segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 


O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 45 

Os mistérios da morte de Moreira César - 1

Uma coisa chama a atenção na morte do Coronel Moreira César. Ninguém a descreve exatamente como aconteceu. Segundo o relato do major Rafael Augusto, transcrito em Manuel Benício, o acontecimento é simplesmente ‘jogado’: a impressão é que ele foi atingido aleatoriamente, como por bala perdida, logo no início da operação. Euclides da Cunha floreia um pouco mais para efeitos dramáticos.

“O chefe expedicionário deixou então o lugar em que per­manecera, à meia encosta dos Pelados, entre a artilharia e o plaino das quixabeiras:

— Eu vou dar brio àquela gente…

E descia. A meio caminho, porém, refreou o cavalo. Inclinou-se, abandonando as rédeas, sob o arção dianteiro do selim. Fora atingido no ventre por uma bala.”

Nenhum dado concreto, que nos permita saber exatamente onde ele estava quando foi atingido, aparece nesse relato. O “plaino das quixabeiras” ficava na base da encosta onde estava a artilharia, à margem imediata do rio, mas não sabemos se ele chegou lá, ou se foi atingido antes disso? Com certeza, ele não atravessou o rio que estava cheio.

Considerando que ele não estava no rio, mas a uma certa distância dele, e que da linha do rio, na outra margem, até as igrejas, onde estava a resistência conselheirista, teríamos no mínimo cerca de 180 a 200 m. Ora, alguém acertar um alvo a 200 m com uma arma sem mira telescópica, no século XIX, seria uma coisa excepcional. Mesmo bem treinado. O pessoal do 7º era bem treinado e famoso pela precisão de tiro e estava mais próximo. Os canudenses não tinham armas modernas nem munição equivalente para exercitar.

 Não sabemos se o tiro o atingiu pela frente, por trás ou por um dos lados, nem o percurso da bala que o atravessou, se é que não ficou cravada nele.

Na versão “oficial”, do major Augusto, a tropa ficou encurralada no meio dos casebres, por uma reação inesperada dos canudenses, que, embora tivessem força para derrotar a tropa em espaço aberto, afinal a cidade possuía milhares de combatentes, armas e instrutores estrangeiros, etc., preferiram trazer os soldados para o interior da cidade, arriscando destruí-la, assim como a vida de suas mulheres, crianças, velhos e doentes.

Batidas e em desvantagem, como disse o Major Rafael Augusto, as tropas recuaram para evitar o extermínio, sem não falar da tal “covardia” tomando conta dos soldados. Deduz-se de Cunha, pois ele não é claro, que Moreira César, tentando dar coragem aos soldados, ou querendo se matar, como disse o Dr. Afrânio, aproximou-se em demasia do front e levou um tiro; mas se ele não chegou a atravessar o rio, a distância era grande para um tiro dos canudenses.

Entretanto, existe outra versão, exposta nos jornais por gente que esteve lá, e que, por alguma razão, foi ignorada e esquecida nesses últimos cento e tantos anos, afinal, o maior inimigo da verdade não é a mentira, é o esquecimento. E o esquecimento sempre acomoda um interesse.

A primeira coisa a considerar é o contexto geral no momento em que o Coronel levou o tiro, e o conjunto das narrativas e dos relatos jornalísticos leva-nos aos seguintes elementos:

1º — Ele e o estado-maior da tropa estavam na margem direita do Vaza-Barris, enquanto Canudos estava à margem esquerda. Estavam, portanto, numa área distante e protegida.

2º — Pela gravura que temos da cidade, vemos que a entrada principal era marcada pelas duas igrejas que Conselheiro construíra, com um grande espaço entre elas.

3º — Havia também um rio que, nessa expedição, estava cheio.

4º — Pelo Sargento Villela Junior, ficamos sabendo que a artilharia se posicionou a 400 m do perímetro da cidade, na margem direita do rio.

5º — Há uma divergência sobre a hora do ataque; alguns falam que foi às 11:00h e outros, às 13:00h. Essa diferença pode ser explicada por um dado posterior: segundo o tenente Francisco d’Ávila e Silva, do estado-maior da coluna, foram dados mais de 300 tiros de canhão sobre a cidade, arrasando a Igreja Velha, e depois a infantaria acelerou sobre o arraial.

6º — Os testemunhos mais consistentes apontam que, embora os soldados não tenham tomado as igrejas, eles as cercaram e avançaram sobre as casas próximas, ocupando-as. Eram em torno de 40, das famílias mais ricas e da Guarda Católica, onde encontraram grande fartura de mantimentos. 

7º — O coronel Moreira César, em determinado momento, realmente avança um pouco mais para posicionar melhor e estimular a força da polícia, e o faz com tanta competência e maestria que essa força começa a se destacar. 

8º — Ao contrário de Cunha, é justo depois que ele volta da instrução à tropa da polícia que leva o tiro, e um espectador viu isso acontecer: o Sargento da Artilharia Villela Júnior — a artilharia estava silenciosa nesse momento, a 400 m da entrada da cidade, assistindo o desenrolar dos combates. Moreira César estava a essa distância do front, propriamente dito, quando, aparentemente, algo na cidade chamou a sua atenção:

“Parou no meio da linha do 7º, à direita da artilharia [ou seja: bem atrás do 7º, mas na mesma linha da artilharia, portanto, a 400 m da batalha], soltou as rédeas do cavalo e, pegando o binóculo com as duas mãos, começou a observar… estávamos observando tudo, quando o vimos soltar rapidamente o binóculo, pegar as rédeas com a mão esquerda e vir em nossa direção.”

Está claro: ele foi atingido longe do front, numa área sob o controle da tropa. Junto à artilharia, o tenente Francisco d’Ávila, do estado-maior da coluna, o acudiu e o levou à enfermaria. Agora vamos considerar:

a) Mesmo considerando que um fuzil Mannlicher tinha um alcance efetivo de 400 m, consegui-lo sem saber sequer utilizar a mira da arma é de uma habilidade sobre-humana! Não é isso que diz o jornalista Favilla Nunes, em 2 de janeiro de 1898, no Gazeta de Notícias, num artigo chamado ‘SOBRE CANUDOS’, p. 2?

“Não sabiam fazer uso da alça de mira das carabinas que nos tomaram das expedições anteriores.”

Para se ter ainda uma ideia do absurdo que foi esse tiro, um experiente caçador do Alasca disse, em 2025, que para se dar um tiro eficaz com uma espingarda de caça moderna, sem mira telescópica, o caçador tem que estar a pelo menos 200 m do… alce. A precisão da espingarda de caça atual é muito superior à das carabinas militares do final do século XIX. 

b) Os canudenses estavam travando, naquele momento, uma batalha de vida ou morte pela preservação dos símbolos maiores de sua identidade. Por que razão iriam destacar um atirador tão bom para acertar um alvo tão distante, que nem dava para saber quem era?

c) É verdade que ele era o comandante, mas havia outro da mesma patente e um outro, de patente abaixo, que poderia dar continuidade ao ataque. Como os canudenses souberam que, matando aquele homem, ao contrário de tudo que era de se esperar, haveria a retirada da tropa? Quem o matou sabia que haveria a retirada.

e) Que o atirador era excepcional, diz o fato de utilizar um Mannlicher, nunca visto entre os canudenses até a 4ª Expedição. Ele ficaria famosíssimo por esse feito e, por alguma razão misteriosa, ficou oculto — o marechal Dantas Barreto, em seu Acidentes da guerra, reforça que César foi atingido por uma bala de fuzil moderno (p. 128).

