O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER
A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA - fontes
O DNA DA HISTÓRIA
O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER
A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA - fontes
O CORONEL MOREIRA CÉSAR E
CANUDOS DEVEM MORRER
A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 15
(mudei o subtítulo)
Uma estranha transmudação
Toda apuração de homicídio deve se basear em pelo menos quatro componentes, sem os quais a suspeita não se sustenta: um corpo, a arma utilizada no crime, a motivação e o(s) beneficiário(s). A Moreira César se atribui um número permanentemente aberto de vítimas, sem que haja corpo, arma, motivação e beneficiário.
Os corpos nunca apareceram, sem falar que muitas das supostas vítimas, aleatoriamente listadas, ou já estavam mortas quando foram fuziladas, ou continuaram vivas após o serem.
A arma do crime nunca apareceu, pois até hoje não se sabe se as vítimas foram fuziladas pelos soldados do 7º ou outra unidade militar em Anhatomirim, que estava fora da jurisdição de César.
A motivação é só um detalhe, uma vez que Moreira César não conhecia as vítimas, nem contra elas tinha qualquer desafeição ou motivo para temê-las ou odiá-las. O fato de elas permanecerem vivas e livres não o prejudicava.
Ele não teria vantagem com a sua morte violenta, antes dificultaria a sua missão, geraria ressentimentos, reduziria a cooperação dos catarinenses, além de lhe causar problemas com os seus superiores. Essas execuções eram ilegais e arruinariam sua carreira. Mas ninguém pensou nisso!
Em Niterói, onde a sua intervenção rápida e equilibrada evitou um grande conflito, ele ganhou um elogio extremamente honroso de uma lenda do exército brasileiro: o Barão do Rio Apa, o Marechal Augusto Eneas Galvão, ministro da Guerra na ocasião, teve o seu nome retirado de uma das ruas da cidade. Os niteroienses não precisam mais se lembrar dele, mas o que ele fez pela cidade e pelo Estado entre os dias 14 e 15 de dezembro de 1892, pelo qual foi elogiado, ainda não foi apagado da história. Que os niteroienses não percam as esperanças.
Eis a citação de Eneas Galvão.
“Sr. ajudante-general, declaro-vos em nome do sr. marechal vice-presidente da República, que deve ser louvado o coronel comandante do 7º BI, Antônio Moreira César, pelas providências acertadas que deu na noite de 14 e na manhã de 15 do corrente, com o fim de restabelecer a ordem pública alterada na cidade de Niterói e debelar a revolta do Regimento Policial do Estado do Rio de Janeiro.”
Por que ele ficou assim marcado?
Uma explicação possível talvez nos venha do livro do escritor gaúcho Tabajara Ruas, A cabeça de Gumercindo Saraiva, no qual ele narra a tentativa de aprofundar pesquisas sobre as degolas na Revolta Federalista com os descendentes dos envolvidos. Ninguém quis ajudá-lo, seja pelo horror dos fatos, seja por receio de retaliações, afinal, esses crimes hediondos envolveram membros de famílias poderosas no Estado. Ponha-se uma pedra em cima.
No Paraná, a discussão sobre os massacres, e em especial a morte do Barão do Cerro Azul e seus companheiros, no km 65, emperra na responsabilidade dividida do presidente civil do estado, Vicente Machado, e na do General Raimundo Ewerton Quadros.
Em Santa Catarina também havia famílias importantes que se posicionaram decididamente a favor de um lado ou de outro e, no calor dos combates, da mesma forma que no Paraná e no Rio Grande, deram causa a excessos, que podem ter deixado feridas abertas e estremecimento nas relações.
Deve ter sido um alívio, para alguns, quando, em 1902, houve o lançamento bem-sucedido de Os sertões, falando de um César que ninguém conhecia, apresentando-o como o culpado máximo e solitário por tudo que acontecera. Como muitas pessoas ainda estavam desaparecidas, por comodidade e estratégia, acabaram todas na conta do coronel: os falecidos na ocasião, os falecidos em passado remoto e os a falecer no futuro. Velhos inimigos poderiam agora se olhar sem ‘contas em aberto’.
