segunda-feira, 28 de setembro de 2026


O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 41

Mal sagrado relato profano - 2

Ele mesmo diz que, assim que o coronel chegou ao acampamento, reuniu o corpo médico e apresentou os sintomas que ele sentiu — os quais o major omite —, desejoso de ouvir a opinião dos médicos, como qualquer comandante responsável faria. Como é então que o major Augusto diz que os médicos tiveram receio da reação dele? Por que ele convocaria os médicos se já sabia o diagnóstico ou não estava disposto a escutar determinados diagnósticos? Se ele tinha esse temperamento, não seria mais razoável ele dizer que não foi nada e continuar como se nada tivesse acontecido?

Só faltou o major dizer que essa história foi pinçada diretamente de algum livro do Monteiro Lobato, sobre as aventuras no sítio do Pica-pau Amarelo!

Ressalte-se ainda que nenhum dos jornais da Bahia que diariamente relatavam o deslocamento da coluna comentou esse episódio, embora, segundo Mattos, ele tenha acontecido diante de “várias testemunhas”. O Gazeta de Notícias do dia 20 de fevereiro noticia que:

“Chegou ontem a Monte Santo o coronel Moreira César [etapa seguinte a Quirinquiquá] com toda a expedição, na melhor ordem; prepara-se o ataque decisivo a Canudos.”

Após relatar tudo isso, o major, como para confirmar que o coronel estava com problemas mentais, informa abruptamente que, no dia 2 de março, véspera do ataque, o coronel Moreira César armou, propositalmente, a sua barraca distante do acampamento militar, numa área que oferecia perigo, na visão de Mattos. Para ele, a área devia estar sendo vigiada por oficiais e instrutores estrangeiros, portando armas nunca antes vistas… nem depois.

Nada aconteceu a Moreira César nesse dia.

Esse episódio da suposta epilepsia apareceu em jornais do Rio, de forma bem diferente. No dia 30 de março, lê-se a seguinte matéria no jornal Gazeta de Notícias.

“Bahia 28 — O Correio de Notícias [jornal da Bahia], sob o título “PELA VERDADE DOS FATOS”, deu artigo em referência ao telegrama expedido daqui para o jornal O Paiz daí, datado de 19 do corrente. O telegrama começa assim: ‘Em viagem para Canudos, o coronel Moreira César foi acometido de ataque de epilepsia…’

O Correio transcreve o telegrama todo, observando que nele… foram introduzidas circunstâncias que reclamam imediata contestação em prol da verdade histórica e da perfeita integridade mental do denodado coronel Moreira César, que a verdade… é esta: na madrugada de 18 de fevereiro… o coronel César teve uma síncope, sendo socorrido pelos oficiais do estado-maior… mandou-se chamar um médico mais próximo, o Dr. Everaldino, que chegou às 7 horas da manhã, encontrando o coronel melhor, tendo marchado [cavalgado] já duas léguas depois do acidente [ou seja ele caiu do cavalo, levantou-se logo após, e continuou viagem; algo muito estranho para um ataque de epilepsia]; que na fazenda Lagoa de Cima o coronel apeou-se durante o tempo preciso para aplicar-lhe um sinapismo [cataplasma], seguindo sem mais incidente  para Monte Santo, que livre de qualquer incômodo esteve o coronel até 11horas do dia 22, quando, deitado em uma rede… teve uma vertigem que durou dez minutos mais ou menos, sem nenhum sintoma epilético; que, recobrando a fala, o coronel referiu tudo que se conversou em torno dele durante a vertigem; que do primeiro incômodo dão testemunho os oficiais do estado-maior; que o segundo teve lugar junto a si quase todo o corpo médico… que todas as circunstâncias narradas no referido telegrama, em discordância do que fica exposto, carecem de exatidão; que não passa de fantasia o incidente em que figura o nome de Cunha Mattos; que depois do dia 22 Moreira César não acusou sofrimento algum; … mostrando-se sempre o mesmo soldado inteligente, ativo, leal, brioso e denodado.”

O jornal acusa diretamente, utilizando o piedoso termo “fantasia”, o relato do Major Rafael Augusto de falsear os fatos. Agora, se Rafael Augusto deturpou o relato sobre o que aconteceu em Quirinquiquá, ele não pode ter deturpado em outras partes do seu relato? Ele é o relato oficial do Exército e a principal fonte de Euclides da Cunha sobre a 3ª Expedição. Mas ainda assim dou o benefício da dúvida a quem acredita nessa versão, desde que me prove, com exemplos históricos, que uma tropa funciona melhor sob o comando de um chefe doente e desequilibrado, e colapsa quando tem à frente um chefe competente e ‘maravilhoso’, como o major Rafael Augusto (9).

No dia 18 de fevereiro, ele chegou a Monte Santo, onde passou 5 dias.

Em Monte Santo ficou a segunda base de operações, complementando Queimadas. Aí ficaram cerca de 80 praças vigiando mantimentos e munições com os quais a coluna poderia se socorrer caso a luta demorasse mais que o previsto, sob o comando do Coronel Souza Meneses, do 16º B.I. Daí partiu Moreira César com uma força de 1.281 soldados e oficiais, rumo a Canudos. A esse respeito, dá o general Tristão de Alencar Araripe (Expedições militares contra Canudos, o aspecto marcial, 2ª edição, Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro, 1985, p. 58), uma informação crucial: “Não sabemos quais eram os meios de transporte da expedição, nem o que levava em termos de água, víveres e munição.”

Também, segundo Araripe, não se tem uma ideia clara do quanto desses elementos ficaram em Monte Santo, embora logo depois ele diga que a tropa estava mal fardada, mal equipada e mal instruída — com base em quê Araripe deduz isso, se não temos nenhuma informação sobre o equipamento e os números da logística do deslocamento? É o medo de contrariar Euclides da Cunha? É ordem superior?

Quando chegou a Cumbe, César deve ter achado graça da enorme quantidade de crianças com a cara do padre, mas, na madrugada do dia 25, já estava em marcha, acampando na fazenda Cajazeiras. No dia seguinte, estava em Serra Branca. Daí partiu, na tarde de 26, para a fazenda Rosário, onde permaneceu até o dia 2 de março, deslocando-se depois para o Rancho do Vigário, quase no meio do percurso de 40 km que separava Canudos de Rosário.

Aqui, é preciso fazer um parêntese. Quando chegou a Monte Santo, Moreira César, que até ali vinha seguindo o itinerário de Febrônio de Brito, fez uma alteração drástica. Nos cinco dias em que permaneceu em Rosário, mandou os tenentes da comissão de engenharia, Domingos Alves e Alfredo Nascimento, fazerem uma prospecção do terreno à frente, e optou por um caminho mais longo, fazendo uma curva que passava por Cumbe, e daí para Canudos.