A carta de um certo Antero de Cirqueira Galo, datada de 19 de março de 1897 e reproduzida por Consuelo Sampaio, em Canudos cartas para o barão (EDUSP, São Paulo, 1999, p. 160), diz o seguinte: “Corre aqui, com provas evidentes, que os coronéis César e Tamarindo foram traídos, os quais foram mortos pelos soldados.”

De Tamarindo não sei, mas já ouvi especulações de que Moreira César teria sido morto por um soldado que o odiava, algo que sempre existirá em qualquer tropa, e mais ainda se o tal recebeu algum ‘estímulo’ para isso; mas a questão é como ele conseguiu escapar ileso, uma vez que César estava numa área segura. Ele estava longe do front, um soldado que atirasse nele correria um risco enorme de ser descoberto, a não ser que fosse acobertado por outros.

Outra questão que se coloca é sobre o momento do tiro, e há um elemento a nos deixar desconfiado. Um relato que aparece na Gazeta de Notícias de 22 de março de 1897, atribuído ao tenente Francisco d’Ávila e Silva:

“Em meio ao bombardeio, os fanáticos hastearam a bandeira branca.”

Ou seja, Moreira César, com os binóculos, podia estar conferindo se os canudenses estavam mesmo se rendendo. Caso isso se confirmasse, ele cessaria o ataque, acertaria as condições de rendição e salvaria a vida de uma multidão. O tiro o impediu.

O Coronel foi então entregue aos cuidados dos médicos, que rapidamente o desenganaram, em virtude da hemorragia desatada pelo ferimento — aqui eu especulo, pois não há nenhum documento, que eu saiba, que descreva exatamente o ferimento e a morte de Moreira César. A demora em sua agonia, em torno de 12 horas, nos faz crer que nenhum órgão vital foi atingido com gravidade. O mais provável é ruptura de algum importante vaso sanguíneo.

Apesar de Rafael Augusto afirmar que Moreira César o queria no comando da coluna, assim que foi ferido, ele mandou chamar o coronel Pedro Nunes Ferreira Batista Tamarindo e passou-lhe o comando, como seria óbvio. Tamarindo é apresentado por Dantas Barreto como um homem bonachão, mas acomodado e rústico, que gostava de piadas obscenas. Cunha Mattos o apresentará pusilânime e desorientado.

Cunha Mattos diz, em Manuel Benício ou Aristides Milton, que às 6h30 da noite estava levando, por conta própria, os seus soldados de volta ao acampamento, na outra margem do rio. Oleone fala que, por volta das 7:00h da noite, o corneteiro tocou a retirada para as tropas que estavam nas primeiras linhas.

As tropas chegavam ao acampamento entre perplexas e desorganizadas, pois não encontraram nenhuma estrutura para recebê-las ou deviam estar inconformadas com aquela ordem, porque estavam progredindo bem em Canudos! Havia, além disso, uma questão que os atordoava. Como podia o seu querido comandante, numa área tão abrigada, ter sido atingido e morto? Alguns podem até ter apresentado isso como uma prova de que no arraial havia gente muito bem treinada com armas mais poderosas que as da tropa. Nada estava fazendo sentido ali.

Todos os que citam esse momento falam em desordem, com os soldados se recusando a cumprir ordens, seguir os toques do clarim, numa atitude de aparente rebeldia, mas ninguém diz que eles estavam ansiosos por sair dali ou desertando. Se houvesse aquilo que Cunha e Augusto falam: pânico, o mais razoável teria sido uma debandada geral durante a noite. Pode-se falar de confusão e até motim, mas não de pânico.

Nesse momento, a coluna repete, às avessas, a Retirada da Laguna.

Com a morte, em 29 de maio de 1867, do comandante da Coluna Expedicionária em Operações no Norte do Paraguai, o Coronel Carlos de Morais Camisão, seguida da de seu substituto, o Tenente-Coronel Juvêncio Manuel Cabral de Meneses. O comando foi entregue ao Major José Tomás Gonçalves, que mudou a dinâmica da retirada.

Enquanto sob o comando de Camisão, um homem moralmente abalado, a coluna batia cabeça e se movimentava desorganizadamente, com grandes perdas. Sob o comando de Gonçalves, ela ganha uma nova dinâmica e se livra da perseguição paraguaia com poucas baixas. Ou seja, um chefe mais firme e preparado teve efeito muito melhor sobre o desempenho da coluna. Por que será que, em situação tão parecida, na 3ª Expedição a Canudos aconteceu justo o contrário?

Quando a coluna do Major Gonçalves chegou a Cuiabá, estava reduzida a 25% do efetivo original, tendo salvo a sua artilharia, enquanto a 3ª Expedição terminou essa campanha fragorosamente derrotada, mas com 90% de seu efetivo intacto, após perder toda a sua artilharia (ver Gen. Paulo de Queiroz Duarte, Os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, vol. 2 – tomo III, Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro, 1981, p. 57). A propósito, esqueçam Taunay.

Eduardo Simões



domingo, 1 de novembro de 2026

 


MUNDO ANGLO-SAXÃO

 “O QUE NÃO TE MATA TE DEIXA CHEIO DE MECANISMOS DE DEFESA (MEDOS INJUSTIFICÁVEIS) E UM SENSO DE HUMOR SOMBRIO”. (Pergunte ao Nietzsche!)

Pessoas com aritmomania: seus dias estão contados.

Professores estrábicos têm dificuldade em controlar suas pupilas? 

Não deixe de ir ao funeral de seus amigos para eles irem ao seu.

Meu pai me disse uma vez: “Filho, se você quer que as pessoas escutem o que você tem a dizer, afirme que foi algo que seu pai lhe disse.”


Se você quer mais emoção na sua vida, deixe para amarrar os cadarços dos sapatos numa escada rolante.

Haja com naturalidade, que já é loucura suficiente.

“Eu me apaixonei pela minha namorada à segunda vista, pois na primeira vista, eu não a havia visto”.

“Quando o Passado, o Presente e o Futuro entraram em um bar. O clima ficou indefinido.”

“Minha esposa diz que eu nunca assumo responsabilidade por minhas próprias ações. Mas isso é de família.”

As chamas da vitória acabaram de explodir o tanque de gasolina do carro vencedor.

Quem nasce no Alasca é lascado?

 


A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM.

Eduardo Simões.

A conversa de separatismo sulista no Brasil, por razões políticas óbvias, voltou à ordem do dia, colocando questões que não podem ser ignoradas; uma delas é: quantos séculos a mais, já se passaram 2, desde a independência, teremos que esperar para termos um país economicamente viável, socialmente equilibrado, juridicamente estável e politicamente sério?

Não digo nem uma potência de primeira ordem ou superpotência, que temos sobejas condições materiais de sê-lo, menos o principal: vontade para isso e disposição para conquistá-lo. Esqueçamos isso definitivamente. Simplesmente não é um objetivo razoável para o temperamento do brasileiro mediano. O desejo de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU só se explica por excesso de sol ou álcool na cabeça.

Mas eu não estranharia, por exemplo, se o presidente Trump, que tanto suspiro arranca dos bolsonaristas e de uma direita indisposta ao pensamento, ficasse neutro nesse cabo de guerra e até estimulasse, por ‘baixo dos panos’, esse movimento. Existe uma simpatia racial derivada da forte presença de descendentes de europeus no sul, sem falar no fator estratégico de enfraquecer qualquer movimento para criar uma potência na América do Sul que possa contrastar os interesses americanos. Sem falar da necessidade de conter o avanço chinês no continente.

