiliza-se a vírgula e não o ponto para separar os múltiplos de mil).


Porém, algo não batia. Se eles vieram pela Beríngia, entrando pelo Alasca, por que não se encontram sítios arqueológicos antigos e em profusão nesse estado americano? Os poucos encontrados eram recentes. Apareceram, então, teorias de povos navegantes, complementando a ocupação dos caçadores.

Embalado por essa nova abordagem, o etnologista francês Paul Rivet passou a defender a teoria da Origem Múltipla ou Transpacífica, em 1943, afirmando que, concomitantemente à corrente colonizadora siberiana, teria havido uma outra conduzida por navegantes polinésios, na direção da América do Sul. Isso explicaria as diferenças culturais observadas nas duas áreas: Norte e Sul. Essa teoria, que estava desprestigiada, revigorou-se com a descoberta do crânio de 'Luzia', em Minas Gerais, com características negroides. 

Para provar a possibilidade da teoria polinésia, o navegador norueguês Thor Heyerdahl, com mais cinco companheiros, foi da costa do Peru até Tuamotu, na Polinésia, numa embarcação primitiva, usando ferramentas primitivas, numa viagem que durou de abril a agosto de 1947. Uma das mais espetaculares aventuras, descrita no livro Expedição Kon-Tiki de Heyerdahl — Kon-Tiki, na língua inca, quer dizer filho do sol. Aproveitando o regime dos ventos e as correntes marinhas, Heyerdahl comprovou essa possibilidade.

Com o aprimoramento de exames genéticos, a teoria de Rivet e a negritude de Luzia foram definitivamente descartadas. Os povos primários da América descendem exclusivamente de colonizadores da Sibéria e do centro da Ásia.

A descoberta de novos sítios arqueológicos no leste dos EUA, como Meadowcroft e Cactus Hill, mais antigos que Clovis, com artefatos feitos com uma técnica muito aprimorada e diferente das outras, fez alguns especularem uma onda migratória vinda da Europa Ocidental! Esse mistério e a conclusão precipitada foram desfeitos parcialmente por meio de estudos comparativos entre esses achados e artefatos dessa época, encontrados em algumas ilhas japonesas — algumas sob domínio russo —, batizada como área PSHK (Paleo-Sacalinas-Hocaido-Kurilas).

Essa tese diz que grupos de migrantes, vindos da Ásia Central ou Sibéria, detiveram-se por um bom tempo nessa região. Da convivência com outros povos nela instalados, teriam assimilado ou desenvolvido novas tecnologias líticas e de navegação. Daí, partiram para o povoamento da América em barcos, o que explicaria tanto a inexistência de sítios arqueológicos muito antigos no Alasca quanto o rápido povoamento das Américas.

Mas, como nada é simples na arqueologia, em 1977–78, um arqueólogo canadense descobriu em 3 cavernas no norte do território de Yukon, as Bluefish Caves, uma grande quantidade de ossos e artefatos antigos. A primeira datação, em radiocarbono, deu 24.000 anos, confirmada, posteriormente, por métodos mais modernos em 2017.

Isso aparentemente volta a dar força ao argumento da travessia terrestre da Beríngia. Mas, como se trata de um único achado, há a possibilidade de ser o local final de um grupo que desembarcou bem mais ao sul. Isso ainda não é suficiente para resgatar a importância dessa rota.

No momento, a tese de povos navegantes oriundos da Ásia povoando o continente americano a partir do lado ocidental, começando pela América do Norte, é a que melhor se integra com os achados arqueológicos atuais, até que um novo achado ou uma teoria mais convincente modifique tudo.

https://www.mdzol.com/mundo/los-humanos-no-llegaron-america-el-estrecho-bering-que-dice-la-nueva-teoria-n1429269

https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.ady9545



sábado, 24 de outubro de 2026


MUNDO ANGLO-SAXÃO.


  
SERÁ QUE ELE AGUENTA?

Eu estava em um encontro duplo ontem à noite, mas, após uns drinks, voltei para casa. Havia gente demais para um encontro.

Estou fazendo a minha parte contra o aquecimento global. Tirei a porta da minha geladeira.

(Um juiz de futebol) Não sei se a minha esposa está chateada comigo porque sou cego ou porque não consigo levantar sequer uma bandeirinha.

Como se chama um esquerdista confuso? Uma pessoa errante. E um esquerdista convicto? Uma pessoa errando.

Recém-casado, muito nervoso, se abrindo para os amigos. “Acabei de me casar com uma garota que disse que não fazia sexo antes do casamento. Eu devia ter me certificado se ela faria depois.”

Meu sobrinho ganhou um piercing no lábio. Quem mandou ficar nas minhas costas durante uma pescaria.  

Quem tem a mente muito aberta, seu cérebro pode cair?

Mudei meu nome no Facebook para “Ninguém, na verdade”. Só para mexer com a cabeça das pessoas quando eu curtir os status delas.

O que é todo esse alvoroço com TV 3D de repente? Minha TV sempre foi tridimensional.

Dizem que a garota ideal é uma em milhão. Mas será que, após conhecer um milhão delas, ainda haverá tempo ou adiantará escolher?