quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 


O juiz ALEXANDRE DE MORAES está soltando ou arrefecendo a perseguição aos bolsonaristas numa rapidez impressionante. A eleição equivaleu-lhe a uma pancada na cabeça, agravada pelo fato de ela estar desprotegida. A sua cúpula espelhada já não reflete todo o poder e arrogância de antes de 4 de outubro.

Ou seja, aqueles ou aquilo que no passado eram vítimas de processos excepcionais, absolutamente ilegais e infames, a pretexto de representarem um perigo EXTREMO e IMEDIATO à nossa democracia e ao Estado de Direito, DE REPENTE deixaram de sê-lo. Ou seja: eles, os juízes do SUPREMO, faziam ou sabiam que estavam fazendo coisas muito erradas.

No SUPREMO é assim: cada um cuida do seu capim.

No SUPREMO é assim: quem não é covarde, ou é bobo ou agiu tarde.

É difícil ainda dizer se a FESTA DE ARROMBA do SUPREMO, que já dura 4 anos, acabou, mas com certeza será necessário trocar a chave do cofre da nação.

Lembram de ALCOLUMBRE, antes do 1.º turno, falando grosso com Lula e afirmando categoricamente que a escala 6x1 só seria votada depois do 2.º. turno? Mudou da água para a cachaça de quinta. Agora defende a aprovação acelerada dela, em prol dos trabalhadores, e só Deus sabe dos horrores que vamos ter que assistir nos debates do Senado. Ele sabe que só a eleição de Lula pode salvá-lo do mais completo esquecimento e insignificância com que a natureza o dotou.

Flávio Bolsonaro não falou, e decerto não vai falar, sobre o terrível aperto econômico que nós obrigatoriamente teremos que enfrentar em 2027, em função das loucuras feitas pelo presidente Lula, mesmo porque, se falar, o povo não votará nele. Sem falar que ele nunca teve bem claro o que dizer ao povo, exceto quando ofereceu seu cargo de pretendente ao trono pelo melhor preço, ou quando negociava com Vorcaro.

Mermão para presidente; e perca até os dentes.

Essa eleição mostrou que o Brasil é como um homem de 2 metros e 200 quilos, de pé num parapeito todo trincado de cobertura abandonada, ameaçando pular. Você vai segurá-lo no braço?

A gente aqui no Brasil quase não sente a passagem das estações. Isso deve ser uma compensação pelos incômodos, constrangimentos e desatinos que experimentamos a cada eleição.

Se Flavio for eleito, veremos se ele é um homem de família ou se deixará o seu irmão, sozinho, no processo do banco Master.

Pelo nível de proximidade e troca de favor, dá para cravar que Daniel Vorcaro será o primeiro indultado num possível governo Bolsonaro.

A eleição de Flávio vai-nos permitir, pelo menos, salvar o motor do transatlântico BRASIL, porque o resto vai se perder todo. Agora, o que nós vamos fazer, no meio de um mar profundo, segurando um motor de várias toneladas, para manter o nariz acima do nível d'água?


terça-feira, 6 de outubro de 2026

 


A COMPANHIA DOS MERCADORES AVENTUREIROS NO REINADO DE ELIZABETH I - 6

[trechos traduzidos de artigo de George Unwin]

Da perspectiva tranquila de nossa época, pensamos que entendemos as leis que regiam esse fluxo de metais preciosos. De fato, dentro de um único século da época de Gresham, o Parlamento já havia percebido a futilidade de tentar controlar o fluxo de metais preciosos por meio de legislação. A Lei de 1663, que revoga as restrições que, apesar da evasão contínua, haviam dificultado o comércio exterior durante séculos, repudia a doutrina bullionista da maneira mais enfática. “A experiência demonstra”, diz a seção nove desse Estatuto, “que dinheiro e metais preciosos são levados em maior abundância aos lugares que oferecem liberdade para a exportação deles”.

Levei vocês até meados do século XVII para podermos ver os fatos do século XVI em retrospectiva. Desse ponto de vista, a futilidade das restrições bullionistas fica clara. Observamos o fluxo de ouro e prata — apesar das rígidas regulamentações — saindo da Espanha e de Portugal, onde o nível de metais preciosos é mais alto e, consequentemente, os preços também são mais altos, buscando irresistivelmente países como a Inglaterra, onde o nível de preços é mais baixo, embora tenda, no caminho, a passar por portos que, como Gênova e Amsterdã, que, ao permitirem total liberdade de exportação, forneciam os melhores mercados comuns e centros de distribuição.

Havia, no entanto, grandes obstáculos ao livre fluxo. O custo do frete era muito maior naquela época; os riscos de naufrágio e pirataria eram muito maiores; e as despesas para burlar as restrições legais constituíam um pesado encargo no transporte de metais preciosos. Por essas razões, poderia persistir, apesar de um fluxo contínuo de metais preciosos, uma diferença considerável de nível entre dois países vizinhos e, consequentemente, uma variação semelhante no valor da moeda e em seu poder de compra. É fácil entender como a manipulação dessas flutuações cambiais internacionais levaria ao desenvolvimento de uma classe de cambistas profissionais e como as suas operações se transformariam gradualmente em uma forma de atividade bancária.

Entre os italianos, a combinação de câmbio e atividade bancária provavelmente já estava bem estabelecida antes do final do século XIII e era bastante comum em toda a Europa no final do século XV. O câmbio internacional fornecia, tanto ao potencial investidor quanto ao potencial tomador de empréstimo, o melhor meio de burlar as leis de usura. Sob o disfarce das operações cambiais, o banqueiro internacional, em um caso, estaria recebendo um depósito e, em outro, concedendo um adiantamento. E dessa forma, no início do século XVI, havia se desenvolvido um sistema de crédito internacional, pelo qual o capital excedente de um país podia ser investido no comércio ou na indústria de outro.

Um relato contemporâneo mostra-nos como o comércio exterior, tanto dos Mercadores de Lã quanto dos Aventureiros, estava se expandindo pelo sistema de crédito e bancário. Visto que os Mercadores de Lã exportavam constantemente mercadorias para as mesmas partes do continente, e os Mercadores Aventureiros importavam mercadorias das mesmas regiões, por que não deveriam, por meio de acordos mútuos com letras de câmbio, economizar as despesas de importação de metais preciosos e lastro, obter um bom lucro com a taxa de câmbio e garantir uma rotatividade muito mais rápida de seus respectivos capitais? Mal essa nova relação comercial havia sido estabelecida, o capital e o espírito empreendedor dos Mercadores Aventureiros começaram a fluir para o comércio de exportação de lã dos Mercadores de Lã, destruindo seu caráter exclusivo e limitado. 