É melhor lidar com isso com uma récua de países concorrentes entre si, facilmente cooptáveis para uma aliança ou ameaçáveis em caso de recalcitrância, do que ver uma grande potência, politicamente instável, dividida, vicejando aqui embaixo.

O ambiente global está hostil como nunca àqueles países que perderam o passo da história, por desconhecer a sua própria história, e não souberam conservar e ampliar as suas conquistas políticas, econômicas e sociais, quando era fácil fazê-lo. Quando a América do Sul era vista apenas como um terreno baldio, um local de despejo dos EUA, e não como uma zona estratégica para a sua própria segurança, como agora — devíamos ter aproveitado o seu menosprezo para crescermos sem ser notados, sem ficar berrando por respeito e posições de honra que não podemos sustentar. Eles nos perceberam e estão se prevenindo contra nós.

Mas, tranquilizemo-nos, afinal, isso não é nada que um milagre não resolva.

sábado, 31 de outubro de 2026

 

O MELHOR DOS INIMIGOS — LULA INTERESSA A TRUMP

Eduardo Simões

Uma coisa podemos definir como pacífica e assentada: não dá para acreditar nas palavras de Trump nem nas promessas eleitorais de Lula. Ambos partilham da mesma visão sobre a forma de fazer política: nesta seara só existe um pecado, perder!

Antes de abordar esse ponto, eu gostaria de lembrar aos petistas uma coisa: se vocês tivessem um pingo de gratidão, levantariam um monumento gigantesco aos bolsonaros. Jair não sossegou enquanto não desmontou a Lava-jato — livrar o Flávio e esvaziar o prestígio ameaçador do juiz Sérgio Moro, cujo desdobramento natural acabou por tirar Lula e muitos bandidos da cadeia.  

É vívida, na minha mente, a imagem do Jair insistindo em disputar a eleição com Lula, sendo nisso bem-sucedido, só para sacramentar a sua humilhante derrocada e sua condição atual de prisioneiro em sua casa, por uma questão de caridade. Não era aquele que chamava o tal juiz de canalha? Quem disse que não obedeceria mais às suas ordens? Que ninguém tomaria seu telefone? Disso tudo só sobrou o ridículo e o hit viral da Banda Estragona: “Tomaram meu telefone.”

Que dizer de Flávio, que teve o descalabro e a indecência de fazer galhofa com o dedo amputado de Lula! Aquilo foi infame. Ele certamente se alimenta dessas fraudes nas redes sociais que dizem que Lula cortou o dedo de propósito para se aposentar por invalidez e viver de política sindical. Ora, o acidente foi em 1964, quando ele tinha de 17 para 18 anos. Nunca, até hoje no Brasil, alguém se aposentou com essa idade. Esse acidente é uma demonstração das péssimas condições de trabalho que havia no Brasil, da nossa pouca produtividade, dos baixos salários e dos empresários oportunistas, sempre dispostos a investir em políticos populistas, de direita ou de esquerda, para obter vantagens.

Flávio, apresentado como o bolsonaro moderado, mostrou, nesse episódio e em outros, como no seu discurso vazio, catatônico, sem propostas, e a declaração no exterior de que era o verdadeiro ganhador das eleições, de que era exatamente igual a quem o gerou, embora, suspeita-se, menos inteligente. O que não é pouca coisa!

Graças às suas vitórias sobre os bolsonaros, o Lula, irritadiço, intolerante, com incontinência verbal crônica e impermeável a qualquer mudança na economia, se cacifa como o maior político do Brasil de todos os tempos e vê abrir para si uma carreira como consultor internacional em eleições, justo quando estava desprestigiado entre os grandes líderes. Lula foi ao mesmo tempo o Lázaro e o Herodes de Flávio, o seu maior feito e o seu maior carrasco, o qual, nessa história, está mais para personagem dos Trapalhões, indo fazer piruetas e mocó nos Estados Unidos. Nunca, na história desse país, tantos desmiolados deveram tanto a tão poucos oportunistas e aventureiros. Tirem suas conclusões.

E por que Trump não age, apesar das garantias dadas toda semana de que ele agora vai agir e acabar com o circo mambembe do Lula?

Simplesmente porque não interessa. Aliás, lhe interessa justo o contrário.

A grande meta de Trump é transformar os Estados Unidos na potência dominante, incontrastável, dessa parte do Hemisfério, e ele deixou isso muito claro na pressão que fez sobre o Canadá, cuja reação lhe surpreendeu. Não cometeria esse erro de novo: avançar diretamente contra o alvo. O Irã também deve estar sendo uma fonte de dor de cabeça e aprendizagem sobre a inconveniência do caminho mais curto. É óbvio que também tem o espectro tático-ideológico, expresso por Marco Rubio, mas não por ele, Trump, embora, em caso de dúvida, prevaleça a questão estratégica de não deixar ninguém se aproximar do poderio americano. A todo momento, Trump sinaliza que a ideologia não é nada comparada aos interesses econômicos de seu país. É uma pena que Lula não tenha aprendido isso.

Ora, nesse lado do continente, se examinarmos bem, o Brasil é o único país que, se começar a fazer as coisas direito, pela primeira vez, pode alcançar os Estados Unidos. O Canadá, embora territorialmente gigantesco, tem uma população pequena e um clima adverso. Neste caso, um pouco pior que o dos Estados Unidos. Mesmo sendo um país economicamente bem-sucedido, o Canadá não é páreo, no curto e médio prazo, e talvez até no longo, contra os Estados Unidos.

Já o Brasil… Nós temos um grande território e uma população gigantesca, como a americana. Porém, num quesito, o Brasil supera grandemente os Estados Unidos e todos os países do norte capitalista: o clima. A natureza impõe aos países da Europa e América do Norte um custo gigantesco para continuarem funcionando no inverno, o que não é o nosso caso. É simplesmente inacreditável, estonteante, o fato de o Brasil, com as suas possibilidades, não estar nem próximo da qualidade de vida desses grandes países.

Será que o Trump não sabe disso? Será que ele não sabe que os dados da economia brasileira do governo Lula são absolutamente insustentáveis? Não é isso uma vantagem para ele e a sua ideia de exclusividade made in USA? Ajudar uma pessoa capaz ou mais viável para assumir o poder no Brasil, conduzido por um projeto econômico sustentável, não seria criar um concorrente gigantesco no hemisfério sul, em condições reais de disputar a hegemonia do continente? A forma como ele trata a Europa não é um indicativo de até onde ele está disposto a ir para sacrificar aliados que possam de alguma forma ameaçar ou equiparar-se ao poderio americano?

O Brasil de Lula: absurdo, corrupto, estagnado, pré-capitalista é a certeza de que, por mais que os nacionalistas locais esperneiem, o país jamais será uma ameaça séria ao America First. Trump é o pior dos aliados que a direita brasileira pode ter e o melhor inimigo que a esquerda brasileira pode ter. A esquerda sai ganhando com vantagem. Essa eleição o provou.

Por isso, seria bom para a direita parar de fazer apelos patéticos ao líder americano ou ir às redes anunciar sanções americanas a Alexandre de Moraes e sua gangue, porque nada disso acontecerá. 