Vimos também como os principais jornais de Desterro/Florianópolis se posicionaram acerca do coronel Moreira César, com o República, de cunho florianista, se derramando em elogios a César, e O Estado, federalista, com uma abordagem discreta, mas nunca o acusando de mortes ou abuso de autoridade.
Essa situação, porém, começa a mudar paulatinamente nos aniversários seguintes da morte de Moreira César.
Em 1898, a data do primeiro ano de sua morte coincidiu com a publicação dos resultados da eleição do sucessor de Prudente de Morais, e nesse momento só o República estava circulando, pois O Estado sofrera um empastelamento. O República efetua uma minuciosa cobertura das eleições e não faz referência ao aniversário de morte de Moreira César.
Em 1899, no segundo aniversário, há uma mudança de cento e oitenta graus:
O Republica traz um artigo de primeira página informando sobre a cerimônia religiosa que aconteceu em Florianópolis, rememorando o evento, citando somente uma vez o nome de Moreira César, numa situação em que era quase impossível não o citar. Nessa missa, e em outras rezadas em Santa Catarina, havia uma grande afluência de povo e autoridades, citadas nominalmente, algo incompreensível para uma pessoa supostamente envolvida em crimes tão graves.
O Estado, de volta, também publica uma matéria estritamente informativa sobre a solene missa pelos falecidos da 3ª Expedição na primeira página, mas abre a segunda página para um elogio que antes só se veria no velho República. O título é CANUDOS; abre-o com um poema de Gavroche — possivelmente Arthur Azevedo:
Era tão bravo e valente, / Era tão guapo e tão forte, / Que ainda depois da morte, / Mete medo a muita gente.
É um jornal FEDERALISTA falando de Moreira César:
“Quando o Brasil ansiava pelo resultado da expedição M. César… um grito de dor, de angústia, vimos sair…
Longe daqui, naquele sertão árido… — Ele — o republicano sem jaça, o soldado que pela predestinação de talento e bravura fora fadado às eminências, o homem de olhar de águia rasgando as nuvens do impossível, morreu.
Historiar a vida de tão grande homem… não é o que nos propomos.
Moreira César!
O teu nome indelével perdurará sempre na memória desta mocidade e será o exemplo de civismo e de bravura para as gerações seguintes.
É a ti, mocidade… a quem concito neste momento augusto a prantear tão ilustre morto.
A. Franco.”
Eis uma completa inversão ou, como diria Cunha: transmudação! Enquanto os florianistas tratam a data de uma forma fria e burocrática, os federalistas fazem-lhes homenagens tocantes, como se Moreira César fosse um dos seus, mas como o jornal federalista encerra as suas atividades em 1902, nada mais podemos afirmar a respeito. Um novo jornal, com o mesmo nome, foi fundado em 1915, mas com outra linha editorial.
A história seguiu. Em 27 de setembro de 1934, no Governo Provisório de Getúlio Vargas, foram exumados, em Florianópolis, os supostos restos mortais de pessoas supostamente fuziladas em Anhatomirim, com seus restos depositados em quatro urnas, a serem transportadas solenemente para o Rio de Janeiro, no navio hidrográfico Calheiros da Graça.
O antigo jornal florianista República ainda existia e, na sua edição de 30 de setembro de 1934, falou sobre o assunto de maneira vagamente informativa, circunstancial, mas nada esclareceu sobre o conteúdo das urnas. Um de seus 'bravos' articulistas caricaturizou uma grave acusação contra Moreira César:
“Os fuzilamentos aqui foram feitos alta noite, covardemente, arrancadas de suas casas as pobres vítimas eram encarceradas, ninguém sabia aonde [Desterro devia ser uma metrópole imensa, disfarçada numa cidadezinha de 31.000 habitantes], e passadas pelas armas… pelos soldados do sanguinário Moreira César, alguns deles, como… o saudoso Caetano Moura, foram embarcados pela manhã. Os parentes desse saudoso patrício ainda tiveram tempo de levar-lhe a bordo roupas e dinheiro, mas poucos momentos depois desembarcava ele em Santa Cruz para a morte… ao verem essa hedionda carnificina, os revolucionários… escondiam-se.”