Agentes foram enviados para percorrer o país em busca de mais lã. Proprietários de terras e agricultores, tendo descoberto que a criação de ovelhas para produção de lã seria lucrativa, começaram a criá-las em terras que o arrendatário não havia originalmente destinado a esse fim. Dessa forma, teve início a era inicial dos cercamentos. Ora, se o capital dos Aventureiros estava transbordando para o comércio de lã, pode-se inferir que ele se expandia dentro de sua esfera original — a do comércio de exportação de tecidos. E disso o autor do tratado mencionado acima fornece ampla evidência, embora esteja analisando os fatos de um ponto de vista muito diferente:

“A proliferação de tantos mercadores em Londres, filhos de homens pobres, tem sido uma destruição maravilhosa para todo o reino... Assim, há cerca de cinquenta anos, esses jovens mercadores começaram a aumentar em número, comprando tantos tecidos de fabricantes de tecidos a prazo (isto é, a crédito) e vendendo-os na Flandres a preços baixos para pagar seus credores, que em pouco tempo destruíram o preço dos tecidos de lã, fazendo com que todos os antigos mercadores deixassem de comprar e vender tecidos [a queda dos preços, pelo volume da oferta, reduzia os lucros]... Dessa forma, os ricos e antigos mercadores... vendo o preço dos tecidos e os problemas de rotina da compra e venda de mercadorias, para maior comodidade e menos trabalho... ocupam seu dinheiro com câmbio, obtendo lucro tanto interno quanto externo, o que é pura usura.”

Em outras palavras, a rápida expansão da fabricação de tecidos deu origem a uma nova e mais ativa classe de intermediários que buscavam mercados para os produtos no exterior [para aproveitar a onda]. O capital com que trabalhavam provinha de duas fontes. Os fabricantes de tecidos lhes concediam crédito pelos tecidos, ou seja, recebiam pagamentos em letras de câmbio e notas promissórias, enquanto os ricos comerciantes tradicionais, agora banqueiros, faziam adiantamentos por meio da bolsa de valores, equivalentes ao nosso moderno desconto de letras de câmbio. Os comerciantes alemães do Steelyard, que adquiriram o direito de negociar diretamente com os fabricantes de tecidos ingleses do entorno de Londres, desempenharam um papel importante na expansão do comércio de exportação e serviram, como os Mercadores Aventureiros, como elos em um crescente sistema de crédito internacional.

O centro do sistema era Antuérpia, onde os Mercadores Aventureiros e os mercadores hanseáticos se encontravam em terreno neutro. A atração que os levava para lá residia no fato de Antuérpia combinar um mercado internacional de tecidos com um mercado monetário internacional. Não era apenas a Manchester, [por causa da indústria], mas a Londres do século XVI, [grande centro financeiro ‘mundial’]. Sua posição era sem precedentes. As grandes feiras medievais haviam sido centros temporários de finanças internacionais, e a maioria das formas de crédito comercial e de atividade bancária ali se popularizaram pela primeira vez. Antuérpia estava destinada a se tornar o primeiro mercado monetário permanente, o primeiro centro bancário, na história da Europa moderna. 

A origem desse desenvolvimento foi a mesma já indicada no caso da Inglaterra. Os “ricos e antigos mercadores” do sul da Alemanha, que haviam feito fortuna no comércio, na mineração e na indústria têxtil, e que, como a maioria dos mercadores medievais, haviam combinado anteriormente o empréstimo de dinheiro com o comércio, começaram a se especializar em serviços bancários e financeiros.

O novo fluxo de metais preciosos proveniente da América forneceu amplo material para suas operações, e as dinastias rivais da Europa, que haviam começado a pensar em termos de continentes e a tomar empréstimos milionários, lhes forneceram seus principais clientes. Mas não com seus melhores clientes, nem com seus negócios mais sólidos ou lucrativos. Os dois maiores Estados — e os dois maiores devedores da Europa — França e Espanha, faliram logo após meados do século XVI, e a Inglaterra estava em situação parecida. 

Durante os primeiros anos do reinado de Elizabeth, os grandes banqueiros que mais emprestaram a Filipe estavam em colapso em todas as frentes. As finanças estatais estavam arruinando o mercado monetário de Antuérpia. Sua única chance de um futuro próspero residia na manutenção e no desenvolvimento do sistema de crédito mercantil privado, sobre o qual o comércio internacional da época se baseava em grande parte [os estados não eram confiáveis]. E é nos efeitos sobre esse sistema que as façanhas de Gresham em relação ao câmbio encontram seu verdadeiro significado.

A dependência das finanças nacionais e das maiores formas de indústria e comércio do crédito internacional... também foi um fator importante no desenvolvimento econômico da Europa no século XVI... A diferença, a este respeito, entre a nossa época e as anteriores é tripla. Consiste, em primeiro lugar, no grau de dependência, que aumentou consideravelmente a cada século; em segundo lugar, no reconhecimento dessa dependência e consequente respeito pelo crédito internacional; e, em terceiro lugar, na apreciação inteligente das condições que tornam o crédito internacional possível. Os ambiciosos planos de Eduardo III dependiam do crédito internacional, mas, na sua falta de respeito por ele, destruiu imprudentemente, uma após a outra, as bases de crédito sobre as quais se apoiavam as suas próprias campanhas militares, mas também a indústria e o comércio do seu povo.

Os ministros de Elizabeth tinham um respeito genuíno pelo crédito, e entre eles Gresham. O tema constante das suas cartas de Antuérpia é a necessidade de manter a boa reputação da Rainha junto dos magnatas das finanças internacionais. Ele se vangloria do fato de o crédito dela ser melhor do que o de Filipe ou do rei francês, e é unicamente com o propósito de o manter que recomenda os empréstimos forçados dos Aventureiros [à rainha]. Mas ele reconhece claramente que a elasticidade desse recurso final depende do pagamento pontual. Se a Rainha pagar seus mercadores regularmente, poderá contar com eles, em qualquer dificuldade, para um empréstimo de 40.000 ou 50.000 libras. Na verdade, não é tanto o respeito pelo crédito, mas sim a apreciação inteligente das condições essenciais em que ele se baseia, que falta a Gresham, assim como aos mais sábios de seus contemporâneos. 

Para o especialista em moeda, como Gerard Malynes, a única troca natural e equitativa era aquela ao par da casa da moeda, onça por onça, ou seja, dos metais preciosos, menos uma comissão fixa para o cambista, que deveria ser um funcionário do Estado. As flutuações da taxa oferecida pelo cambista privado representavam, em sua opinião, um ganho fraudulento, e esse ganho, além disso, vinha geralmente acompanhado do pagamento e recebimento de juros, uma transação igualmente imoral. Ora, independentemente das tolices que Gresham pudesse ter dito aos menos iniciados, assim como as artimanhas que ele pudesse ter tentado para monopolizar a bolsa, ele tinha plena consciência de que tanto as trocas quanto o recebimento de juros eram incidentes necessários e normais do comércio.

“Os mercadores não podem ficar sem câmbio e re-câmbio, assim como os navios no mar não podem ficar sem água”, dissera o pai de Gresham, Richard Gresham, a Thomas Cromwell, quando foi proposto, em 1538, restringir as trocas. E, de maneira semelhante, Thomas Gresham exorta Cecil, em 1560, a nunca consentir com a proibição da bolsa [pelo governo, para impedir a livre negociação de metais preciosos], pois isso faria com que todo o ouro e a prata finos fossem transportados para fora do reino... Em suma, as trocas seriam toleradas enquanto permanecessem a taxas favoráveis ​​à Inglaterra, como acontecia naquele momento, devido inteiramente, segundo Sir Thomas Gresham, aos seus próprios esforços [e se nós ainda estamos sobre a Terra é por méritos dele e não da lei da gravidade].