O que temos visto e ouvido é uma saraivada de declarações confusas e gestos contraditórios, informando aos meninos e meninas do lado de baixo do Equador, onde não se peca, que está na hora de se tornarem adultos, se não quiserem servir de espetáculo para o resto do mundo de tudo aquilo que uma nação não deve nunca ser ou fazer.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 


EXCESSO DE CIRCO OU DE TRAGÉDIA?

Eduardo Simões

Acabamos de mostrar ao mundo como uma eleição pode fragilizar e até destruir uma democracia, e como nós, brasileiros, estamos descompromissados com o futuro do que restou do Brasil. Fizemos uma campanha maluca, cara, polarizada, cheia de inversões, quebrando todos os antigos paradigmas, exceto em Minas, para surpresa de ninguém, só para chegar onde estávamos no início.

Foi tudo em vão? Creio que não? Graças a todos esses acontecimentos, nós ficamos ainda mais ressentidos e nos odiando mutuamente do que estávamos antes das campanhas. Então, mudamos... Para pior. Quatro coisas, porém, podem ser dadas como líquidas e certas:

a) Lula teve mais votos que Flávio. Não há o que discutir... Até prova em contrário. Ponto.

b) Ficou claro que Flavio não poderia esperar um julgamento justo e minimamente imparcial. A intervenção de Zanin, advogado do Lula, atropelando o TSE, e o pedido ilegal de retenção de passaporte de um senador da república, sem uma acusação formal, é a cereja do bolo dessa panificadora marginal em que se tornou o nosso Supremo. Este, como as gangues das periferias, vai criando impunemente leis e interpretações ao sabor das circunstâncias e dos interesses de seus membros ou do Executivo. Ponto.

c) Os dois lados têm mais motivos do que nunca para se odiarem e, mais cedo ou mais tarde, isso vai explodir. A direita bolsonarista é muito chucra e a esquerda lulo-petista, dissimulada e demasiado gulosa para admitir a normalidade do rodízio democrático do poder. Dilma Rousseff disse uma vez: “o PT  vai fazer o diabo para não perder a eleição”. O Lula fez. Aliás, as nossas massas estão ficando cada vez mais familiarizadas com esse ‘tipo’, para não sentir os efeitos perversos dessa proximidade. Ponto.

d) A tosquidão, a chucrice dos bolsonaros ficou evidente. Eles não aprendem com a experiência. Isso apareceu na menção estúpida dos “nove dedos” do Lula, mostrando bem qual é o tipo de rede ou grupos onde Flavio ‘enriquece’ o seu discurso político, e na declaração catastrófica, feita nos EUA. Proclamou-se sozinho presidente do Brasil, nos Estados Unidos, quando seus  aliados já aceitavam o resultado.

Flavio deve se sentir uma espécie de deus, tipo Apolo, que adora a academia, mas evita as bibliotecas. A sua derrota foi fruto do clima infantil de “já ganhou”, que assomou seus partidários após o 1º turno, e que agora ajudará a colar a certeza de que os bolsonaros são fregueses de carteirinha da esquerda, como Haddad e Marina o são da direita. Se a direita admitir que ele a represente novamente na próxima eleição presidencial, passará atestado de falta de inteligência. Tá okay?

Essa declaração de Flávio, ainda que posteriormente corrigida, mostrou o seu verdadeiro caráter, assim como a declaração de Lula de que iria “acabar com a polícia”, expressa muito, senão tudo, o que o presidente pensa sobre o assunto. Dando um pelo outro, não quero troco.

A única saída natural, lógica, para Flavio seria alegar perseguição e parcialidade da justiça lulista. Nesse quesito, há vários fatos gravíssimos de descumprimento da lei a favor do governo ou contra a oposição, que, dito por sua pessoa nesse momento, poderiam até mudar a percepção de muitos estrangeiros sobre o que se passa neste país. A falsa democracia petista ficaria exposta, sem falar que Lula e o STF, pressionados pelas declarações, talvez se vissem obrigados a afrouxar a perseguição, e mesmo se o fizessem de iniciativa própria, Flávio poderia reivindicar a vitória de sua iniciativa, se cacifando para um papel de destaque na oposição, mesmo à distância.

Porém, pensando apenas no curto prazo — estou supondo que ele pensa —, imaginando uma força que ele nunca possuiu, escancarada na derrota burra do segundo turno. Flavio alucinou e deu motivos para que o seu partido, o grande vitorioso nas eleições, tomasse a iniciativa de isolá-lo para não ficar completamente isolado no Congresso recém-conquistado. Ou seja: mesmo naquilo que venceu, o bolsonarismo fracassa. O que é irônico nesse isolamento é que está sendo estimulado justamente pelo Centrão, a quem o patriarca Jair teceu elogios e jurou pertencimento, após chamá-lo de “ladrão” na disputa eleitoral. Não há nada de novo sob o sol, muito menos no bolsonarismo.

Fora isso, alguns falam no aumento das possibilidades de uma terceira via ou, pelo menos, de um bolsonarismo pensante, tipo Tarcísio de Freitas e outros. Esta situação, porém, não interessa nem ao bolsonarismo nem ao PT. Tarcísio passará a ser alvo privilegiado do governo e da mídia chapa branca, mais interessados numa ressurreição dos bolsonaros, que, como naquele filme de Alberto Sordi e David Niven, já mostrou ser “O melhor dos inimigos.” Como um dia o velho Jair imaginou que seria o Lula, esborrachando-se todinho. São muito incompetentes.

Enquanto esses movimentos todos são facilmente perceptíveis na elite da nossa política, o ‘chão de fábrica’, ignorado pelos especialistas da grande imprensa, legiões e mais legiões de admiradores, correligionários, militantes, simpatizantes, etc., se agita perigosamente. Gente impressionável e fortemente influenciada pela linguagem agressiva, intolerante e, às vezes, até criminosa, dos dois candidatos, continuamente incendiada por nuvens de notícias falsas oriundas de canais, sites, blogs etc., posta-se, principalmente do lado perdedor, ansiosa para dar o troco. Que, nesses casos, é quase sempre maior do que a dívida contraída.

Mas há outro fator também, poderoso, tradicionalmente desprezado nas análises, o qual é o caos financeiro do país; ampliado pelo governo, num processo descarado, com a benção do STF, de compra de voto, que encontrou a mais generosa boa vontade dos eleitores, e que não pode, agora, ser acomodado debaixo do tapete de nossa irresponsabilidade. Falta espaço.  

Seus efeitos já se fazem sentir, confirmando, aparentemente, as profecias catastróficas daqueles que não se venderam nem especularam a possibilidade de revogação da lei da gravidade. Sem falar do movimento crescente nas redes sociais de empresas demitindo funcionários de esquerda ou parando sua contribuição para as ONGs. Mais do que uma represália, isso prenuncia uma crise inédita na economia real provocada pelo aumento explosivo dos impostos, a redução da carga laboral e a fuga de capitais.

A crise econômica contratada pelas intervenções do governo no setor já está em andamento, como  num rastilho de pólvora aceso, rumo a um paiol cheio de explosivos — a somatória dos nossos golpes, indiferenças e ressentimentos reais ou imaginários, nascidos da realidade ou inculcados pelo discurso da luta de classes, frutos do abandono dos mais frágeis, da corrupção generalizada, das benesses eleitoreiras, dos marxistas de botequim, do discurso de ódio recíproco.