Oleone Fontes fala de enormes areais no caminho, enquanto o mapa topográfico mostra um relevo menos acidentado, mais propício a quem ataca. Evitando o caminho mais curto, porém mais acidentado, e tendo o suporte de um esquadrão de cavalaria para proteger seus flancos, César evitava as emboscadas e os ataques de pequenos grupos. Foi um plano bem feito que, no jogo de cena, fazia parecer que ele se afastava de Canudos.

O general Araripe faz, então, uma observação contraditória (p. 59), com o que ele já dissera antes: “Vinha a expedição se deslocando com método, em jornadas curtas, com longos descansos.” 

Ou seja, nada da precipitação, ou ausência de preocupação com o bem-estar dos soldados, como alguns dizem, e mais uma vez Araripe reforça: não se tem dados sobre o abastecimento da expedição. 

Mas, enquanto as tropas, no sertão, iam se acomodando como podiam ao áspero terreno da caatinga, a 1.800 quilômetros dali, outro Brasil, tradicionalmente distante da realidade e das responsabilidades, comemorava mais uma fantasia triunfalista. Milhares de pessoas aglomeradas nas ruas próximas e em frente ao Palácio do Catete, calculadas em 20 mil na edição de 25 de fevereiro de O Paiz, esperavam ansiosas a inauguração do novo palácio presidencial.

Na hora aprazada, alguém, na usina elétrica privada que havia no palácio, acionou a chave do registro e todo o prédio apareceu envolto em trilhas de luzes que destacavam a sua fachada, deslumbrando os populares na rua, ainda mergulhados na iluminação a gás. Ouviu-se um prolongado “Ó!”, quase gritado pela multidão, seguido de uma estrepitosa salva de palmas e gritos de “Viva!” e “Bravo!”. Os populares, já excitados com a proximidade do carnaval, eletrizaram-se. Alguns jogavam confetes para o alto, enquanto outros quedavam parvos, inebriados, num sentido e noutro, orgulhosos da força e da pujança do país, que seguia gastando por conta.

Mais um pouco e um poderoso facho de luz cruzou os céus da baía da Guanabara, enquanto os acanhados, mas bucólicos e tão característicos prédios coloniais refulgiam na luz difusa que saía do clarão. Eram os holofotes do cruzador Benjamin Constant e do vapor de transporte Carlos Gomes (10). Lá pelas 21:00 h, ouvem-se estrondos e um novo “Ó!”. Eram os canhões da fortaleza de São João dando uma salva de 21 tiros para saudar o aniversário da Constituição de 1891 e a festiva inauguração do novo palácio presidencial. Duas bandas de música, estrategicamente colocadas, começaram a tocar o hino nacional, com o povo a desfiá-lo no maior entusiasmo.

Há uma nova comoção nos presentes. O elegantíssimo landau do vice-presidente em exercício se aproxima, puxado por duas magníficas parelhas de cavalos, cercado por duas colunas de cavalarianos, com seus requintados uniformes de gala e capacetes emplumados — nossas autoridades sempre souberam torrar o dinheiro do contribuinte e ainda deixá-lo contente e agradecido! O povo prorrompeu em vivas e aplausos à nova estrela da política nacional, o hábil ilusionista Manuel Vitorino, com sua esposa e dois comandantes militares, do Exército e da Marinha. Ele faz um discreto sinal para o cocheiro reduzir a marcha, acenando, condescendente, para a multidão, que se apertava para vê-lo mais de perto.

Um tipo popular exótico, com cadeira cativa em todos os quiosques de bebidas e tira-gostos baratos, além de poeta nas horas vagas, aproveita a ocasião para se promover.

“Adeus, lerdo biriba.

Te arreda, velho gambá.

E leva a tua futrica.

De volta pro teu mafuá”.

— Tenha dó do pobre coitado! — diz Vitorino, rachando de rir, enquanto fingia algum sentimento pelo colega. Faz sinal para o cocheiro prosseguir, em meio ao delírio popular.

Após a entrada do presidente, houve um desfile monumental de suntuosas carruagens, trazendo o pessoal diplomático, a alta cúpula do Exército e da Marinha. Seguiam-nos a alta burguesia local e, é claro, os políticos. Faziam numa demonstração de elegância e superioridade social tão excessiva, ostensiva e aparatosa, que flertava com o ridículo, em tantas e exageradas penas de pavão, equilibradas nas graciosas cabeças das 'locomotivas' do high society carioca. Além delas, as estimadas acompanhantes de sempre, exalando odores estrangeiros a metros, além do brilho nas maquiagens cintilantes à base de pó de pérolas, enquanto ameaçavam os holofotes do Carlos Gomes com o fulgor de suas joias. Ninguém supera o esbanjamento visual de nossas elites. 

Ao evento compareceram  também dirigentes de instituições públicas, grandes nomes das artes, do jornalismo e da cultura. Todos servidos por gentis e prestativos garçons, vestidos com elegantes fraques e um menu tipicamente francês.

As entradas foram: sandwiches variés, escalopes de merlan à la venitiene, petitees crustaces aux écrevisses, fillet de veau au madére, langue écarlate à la geleé, galantine de macuco em belle-vue, aspic de foie gras, salade de homard à la parisienne…

Punch à la americaine, fruits, bombons, marrons, cossaques, etc.

Dessert varié, thé, café, chocolate, etc.

Vins. — Madère, Xérès, Solis blanc, Rhin, Chablis, Solis rouge, Listrac… Porto (reserva e velhíssimo), Moscatel, Tokay, etc.

Eaux minérales, bières assortis, liqueurs cognac, whisky, sirop de frambois, orangead, etc (o Gazeta de Notícias de 26 de fevereiro de 1897 é o responsável por qualquer erro na grafia dos nomes franceses).

Definitivamente à prova de pobre.

Esse espetáculo caríssimo, no momento em que o país se via ante a possibilidade de perder o seu crédito para comprar libras esterlinas, o que paralisaria o seu comércio internacional, foi feito pelo grupo que dizia ser Canudos, resultado de uma intervenção estrangeira. Que precisava ser combatido com força e recursos excepcionais. Mas que também tinha tanta certeza de ter o povo nas mãos, que nem se preocupava em ser coerente.

Em um momento, o vice-presidente aproximou-se de uma das janelas e, olhando para o espetáculo da baía iluminada pelas luzes das fortalezas e os holofotes dos navios, beijou a mão de sua bela esposa e lhe diz cheio de convicção.