Estamos agora preparados para considerar o efeito das façanhas de Gresham em relação aos Mercadores Aventureiros à luz da ciência, desprovidas da aura romântica com que ele as envolveu. Gresham aconselhou o governo a contrair um empréstimo forçado junto aos Aventureiros. O governo devia grandes somas a banqueiros em Antuérpia sob a forma de empréstimos de curto prazo, que tinham de ser renovados anualmente ou com maior frequência. Como as fontes de crédito falhavam, os banqueiros não conseguiam ou não queriam renovar os empréstimos, e o governo foi obrigado a procurar outros credores para honrar os seus compromissos. As vítimas mais convenientes de um empréstimo forçado eram os Mercadores Aventureiros. Duas vezes por ano, eles faziam um grande carregamento para Antuérpia, que às vezes era avaliado em até £ 300.000, [300 mil libras]. Enquanto estavam de posse de todo esse dinheiro, o que seria mais natural do que serem solicitados [obrigados] a emprestar um décimo dele ao seu soberano em dificuldades?

E, como nenhuma pressão forte poderia ser exercida sobre eles quando estavam em solo estrangeiro, poderia ser considerado conveniente apreender o carregamento antes de sua partida e exigir uma promessa antes de liberá-lo. Medidas coercitivas desse tipo, no entanto, são registradas apenas em duas ocasiões — em 1553 e novamente em 1559 —, enquanto empréstimos obtidos por negociação e pressão moral eram quase uma característica regular das finanças governamentais no período entre 1553 e 1661, e os Mercadores de Lã também foram requisitados, assim como os Aventureiros, embora por quantias menores. Mas o artifício especial de Gresham consistia na conexão do empréstimo com as trocas.

O dinheiro emprestado seria usado para pagar dívidas externas; e, quanto maior a taxa de câmbio de Londres em Antuérpia, menos o governo teria que pagar lá [a moeda inglesa valia mais em Antuérpia do que em Londres]. A chegada da frota de tecidos dos Aventureiros elevou a taxa de câmbio, causando uma demanda por letras de câmbio da Inglaterra para pagar pelos tecidos. Gresham propôs que o governo se beneficiasse com a alta da taxa de câmbio ao pagar sua dívida. A Rainha deveria dizer aos Aventureiros: “Vocês prometeram me emprestar 30.000 libras aqui em Londres. Mas, em breve, vocês serão obrigados a transferir mais de 30.000 libras de Antuérpia para Londres a, digamos, 25 xelins flamengos por libra (uma taxa de câmbio muito alta na época). Em vez de desperdiçar o dinheiro com a alta da taxa de câmbio, vocês o usarão para pagar meus credores. Para cada 25 xelins flamengos que vocês me pagarem em Antuérpia, eu lhes devo 20 xelins em Londres”.

Além da disposição dos mercadores em emprestar o dinheiro, a justiça desta oferta depende de dois pontos. Pressupõe, primeiro, que os mercadores teriam sido obrigados, a menos que pagassem a dívida do governo, a enviar seu dinheiro para a Inglaterra; e, segundo, que a alta taxa de câmbio prevista seria alcançada. Mas nenhuma dessas suposições era verdadeira. Cabia aos mercadores adaptar suas transações a uma elevação momentânea da taxa de câmbio, para não sofrerem prejuízos com ela. Além disso, Gresham e a Rainha invariavelmente tentavam basear o acordo em uma taxa de câmbio muito mais alta do que se poderia razoavelmente esperar, ou do que, de fato, foi posteriormente constatada.

Apenas uma vez, porém, que eu saiba — por ocasião da primeira apreensão forçada — eles conseguiram que a taxa de câmbio prevista fosse aceita como base do acordo. Em todas as outras ocasiões, os Mercadores Aventureiros, embora tenham concordado com o empréstimo, precisaram insistir em uma taxa de câmbio realmente vigente. A façanha de Gresham, portanto, quando reduzida às suas reais proporções, resume-se a isto: numa época em que o crédito internacional estava em crise, ele garantiu, por meio de forte pressão, uma série de empréstimos forçados de fontes nacionais, e o primeiro deles foi obtido à força, em condições extremamente desfavoráveis.

Mas podemos fazer as perguntas simples: será que isso realmente restaurou o crédito da Rainha? E qual foi o efeito dessa política sobre o comércio? O último dos empréstimos concedidos pelos Aventureiros e pelos Mercadores de Lã foi feito em agosto de 1561, no valor de £ 30.000. Os Aventureiros fizeram o adiantamento com a maior relutância, salientando que £ 10.000 do último empréstimo ainda estavam pendentes. 

Mas, quando chegou o outono seguinte, todo o empréstimo de 1561 ainda permanecia em aberto. Agora, segundo Gresham, há dúvidas sobre o crédito da Rainha. Os recursos do mercado internacional também estavam esgotados. A grande firma Fugger respondeu a uma solicitação de Gresham de que teria sido melhor investir seu dinheiro. “Esses homens do dinheiro”, disse Sir Thomas, “têm medo de negociar mais com a Rainha do que com o resto do mundo em guerra.” No outono seguinte, ficamos sabendo que os Fugger suspenderam temporariamente os pagamentos e que outra grande empresa está pagando 10 xelins por libra. Foi nesses anos, de 1561 a 1563, que o crédito da Rainha atingiu seu ponto mais baixo, obrigando-a a recorrer ao seu próprio capital. Terras da Coroa foram vendidas no valor de £ 170.000.

Os empréstimos forçados de Gresham podem ter, em tese, evitado a falência. Certamente não restauraram o crédito da Rainha; pelo contrário, secaram sua última fonte restante. Se perguntarmos quais foram as consequências da política financeira de Gresham para o comércio exterior inglês, nos deparamos... a enumerar brevemente algumas delas. A primeira é a suspensão do comércio hanseático. Gresham cogitou sua exclusão completa e desencadeou ações que, no fim, produziram esse resultado. A segunda consequência foi a limitação do número de membros da Companhia dos Mercadores Aventureiros. O efeito combinado dessas duas consequências foi transformar a parte central do comércio exterior inglês em uma via muito estreita para facilitar a manipulação governamental. Mas uma terceira consequência, menos óbvia, é talvez ainda mais importante. Ao interferir nas trocas cambiais, seja por suspensão temporária ou por manipulação violenta, Gresham estava, inconscientemente, freando, desastrosamente, a vida e o crescimento de uma nova agência, da qual dependia toda a expansão futura da indústria e do comércio: o setor bancário e o crédito internacional.

 


A MAIOR DIFERENÇA ENTRE O BOLSONARISMO E O LULOPETISMO É QUE ESTE ACREDITA QUE PODE COMPRAR TUDO, A COMEÇAR PELA HONRA, E AQUELE, QUE PODE VENDER TUDO, A COMEÇAR PELA HONRA.

OS QUATRO MAIS VOTADOS DO PRIMEIRO TURNO DESSAS ELEIÇÕES SÃO A MELHOR PROVA QUE O CASO BRASILEIRO É IRREVERSÍVEL E TERMINAL.

UM JOVEM CHEIO DE SEGREDOS CABELUDOS, UM VELHO COM INCONTINÊNCIA VERBAL, UM SENHOR LOTADO DE PSIQUIATRIA E UM JOVEM PRECISANDO, URGENTEMENTE, DE TRATAMENTO. FOI O QUE SOBROU.

AINDA RESTA UMA ESPERANÇA PARA OS QUE PERDERAM: AS DECISÕES INJUSTIFICÁVEIS DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO.

TUDO O QUE CRIAMOS EM 1988 PARA EXPANDIR E GARANTIR A DEMOCRACIA E O ESTADO DE DIREITO ESTÃO DESTRUINDO INAPELAVELMENTE A DEMOCRACIA E O ESTADO DE DIREITO.