Se eu não fosse tão endurecido pela vida ou não conhecesse essa história, acho que iria às lágrimas. O jornal, que no passado, derramava-se em elogios a Moreira César, enquanto atacava desabridamente os federalistas, ataca o ídolo falecido e se cobre de pena pelos federalistas, sem que nenhuma de suas páginas, na época em que esses ‘crimes’ aconteceram, citasse qualquer anormalidade.
Não falo mais de Caetano Moura!
Curioso é que, embora escondidos, os revolucionários viam essa hedionda carnificina feita altas horas, onde ninguém sabia! Repete o relato mambembe de navios da marinha fazendo meia-volta-volta-e-meia no meio do mar, tudo “descoberto” depois que Moreira César estava morto. Somos provocados a perguntar: por que os revolucionários que sobreviveram, escondidos, não o denunciaram no governo de Prudente, quando havia plena liberdade para isso, e só o fizeram depois, à sombra das ambiguidades de Euclides da Cunha? O autor “disso”, fazendo como os “valentes”, assina somente “um catarinense”. Mas não faria nenhuma diferença se assinasse “um marciano” ou “um lunático”.
É curioso ver essa mudança quando lemos as pequenas notícias e editoriais do República na época desses “dramáticos” acontecimentos, e percebermos uma disposição bem diferente em relação aos federalistas. Num editorial em 24 de fevereiro de 1895, p. 2, o jornal se regozija com o início dos julgamentos dos federalistas que haviam escapado à punição do coronel.
“O dever de todos aqueles cujo patriotismo é patente, consistia somente em pedir o início do processo contra os revoltosos que, antes dele, afrontavam a opinião pública…
Como republicanos, não admitíamos que criminosos confessos permanecessem entre nós gozando de uma impunidade que ofendia a lei… [o Procurador não podia ficar] inerte diante dos criminosos que mereciam punição imediata…
Nos era impossível assistir à impunidade de nossos algozes [os federalistas dominaram Santa Catarina por um tempo], que até há poucos dias, estavam na posse de uma liberdade criminosa e injustificável.”
Pelo texto acima, vê-se que os acusados estavam todos vivos e presentes nas redondezas ou ao alcance dos olhos da justiça, que, pelo menos nesse caso, não cometeu o disparate de denunciar e condenar pessoas mortas, como afirmou uma 'pesquisadora'.
Ou ainda nessa edição de 9 de junho de 1897, onde acusa os federalistas de serem restauradores enquanto se coloca contra o presidente Prudente de Morais.
“O jornal da oposição [O Estado], que tem feito papéis dos mais degradantes, que tem mudado de cor como o camaleão, para mais facilmente iludir… não passa de refinado explorador, de reles politiqueiro… a ninguém deve ter escapado o programa interesseiro, hipócrita, bajulador do nosso adversário.
[A] reação restauradora do 6 de setembro [início da Segunda Revolta da Armada], iniciada por esses [os federalistas de O Estado] que hoje, ao lado do atual presidente da República [Prudente], dirigem o país, auxiliados pelos que não tiveram repugnância em firmar aliança com o elemento restaurador, para trabalharem pela ruína da pátria.”
E esses são editoriais da época em que a luta armada havia cessado. Imagine-se o nível de linguagem no momento do conflito. Eu os li e atesto: eram terríveis, e quem tiver interesse procure na hemeroteca catarinense os números desse período, que estão disponíveis na Internet. Imaginar que, 40 anos depois, esses homens estariam denunciando as injustiças contra os federalistas, quando, se dependesse deles na época de Moreira César, não escaparia um!
Pois bem, a estranha aventura do Calheiros da Graça continuou na sua chegada ao Rio de Janeiro.Pelo jornal O Paiz, de 28 de setembro de 1934, sabemos que o navio era esperado no Rio daí a 4 dias, algo como 1 ou 2 de outubro; entretanto, algo misterioso aconteceu, e a edição de 30 de setembro traz a seguinte notícia:
Ancorou em nosso porto, ontem [dia 29], inesperadamente [meu destaque], às 14 ½ horas, o navio hidrográfico Calheiros da Graça… trazendo a seu bordo as urnas funerárias que contêm os despojos dos fuzilados em Santa Catarina, por ocasião da revolta da esquadra em 1893.
Parece que alguém não queria publicidade.