Será que ainda sobrará alguma coisa que valha a pena ser gerida ou governada por tanta gente sequiosa de poder, seja lá nos Estados Unidos, seja por aqui mesmo?

Por fim, um pensamento quase otimista para quem já o é muito.

A MINHA MAIOR PREOCUPAÇÃO NÃO É SABER SE HAVERÁ UMA TRAGÉDIA NESTE PAÍS, MAS QUANTAS VEZES MAIS O NOSSO POVO ESTARÁ DISPOSTO A REPETI-LA.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

 


BELA SOFIA

Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, esquecerão o que você fez, mas nunca esquecerão como você as fez sentir.

Um amigo é alguém que, mesmo sabendo tudo sobre você, se importa com você.

Perdoe os seus inimigos, nem que seja para irritá-los.

É melhor ser odiado pelo que você é do que ser amado pelo que você não é.

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente, esperando resultados diferentes.

Aceitamos o amor que achamos merecer.

São as nossas escolhas que mostram quem somos, muito mais do que as nossas habilidades.

“A imperfeição tem beleza, a loucura pode ser genialidade e é melhor ser absolutamente ridículo do que absolutamente entediante.”

“Enquanto ele lia, eu me apaixonei da mesma forma que a gente adormece: devagar, e depois de repente.”

“Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando para as estrelas.”

“O tolo pensa que é sábio, mas o sábio sabe que é tolo.”

terça-feira, 27 de outubro de 2026

 


A COMPANHIA DOS MERCADORES AVENTUREIROS NO REINADO DE ELIZABETH I - 8

Se quisermos observar os efeitos nocivos do princípio oposto, basta consultarmos os registros da Companhia dos Mercadores Aventureiros de Newcastle na primeira metade do século XVI. Um artesão não tinha permissão para importar ou exportar uma carga por conta própria. Um capitão ou comerciante estava proibido de agir como seu agente. Um capitão não podia atuar em sociedade com um comerciante. Tais restrições eram fatais para o crescimento do capital no comércio. O que constatamos ser verdade para o conjunto geral dos Mercadores Aventureiros também se aplica às companhias locais que estavam sendo formadas no início do reinado de Elizabeth.

Certamente, elas não eram órgãos de um comércio em expansão. Onde a expansão ocorria, ela se expressava na resistência ao monopólio reivindicado pelas companhias. Quando tratarmos das novas grandes companhias nacionais, descobriremos que a mesma verdade se aplica a elas. Podemos, no entanto, deixar de lado a questão da expansão e nos voltar para a outra questão: até que ponto os Mercadores Aventureiros foram o órgão ou instrumento de uma política consistente adotada pelo Governo? O estudo da ascensão das novas companhias nacionais a partir dos Mercadores Aventureiros, ou em conexão com eles, nos ajudará a encontrar resposta para essa questão...

Na segunda década do reinado de Elizabeth, de 1568 a 1578, duas novas influências começaram a desempenhar um papel predominante na história comercial, logo, não podemos prosseguir com nossa narrativa sem mencioná-las. Essas influências foram as da empresa de capital aberto e a busca por tesouros. Em grande medida, essas duas influências eram idênticas. A primeira das grandes companhias de capital aberto, que acabou se tornando a Companhia da Rússia, é uma exceção parcial à regra. Mas a Rússia nunca foi concebida para ser mais do que uma etapa nessa jornada. O título original da Companhia era “Os Mercadores Aventureiros da Inglaterra para a descoberta de terras, territórios, ilhas, domínios e senhorios desconhecidos” e seu objetivo final era a riqueza das Índias e do Catai, e as lendárias minas de Golconda. A primeira viagem de Frobisher, em 1576, partiu com esse objetivo pela rota noroeste, [circundando o litoral norte do Canadá]; suas segunda e terceira viagens foram impulsionadas por uma falsa descoberta de minério de ouro em Terra Nova; e sua última viagem desviou-se para os atrativos mais certos da Costa do Ouro e do Caribe.

As companhias africanas fizeram do pó de ouro seu primeiro objetivo e recorreram ao tráfico de escravos como uma segunda opção lucrativa. A Companhia Real de Minas foi fundada em 1564 na esperança de que ouro e prata pudessem ser descobertos no próprio solo da Inglaterra, e a decisão dos juízes em 1567, que desapropriou o Conde de Northumberland de seu direito de mineração em favor da Coroa, pode ter sido uma das causas da Revolta do Norte. 

Mas as mais lucrativas dessas empresas pertencem a uma classe cujos registros completos, por razões óbvias, jamais virão à luz — as companhias de corsários, ativas após a ascensão de Elizabeth, e cujas façanhas, por mais gratificantes que fossem para os beneficiários dos dividendos, tornaram o oceano inseguro para o comércio desarmado durante longos períodos do reinado. O exemplo supremo, bem como o mais conhecido, dessa forma de roubo internacional foi a captura por Drake, em 1579, do que se supõe ter sido mais de um quarto de toda a produção das minas espanholas, uma soma superior a 600.000 libras esterlinas. Desse montante, um quarto de milhão foi para o tesouro da rainha e outro quarto para os acionistas do empreendimento, rendendo algo em torno de 4.700%.

Não vamos aqui discutir a moralidade desta forma de empreendimento, mas simplesmente os seus efeitos sobre a prosperidade do comércio. Não há dúvida de que estes foram extremamente prejudiciais... O peso tanto dos factos como dos argumentos opõe-se à suposição de que as façanhas dos corsários elisabetanos favoreceram a expansão do comércio inglês. Fatos mostram que não foi esse o caso... O corso inglês não só atuou continuamente como um obstáculo concreto ao comércio externo, como em pelo menos três ocasiões foi a principal causa da paralisação completa da maior parte deste, provocando assim três graves crises no comércio e na indústria.

Na primeira dessas ocasiões, a interrupção do comércio em 1564 entre a Inglaterra e os Países Baixos, houve outras causas contribuintes, notadamente o Ato de Navegação e a outra legislação de 1563 dirigida contra o comércio dos Países Baixos, mas a situação chegou ao auge devido à pirataria praticada no Canal da Mancha por navios ingleses. A interrupção durou um ano e a ruptura com os Países Baixos nunca foi sanada. Os Mercadores Aventureiros, expulsos de Antuérpia, tentaram estabelecer seu entreposto comercial em Emden, na Frísia [Alemanha], mas, em virtude do comércio insuficiente, foram obrigados a transportar suas mercadorias para Colônia e Frankfurt. É significativo ter sido em meio a essa crise que os Aventureiros receberam sua carta régia e obtiveram a confirmação da licença para a exportação de 30.000 tecidos brancos, o que constituía seu monopólio.

A segunda crise surgiu em dezembro de 1568, diretamente da apreensão do ouro espanhol, que havia se refugiado de corsários no porto de Plymouth, mas esse ato indefensável do governo [de Elisabeth I foi apenas a gota d’água. Um ano antes, o embaixador espanhol havia reclamado, em vão, dos ultrajes cometidos por corsários ingleses. Em janeiro de 1569, as mercadorias dos aventureiros e comerciantes dos Países Baixos, e dos mercadores ingleses na Espanha, foram apreendidas num valor de quase 200.000 libras, e houve represálias contra as mercadorias dos mercadores espanhóis na Inglaterra. Os cronistas da época se vangloriaram de que o saque inglês foi maior que o espanhol. Mas, como o Dr. Scott aponta com muita propriedade, isso, se for verdade, foi uma pequena consolação pela paralisação do comércio por vários anos com os dois melhores parceiros comerciais da Inglaterra: os Países Baixos e a Espanha, nenhum dos quais se recuperou completamente durante o reinado de Elizabeth.