DE QUE ADIANTA ESTADO DE DIREITO SE A JUSTIÇA É TORTA?

O 3º E DECISIVO TURNO DAS ELEIÇÕES VAI ACONTECER NO INTERIOR DE UM PRÉDIO DO JUDICIÁRIO; PROIBIDA A PRESENÇA DE ELEITORES.

A PRESENÇA DA JUSTIÇA ELEITORAL TORNA QUALQUER ELEIÇÃO EM ÁREA DE FACÇÃO CONTROLADA PELO CRIME ORGANIZADO, NO MÍNIMO, MAIS COERENTE QUE A OFICIAL. 

O BRASILEIRO FOI DORMIR EM BERÇO ESPLÊNDIDO, MAS VAI ACORDAR NA TERRA BATIDA.

OS BRASILEIROS ESTÃO COMO ALTO-FALANTE DE AEROPORTO: SÓ CHAMANDO O PRÓXIMO VOO.

UM PAÍS DESESPERADO POR MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA CONTABILIZA MAIS DE UM MILHÃO DE ELEITORES NO EXTERIOR. NÃO HÁ MELHOR INDÍCIO DA GRAVÍSSIMA CRISE EM QUE ESTAMOS MERGULHADOS.

GAROTINHO VAI DESISTIR DE APELAR E AJUDAR A ELEGER O PRÓXIMO GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO: NÃO É MARAVILHOSO TER ALGUÉM NO PODER LHE DEVENDO UM FAVOR TÃO GRANDE?

O POVO BRASILEIRO NÃO ENGOLE SAPO! ELE É O SAPO COZINHANDO EM FOGO LENTO NUMA PANELA, E JÁ QUASE PRONTO PARA O CONSUMO.

NO BRASIL DO LULOPETISMO A REGRA É UMA SÓ. GASTE TUDO, QUE O MUNDO ESTÁ PARA ACABAR; AFINAL, AQUELE JÁ TEM MAIS DE OITENTA ANOS.

QUE DECADÊNCIA! OS JOVENS QUE NOS ANOS 70 ESTAVAM CANTANDO: “NÃO CONFIE EM NINGUÉM COM MAIS DE 30 ANOS”; HOJE PÕE TODAS AS SUAS ESPERANÇAS NUM CARA COM MAIS DE 80, QUE NÃO DIZ, NEM FAZ, COISA COM COISA. ENVELHECERAM PIOR QUE OS VELHOS A QUEM CRITICAVAM NA JUVENTUDE. 

O NÚMERO DE FLÁVIO É 22. VAI FALTAR LAGOA PARA TANTO "PATO".

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 


O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 42

O deserto das almas

É pouco provável que os jornais noticiassem a presença de gente infiltrada na coluna, com disposição e meios para matar Moreira César, sem que ele, na Bahia, não o soubesse. Ao contrário, esses boatos também alarmaram outros oficiais, seus amigos, que, certamente, mantinham Moreira César atualizado.

 Ele já percebera a obediência forçada de alguns com quem tinha de trabalhar, e que seriam, mais tarde, os primeiros a linchar a sua memória. Ele não era tolo. Sua carreira fulgurante deixava isso claro, mas ele também sabia que era somente uma peça no perigoso xadrez que se jogava à sua volta, cuja decisão final passava ao largo de suas considerações. Eram as regras do jogo e ele devia se submeter. Mas até que ponto se submeteria para salvar a sua própria vida?

Ele também sabia que o maior perigo que lhe espreitava não vinha de Canudos.

Mas ele não ficou passivo e aproveitou o tempo que tinha para exercer pressão contrária: “o risco que corre o pau, corre o machado”, sempre buscando atrair oficiais resistentes, ou somente para seguir a sabedoria que diz: “Mantenha seus amigos por perto, e seus inimigos mais perto ainda”, mas em si mesmo já estava definitivamente acertado: aconteça o que acontecer, ele faria a coisa certa, e não mudaria as suas decisões livremente tomadas e pesadas, por temor do que pudesse lhe acontecer.

Em certa ocasião, às vésperas do ataque a Canudos, quando discutia com seu estado-maior quais seriam as melhores opções, ele vira-se para Rafael Augusto e pergunta-lhe de supetão.    

— O que é que você acha que devemos fazer, major?

Ele responde:

— Eu alteraria a ordem de marcha para garantir um avanço mais cauteloso; montaria um novo acampamento em um lugar seguro. Creio que Angico poderia ser esse lugar. E me fortificaria aí, para ver se as condições são propícias. Dividiria a coluna em duas, ficando uma a descansar pelas próximas 24 horas, enquanto a outra testaria as defesas de Canudos. Se a coluna enviada regressasse com boas novas, efetuaria um longo e pesado bombardeio sobre Canudos e investiria com a coluna descansada, ficando a outra na reserva para alguma emergência. Mas, se o reconhecimento mostrasse que as chances de vitória eram duvidosas, me retiraria para Monte Santo e solicitaria reforço.

Essa observação, tirada do relatório de Rafael Augusto, constante em uma nota de O rei dos jagunços, de Benício, merece alguns reparos:

a) Dividir a coluna em duas de 600 homens e só atacar com uma era repetir Febrônio de Brito, que os canudenses já haviam encarado.

b) Isso enfraqueceria pela metade o poder de choque devastador do conjunto. Se você pode garantir uma vantagem de dois para um, por que iria para o um a um?

c) Todos esses movimentos cautelosos, obviamente, só teriam um único resultado: dar tempo aos canudenses para preparar suas defesas, conhecer os pontos fracos da tropa, criar novas dificuldades, etc. Ou Rafael Augusto era muito incompetente, ou estava ligado a grupos interessados em fazer Canudos mais perigosa do que era… Ou os dois!

d) Isso faria a campanha se arrastar, gastando mais tempo, recursos e vidas, sem nenhuma vantagem, justo o que Moreira César não queria, em função de acontecimentos políticos previstos para o Rio de Janeiro (11).

Moreira César olhou para ele, desapontado; deu um sorriso murcho e passou para outro assunto, tendo a certeza de que não podia contar com ele. Augusto, no seu relato, jurou que o coronel fez um gesto explícito de aprovação, mas que, depois, fez justo o contrário do que ele recomendara — o que é estranho, pois no trecho do ‘ataque de epilepsia’ ele deu a entender que tinha o coronel em suas mãos! Ou a percepção de Rafael Augusto o enganou, ou é mais uma tentativa fantasiosa de mostrar o coronel como desequilibrado.

É curiosa a semelhança entre a proposta de Rafael Augusto e a recomendação feita a Moreira César pela trinca florianista Vitorino, Argolo e Costallat, conforme mostrado na edição de 10 de março de 1897 do jornal Gazeta de Notícias, página 2, no artigo chamado EXPEDIÇÃO MOREIRA CÉSAR, quando a expedição já havia malogrado. 

Neste artigo, parte-se do pressuposto de que em Canudos havia um grande exército bem treinado e bem armado.

“Várias conferências houveram entre o ilustre morto e o governo, combinando-se não atacar Canudos, fazer guerrilhas, tomar todos os pontos de comunicação… entre os conselheiristas e seus auxiliares, estreitando o cerco até poder a força, com consciência, dar batalha com vantagem.