Uma foto do jornal Diário de Notícias mostra 2 soldados carregando uma das urnas, uma espécie de meia pirâmide, afunilada embaixo, cujo lado media cerca de 70 cm. Se fossem 40, por exemplo, os exumados, teria de haver cerca de dez em cada urna; se fossem 80, haveria vinte! Como couberam? O mais normal seria uma pessoa por urna! Por que misturar os ossos? Mas há outros mistérios:
1º — Não se sabe exatamente de onde esses ossos foram retirados. Não há informações nem fotos das exumações. Disseram que foi de Anhatomirim.
2º — Os jornais não dizem se foi feita uma perícia nos ossos.
3º — Segundo uma fonte, as urnas foram entregues já lacradas pelo comandante militar da ilha de Anhatomirim, dizendo que os ossos foram retirados de lá. Não sabemos quantos corpos foram exumados.
4º — Por não serem feitas as perícias costumeiras, não sabemos se há marcas que comprovem fuzilamento ou se eles pereceram de outra maneira, ou se esses ossos datam realmente do período do suposto massacre. Hoje, por meio da genética, daria para saber se são ascendentes de pessoas ainda vivas. Faremos um dia esses testes?
5º — Li em algum lugar que essas urnas teriam sido tiradas de Anhatomirim em 1913 e levadas para o cemitério de Florianópolis, antes da transferência para o Rio. Nenhum dos jornais de 1934 mencionou isso. Por que tudo o que envolve essa ilha fica sempre numa zona cinzenta de mistério? Visível o bastante para ser utilizado seletivamente, mas escuro o suficiente para não sabermos com o que estamos lidando.
Eduardo Simões
O CORONEL MOREIRA CÉSAR E
CANUDOS DEVEM MORRER
A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 14
(mudei o subtítulo)
Os seus contemporâneos o conheciam
Até Os Sertões de Euclides da Cunha, em 1902, Moreira César era muito admirado no Sul. Em 1885, quando ele foi transferido para Jaguarão, numa aparente punição política, por causa do seu envolvimento com o republicanismo, um jornal de Porto Alegre o recepcionou com esse texto reproduzido pelo general Ferraz, nº 639, p. 50.
“Acha-se nesta cidade, de passagem para Jaguarão, o distinto capitão… Antônio Moreira César, um dos oficiais que mais se têm interessado pela “questão militar”… há pouco transferido… para o 3º Batalhão de Infantaria.
O capitão César tem curso completo do estado-maior de 1ª classe e é um moço que, pelos seus conhecimentos e pela sua inteligência, deve ter um futuro brilhante na carreira das armas.”
Lá, enfrentando um exílio político, ao invés de se remoer em mágoas, como um coitadinho, por uma suposta injustiça sofrida — como Floriano Peixoto, Antônio Conselheiro, Arthur Oscar, Cunha Mattos — desdobrou-se na construção de um cordão sanitário na fronteira com o Uruguai, que nesse momento, 1886, enfrentava uma epidemia de varíola. Aí ganhou mais uma menção honrosa. Diz o general Ferraz (27):
“Em Jaguarão… Moreira César recebe um elogio em que são exaltadas a atividade, a lealdade… em serviço do cordão sanitário, ainda mesmo com sacrifício de sua saúde.
O jornal República publicou, ao final de seu mandato como governador provisório, um editorial altamente elogioso. O editorial chamou-se “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” e saiu no dia 28 de setembro de 1894 (28).
Nessa edição veio um poema que mostra bem a intensidade e a qualidade dos sentimentos que despertava na população local. Eis alguns versos.
“A TIRE D’AILE [de repente]
Ao coronel Moreira César/ Ilustre cidadão, patrício abnegado, / .... / A lei, a liberdade, eis os vossos ideais, / Trabalhar pelo bem, com toda lealdade, / Querer que a pátria goze as florações da paz, / E lance sempre ao mundo enorme claridade.
Eis toda a aspiração sincera, proveitosa, / Daquele cujo nome, nobre, tão subido, / Está gravado, eterno, na alma generosa / Do povo desta terra, sempre agradecido [os destaques são meus].”