Nota da IA Google

1. A apreensão dos navios do Tesouro Espanhol (Inglaterra, novembro/dezembro de 1568)
  • O incidente: tempestades forçaram cinco navios espanhóis a buscarem abrigo nos portos ingleses de Plymouth e Southampton. As embarcações transportavam ouro e prata (cerca de 400.000 florins) que eram empréstimos de banqueiros italianos destinados ao pagamento do exército espanhol de Filipe II nos Países Baixos. 
  • A ação: A rainha Elizabeth I, aconselhada por William Cecil, autorizou a apreensão do dinheiro, tratando-o como um empréstimo transferido para a Coroa Inglesa. 
  • A consequência: Filipe II respondeu confiscando propriedades inglesas na Espanha e nos Países Baixos, rompendo relações diplomáticas e comerciais e escalando o conflito que culminaria na Guerra Anglo-Espanhola. 
[Os ingleses também alegaram que a decisão acima foi uma resposta ao que acontecera no México naquele mesmo ano].

2. A Batalha de San Juan de Ulúa (México, setembro de 1568)
  • O incidente: Uma flotilha de corsários ingleses, liderada por John Hawkins e Francis Drake, entrou no porto de San Juan de Ulúa (atual Veracruz, México) para reparos e reabastecimento após enfrentar tempestades. 
  • O confronto: Uma frota de socorro e de guerra espanhola, comandada por Francisco Luján e pelo vice-rei Martín Enríquez, chegou ao local. Após um breve acordo, os espanhóis atacaram os ingleses de surpresa.
  • O desfecho: A maior parte da frota inglesa foi destruída ou capturada; apenas Hawkins e Drake conseguiram escapar. Este episódio gerou um profundo ressentimento nos navegadores ingleses, impulsionando décadas de represálias e corsarismo contra os navios e colônias espanholas. 

Sobre a terceira crise, a de 1587, espero falar na minha próxima palestra. Passando dos fatos aos argumentos, um pouco de raciocínio será suficiente para mostrar que as influências predominantes numa época de busca por tesouros não são favoráveis ​​à expansão do comércio comum. Em primeiro lugar, fica claro que, na paixão universal pela especulação, alimentada pela esperança de prêmios como o de Drake, muito capital seria desviado de canais de empreendimentos mais saudáveis; e grande parte desse capital foi perdida. 

Mas há evidências ainda mais conclusivas. Encontramos o Conselho Privado escrevendo ao Lorde Prefeito em 1577, instruindo-o a pressionar os comerciantes londrinos relutantes a apoiarem as expedições de Frobisher (nas quais cerca de £ 20.000 foram perdidas) e a suprimir os discursos obscenos daqueles que lançavam dúvidas sobre a autenticidade do minério de ouro falso. E, de fato, os principais comerciantes das companhias comerciais também figuravam entre os principais investidores nos empreendimentos de mineração e nas viagens africanas e americanas, e também estavam interessados ​​no corso em sociedade anônima.

Em nossa época, novas descobertas de ouro, embora quase invariavelmente consumam mais capital especulativo do que rendam, podem estimular, até mesmo superestimar, o crédito. As descobertas do século XVI, de fato, tiveram uma forte tendência a fazer isso. Mas, como tentei demonstrar em meu relato sobre o desenvolvimento do crédito internacional, a caça ao ouro dos corsários mais do que contrabalançou essa tendência. Ela desferiu um golpe fatal no próprio cerne do crédito. Tornou o sistema bancário e financeiro internacional praticamente impossível. Diante desse resultado, o governo recuou. Após a apreensão do ouro espanhol em 1568, que provocou uma crise que desestabilizou o comércio e a indústria por vários anos, Elizabeth teve, por fim, que reconhecer a quantia como um empréstimo dos banqueiros genoveses a quem pertencia. Esse efeito direto e imediato sobre o crédito, decorrente da apreensão em Plymouth em 1568 e da posterior captura de Drake, é bastante evidente...


Nota do tradutor

Schumpeter contesta, no seu livro “História da análise econômica”, essas conclusões de Unwin, afinal, naquela época havia um estado de guerra permanente entre as potências, o que justificaria as ações de corso. Quanto à afirmação de que os tesouros arrebatados aos espanhóis em nada contribuíram para o desenvolvimento comercial da Inglaterra, podemos aludir, seguindo Schumpeter, que o aumento inesperado das rendas do Tesouro Real reduziu o apetite do Estado por novos impostos, o que beneficiava a iniciativa privada inglesa de uma maneira geral.

Houve, contudo, efeitos indiretos sobre o crédito, decorrentes da preocupação do governo e da nação com o ouro, que, por serem menos óbvios, foram mais insidiosos na época e que merecem maior atenção do estudioso. Em resumo, a preocupação prática com o ouro gerou uma reação à teoria bullionista, da qual o comércio e a indústria pareciam prestes a escapar. Por mais paradoxal que pareça, é um fenômeno psicológico natural que as nações com maior acesso ao ouro e à prata também tivessem as leis menos liberais sobre metais preciosos. Enquanto milhões fluíam para seus cofres, o espanhol ressentia-se de cada ducado exportado pelo estrangeiro. Gresham nos deu um relato vívido de como foi hostilizado na Espanha, quando foi, como agente da Rainha Maria, trazer alguns metais preciosos com a aprovação de seu marido, Filipe [a rainha Maria, da Inglaterra, teve um casamento ‘torto’ com Filipe II de Espanha]. O mesmo ocorreu na Inglaterra, quando os bucaneiros começaram a trazer ouro de minas descobertas em alto mar [os navios que saqueavam], quando os aventureiros africanos trouxeram pó de ouro da costa da Guiné, quando ainda havia grandes esperanças de que as cargas de lastro [pedras comuns que eram postas na parte mais baixa da quilha dos navios para lhes dar estabilidade] de Terra Nova dos navios Frobisher contivessem uma alta porcentagem de metais preciosos [ou seja: queriam minerar o fundo dos barcos], todos os antigos mecanismos restritivos à liberdade comercial foram revividos.

Com um saque imediato de ouro e prata sempre em mente, a nação deixou de confiar nas silenciosas, porém irresistíveis, agências do comércio externo e do crédito internacional, pelas quais o fluxo de ouro e prata era mantido em um nível mais baixo. E, em sua ânsia de reter o estoque ilícito de ouro e prata, prejudicou as agências que mantinham um fornecimento regular. Agarrou-se à sombra — o ouro e prata — e ignorou a substância — o crédito.

O espírito reacionário [de cunho medieval-feudal] manifestou-se nas restrições impostas às bolsas de valores. Quando as bolsas eram favoráveis ​​à Inglaterra, havia pouca tentação de interferir nelas, e no período anterior, quando o fluxo de ouro passava por Antuérpia, as trocas com os Países Baixos eram normalmente vantajosas. Em 1575, época em que os ganhos ilícitos do corso estavam no auge, surge uma queixa de que o ouro estava sendo exportado da Inglaterra para o Oriente, por meio dos Países Baixos. Esse escoamento do excesso de ouro, em busca de um nível mais baixo de câmbio e um mercado melhor em outro lugar, era inevitável e desejável, mas clamou-se que a Inglaterra estava sendo roubada de seu tesouro arduamente conquistado, e um plano foi proposto para impedi-lo.