Para isso, o governo autorizou o coronel Moreira César a requisitar, quando entendesse, a força que julgasse necessária dos estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Alagoas e Sergipe, por isso mesmo que o mesmo coronel Moreira César lembrara ser conveniente não desfalcar os corpos de exército aqui estacionados, pois estava convencido de tramarem os monarquistas contra as instituições republicanas [nas cidades principais].

Assim prevenido, partiu para a Bahia… mas o que ali se deu não se sabe… ali chegado, todas as suas apreensões desvaneceram-se, ele já não acreditava no grande número de fanáticos [e que de fato não havia], e o que é mais, o seu maior receio era não encontrar em Canudos com quem bater-se.

O boato da retirada de Conselheiro foi transmitido em telegrama para os jornais daqui… ele [M. César] … telegrafara ao governo… dizendo: 'o que mais me aflige é a ideia de não encontrar mais em Canudos os inimigos da República'”

1º — Pelo visto, o conteúdo das conversas intermináveis com Argolo e Costallat, com o navio prestes a partir, era que ele ficasse circundando o arraial, como um pateta.

2º — É curioso como essa proposta repete o mesmo padrão observado no incidente a bordo do Itaipú. O objetivo é desmoralizá-lo e/ou mantê-lo longe.

3º — A resposta de Rafael Augusto mostra claramente que ele estava afinado com o alto-comando florianista do Rio de Janeiro.

4º — A proposta de ele solicitar tropas aos estados do Nordeste é ridícula, pois o tempo que ele gastaria fazendo a requisição, esperando as tropas se armarem, treinarem e serem remetidas faria dele objeto de piadas no país. 

5º — Isso tudo mostra que o objetivo da 3ª Expedição era tirá-lo do Rio de Janeiro e mantê-lo fora o máximo possível.

6º — Quanto ao fato de ele acreditar que o principal foco do ataque dos monarquistas seria as grandes cidades, sendo Canudos somente uma distração, ou foi uma lenda posta em sua boca após sua morte, ou foi uma forma de ele enganar os florianistas, fingindo estar 'caindo' nas suas enganações, enquanto ganhava tempo para se informar da verdade por outros canais.

Enquanto isso, em Canudos, os boatos também fervilhavam. Na Gazeta de 28 de fevereiro, saem algumas informações sobre o que lá ocorreu depois da expedição Febrônio de Brito: a) desertores treinam os jagunços; b) eles pegaram algumas Comblains jogadas no mato e cerca de oito caixas de munição da expedição Febrônio, mas também alguns animais dispararam e foram para dentro de Canudos; c) Conselheiro está sendo informado dos preparativos da próxima expedição, e que “corria em Canudos que a força legal estava sob o comando de Tamarindo; depois, soube Conselheiro não ser o comandante Tamarindo, mas um oficial conhecido como Corta-Pescoço.”

É óbvio que só poderia ser esse nome e não ‘corta-cabeças’, como muita gente, sem pensar, diz:

1º — Foi esse o método de execução utilizado na revolta Federalista, e não a decapitação.

2º — O termo ‘corta-cabeças’ choca mais, atrai mais curiosidade e vende mais, mas está fora da nossa realidade cultural e do que aconteceu em Canudos. Os dois jornais da época que li — um do Rio, outro de Florianópolis — dizem ‘corta-pescoço’.

3º — Isso também mostra que os conselheiristas não sabiam quem era Moreira César.

4º — O termo ‘Treme-terra’, tão caro a Oleone Fontes, nunca é citado em fonte original, nem faz parte da tradição nordestina. Sabemos que na Grande Guerra Platina os regimentos gaúchos punham-se apelidos para realçar sua combatividade, logo aplicá-lo a Moreira César é de uma imprecisão atroz, pois os gaúchos, inclusive o 12º B.I., o “Treme-terra”, só fizeram sua aparição em Canudos na 4ª Expedição.

Prudente de Morais estava próximo à janela, numa cadeira de balanço, absorto em contemplar uma jabuticaba fora de época. Era mirrada, mas algo chamou a sua atenção sobre ela. Após observá-lo um pouco, Adelaide chegou de mansinho, por trás da cadeira e, quase sussurrando, diz:

— Devo começar a me preocupar?

— O quê?

— Meu marido está falando com uma jabuticaba; não prefere conversar comigo?

Ele sorriu levemente. Fez um gesto para ela sentar-se na cama enquanto ele se virava para ela.

— A forma da jabuticaba é esférica, e a esfera é considerada por alguns filósofos como a forma geométrica perfeita; o seu começo e o seu fim são iguais e absolutamente indiscerníveis. Ela é o símbolo da harmonia, da equidistância que todo governante deve ter na aplicação da justiça e no equilíbrio de suas ações.

— Isso é belo, mas não sei se é prático. O que o levou a essa reflexão.

— Eu sou o presidente do Brasil, mas parece que não tenho me comportado à altura, em especial com os que estão mais próximos de mim e a quem devo tanto, além da minha família. O último telegrama que Bernardino me enviou fez-me refletir se tenho sido um bom presidente e um bom amigo, ou se, para exercer essa posição de poder e prestígio, tenho utilizado meus amigos como degraus. Ele não suporta mais a convivência com aquela gente e tem toda razão.

Tomando fôlego.

— Até onde posso pedir que ele se sacrifique por mim, além do que já se sacrificou, a fim de que eu não só recupere a minha saúde, mas também continue presidente, como se ele também não estivesse sacrificando a sua saúde, a sua família e os seus ouvidos, só para me manter nesse cargo, do qual ele extrai tão pouco prestígio, enquanto eu o usufruo plenamente. Não é justo. Deveria ser o oposto, já que tenho mais regalias; logo, a maior disposição para o sacrifício deveria ser minha, e não ficar aqui me recuperando à custa da saúde de meus amigos.

Ela percebeu logo o rumo que a conversa estava tomando. Ficou triste e preocupada, mas não sabia como contradizê-lo.

— Já encrenquei um amigo, a quem trouxe para o Rio para proteger a República e, de tabela, o meu mandato, e o abandonei. Agora ele está distante, enfrentando algo que ninguém consegue dizer exatamente o que é, em meio a tanto boato. Só Deus sabe os perigos que enfrenta, e, embora não exista ninguém mais preparado do que ele para esse tipo de situação, sinto que ao trazê-lo para o Rio, para proteger a integridade do meu governo, eu acabei expondo-o a isso…

Ela fez um gesto para que ele se calasse.

— Nunca diga isso. Você o trouxe para proteger a República, que você acredita ser o melhor sistema para esse país. Essa sempre foi a sua meta, e uma das coisas que o fazem admirável para mim e para os seus filhos. Quis o destino que o seu bem-estar naquele momento coincidisse com o bem-estar da República, mas foi só coincidência!

— Que seja, mas agora basta de fazer os outros se sacrificarem por mim. Está na hora de eu assumir aquilo pelo qual lutei, e que não posso deixar ser tirado de mim, assim fácil. Vamos para o Rio!

— Adianta eu dizer não?

Ele limitou-se a sorrir e disse:

— Bem que a minha mãe me disse que eu era um homem de sorte por casar com você. Disse ele, tentando animá-la.

— E a minha, para eu não me meter com advogados. Olha o que arrumei. Mas você tem certeza?

— Sim, pois até recebi ontem uma cartinha do Glicério. 

Ela, que ia abrir o guarda-roupas, estacou, arregalou os olhos e perguntou.

— O que foi que ele disse?