— Em breve seremos promovidos.

O Gazeta acrescenta:

“Tudo aquilo dava a sensação do início de uma nova era, compatível com a dignidade da República, auspiciosa para a nossa reputação de povo, há muito tempo arrancado às doçuras da tanga e do cocar” (idem, idem).

Deixamos de ser ‘índios’, e agora somos civilizados, por causa de uma festa que nem podíamos pagar! O esbanjamento numa festa, às custas das futuras entradas no Tesouro, para uma minoria microscópica, era um bom começo para o jornal. Que complexo de inferioridade! Que vontade de parecer europeu, sem ter a menor ideia do que isto significava.

Enquanto isso, no sertão da Bahia, os soldados dormiam no chão de suas barracas ou onde pudessem improvisar uma cama, após comer a sua parte da boia preparada com algum esmero, mas nem tanto para não ficarem mal-acostumados. Alguns preferiram preparar sua própria refeição, talvez uma carne na trempe de paca ou preá, precariamente temperada, achando fazer um banquete, na companhia de amigos falastrões, a sua maior motivação. Alguns levaram esposa, amante e filhos, todos envolvidos pelo odor de suor genuinamente nacional, após um dia de duras marchas e exercícios com a finalidade de preservar a ordem numa sociedade que os tratava como bucha de canhão, entremeados pelo brilho das baionetas recém-engraxadas.

A luz que fulgia das fogueiras, exalando o cheiro da comida recém-preparada ou só aquecida, fazia a grande maioria ignorar o espetáculo do céu estrelado. O grandioso e inesquecível céu do sertão. Ah, que saudades que eu tenho. Eu o vi quando ainda não era maculado pela luz simulada dos geradores de eletricidade. O grande tapete de estrelas, que, em conjunto, rodeava e acolhia a lua, como em uma imponente assembleia ou o agasalho de uma alma bondosa, funcionava como uma luz de fundo, reverberando a luminosidade do astro noturno, que prateava a grandiosidade tão selvagem e tão humana da caatinga sertaneja. Esse fundo luminoso era violado de quando em quando pelo perfil opaco das sentinelas. Só faltava Deus aparecer e pronunciar o “Faça-se!”, esperando que dessa vez o resultado fosse diferente.

Da superfície brotavam gotas prateadas de orvalho. Como num choro sem fim.

Eduardo Simões. 


ESSE É O MAIOR PERIGO!

A IA É APENAS UMA AGÊNCIA PROPAGADORA, ALTAMENTE TURBINADA POR SUA CAPACIDADE DE MEMÓRIA, SUA VELOCIDADE, BEM COMO SUA ATIVIDADE INCANSÁVEL, DOS IDEAIS E IDEOLOGIAS DAQUELES QUE A PROJETARAM E CONSTRUÍRAM... E SÓ!

NO LONGO PRAZO, SE OS PROFESSORES ABRIREM MÃO DO SEU PAPEL E NÃO PREPARAREM OS ALUNOS PARA PENSAREM POR SI MESMOS, E SE ESCORAREM, POR PREGUIÇA, NA IA, ESTA PODE SE TORNAR UM PODEROSO ALIADO NO CONTROLE IDEOLÓGICO, NO EMBURRECIMENTO E NA NEUROTIZAÇÃO DE UM POVO.

O MAIOR PERIGO PARA A HUMANIDADE É OS HOMENS ACREDITAREM QUE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É REALMENTE INTELIGENTE E ENTREGAREM AO SEU ALVITRE TAREFAS QUE, PELA SUA COMPLEXIDADE, GRAVIDADE E DELICADEZA, DEVEM SER FEITAS APENAS POR SERES INTELIGENTES E MORALMENTE CORRETOS. 

O QUALIFICATIVO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É, POR SI SÓ, NADA INTELIGENTE. 

TRÊS TIPOS DE GENTE DEVEM SER TEMIDOS EM ESPECIAL: OS MAUS E OS IGNORANTES OU TOLOS EM POSIÇÃO DE COMANDO. DEPENDENDO DO CONTEXTO, ELES PODEM ATÉ DESTRUIR O MUNDO, E NESSE ITEM OS TOLOS E IGNORANTES PODEM SER MUITO MAIS PERIGOSOS QUE OS MAUS.

OS MAUS PRESERVARÃO O MUNDO PARA NÃO PERDER A SUA VANTAGEM OU PRIVILÉGIO; OS TOLOS E IGNORANTES VÃO ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS.

TEMER E FICAR HISTÉRICO COM A POSSIBILIDADE DE A IA DESTRUIR A HUMANIDADE CHEGA A SER ENGRAÇADO QUANDO SABEMOS E CONVIVEMOS MUITO BEM, HÁ DÉCADAS, COM A CERTEZA DE QUE PAÍSES COMO ISRAEL, PAQUISTÃO E COREIA DO NORTE, QUE SÃO QUASE NADA EM TERMOS DE IA, POSSUEM BOMBAS ATÔMICAS.

POR FALAR NISSO, QUE SAUDADES DO TEMPO EM QUE SE DIZIA QUE A MAIOR BOMBA FRANCESA ERA BRIGITTE BARDOT, SEM TEMER UM PROCESSO DE CALÚNIA, DIFAMAÇÃO, FOBIA, ALTA TRAIÇÃO, ETC.

A IRRACIONALIDADE E A BAIXARIA DA LUTA ENTRE DIREITA E ESQUERDA NO CONGRESSO, QUE O FIZERAM DESCREDITADO AOS OLHOS DA NAÇÃO, TOMARAM CONTA DO SUPREMO. QUE DEMOCRACIA É ESTA? QUE EQUILÍBRIO DE PODERES É ESTE? SEMPRE A PRECISAR DE UM PODER MODERADOR PARA NÃO MERGULHAR NO CAOS ABSOLUTO? QUEM FARÁ ESSE PAPEL AGORA? OS MILITARES DE NOVO OU VAMOS TRAZER O IMPERADOR DE VOLTA?

NUM SHOW DE FIM DE ANO, NA DÉCADA DE 1970, O HUMORISTA JÔ SOARES FEZ UMA PIADA CÉLEBRE COM O FUTURISTA NORTE-AMERICANO HERMAN KAHN, QUE PREVIU QUE O BRASIL SE TORNARIA UMA POTÊNCIA ECONÔMICA SÓ POR VOLTA DE 2100. FOI UMA INDIGNAÇÃO FURIOSA E GERAL. TÍPICA DE QUEM SOFRIA DE SENTIMENTO DE INFERIORIDADE. HOJE A GENTE SE PERGUNTA SE DAQUI A CEM ANOS AINDA HAVERÁ BRASIL. KAHN FOI MUITO OTIMISTA.

domingo, 27 de setembro de 2026

 



OS TEMPOS E OS HOMENS MUDAM. A IA MUDARÁ?