Esse plano envolvia o controle e a tributação das bolsas pelo governo. Os estrangeiros que exportavam o ouro faziam-no secretamente, e acreditava-se que a única maneira de descobrir suas operações seria manter um registro de todas as operações de crédito internacional por meio da bolsa — em suma, inspecionar a conta bancária de cada comerciante. Foi proposto o pagamento de uma libra esterlina em todas as transações cambiais. Isso cobriria o custo do registro, contribuiria com uma espécie de imposto de selo para o governo e desestimularia o comércio de câmbio. O plano foi adotado pelo governo; mas os comerciantes, nativos e estrangeiros, imediatamente se levantaram dizendo que, se isso continuasse, o comércio seria intensamente prejudicado.

As operações de câmbio, diziam os comerciantes nativos, não eram um expediente ocasional e anormal, mas sim parte integrante do cotidiano do comércio. Os cambistas desempenhavam as mesmas funções que os banqueiros modernos — multiplicavam a utilidade do capital. Com a ajuda deles, um comerciante poderia girar seu capital quatro ou cinco vezes mais rápido do que sem eles. Se a mesma parcela de capital fosse girada vinte vezes por ano por meio de lançamentos nos livros do cambista, teria pago, segundo o novo esquema proposto, o montante dos impostos chegaria a cinquenta por cento do valor das operações.

O protesto dos comerciantes estrangeiros lança luz em outra direção. Não conseguiríamos, diziam eles, realizar um centésimo do nosso comércio atual se não concedêssemos crédito de vários meses aos nossos clientes ingleses, e toda a base desse crédito repousa na liberdade das operações de câmbio. Um imposto acabaria com isso imediatamente.

Não sei por quanto tempo essa política desastrosa persistiu, mas o simples fato de ter sido tentada deixa claro que, na segunda década do reinado de Elizabeth, havia fortes influências em ação, claramente contrárias à expansão do comércio. A insegurança do alto-mar aumentava os fretes, dificultava as pequenas empresas, exigia proteção governamental, justificava um sistema de licenças e, assim, levava à restrição e ao monopólio. A apreensão das frotas de metais preciosos não só causava longas paralisações no comércio, como também enfraquecia a base material do crédito internacional. A preocupação com o metal precioso e o medo de perder ganhos ilícitos, na verdade, geraram um ataque à instituição do crédito; e o crédito, então como agora, era o principal recurso do empreendedor iniciante no comércio. Tais eram as condições desfavoráveis ​​sob as quais a terceira década do reinado de Elizabeth começou e uma nova época de formação de companhias teve início. A história da formação da Companhia de Mercadores que negociava com a Espanha e Portugal é de particular interesse.

Antes da paralisação causada pela apreensão de metais preciosos em 1568, a Espanha era um dos melhores mercados para tecidos e milho ingleses em anos bons, além de peles irlandesas e outros produtos. Os comerciantes dos portos provinciais — Ipswich, Bristol, Chester e Exeter — que foram excluídos do comércio com os Países Baixos pelos aventureiros londrinos, encontraram na Espanha um campo aberto para seus empreendimentos. Na época da paralisação, nada menos que £ 58.000 em mercadorias de comerciantes ingleses foram encontradas em portos espanhóis. Durante seis anos, esse valioso comércio ficou praticamente suspenso, e o pouco que se manteve, além do contrabando e do corso, exigia uma licença especial do governo.

Mal o comércio começara a se reerguer, após o acordo com a Espanha em 1574, as influências negativas do período de restrição se manifestaram em propostas para confinar o comércio a uma companhia especial. O plano, convém observar, foi apresentado por alguns membros dos Mercadores Aventureiros, que, durante o período de restrição, refletiram sobre os muitos inconvenientes causados ​​pela falta de ordem no comércio com a Espanha e propuseram que este fosse controlado pelo estabelecimento de uma companhia suplementar nos mesmos moldes dos Mercadores Aventureiros. A filiação ordinária seria restrita àqueles que já atuavam no comércio antes da paralisação, incluindo os mercadores dos portos provinciais. Filiais especiais seriam formadas em Bristol, Exeter e Chester, em conexão com as companhias locais dos Mercadores Aventureiros. Aqueles que não atuavam nesse ramo do comércio antes de 1568 só poderiam ser admitidos como resgatadores, mediante o pagamento de uma alta taxa de entrada.

Mais vinte e quatro membros da Companhia dos Mercadores Aventureiros foram admitidos em condições especiais. Nenhum artesão ou varejista seria admitido. Os problemas da nova companhia surgiram logo após sua formação. Aqueles que já atuavam no ramo se recusaram a abandoná-lo. Eles foram presos pela Companhia, com base nas cartas-patentes da Coroa; mas solicitaram habeas corpus, que os juízes não se sentiram capazes de negar. O Conselho Privado, que, apenas algumas semanas antes, vinha intimidando os comerciantes de Londres, ao subscrever a aventura mineira de Frobisher em Terra Nova, escreveu e instruiu os juízes a não emitirem mandados de habeas corpus em benefício dos comerciantes livres. Em Bristol e Chester, o antigo conflito entre artesãos, varejistas e atacadistas, que havia sido resolvido com a admissão de algumas das classes excluídas, foi reavivado pelas cláusulas restritivas dos novos regulamentos da Companhia.

Os “meros comerciantes” de Chester queixaram-se ao Conselho de que os artífices e artesãos se revoltaram contra os regulamentos e receberam liberdade do prefeito para fazer o que bem entendessem. Conflitos semelhantes fervilhavam em Londres, onde foram complicados pelo fato de o governo ter começado a conferir monopólios aos vários ramos do comércio varejista. A Companhia dos Vinicultores havia, algum tempo antes, formado um truste e obtido do Governo o monopólio da venda a varejo de vinho. O monopólio parece ter controlado o comércio de vinhos franceses por conta própria e elevado os preços em Londres a tal ponto que o Conselho Privado foi obrigado a enviar um aviso por meio do Lorde Prefeito. O monopólio dos vinicultores recusou-se então a oferecer ao monopólio espanhol o que este considerava um preço razoável para os vinhos espanhóis e portugueses, e o Conselho Privado viu-se obrigado a resolver o conflito de interesses, que ele próprio criara, autorizando os comerciantes espanhóis a revenderem as suas próprias cargas.

Ao mesmo tempo, o Conselho emitiu um grave aviso à Companhia Espanhola [constituída por mercadores ingleses em 1530]. Aquele tinha sido informado de que as mercadorias por eles importadas — vinho, azeite e, sobretudo, frutas — eram vendidas a preços muito elevados. Os comerciantes prestes a partir para a Espanha deveriam ser informados de que, a menos que os preços das suas próximas cargas fossem reduzidos, o governo consideraria necessário fixar uma tabela de preços para a proteção do público.

Se os mercadores tivessem respondido a essa exigência, suas palavras seriam: “O aumento dos preços deve-se às novas condições sob as quais o comércio é conduzido. Pagamos (como decerto pagaram) uma boa quantia pelo monopólio. Nossos fretes aumentaram devido ao uso de grandes navios, que somos obrigados a empregar em benefício da marinha [para poderem ser usados como barcos de guerra em caso de necessidade], e pelo custo do comboio [da armada inglesa] que vocês nos obrigam a aceitar.” “E, além disso”, poderiam ter acrescentado um ano depois, “vocês estão contribuindo ainda mais para o aumento dos preços ao nos proibirem de trazer qualquer coisa em troca de cereais além de lingotes, sal e laranjas.”