— Nada demais — respondeu ele, displicente — disse que está aborrecido com Vitorino e que está ansioso por minha volta. Até perguntou quando será.

Ela como que recebeu uma poderosa descarga elétrica. Arregalou os olhos e disse quase gritando:

— NÃO RESPONDA, QUE ISSO É UMA ARMADILHA! — disse quase histérica. Vamos para o Rio imediatamente, apresse-se, homem, que vou mandar o Francisco comprar nossas passagens no primeiro trem.

— Mas… 

— Vamos, não fique aí parado, homem, como um dois de paus… Ah, desculpe-me. Estou me deixando contaminar por todo esse clima de conspiração. Mas vamos, não percamos tempo.

— Segundo Bernardino, é importante, caso queiramos voltar ao Rio, não fazer alvoroço, não sermos vistos, diz ele, pelo fato de existirem unidades do Exército comandadas por oficiais que podem se prestar a uma ação mais radical, como deter-me no Arsenal.

— E agora?

— Soube por Bernardino que os que estarão de serviço hoje no Arsenal são legalistas. Hoje é o melhor dia. Mas eu tenho outro trunfo. Depois que tomarmos o barco em Magé, pedirei ao Francisco para esperar um tempo e mandar um telegrama ao Arsenal, anunciando a minha chegada. Não lhes dará tempo de preparar alguma surpresa.

E assim aconteceu. O trem de Teresópolis parou em Magé, ele pegou um navio no píer da Piedade e de lá partiu com destino ao Rio de Janeiro. Após esperar um tempo, Francisco telegrafou para o Arsenal de Guerra, anunciando a chegada do presidente.  

Foi uma surpresa no Arsenal de Guerra. Os soldados corriam para vestir o uniforme de gala e formar fileiras minimamente apresentáveis para o ilustre personagem e sua família. Dispensando os rituais, Prudente e Adelaide dirigiram-se, apressados, ao fiacre que um dos soldados fizera parar. Prudente abre a porta para Adelaide, enquanto diz:

— Rápido para o Palácio do Catete!

O cocheiro hesitou um pouco.

— Ah, o Palácio do Doutor Vitorino! Diz em voz alta.

— Mas é muita audácia! Diz Adelaide lá de dentro, elevando a voz.

Prudente entra fazendo sinal para ela com a mão para que baixasse o tom de voz.

— Shhh, já é Quaresma!

Na entrada do Catete, havia uma sentinela tão largada como o resto do prédio nessa época do ano, Quaresma, em que ninguém aparecia. Entediada pela falta de movimento, o cabo telegrafista pegou um agasalho e, após enrolá-lo, à guisa de travesseiro, estendeu-o sobre o braço de um pequeno sofá no corredor, e pôs-se a roncar como um bugio enamorado, curtindo a ressaca do dia anterior. Prudente o achou lá, todo babado, com as pernas abertas em compasso.

Prudente deu-lhe um sacolejo no seu braço: “Sentinela!”.

Como esta resistisse, dizendo coisas desconexas, aumentou o volume da voz e a força do sacolejo.

—SENTINELA!

Ele acordou e, se esforçando para abrir os olhos, viu a imagem borrada de um homem alto de barbas grisalhas. Veio-lhe de imediato um pensamento: “Conheço esse tipo de algum lugar!” Deu um pulo de onde estava e já batendo continência.

— Cabo Lira, sentinela, em que posso ajudar?

Prudente estava com pouca paciência.

— LEVE-ME AO MEU GABINETE, AGORA, ESTEJA ONDE ESTIVER!!! 

— Mas se nem o senhor sabe onde é, como é que eu vou saber?      

— Meu Deus! O DO PRESIDENTE! Rápido!

— Ah, sim… Mas, espere, ele não está aqui hoje… O senhor vai ter que passar outro dia?

O tom de voz mais elevado de Prudente chamou a atenção dos poucos funcionários presentes e deu início a um certo corre-corre no palácio. Alguém, que passava por perto, tocou no ombro do cabo, dizendo ao seu ouvido:

— Leve-o, logo!

— Esse também é presidente?

— Ele ééé o presidente, leva. Diz a pessoa, quase empurrando-o.

Prudente entra na sala, senta-se no birô, e escreve um breve bilhete, assina-o, sela-o com o sinete presidencial, e diz à sentinela:

— Entregue-me isso ao vice-presidente, quanto antes.

“Lá se foi o meu sossego!” Pensou o cabo.

Manuel Vitorino acabara de almoçar na residência presidencial do Palácio das Laranjeiras; acompanhava-o o seu secretário particular. Estava contente e relaxado, degustando um de seus indefectíveis charutos cubanos. Ofereceu-os ao secretário, que os recusou, e pôs-se a soltar generosas baforadas, pensando na sua penosa infância e em seu pobre pai, um humilde marceneiro português. Agora ele era presidente da república, muito mais do que o velho português imaginara. Pensou nisso e emocionou-se, mas logo afastou esses pensamentos depressivos, e como o rico da Bíblia dizia para si mesmo: “Tudo te vai bem.” Estava cheio de autoconfiança. “Nem precisei fazer muito esforço! A natureza o fez por mim!”

Nesse instante, um mordomo entra com o bilhete de Prudente, em uma bela bandeja de prata. Ele o toma admirado.

— Mas quem está brincando com o meu sinete presidencial? Ah, se eu pegar esse infeliz…

Quando abriu o bilhete e leu o escrito, e, principalmente, quem o assinara, seus olhos se arregalaram, a boca se abriu, e ele nem percebeu que o charuto caiu entre suas pernas.

— RÁPIDO, ME TRAGA O TELEFONE!

O mordomo saiu apressado.

— Senhor, o charuto no bilú. Diz o secretário, apontando preocupado.

Ele se dá conta e levanta num pulo.

— Meus documentos!

O secretário pega uma jarra de cristal na mesa, cheia de água.

— NÃO! Grita, Vitorino.

Chuáááá!

Nesse momento, Glicério entra apressado na sala, já dizendo: “Vocês já souberam da última?” … Todos param e se entreolham. Glicério rompe o silêncio:

— Eu ia perguntar se você tinha se mijado com a notícia, mas, pelo visto, choveu aqui dentro.

Eduardo Simões



 


SEM PAI, SEM MARIDO… E O FUTURO?
Esse quadro do artista austríaco Peter Fendi, um dos principais representantes do movimento artístico austríaco Biedermeier, do início do século XIX, tem como título oficial: Má notícia.

Esse quadro representa uma cena muito comum na época das Guerras Napoleônicas. Um oficial do exército austríaco acaba de dar à esposa de um jovem recruta a triste notícia de que seu marido não voltará mais para casa — sendo provavelmente sepultado no campo de batalha onde morreu, conforme antiquíssima tradição militar. O oficial traz nas mãos os últimos pertences de seu falecido esposo. Não há o que fazer. Se ela for uma jovem muito pobre, até órfã de pai e mãe, o desafio para não mergulhar na mais crua pobreza será enorme, ainda mais com dois filhos para sustentar e educar. A pobreza de seu lar salta à vista, mesmo com o soldo do marido, enquanto estava vivo.

Para ela restava buscar trabalho e apoio nas Casas dos Inválidos, em Viena, Praga e Budapeste, trabalhando como servente, faxineira, etc., sendo-lhe eventualmente permitido morar lá, o que não era fácil e nem sempre possível, dado o grande número de viúvas nessa situação. Havia ainda os fundos de assistência das paróquias, ordens religiosas e a assistência pública aos necessitados, que, quando muito, lhe permitiria, e a seus filhos, continuar viva.