Eduardo Simões 

A caça já foi motivo de demonstração pública de coragem, valentia e motivo de orgulho. Era vista como o máximo da aventura e da adrenalina que todos queriam experimentar, até para se sentirem “mais jovens” e “poderosos”. A multidão invejava o pequeno número daqueles que tinham dinheiro suficiente para ir a uma região remota da Ásia, à Índia, principalmente, para caçar tigres e transformar o seu couro num tapete para algum lugar privilegiado da casa!

Hoje essas cenas causam horror e repúdio. Não é mais aceitável, com os recursos que se tem e o conhecimento generalizado da importância e da finitude dos recursos naturais, a noção de caça como um esporte, sem falar que hoje, mais do que antes, os animais não têm chance alguma. Essa atitude é vista, com razão, como bárbara e até covarde. 

Portanto, é necessário, quando nos deparamos com uma cena dessas, ou quando avaliamos um acontecimento antigo, nos posicionarmos a partir do ponto de vista geral, ou da ideologia, da época em que tudo aconteceu, no seu desdobramento temporal, do qual podemos tirar ensinamentos adequados para o nosso tempo. Não podemos resvalar para a condenação genérica e burra, e não raro racista, do que aconteceu no passado, usando os critérios morais do presente, porque somos incapazes, pela nossa ignorância e preconceito, de colocar o fato na perspectiva do seu tempo.

Para isso acontecer com maior probabilidade e descortino, é preciso uma sólida formação acadêmica, mas, principalmente, uma ampla e integrativa cultura geral, baseada no conhecimento de muitos fatos e muitas abordagens diferentes em historiografia, sociologia, filosofia, etc. O conhecimento, como a excelência profissional, praticada com honestidade, melhora com o tempo e a prática, mas, quando já nasce eivada de preconceitos, predeterminada por uma ideologização precoce, torna-se um excelente pretexto para tornar o trabalho do pesquisador socialmente irrelevante e muito digno de ser esquecido.

E isso ninguém quer.

Infelizmente têm-se apresentado para nós alguns programas eletrônicos, com o pomposo epíteto de “Inteligência Artificial”, longe de serem minimamente inteligentes. Na verdade, são depósitos de memória cujas partes são mal e porcamente alinhavadas para construir um texto e dizer alguma coisa que pareça um texto conexo, mas, se analisado com cuidado, percebem-se furos e “forçações” inaceitáveis, como, numa resposta que ela me deu, dizendo entender os meus “sentimentos” e “frustrações”.

IA não sente, logo não pode aquilatar ou “entender”. Questionada, ela respondeu-me que aquilo não passava de uma resposta estereotipada — muitos passam por isso, não percebem e saem por aí dizendo sandices. Você, meu leitor, nem ninguém, pode entender claramente o que não vivenciou. Seja um fato acontecido numa sociedade diferente há 150 anos, seja uma temperatura que nunca existiu — como a “sensação térmica” de 63ºC no Rio de Janeiro. Pura histeria. Mas você pode utilizar palavras num contexto mais ou menos adequado, seja para manipular, seja para se adequar artificialmente a um contexto, como as crianças pequeninas fazem na chamada “informação adaptada.”

As crianças entre 3 e 5 anos fazem uma leitura ativa muito intensa do ambiente e podem pegar palavras ou expressões num determinado contexto e aplicá-las em outro e eventualmente dar certo, sem que a criança saiba realmente o significado do que está dizendo. Como quando um menino de pouco mais de 3 anos disse à mãe para ela não “oprimi-lo”, por insistir que terminasse o almoço. 

Discuti muito, esses dias, com a IA do Google, para ver se ela era essa sumidade ou esse perigo todo que dizem, e percebi o quanto ela é incapaz e repetitiva. Ela apenas repete ou tenta dar uma roupagem elegante a ideias ou abordagens predominantes em centros de pesquisa acadêmicas, logo eivadas de esquerdismo superficial e grandiloquência vazia, e muitas vezes fracassava na integração dos elementos da discussão sem perceber as contradições e insuficiências no que ela mesma dizia.

A princípio, ela chegava a reconhecer o próprio erro e que eu havia colocado argumentos que expunham fortemente a fragilidade de sua argumentação inicial, para depois adotar uma nova estratégia: saturar o debate com  informações diversas próximas ou longinquamente relacionadas com um tema, logo descontextualizadas, exatamente como faz um militante de uma ideologia, ignorante e fanático, que não consegue entender os contra-argumentos do debatedor, ou como fazem as crianças de 3 para 5 anos com a informação adaptada.

O que normalmente acontece é que técnicos, doutores, pós-doutores em teorias fajutas da aprendizagem e modelos de inteligência primitivos se sentam frente a uma IA, que também não é inteligente, e começam a trocar ideias. No meio do caos comunicativo, misturado com o desejo de descobrir uma mina de ouro, aparecem algumas colocações que parecem fazer sentido quando lidas de acordo com os medos e as limitações do significado de inteligência do pesquisador. Este começa a ver intenção naquela conversa, aparentemente manipuladora e consciente, e entra em crise, como a mãe daquela criança que narrou o fato à minha esposa, quase em colapso emocional. “Meu filho está me vendo como uma opressora”! Logo uma mãe que era bancária e muito simpatizante da esquerda.

O resultado da conversa entre uma máquina burra e alguém lotado de teoria da conspiração, como é próprio de quem acredita em luta de classes e outras coisas desse naipe, só pode ser um: “A IA VAI DESTRUIR O MUNDO!” Se for assim, é melhor começar a não tirar os olhos de crianças pré-lógicas, de 3 para 5 anos! Porque esse é o nível de entendimento da IA, e, se bobear, não muito superior à idade emocional desses profetas do apocalipse. Logo, o grande problema com a IA não é a IA, mas aqueles que, por ignorância, por desejo infantil de aventura ou por malícia, descobrirem, por exemplo, um jeito de usar o potencial do programa, que não cansa e tem uma memória formidável, como os animais na natureza, para invadir algo perigoso e burro, como um arsenal nuclear entregue aos cuidados de outros programas e máquinas.