E o que os federalistas dizem? No seu jornal, O Estado, de 5 de novembro de 1896, poucos dias após a partida de César para o Rio de Janeiro, eles fazem uma comparação entre a sua administração e a de Hercílio Luz.
“Sua Excelência [Hercílio Luz] assumiu a administração do Estado em fins do ano de 1894, substituindo o sr. Coronel Moreira César, que esteve no governo apenas 6 meses, deixando nos cofres do Tesouro um saldo de 200 contos de réis aproximadamente [exatos 210 contos e 800 mil réis (210 milhões e 800 mil réis), comparados aos 480 mil réis, que ele encontrou quando assumiu], estando todos os servidores pagos em dia”
Nesse período, já estava claro o fosso que se abria entre Moreira César e os florianistas, devido ao seu apoio à normalidade democrática, representada pela posse de Prudente de Morais, confirmado, mais tarde, pela sua recusa em apoiar o plano de golpe do vice Manuel Vitorino. Prudente chamou-o ao Rio, às vésperas de entrar de licença-saúde, como uma garantia contra o golpismo difuso, pois todos sabiam que ele, com o 7º B.I., resistiria. A certeza da guerra civil paralisava os conspiradores.
A fama de seus feitos em Santa Catarina ultrapassou a fronteira do estado. No dia 11 de novembro de 1894, o jornal República publicou uma singela notícia, com o nome CORONEL CESAR, reproduzindo trecho do jornal pindamonhangabense Gazeta Semanal, sobre o reconhecimento dos catarinenses ao trabalho do coronel e uma iniciativa de homenagem a ele, proposta pela Assembleia Legislativa do Estado.
“Segundo acabamos de ler na República [de Santa Catarina] … o nosso ilustre conterrâneo Antônio Moreira César, ao deixar o governo daquele estado, no dia 28 de setembro próximo passado, foi alvo de diversas demonstrações de apreço…
No mesmo dia 28… o congresso daquele estado aprovou por unanimidade de votos o seguinte requerimento, apresentado e fundamentado pelo sr. Deputado Emilio Blum…
‘Requeiro que seja considerado um voto de louvor ao digno coronel Moreira César, bem como seja nomeada uma comissão para redigir uma mensagem que lhe seja dirigida, em agradecimento aos relevantes serviços prestados neste estado.'”
O jornal de Pindamonhangaba também faz referência ao editorial do República de 29 de setembro de 1894, chamado CORONEL CÉSAR, que diz o seguinte:
“Militar disciplinado e distinto, patriota decidido e abnegado, o coronel César deixa na pátria catarinense um sulco luminosíssimo que jamais se apagará.
Em cada dia de sua honesta e isenta administração… o ilustre militar… deixou um capítulo cheio de proveitosas lições e feracíssimos exemplos.
O militar, portanto… acaba de revelar-se administrador — modesto, correto e honestíssimo, sem outra preocupação a não ser o bem público.
E, como o Nilo, que deixa no solo árido do Egito, os fermentos de uma vida nova e a fertilização dos campos, o coronel Moreira César deixa na pátria catarinense fecundos e proveitosos exemplos de disciplina, honestidade e civismo.
Nesse mesmo jornal, numa seção chamada SOLICITADAS, em um texto chamado também CORONEL MOREIRA CÉSAR, assinado por “alguns paraibanos”, aparece mais um superlativo elogio (29).
COMO É QUE UM HOMEM QUE FAZ AS MALDADES QUE DIZEM QUE ELE FEZ SAI COM TODO ESSE PRESTÍGIO, AO INVÉS DE TER O POVO NAS RUAS PROTESTANDO CONTRA A SUA PRESENÇA?
Fomos enganados todo esse tempo?
O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER
A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA (mudei subtítulo) Fontes - 2
As perguntas que não querem calar são as seguintes:
Por que a 3ª Expedição, que justamente foi a mais estranha, trágica e famosa, além da que mais dúvidas deixou, é justamente aquela da qual se tem menos informações oficiais e documentos, para confirmar ou desmentir a montanha de questionamentos graves que ficaram sobre ela?