Nessa época, o suporte financeiro às famílias dos militares austríacos mortos era precário: as viúvas de oficiais recebiam uma fração do soldo, apenas o suficiente para não cair na pobreza, o que não era muito difícil, pois essas guerras geraram muita inflação e reduziram a produção de bens essenciais.

Uma escritora inglesa fez um breve estudo a esse respeito:

Na era napoleônica, a viúva de um oficial britânico tinha direito a uma pensão, e, como viúva de um tenente, Tessa [um personagem de literatura] teria recebido 26 libras por ano. Para efeito de comparação, a viúva de um coronel receberia 80 libras. O marido de Tessa, o tenente Fleming [fictício], caso tivesse vivido até a aposentadoria, teria recebido três vezes mais do que a pensão de viúva de Tessa.

O que isso significava em termos de poder de compra? Esse poder variava de ano para ano, conforme o preço dos grãos e de outros produtos. De acordo com os Arquivos Nacionais Britânicos, em 1810, 26 libras equivaliam a aproximadamente 173 dias de salário para um trabalhador qualificado. Era o suficiente para comprar dois cavalos ou três vacas. Claro que Tessa não precisava de nenhum dos dois e, em ambos os casos, não podia gastar toda a sua pensão com eles. Ela alugava uma pequena casa, criava galinhas e tinha uma horta considerável. Suas libras também compravam oito alqueires de trigo; um alqueire custava 60 libras, provavelmente mais do que ela precisava. Ela complementava sua renda fazendo renda. Sua produção não era grande e o pagamento dependia da disponibilidade de um comerciante local. Em outras palavras, ela e seu filho tinham um teto confortável sobre suas cabeças e comida, mas ela tinha pouco ou nenhum dinheiro disponível para qualquer outra coisa. Ela se virava com o mínimo.


domingo, 4 de outubro de 2026

 


ESTE PAÍS ESTÁ UMA ESCULHAMBAÇÃO, UMA COMPLETA, DESAVERGONHADA E IRREVERSÍVEL ESCULHAMBAÇÃO

Quando saí de casa, hoje de manhã, para votar, o candidato ao Senado pelo Paraná, DELTAN DALLAGNOL, estava proibido de concorrer e seus votos seriam anulados. Quando voltei, três horas depois, alguém havia caçado a decisão anterior e ele estava elegível de novo.

Algo parecido aconteceu com o candidato Garotinho no Rio de Janeiro.

Sabem qual é a coisa mais curiosa nisso tudo? SÓ OS CANDIDATOS DE OPOSIÇÃO A ESSE GOVERNO ESTÃO SOFRENDO ESSES CONTRATEMPOS. É UMA ESCULHAMBAÇÃO!

EM BREVE, PARA TERMOS UM PLEITO MINIMAMENTE HONESTO, PRECISAREMOS CRIAR UMA JUSTIÇA ELEITORAL DE ESQUERDA E OUTRA DE DIREITA.

O PODER JUDICIÁRIO ESTÁ DESTRUINDO, TIJOLO POR TIJOLO, O QUE RESTA DA DEMOCRACIA E DO BOM NOME DO BRASIL, QUE JÁ NÃO É MUITA COISA.

Certa vez, Lula disse que o Lulinha era o "Pelé dos negócios", pela sua habilidade rara de fazer dinheiro. Vai ver que foi por causa dessa “herança futebolística” que o Lulinha deixou o país às pressas, quando estava sendo investigado por causa dos desvios do INSS, e foi morar na Espanha no mesmo condomínio onde mora Vinicius Junior. Na verdade, Lulinha é o Pelé das informações privilegiadas, graças ao melhor treinador do Brasil nesse assunto; afinal, é preciso garantir que o dinheiro dos aposentados pobres do Brasil seja bem investido.



FECHO COM LEO LINS: “PARECE QUE O BRASIL ACABOU, MORREU, E A DISPUTA NESSA ELEIÇÃO É QUAL VERME QUE VAI COMER AS MELHORES PARTES DO CADÁVER!”

HOJE É O DIA EM QUE SEREMOS FORÇADOS A PARTICIPAR DO DEPRIMENTE ESPETÁCULO DE UM CIRCO QUE SÓ TEM PALHAÇOS, QUE PAGAM PARA SE APRESENTAR, E BILHETEIROS QUE FICAM COM O DINHEIRO, EM UM PAÍS QUE “ESTÁ NA LONA”.

HOJE, 4 DE OUTUBRO DE 2026, É O DIA DA VERGONHA NACIONAL. QUANDO SOMOS OBRIGADOS A VOTAR EM PROPOSTAS QUE NÓS TEMOS CERTEZA ABSOLUTA QUE NÃO SERÃO CUMPRIDAS. NÃO É A TOA QUE OS PROJETOS DE PAÍS NÃO CONSTARAM DOS DEBATES NESSAS ELEIÇÕES, POIS OS POLÍTICOS JÁ ASSUMIRAM QUE NÃO VÃO CUMPRI-LAS E O POVO NÃO VAI COBRALAS.

PAÍSES ESTÃO FECHANDO SUAS EMBAIXADAS (COM MEDO DE UMA CORRIDA DO NOSSO POVO PARA ELAS?); NAS REDES SOCIAIS SÓ SE FALA EM “GOLPE”. SOMOS AS RUÍNAS MAIS VALORIZADAS DO PLANETA.

NO ATUAL CONTEXTO DE POLARIZAÇÃO BURRA, TODAS AS VEZES QUE OS NOSSOS ARTISTAS SE MANIFESTAM POLITICAMENTE, SALVO RARAS EXCEÇÕES, O NÍVEL DA NOSSA ARTE CAI ASSUSTADORAMENTE.

FABIO PORCHAT, AQUELE QUE MAIS RI, DESCONFIO QUE O ÚNICO, DE SUAS PRÓPRIAS GRACINHAS ESTÁ TENTANDO SORTE COMO GAROTO-PROPAGANDA DISFARÇADO DO GOVERNO. TALVEZ PENSANDO QUE, DISFARÇADO, ELE CONSEGUIRÁ ENGANAR-SE MELHOR... E AOS TOLOS,

QUEM QUISER SABER O SIGNIFICADO DE MISÉRIA INTELECTUAL BASTA ASSISTIR A UM INTELECTUAL OU POLÍTICO DE ESQUERDA QUERENDO NOS CONVENCER QUE O SOCIALISMO TEM FUTURO.

NUM DE SUAS ÚLTIMAS APARIÇÕES ANTES DO DIA 4, LULA ESTAVA TÃO BÊBADO QUE SUGERIU O OSCAR PARA FABIO PORCHAT.

A CORRIDA ELEITORAL ESSE ANO É PARA SENTAR EM CIMA DE UMA BOMBA RELÓGIO!

O MELHOR TÍTULO DE FILME PARA O DIA DE HOJE É: “O VENTO SERÁ A SUA HERANÇA”, BASEADO NO FAMOSO “JULGAMENTO DO MACACO”... 

QUEM PRECISA DE BOMBA ATÔMICA QUANDO TEMOS UM STF COM UM PODER DE DESTRUIÇÃO MUITO MAIOR?