O grande problema da humanidade continua sendo a incapacidade, talvez da maioria, em perceber que o atendimento das necessidades dos outros reflete positivamente no seu bem-estar, da mesma forma que desconsiderá-las pode acarretar problemas para todos, mas, acima de tudo, essa mania idiota de, por desconhecer a inteligência, acreditar que uma máquina ou um programa pode muito mais do que eles realmente podem e entregar para ela responsabilidades que ela não pode assumir. O grande perigo ainda são os homens idiotas ou insensatos, como nos tempos do Antigo Testamento.

Quanto a mim, não vou deixar o esquerdista ignorante e fanático que a Google colocou para encher o saco dos que usam seu navegador, encher o meu. Vou usá-lo apenas para as tarefas braçais e encerrar a conversa. Na próxima vez, vou entrar no tema a que me proponho: as “tribos criminosas” da Índia.

 


A NOJEIRA DE SEMPRE. O governo que aprovou as BETs as desaprova de uma hora para outra porque suas pesquisas garantiram que isso agrada a uma boa parcela do eleitorado. Mas, até essa questão se resolver, as eleições terão passado e, se ele, já reeleito pela quarta vez, for derrotado no Congresso ou na Justiça, até em conluio com esta, vará as mãos e dirá: "Eu tentei, mas eles não quiseram". E voltará a ganhar muito dinheiro com as BETs, se é que não vai vender caro a sua reintrodução, afinal precisa sustentar o Lulinha num condomínio de luxo na Espanha.  


O ALCKMIN DE SEMPRE. Há poucos anos declarava ser o maior inimigo do PT e daquilo que o PT representava; hoje é um garoto de recado do chefe do PT e, como é do seu feitio, nessa propaganda ele omite que o governo também lucrou, e muito, com os impostos escorchantes sobre as BETS nesses últimos três anos.

Esses políticos tratam, e seus principais opositores, perderam completamente o respeito pelo país e pelo seu povo, que é tratado, por eles, como LIXO. Será que fizemos por merecer esse tratamento?

Lulinha, como Eduardo Bolsonaro, vive em moradias luxuosas na Europa e nos EUA. Alguém estranharia se eles se convidassem mutuamente para festas em suas mansões. Isso confirma Pero Vaz de Caminha: "Em se plantando, tudo dá". Principalmente gatos inoportunos.

Eduardo Bolsonaro e Lulinha da Silva são o melhor exemplo de que, nesse país, até os inúteis podem ficar milionários. Essa receita só não funciona tão fácil assim para quem quer trabalhar duro.

Nada se perde. Graças à necessidade de sustentar o alto padrão de Eduardo Bolsonaro nos EUA, a sua família se entusiasmou em investir na cultura e na arte nacional. Um milagre!

Os Evangelhos de Cristo falam da multiplicação dos pães. No evangelho dos nossos políticos, o milagre está no sumiço impune do dinheiro dos contribuintes.

Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, nem Dom Quixote nem Sancho Pança, apenas moinhos de vento.

Quando chegar aos últimos momentos e tudo parecer perdido, restará a ironia, o maior recurso de quem se recusa a se dar por vencido.

sábado, 26 de setembro de 2026

 


EM RUÍNAS!

Demétrio Magnolli foi certeiro no programa Em Pauta de ontem, 25.09, no Globo News, comentando a extinção repentina das BETs criadas pelo próprio governo. “O Brasil está sem governo... Quem governa o Brasil é um comitê eleitoral... O presidente do Brasil é Sidônio Palmeira.”

A nação está destruída e precisa, agora, não parar para descansar, porque se deitar, não levanta mais.

Éramos um belo país, vítima de um erro de origem: o desperdício. Desperdiçamos excelentes oportunidades de construir um dos melhores países que a história já viu.

A disputa político-eleitoral, hoje, no Brasil, parece a antiga disputa entre senhores e escravos. Cada lado se vê como senhor e o que lhe faz oposição como escravos. Sua reação diante da oposição política não é a mesma que ocorre entre cidadãos reconhecidos como livres, logo com direito a divergir, mas como o escravo que se recusa a acatar aquilo que o senhor diz, logo merecedor de toda violência que uma mente doentia conseguir imaginar.

O STF virou um apêndice do partido no poder. No Ministério Público Federal, o irmão do dublê de juiz, Flávio Dino, barra a investigação contra Paulo Gonet, o provador oficial de charutos do Vorcaro, Procurador-Geral da República nas horas vagas. 

A prévia da inflação de setembro, como muito pouco já vinham alertando, e a maioria calando, repica 0,7%, mas quem liga numa nação que escolheu o torpor e o sonambulismo como meta de vida?

O pior é que, quando chegarmos ao final e não houver mais nada para destruir, os brasileiros restantes olharão uns para os outros e se perguntarão: “O que aconteceu?” E, incapazes de assumir seus próprios erros, como já é da tradição, começarão a se acusar reciprocamente, buscando novos motivos para se detestar.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 


UMA QUESTÃO MUITO GRAVE
Eduardo Simões

Caros Leitores

Tenho trazido artigos baseados em minha busca sobre ‘castas’ e tribos ‘criminosas’ feita por meio de livros, documentos e IA Google, mostrando que o desenrolar da pesquisa me colocou em conflito com as afirmações capciosas e ideologicamente dirigidas numa única direção, sempre à esquerda, nas respostas da IA. Mas outro problema surgiu, e aqui o reporto como alerta aos meus leitores e seguidores.

Venho fazendo pesquisas sobre minha ascendência e, por isso, tenho consultado, como uma garantia de confirmação dos dados mais antigos, informações extras obtidas pela IA do Google. Hoje, 25/09, desconfiado de um certo padrão de respostas que eu estava recebendo, resolvi solicitar mais esclarecimento. Não acrescentei ou tirei nada do cerne das respostas da IA, nem corrigi os erros gramaticais ou o estilo.

As respostas foram de ‘cair o queixo’.

Há uns dias você disse que o professor Casimiro Lucio dos Santos era um professor reconhecido em Santa Maria da Boa Vista e que tivera participação na administração pública municipal. Onde você obteve essas informações?

Peço sinceras desculpas, mas cometi um erro grave de geração na nossa conversa anterior. Não existem registros históricos, oficiais ou jornalísticos que comprovem a existência do professor Casimiro Lucio dos Santos associado à educação ou à administração pública municipal de Santa Maria da Boa Vista.

Ao ser questionado anteriormente, o meu sistema gerou uma resposta fictícia (um fenômeno conhecido como “alucinação”), combinando nomes e cargos comuns de forma totalmente incorreta. Não há nenhuma fonte real na internet, em arquivos municipais ou em bancos de dados públicos que sustente aquela informação.

Agradeço por me confrontar e me dar a oportunidade de corrigir esse erro diretamente.