Onde estão os resultados desse inquérito? Sabemos que o tenente Pradel de Azambuja fez acusações gravíssimas sobre o major Cunha Mattos, que comandou a desastrosa retirada final da tropa; por que eles não foram confrontados? E se o foram, cadê os resultados? O que foi colhido nesse inquérito? Vários oficiais do estado-maior de Moreira César que escaparam vivos negaram veementemente que os fatos tenham ocorrido como o relatório (parte) do major Cunha Mattos os apresenta — nesse relatório, o coronel Moreira César é apresentado como um comandante errático, desequilibrado e até epilético, a base para as futuras calúnias e mentiras de Euclides da Cunha contra o coronel. No entanto, o relatório Cunha Mattos foi logo transformado em oficial. Por quê? Por que os outros oficiais não foram escutados?
Será que, depois de mais de cem anos de supostas pesquisas, nós teremos ainda alguma grande surpresa sobre Canudos? Da parte do Exército, haverá surpresas?
DIANTE DA CRISE FISCAL INEVITÁVEL, A SOLUÇÃO VIRÁ DAS URNAS!
PROJETO PATRIÓTICO DA DIREITA (flavio bolsonaro) PARA ENFRENTAR A CRISE: “Vote em mim, que eu sou o único que pode impedir a reeleição do lula e que meu irmão, nos Estados Unidos, tenha que trabalhar".
PROJETO SALVACIONISTA DA ESQUERDA (lula da silva) PARA ENFRENTAR A CRISE: “Se você tem dívida, não se preocupe, que eu vou pagá-la com o dinheiro de todos, inclusive o seu. Menos o meu.”
JÁ É A TERCEIRA ELEIÇÃO QUE VAMOS ESCUTAR COISAS DO GÊNERO. E ainda não brochamos! Como naquele novo slogan nacional, puxado pelo presidente presidiário, justo nas comemorações do 7 de setembro, para provocar seu rival ex-presidente ex-presidiário…
O nome disso é NAÇÃO FALIDA, e quem ainda não percebeu está mais falido do que ela, ou tem interesses ou vai para o céu. Quem não quer ir?
PÍLULAS DA SUMA TEOLÓGICA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO - 1
É necessário, ou não, que além da filosofia,
haja outra doutrina?
Diz 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada
por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a
instrução na justiça.” Ora, a Escritura divinamente inspirada não se
enquadra no âmbito das questões filosóficas, visto que estas são produto
exclusivo da razão humana. Segue-se, então, que faz sentido que, além das
questões filosóficas, exista outra ciência divinamente inspirada.
Solução: Deve-se dizer: Para a salvação da humanidade,
era necessário que, além das questões filosóficas, existisse outra ciência cujo
campo a razão humana pudesse analisar, cujo critério fosse a revelação divina,
este seria o caso. Isso porque Deus, como o fim para o qual a humanidade se
esforça, transcende a compreensão que a razão sozinha pode alcançar. Isaías
64:4 diz: “Deus, ninguém viu o que preparaste para aqueles que te amam, nem
mesmo tu.” O fim precisa ser conhecido pela humanidade para que ela possa
direcionar seus pensamentos e ações para ele. Portanto, para sua salvação, a
humanidade precisava da revelação divina para conhecer o que não podia
apreender apenas por meio de sua própria razão humana. Além disso, o que a
razão humana sozinha pode compreender sobre Deus também requer revelação
divina, visto que, apenas com a razão humana, a verdade de Deus seria conhecida
por poucos, após muita análise e com resultados repletos de erros. Contudo, a
salvação completa da humanidade depende do conhecimento preciso da verdade de
Deus, pois a salvação se encontra em Deus. Assim, para a salvação alcançar a humanidade com mais facilidade e segurança, era necessário que as
pessoas fossem instruídas sobre o divino por meio da revelação divina. Disso
tudo decorre que, além dos temas filosóficos, resultados da razão, deve
haver uma doutrina sagrada, resultante da revelação.