NO BRASIL DAS ESQUERDAS DE HOJE, VOCÊ CORRE MAIS RISCO CLAMANDO POR JUSTIÇA DA FORMA ERRADA DO QUE COMETENDO CRIME DA FORMA CORRETA.

ELEIÇÃO É UM TIPO DE ENGANO QUE O CRIME ORGANIZADO CONCEDE AO CIDADÃO COMUM PARA QUE ESTE ACREDITE QUE O CRIME ORGANIZADO NÃO ESTÁ NO COMANDO.

SE O CRIME ORGANIZADO NÃO ESTIVESSE NO COMANDO, OS CRIMES DE COLARINHO BRANCO SERIAM ESCRUPULOSAMENTE INVESTIGADOS E PUNIDOS, POIS SÃO OS QUE MAIS PREJUDICAM A ORDEM SOCIAL. 

sábado, 3 de outubro de 2026

 


COM REPARAÇÃO NÃO HÁ HISTÓRIA E, SEM HISTÓRIA, REGREDIMOS À IDADE DA PEDRA. NÃO CONSTA HAVER DEMOCRACIA NESSE TEMPO!

REPARAÇÃO HISTÓRICA É UMA FORMA DE ALGUÉM COBRAR OS DESCENDENTES POR CRIMES QUE NÃO FORAM COMETIDOS POR SEUS ANTEPASSADOS, POIS NAQUELA ÉPOCA ESSAS AÇÕES ERAM LEGAIS E TODOS A PRATICAVAM. NÃO RARO ATÉ AS VÍTIMAS. QUANDO PODIAM.

REPARAÇÃO HISTÓRICA É UMA FORMA DE SE ESTENDER A INSEGURANÇA JURÍDICA PARA TODOS EM TODAS AS ERAS; É TORNAR A VIDA EM PAZ IMPOSSÍVEL. SERÁ QUE MEUS NETOS OU BISNETOS SERÃO RESPONSABILIZADOS PELO QUE EU E TODOS OS OUTROS ESTAMOS FAZENDO AGORA?

NA JUSTIÇA TRIBAL PRIMITIVA NÃO HÁ PRESCRIÇÃO, PRAZO, PROIBIÇÃO DE RETROATIVIDADE, SUJEITO DA AÇÃO, PROPORCIONALIDADE DAS PENAS, ETC. JUSTO É TUDO QUE PASSA NA CABEÇA DE QUALQUER QUE TENHA HABILIDADE SUFICIENTE PARA FAZER OUTROS CREREM QUE ISSO É "CERTO", MESMO QUE NÃO SEJA RACIONAL.

A REPARAÇÃO HISTÓRICA SÓ FAZ SENTIDO E É JUSTA SE O PEDIDO FOR FEITO POR ALGUÉM QUE CONSIGA PROVAR QUE NUNCA ERROU. 

NINGUÉM, OU POVO, É, PERANTE A HISTÓRIA HUMANA, SÓ CARRASCO OU SÓ VÍTIMA. DEPENDENDO DO CONTEXTO, SOMOS ORA UMA COISA, ORA OUTRA.

A MELHOR REPARAÇÃO PARA PRÁTICAS DO PASSADO QUE HOJE ESTÃO SUPERADAS É NÃO VOLTAR A REPETI-LAS, NEM DAR OCASIÃO PARA A MAIORIA COMEÇAR A COGITÁ-LAS.

SE VOCÊ, NA DEFESA DE SUAS IDEIAS, VAI PARTIR PARA ENCURRALAR ALGUÉM, SAIBA QUE ESTÁ RENUNCIANDO A CONQUISTAS IMPORTANTES FEITAS ATÉ AGORA PARA SE ARRISCAR EM UM TUDO OU NADA DE CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS.

REVOLVER AÇÕES SUPERADAS DO PASSADO A PRETEXTO DE REPARAÇÃO É COMO ATIÇAR UM BRASEIRO NO INTUITO DE ACENDER UMA CHAMA QUE, PARA O BEM DE TODOS, ESTÁ SEPULTADA, MAS QUE AINDA PODE QUEIMAR, INCLUSIVE QUEM O ATIÇA.

O PASSADO É UM ABISMO ESCURO, ONDE OS SÁBIOS, OS IMATUROS, OS IGNORANTES, OS FURIOSOS, OS OPORTUNISTAS, OS RESSENTIDOS, ETC. DESCEM PARA FICAREM MAIS DO QUE JÁ SÃO.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 


DEMOCRACIA CANCELADA.

A desordem gerada pelas ações e pelo descrédito do PODER JUDICIÁRIO, transformado num puxadinho eleitoral do atual governo, ameaça descer das mais altas instituições da ex-república federativa do Brasil para as ruas e, quando lá chegar, ninguém poderá em sã consciência negá-la, mas tampouco detê-la. E suas consequências serão tão imprevisíveis quanto irreversíveis. Afinal, são 250 anos de decepções sem fim.

Aqueles que cometeram todo tipo de abuso e desrespeito à lei, sob o pretexto de defender a democracia, agora destroem essa mesma democracia pela raiz. Cumpre-se assim aquilo que a esquerda clássica marxista-leninista sempre advogou: “a democracia é só um meio para se alcançar o poder”. É óbvio que, após este ser alcançado, aquela pode ser descaradamente descartada, como estamos assistindo.

No cancelamento do debate da Globo, uma juíza petista transformou uma cadeira vazia em sujeito jurídico, para salvar o seu presidente de coração, ou talvez pagar uma dívida.

Nem os TRÊS PATETAS conseguem lidar com o STF, afinal são só três, já o STF...

Quando o caos e a anarquia tomarem conta das ruas, tudo poderá acontecer e se seguir. Menos o Brasil em que hoje vivemos.

A lei no Brasil tornou-se uma mera extensão do braço do governante, o qual ele estende e retrai quando convém.

O Brasil está se tornando uma ficção de horror. Ai dos fracos, dos indefesos e dos honestos.

Antes ninguém tomava medidas drásticas no Brasil para não se comprometer com o resultado. Hoje, isto é o que menos importa. Evoluímos, pois, da covardia para a loucura. 

A lei? Ora, bolas, a lei!

Nossa atual constituição tem tanto valor quanto a declaração de fidelidade conjugal de alguém no último estágio de ninfomania ou satiríase crônica.

A nossa LIBERDADE DE EXPRESSÃO virou mera força de expressão... sem força.

Os juízes do Supremo tornaram a nossa Constituição um...


No STF, a situação é a mesma: enquanto a nação arde, quem não é vilão é covarde.



quinta-feira, 1 de outubro de 2026



A “inteligência artificial” está longe de ser inteligente e certamente jamais o será, quando comparada à INTELIGÊNCIA humana. A “ia” é um incapaz com uma memória e uma velocidade de pensamento enormes, boa para tarefas especializadas, mas não para inventar e descobrir, mas sem entender uma ironia, um gesto ou uma expressão facial, ou mesmo um simples trocadilho verbal. Uma completa idiota, quando cercada de humanos que pensam além de si mesmos.

QUANTO À CORRIDA DAS “IAs”, FICARÁ À FRENTE NÃO O PAÍS OU POVO QUE CRIAR A “IA” MAIS PODEROSA, A MAIS RÁPIDA, DE MAIOR MEMÓRIA, ETC., MAS AQUELE CUJO POVO SOUBER UTILIZAR A IA DA FORMA MAIS INTELIGENTE.