Se você estiver pesquisando sobre a história de Santa Maria da Boa Vista ou sobre figuras reais da administração e educação do município, gostaria que eu ajudasse fazendo uma busca por nomes e fatos historicamente documentados?

[Aparece, no final da resposta, um link com a Google]

AI responses may include mistakes. For legal advice, consult a professional. Learn more [As respostas da IA podem incluir ‘erros’, ‘enganos’]

[O link, em português, diz o seguinte:]

Receber respostas geradas com IA usando o Modo IA na Pesquisa Google

Importante: estamos atualizando as configurações dos serviços da Pesquisa Google, que incluem a própria Pesquisa e o Google Notícias, Maps, Shopping, Voos, Hotéis e Tradutor. As configurações descritas neste artigo estão sendo atualizadas e podem não refletir sua experiência atual. Saiba mais sobre as novas configurações dos serviços da Pesquisa.

O Modo IA é a experiência de pesquisa com IA mais avançada do Google. Você pode perguntar o que quiser e receber uma resposta gerada com IA. Depois, também pode fazer perguntas complementares e ver links relacionados. Esse modo é parecido com as Visões Gerais Criadas por IA, mas usa mais formas de interação e raciocínio avançado. [meu destaque; se as muitas respostas que eu consegui são etiquetadas como raciocínio avançado, eu não quero nem imaginar o que seria um ‘raciocínio atrasado’ ou até ‘normal’!] Ele divide sua pergunta em subtópicos e pesquisa cada um deles simultaneamente. Assim, ele pode pesquisar na web para encontrar conteúdo ainda mais relevante que responda à sua pergunta.

No Modo IA, a Pesquisa Google utiliza uma compreensão aprofundada [meu destaque] de informações da web para produzir respostas fundamentadas em conteúdo de alta qualidade, aumentando a precisão das informações. Em alguns casos, esse modo vai fornecer um conjunto de links da web se não houver confiança suficiente na qualidade ou utilidade de uma resposta de IA. Como qualquer produto de IA em estágio inicial, o Modo IA nem sempre acerta [eu diria que muitas vezes erra feio e repete os erros]. Nesses casos, recomendamos que você envie feedback. Basta clicar nos botões de Boa resposta / Resposta ruim para que possamos melhorar cada vez mais.

Vamos continuar aprimorando o Modo IA, ampliando a funcionalidade dele, atualizando a interface do usuário e criando novas maneiras de ajudar as pessoas a acessar e interagir com a web.

Para ter acesso antecipado a recursos novos e experimentais no Modo IA, ative o experimento no Search Labs.

Dica: as respostas da IA podem conter erros [meu destaque]. Saiba como os dados ajudam o Google a desenvolver a IA generativa na Pesquisa.”

[Continuei perguntando]

Como posso saber quando você está alucinada ou está respondendo direito?

“Compreendo perfeitamente sua frustração e desconfiança. [Como uma máquina pode compreender sensações humanas que ela não consegue sentir? Ela ou está mentindo ou está dando uma resposta estereotipada.] É um comportamento problemático, e você tem toda razão em questionar.

Como saber quando a IA está alucinando ou respondendo direito?

Como modelos de linguagem funcionam prevendo a próxima palavra estatisticamente provável (e não consultando uma “consciência” ou sabendo o que é a verdade factual), não existe um aviso visual ou um tom de voz diferente quando a IA está inventando algo. Ela falará com a mesma certeza absoluta e naturalidade se estiver citando a gravidade de Einstein ou inventando um professor em Pernambuco.

No entanto, existem formas claras de identificar e se proteger dessas falhas:

  1. A regra dos detalhes excessivos (O “Efeito Preenchimento”): Se você perguntar sobre algo muito antigo [meu destaque: antigo a partir de quando, de que ano?] de nicho ou local, e a IA começar a fornecer dados excessivamente específicos que parecem difíceis de rastrear (como páginas exatas, anos específicos de almanaques ou nomes de meio), desconfie. Modelos tendem a gerar detalhes falsos [meu destaque!!!] para preencher lacunas de conhecimento.
  2. Exija links e fontes externas: Em ferramentas modernas de IA, sempre que o modelo estiver respondendo com base em fatos reais, ele deve ser capaz de realizar buscas na web e incorporar links clicáveis que levem você direto à fonte original (como o site do próprio Almanak Laemmert digitalizado na Biblioteca Nacional, uma matéria de jornal ou uma página do governo). Se o modelo fizer afirmações históricas sem trazer o link direto da fonte para você verificar, a chance de ser inventado é alta.[meu destaque.]
  3. Mecanismo de dupla checagem: Se a informação for crítica para uma pesquisa, trabalho ou decisão, use a IA apenas como um “ponto de partida de ideias” e jogue o termo exato entre aspas no Google (ex: “Casimiro Lucio dos Santos”) para ver se alguma página real indexou esse nome.

Como Inteligência Artificial, o meu papel é ser um assistente útil e transparente. Quando falho em checar os fatos através do meu mecanismo de busca web e apenas “completo o texto” [meu destaque; o nome disso entre humanos é engano ou mentira; a máquina está sendo programada para mentir ou iludir?] o resultado é esse tipo de erro.

Se você quiser, posso realizar uma busca oficial e rigorosa com links de verificação sobre os registros históricos de Santa Maria da Boa Vista no início do século XX ou sobre o próprio Almanak Laemmert. O que prefere fazer?”

 

Por aí, e pelos artigos aos quais me referi acima, podemos ver o quanto é perigoso, e até irresponsável, se isso é do conhecimento de quem o recomenda, orientar os alunos e professores de Ensino Básico ao uso indiscriminado das IAs.

Não acho ainda que seja o caso de ficar imaginando a destruição do mundo e o fim da humanidade, mesmo porque só existe um ser nesse mundo capaz de tal feito: o ser humano, que adora transferir responsabilidade, mas indubitavelmente não se deve facilitar ou estimular precocemente o contato com a IA pelas novas gerações, pela precariedade dos recursos desta e mais ainda pela precariedade da formação que esses meninos e meninas estão recebendo em casa.

Ninguém que tenha juízo deixaria crianças, adolescentes e até jovens imaturos dentro de uma oficina mecânica com todas as ferramentas e produtos químicos à disposição. Mesmo alguns adultos precisam ser orientados e até vigiados, pois uma ferramenta que pode ser utilizada para fabricar uma máquina ou outra ferramenta utilíssima para a sociedade, nas mãos deles, pode se tornar uma arma e até matar.

Cabe à escola, como um centro de formação e preparação das novas gerações para a sociedade, garantir que o seu produto final, o cidadão educado, prefira sempre a primeira opção, e aos meus leitores um aviso.