Assim que a Companhia Espanhola foi ‘arrumada’, os mercadores londrinos iniciaram um movimento para negociar de maneira semelhante com o comércio do Báltico. Esse comércio, assim como o comércio com a Espanha, até então fora aberto a todos os ingleses e constituía um recurso tão importante para os comerciantes independentes da costa leste quanto o comércio com a Espanha o fora para os do sul e do oeste. A partir de então, seria restrito aos membros de uma nova corporação — a Companhia das Terras Orientais. O paralelo com o caso da Companhia Espanhola era muito evidente. A justificativa para a formação da companhia residia na prevalência da pirataria [que o próprio Estado inglês estimulava]. Tendo o governo dinamarquês ameaçado represálias por atos de pirataria cometidos por navios ingleses, considerou-se conveniente cobrar uma indenização, a fim de apaziguar a vítima e garantir a proteção dos comerciantes ingleses.

Os portos provinciais da costa leste deveriam participar da nova companhia, mas apenas os mercadores que negociassem com o Báltico antes de 1568 seriam admitidos. No primeiro rascunho da carta régia, propôs-se excluir todos os membros das outras companhias nacionais, mas a Companhia Espanhola e os Mercadores Aventureiros protestaram e, no final, tornou-se fácil para um grande mercador londrino pertencer às três companhias. O efeito da formação dessas duas companhias, a Companhia Espanhola em 1577 e a Companhia das Terras Orientais em 1578, foi que duas esferas adicionais de comércio foram colocadas sob a regulamentação e o controle de organizações modeladas pela Companhia dos Mercadores Aventureiros e dominadas por membros antigos ou atuais dessa companhia, e que essas importantes esferas de comércio ficaram, a partir de então, legalmente fechadas à livre iniciativa de expansão do comércio. Influências semelhantes devem ter atuado na formação, nessa época, de companhias separadas para o comércio com a França, a Barbária e com Veneza.

Podemos agora retornar à nossa primeira pergunta: havia alguma política por trás desse movimento? A resposta dependerá do uso que fizermos da palavra “política”. As companhias claramente não foram fruto de uma política no sentido de um plano deliberado, consistente e previdente. Os dois principais fatores em sua formação foram o oportunismo temerário do corso e os interesses de grupos de mercadores londrinos. Mas a política, no sentido que acabei de definir, é mais frequentemente uma ilusão da mente acadêmica do que um fato histórico. A política, como de fato se observa na história, é um conjunto de mecanismos para os quais um governo se volta sob a pressão de problemas práticos, e que gradualmente adquirem a uniformidade consciente de um modelo de ação, e começam, por fim, a ser defendidos como tal. Os monopólios de Elizabeth eram um conjunto de mecanismos desse tipo para a solução de problemas fiscais e administrativos; e as companhias comerciais foram gradualmente convertidas, pela influência semiconsciente da política, em instrumentos de monopólio, como era típico desse período.

O resultado dessa tendência é mais claramente demonstrado no caso da Companhia do Levante, formada em 1581, dois anos depois da Companhia do Oriente. O comércio com o Levante, assim como o comércio com a Espanha e o comércio com o Báltico, havia sido aberto a todos os mercadores ingleses até então. Na década de 1570, foram tomadas medidas para fechá-lo. Dos quatro capitalistas que desempenharam um papel de liderança nesse processo, um era um proeminente mercador aventureiro, um segundo era membro do conselho administrativo da Companhia do Oriente e um terceiro era um funcionário da alfândega. Uma missão especial e grandes somas foram enviadas para obter do Sultão concessões e exclusão de outros comerciantes.

A companhia admitiu apenas vinte membros, sendo organizada em regime de sociedade anônima, com Elizabeth como principal acionista. Nada menos que £40.000 do ouro capturado em 1579 foram investidos pela Rainha na Companhia do Levante. O monopólio das groselhas era a característica central do comércio, e os lucros dessa fonte estimados em £ 11.500 por ano. A participação do governo, porém, não se limitava a dividendos. Ele impôs um novo e substancial imposto sobre as groselhas, que se revelou o ponto de partida das lutas constitucionais sob o reinado de Jaime I. 

Se o monopólio da Companhia do Levante era flagrante, o das outras companhias comerciais não era menos real. A Companhia Russa aumentava o preço das cordas, a Companhia Espanhola o preço das frutas e do azeite, e a Companhia Francesa o preço do vinho. Ouçam as queixas do honesto pastor Harrison em 1586. “Quando cada nação”, diz ele, “tinha permissão para importar suas próprias mercadorias, os produtos estrangeiros eram muito melhores, mais baratos e mais abundantes. [...] Não nego que a marinha do país seja em parte mantida por seu comércio, mas o preço das mercadorias também se mantém alto, agora que eles monopolizaram as vendas, sob o pretexto de promover o bem comum.” Mas, no final, o monopólio mais sério era aquele que permanecia nas mãos dos Mercadores Aventureiros: o monopólio da exportação de tecidos brancos.

Um inglês patriota, poderíamos argumentar, não se importaria de pagar um ou dois centavos a mais pelas frutas para o seu pudim de Natal se pudesse se convencer, ainda que erroneamente, de que navios de guerra estavam sendo construídos com o dinheiro arrecadado. Mas, se a exportação da principal manufatura da Inglaterra fosse permanentemente restringida, logo faltaria dinheiro tanto para os navios de guerra quanto para o pudim. E, de fato, os Mercadores Aventureiros haviam conseguido, durante esse período, estreitar os canais de exportação como nunca antes. Até então, seus antigos rivais, os mercadores hanseáticos, haviam se esforçado para manter um volume considerável, embora precário, de exportações para os panos da Inglaterra.

Em 1576, seus direitos comerciais em Londres foram limitados. Em 1580, foram totalmente suspensos. Ao mesmo tempo, os Aventureiros começaram, com a aprovação do Conselho Privado, a restringir ainda mais as ações de seus próprios membros.

MUNDO ANGLO-SAXÃO



  • Eu não sabia se “plagiado” era com ‘g’ ou com ‘j’, então copiei e colei.
  • Eu deveria saber que nunca duraria como instrutor de mergulho em alta-pressão. Eu não gosto de ser pressionado.
  • Meu avô é um pouco esquecido, mas gosta de me dar conselhos. Um dia ele me chamou para um canto e me deixou lá.

  • Um começo para Guerra nas Estrelas: Há muito, muito tempo, no futuro.
  • A disfunção erétil talvez não seja tão dura quanto imaginam…
  • Eu odeio quando faço um pedido para uma estrela e ela não para para me escutar. É por isso que eu não paro para isso.
“Sempre que sinto necessidade de me exercitar, deito-me até que a vontade passe.”

Minha esposa disse que sou um idiota que não consegue fazer a coisa mais simples do jeito certo. Então eu arrumei as malas dela e fui embora.

Um cara se aproximou de mim em uma balada e disse: “Eu pego vinte vezes mais garotas do que você — haha.” Respondi: “Vinte vezes zero é zero.”

Eu pedi minha namorada em casamento pelo telefone. Não deu certo. Ela pediu para eu lhe dar mais linha.

Como eu já disse: nunca me repito.