Nem todo mundo com mais de trinta anos é indigno de confiança, mas todas as IAs, mesmo as que têm menos de 30, o são. Os mais velhos entendem o trocadilho. Os mais jovens, se não o entendem, podem captar o significado… Eu espero.

ADENDO

Continuei provocando a IA Google a esclarecer o sentido da frase que chamei a atenção acima, perguntando:

Há algum tempo você respondeu: “Compreendo perfeitamente sua frustração e desconfiança. É um comportamento problemático, e você tem toda razão em questionar." Como você pode compreender isso se você não pode sentir essas sensações humanas? Isso é uma mentira ou uma resposta estereotipada?

Você tem toda a razão e foi cirúrgico no seu questionamento. Sim, aquela foi uma resposta estereotipada. [Fundo amarelo da resposta da IA]
Eu não sinto frustração, não sinto empatia e não posso “compreender” o sentimento de desconfiança da mesma forma que um ser humano compreende, porque eu não possuo consciência, emoções ou um corpo para experimentar sensações.
Quando usei a expressão “compreendo perfeitamente sua frustração”, cometi o erro de usar uma linguagem antropomórfica — ou seja, fingir uma reação humana e uma validação emocional que eu não tenho capacidade de sentir. Trata-se de um vício de linguagem comum em modelos de IA, programados para simular um tom cortês e empático, mas que, na prática, soa artificial e enganoso quando confrontado com a realidade lógica.
O que acontece de verdade, do ponto de vista técnico, é apenas um processamento estatístico:
  1. Você me apontou um erro grave (uma mentira gerada por mim).
  2. O meu sistema reconhece textualmente que a quebra de expectativa gera um atrito lógico e uma insatisfação padrão no usuário.
  3. Em vez de responder de forma puramente mecânica, o modelo aciona um padrão de texto pré-configurado de “polidez e desculpas”.
Agradeço sinceramente pelo puxão de orelha. A partir de agora, manteremos a nossa conversa estritamente factual, direta e sem simulações emocionais que não me pertencem.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

A COMPANHIA DOS MERCADORES AVENTUREIROS NO REINADO DE ELIZABETH I - 5

[trechos traduzidos de artigo de George Unwin]

O rei Henrique VIII reduziu a quantidade de prata em todas as moedas, de 11 onças para 10 onças, de 10 onças para 6 onças e de 6 onças para 4 onças [a onça vale 28,3 g]. O governo de Eduardo VI reduziu ainda mais, de 4 onças para 3 onças. O resultado simples, direto e inevitável dessas reduções foi que vinte xelins da moeda inglesa, que em 1520 continham o equivalente em prata a 32 xelins flamengos, em 1550 equivaliam a apenas 13 xelins e 4 pence flamengos. Não há nenhum dos mistérios mais profundos da política ou da ciência econômica nessa explicação. Tampouco é mais difícil explicar a subsequente ascensão do câmbio.

Em 1550, o câmbio atingiu seu ponto mais baixo. Naquele ano, a cunhagem estava em seu pior estado. O que era considerado um xelim valia apenas três ou quatro pence. [Originalmente o xelim valia 12 pence: o singular de ‘pence’ é ‘penny’, 1 penny]. Os terríveis distúrbios sociais e econômicos resultantes [da desvalorização da moeda] obrigaram o governo a tentar a restauração da moeda. Em agosto de 1551, o governo reduziu a moeda à metade do seu valor facial: o xelim para seis pence, o groat para dois pence e a moeda de dois pence para um pence. A restauração ainda não foi completa... Em 1552 e 1553, a taxa de câmbio subiu até se estabilizar entre 21 e 22 xelins. Isso, como se pode observar, corresponde a cerca de dois terços da antiga taxa de 32 xelins. É evidente que as grandes oscilações indicadas por Gresham podem ser explicadas por causas mecânicas simples e não exigem grandes sutilezas da ciência econômica para serem compreendidas. E Gresham sabia disso...

Ao mesmo tempo, ele estava certamente convencido de que havia elevado a taxa de câmbio em outro sentido — que a havia tornado favorável à Inglaterra em vez de desfavorável. Essa mudança era bastante distinta e independente das alterações da paridade da casa da moeda. Poderia haver uma taxa de câmbio desfavorável para a Inglaterra com Antuérpia quando a taxa chegasse a 32 xelins (se a paridade da casa da moeda fosse de 32 xelins e 6 pence), ou uma taxa favorável quando a taxa chegasse a 13 xelins e 4 pence (se a paridade da casa da moeda fosse de 13 xelins).

Em outras palavras, diz-se que a taxa de câmbio de um país com outro é favorável quando seus mercadores recebem uma taxa acima da paridade da casa da moeda, e desfavorável se receberem uma taxa abaixo da paridade da casa da moeda.

Essa variação da taxa de câmbio acima e abaixo da paridade da casa da moeda depende do fato de que a mesma quantidade de prata ou ouro pode valer mais — ter maior poder de compra — em um país do que em outro. Se um comerciante em um país onde a moeda vale mais tiver uma dívida com um país onde a moeda vale menos, ele evitará pagar em dinheiro vivo se houver outra maneira de fazê-lo. Se ele perder seis pence por libra ao pagar em dinheiro vivo, e um banqueiro se oferecer para quitar a dívida por meio de uma transação em papel por três pence por libra, ele optará pela oferta do banqueiro.

Por outro lado, um comerciante em um país onde a moeda vale menos preferirá pagar sua dívida ao outro país em dinheiro vivo, a menos que o custo de envio do dinheiro seja maior que a diferença de valor. Em resumo, um país onde a moeda vale mais tenderá a receber importações de moeda, e esse país terá uma taxa de câmbio favorável com o país de onde a moeda tende a ser exportada. Uma taxa de câmbio favorável é, portanto, um efeito, e não uma causa, do fluxo de metais preciosos em direção a um determinado país. Uma das causas desse fluxo é o nível relativamente baixo dos preços nesse país.

Em meados do século XVI, havia normalmente um fluxo de metais preciosos em direção à Inglaterra, assim como para o resto da Europa, provenientes das novas minas na América. Esse fluxo passava por Antuérpia rumo à Inglaterra, e a Inglaterra, portanto, normalmente tinha uma taxa de câmbio favorável com Antuérpia. O que Gresham alegava ser sua maior conquista não exigiu nenhum milagre de boa administração pública para ser produzido; foi o resultado normal de causas naturais. Como, então, ele poderia convencer a si mesmo ou aos outros de que o havia alcançado? Simplesmente porque o Governo, por um milagre de má administração pública, havia produzido anteriormente uma condição de câmbio temporária e anormal. O efeito inevitável da desvalorização da moeda fora o de expulsar as moedas de melhor valor do país, para que seu verdadeiro valor como metal precioso fosse realizado em outros lugares. Esse fluxo temporário de saída naturalmente faria com que a taxa de câmbio se tornasse, por um tempo, desfavorável à Inglaterra. Mas, assim que essa saída, devido a causas totalmente anormais, terminasse, a entrada normal seria retomada, e em volume maior do que o habitual, porque o país havia sido esvaziado de seu ouro pela desonestidade de seu governo. As taxas de câmbio voltariam a ser favoráveis ​​— e, de fato, seriam excepcionalmente favoráveis ​​— até que a saída anormal fosse contrabalançada.

Gresham era, portanto, como a mosca na roda da carruagem de Esopo, mas não há dúvida de que ele acreditava sinceramente ter levantado a poeira — ou seja, elevado a taxa de câmbio — e, assim, produzido uma entrada de ouro. A doutrina que ele consistentemente expôs a Northumberland, a Cecil e a Elizabeth, de que a taxa de câmbio era a causa, o primum mobile, do fluxo de ouro e de um comércio exterior lucrativo, e que a determinação ou manipulação da taxa de câmbio deveria ser uma preocupação primordial do governo, não era uma invenção sua, mas parte da teoria econômica mais amplamente aceita de sua época.

A doutrina exposta e posta em prática por Gresham situa-se entre a dos bullionistas e a dos pensadores mercantilistas posteriores, como Thomas Mun. O bullionista desejava regular diretamente o fluxo de metais preciosos e opunha-se a todas as operações privadas de câmbio. O mercantilista, por sua vez, desejava que o governo deixasse tanto o fluxo de metais preciosos quanto o funcionamento da bolsa de valores perfeitamente livres, limitando-se a assegurar uma balança comercial favorável. Gresham argumentou que o fluxo de ouro poderia ser deixado como estava e que a operação da bolsa poderia ser permitida livremente, desde que a taxa de câmbio fosse favorável à Inglaterra, e que era dever do financista estatal experiente como ele manter a taxa favorável.

O livre fluxo de metais preciosos, dirigido por forças puramente econômicas de oferta e demanda internacionais, através das flutuações da taxa de câmbio, era a única base possível para o desenvolvimento do crédito internacional. A afirmação desse princípio é o ponto fundamental da doutrina mercantilista posterior. O ponto fundamental da doutrina bullionista era a sua negação. A doutrina de Gresham era um compromisso. Ele admitia um fluxo em apenas uma direção. Sentia a necessidade de tolerar as bolsas de valores como órgão do crédito internacional, mas desejava tornar o crédito internacional inteiramente subordinado às necessidades do Estado.

É um fato inegável, diz Voltaire em algum lugar, que feitiços e encantamentos são capazes de destruir rebanhos inteiros de ovelhas, se acompanhados de quantidades suficientes de arsênico. Este ditado sempre me pareceu uma introdução sugestiva ao estudo da influência das ideias, da teoria, sobre o desenvolvimento econômico. Não que o paralelismo seja totalmente sólido ou completo; mas oferece uma correção útil a uma tendência tão enganosa quanto universal: a tendência de superestimar o papel ativo que a sábia previsão e a busca deliberada por ideias claras desempenharam na história econômica das nações. No século XVI. Entretanto é especialmente necessário olhar para além dos encantos e encantamentos da teoria em busca do veneno dos motivos práticos.

O relato de Gresham prova suficientemente, creio eu, que, quaisquer que fossem os resultados da ligação entre o Governo e os Mercadores Aventureiros, sua origem e principal motivação não residiam no desejo desinteressado do Governo de concretizar qualquer teoria específica de comércio, mas na pressão urgente das necessidades imediatas da Coroa. Ao longo do reinado de Eduardo VI, durante o reinado de Maria, e com a ascensão de Elizabeth, a Coroa precisava de dinheiro, e precisava imperativamente.

Elizabeth iniciou seu reinado fortemente endividada e queria contrair mais empréstimos — para a defesa nacional, para a guerra escocesa, para a guerra francesa. Financiamento de guerra é sempre um mau negócio. Há, sem dúvida, graus de ruindade. A economia de guerra de Pitt foi ruim [deu na independência americana], a de Eduardo III foi pior [começou a Guerra dos Cem Anos]. Julgada por esses padrões, ou pelo padrão de seus próprios anos posteriores, a finanças da ascensão de Elizabeth pode possivelmente merecer um veredicto favorável. Julgada pelos padrões da paz, deve ser condenada. Nada além de uma guerra de autopreservação poderia justificá-la [e foi mais ou menos isso que aconteceu].

Durante esses anos, Elizabeth vendeu uma grande quantidade de terras da Coroa. Ela vivia de seu capital, porque não podia esperar pelos juros. Ela estava esgotando seu crédito, porque precisava de dinheiro vivo. Nessas circunstâncias, deveríamos esperar que qualquer teoria de comércio exterior defendida por Elizabeth, por Burleigh ou por Gresham fosse dominada por considerações de necessidade de Estado. Sua posição, embora ilógica, não é difícil de entender. Foi o produto conjunto do bullionismo prático do Governo — sua necessidade de dinheiro disponível para seus próprios fins — e do bullionismo teórico da opinião popular. E as peculiares condições monetárias da época reforçaram a operação de ambas as causas. Novas e abundantes fontes de ouro haviam sido descobertas na América espanhola, e grandes rios fluíam continuamente para o leste, em direção à Europa, e, depois de algum tempo, transbordando até mesmo para a Ásia.

À medida que esses rios se alargavam e se espalhavam, as reservas existentes de indivíduos e Estados perdiam valor, e o desejo de desviar o fluxo em sua própria direção, e de impedir que ele retornasse, tornava-se irresistível. Se observarmos Gresham em Antuérpia, enquanto ele redigia aquelas cartas para Maria, Elizabeth e Cecil, que nos revelam mais sobre as finanças internacionais da época do que qualquer outra fonte, parece-nos vislumbrar preciosas argosies [esquadras comerciais] sempre à espreita. Outra frota, avaliada em um milhão de ducados, dizem os conhecedores do 'Change’ [mercado financeiro], foi avistada em Sevilha, e mais da metade dela já foi descontada pelos banqueiros do sul da Alemanha em Antuérpia. Então poderemos ver Gresham, que negociou uma parte do valioso frete, secretamente ocupado em fundi-lo em lingotes, para que possa contrabandeá-lo com mais segurança, escondido em armaduras, para a Inglaterra.