Resposta às objeções: 1. À
primeira, deve-se dizer: O homem não deve analisar apenas com suas faculdades
naturais o que excede ao seu entendimento; porém, o que o excede foi revelado por
Deus para ser aceito pela fé. Por isso, o texto continua (v. 25): “Muitas
coisas vos foram mostradas que estão acima dos homens.” A doutrina sagrada se
concentra nessas coisas. 2. Sobre o segundo ponto, devemos dizer: diferentes
formas de conhecimento correspondem a diferentes ciências. Por exemplo, tanto o
astrólogo quanto o físico podem concluir que a Terra é redonda. Mas enquanto o
astrólogo deduz isso por meio de algo abstrato, a matemática, o físico o faz
por meio de algo concreto, a matéria. Portanto, nada impede que as mesmas
coisas se situem no âmbito das questões filosóficas, sendo conhecidas pela
simples razão natural, e, ao mesmo tempo, no âmbito de outra ciência cujo modo
de conhecimento se dá pela luz da revelação divina. Disso se segue que a
teologia, que estuda a doutrina sagrada, é por sua própria natureza distinta da
teodiceia, que é considerada parte da filosofia.
A doutrina sagrada é uma ciência?
É preciso dizer: a doutrina sagrada é ciência [na concepção aristotélica
de ciência, um pouco diferente da atual]. Existem dois tipos de ciências. 1)
Algumas, como a aritmética, a geometria e outras semelhantes, deduzem suas
conclusões de princípios evidentes à luz do entendimento natural. 2) Outras,
por outro lado, deduzem suas conclusões de princípios evidentes à luz de uma
ciência superior. Assim, a perspectiva, que se baseia nos princípios fornecidos
pela geometria; ou a música, que se baseia nos fornecidos pela aritmética.
Neste último sentido, diz-se que a doutrina sagrada é ciência, visto que extrai
suas conclusões de princípios evidentes à luz de uma ciência superior, isto é,
a ciência de Deus e dos santos. Assim, da mesma forma que a música aceita os
princípios fornecidos pelo matemático, a doutrina sagrada aceita os princípios
fornecidos por Deus por meio da revelação.
Resposta às objeções: 1. À primeira, deve-se dizer: os princípios de
qualquer ciência são ou autoevidentes ou se reduzem aos fornecidos por uma
ciência superior. Estes últimos são os princípios próprios da doutrina sagrada,
como já foi dito (solução). 2. À segunda, é preciso dizer: os
eventos específicos que aparecem na doutrina sagrada não são tratados como o
objetivo principal, mas como exemplos a serem imitados, como ocorre na moral.
Ou para declarar a autoridade daqueles homens por meio dos
quais a revelação divina, fundamento das Escrituras ou da Sagrada Doutrina, nos
foi transmitida.
Nota (dos dominicanos espanhóis)
São Tomás de Aquino adota a afirmação aristotélica, um ditado comum
entre os escolásticos, *de singularibus non est scientia* [o singular, o
específico, não é ciência, coisa difícil de ser entendida hoje, quando
muitos, especialmente os marxistas, querem a partir de um único exemplo somente
tirar todas as conclusões possíveis ou além], que se refere à ciência
propriamente dita, ou ciência especulativa, e não à ciência prática, como
indica a resposta ao se referir a exemplos de conduta moral. Contudo, o
conteúdo desse ditado fala de singularidade quando, na realidade, a exigência
inescapável para a ciência é antes a necessidade. O importante na demonstração
científica, característica da teoria aristotélica, é que, partindo de certas
verdades presumidas como conhecidas, isto é, de princípios, procede-se num
necessário processo dedutivo ao conhecimento de outras verdades, que serão as
conclusões. A necessidade é, portanto, um aspecto essencial do processo. Em
outras palavras, a inteligibilidade postula um afastamento do contingente e uma
proximidade ao necessário. Mas sempre que a singularidade for compatível com a
necessidade de alguma forma, a ciência poderá existir, mesmo de realidades
singulares. A teologia, ciência da fé que procede da fé, segue e imita o
conhecimento de Deus. Mas Deus conhece a si mesmo, e Ele é o único objeto
essencial do seu conhecimento. Tudo o mais [a história de Israel ou da Igreja,
por exemplo] é apenas um objeto secundário, e somente na medida em que se
relaciona com Deus. Os artigos de fé que dizem respeito às criaturas e, dentro
delas, às circunstâncias históricas, são objetos de fé apenas na medida em que
acrescentam algo a Deus (secundum quod eis aliquid veritatis primae adiungitur:
De verit. q.14 a.8 ad 1) [“conforme algo da Verdade Primeira lhes é
acrescentado”. O fato de o Antigo Testamento não falar dos dinossauros não tira
nem acrescenta nada ao que as Sagradas Escrituras revelam de Deus]. Mas essas
pessoas ou eventos, contingentes em si mesmos, possuem algo de eterno, algo de
necessário e algo de verdade imutável, na medida em que são afetados pela
decisão de Deus e pelo conhecimento de Dele, que delas procede. Diante dos
eventos da História Sagrada, São Tomás, mesmo partindo de termos inspirados na
epistemologia aristotélica, não se posiciona como Aristóteles. Para ele, a
natureza temporal e singular do objeto da fé, enquanto tal, é acidental à
própria fé. Os eventos interessam enquanto se relacionam com a Primeira
Verdade.
TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 13
ESCOLÁSTICA E
CAPITALISMO
Os processos que
eventualmente fragmentaram o mundo social de São Tomás de Aquino são geralmente
resumidos na expressão 'Ascensão do Capitalismo'. Embora infinitamente complexos,
admitem uma descrição em termos de algumas generalizações amplas que não estão
totalmente erradas. Além disso, embora não tenha havido uma ruptura abrupta, é
possível datar os desenvolvimentos por pelo menos séculos. A iniciativa
capitalista não estava ausente antes, mas a partir do século XIII começou
lentamente a atacar a estrutura das instituições feudais que, por séculos,
acorrentaram, mas também protegeram o agricultor e o artesão. A palavra
“universitas” originalmente não significava nada além de corporação.
Muitas pessoas se matriculavam apenas pelos privilégios legais que a filiação a
tal corporação autônoma acarretava. O significado de universitas litterarum
[conhecimento universal], que atribuímos ao termo Universidade, é de origem
posterior e evolui dos contornos do nosso modelo econômico [supostamente
capitalista].
No final do século XV,
a maioria dos fenômenos que costumamos associar àquela vaga palavra
“capitalismo” já havia surgido, incluindo grandes empresas,
especulação no mercado de ações e de commodities e as “altas
finanças”, aos quais as pessoas reagiam de maneira muito semelhante à
nossa. Mesmo assim, esses fenômenos não eram todos novos. O que era
verdadeiramente inédito era apenas sua importância absoluta e relativa. O
crescimento da empresa capitalista, contudo, criou não apenas novos padrões e
problemas econômicos, mas também uma nova atitude em relação a todos os
problemas. A ascensão da burguesia comercial, financeira e industrial,
naturalmente, alterou a estrutura da sociedade europeia e, consequentemente,
seu espírito ou, se preferir, sua civilização. O ponto mais óbvio disso é que a
burguesia adquiriu poder para afirmar seus interesses.
Tratava-se
de uma classe que enxergava os fatos comerciais sob uma luz e um ângulo
diferentes; uma classe, em suma, que estava envolvida com os negócios e,
portanto, jamais poderia encarar seus problemas com o distanciamento do
escolástico. Mas esse ponto é secundário em importância em relação a outro.
Como vimos na primeira parte deste livro, é essencial perceber que,
independentemente da afirmação de seus interesses, o homem de negócios, à
medida que seu peso na estrutura social aumentava, transmitia à sociedade uma
dose crescente de seu intelecto, assim como o cavaleiro fizera antes dele. Os
hábitos mentais particulares gerados pelo trabalho no escritório, o esquema de
valores que dele emana e a atitude em relação à vida pública e privada que lhe
é característica, disseminaram-se lentamente por todas as classes e por todos
os campos do pensamento e da ação humana.
Os
resultados irromperam na época de transformação cultural que foi tão
curiosamente chamada de Renascimento. Um dos resultados mais importantes foi o
surgimento do intelectual laico e, portanto, da ciência laica. Podemos
distinguir desenvolvimentos de três tipos diferentes. Primeiro, sempre
existiram médicos e advogados leigos; mas, no Renascimento, eles começaram a
suplantar o clero. Em segundo lugar, partindo de suas necessidades e problemas
profissionais, artistas e artesãos leigos — não havia, na realidade, distinção
sociológica entre eles — começaram a desenvolver um acervo de conhecimento
técnico (por exemplo, em anatomia, perspectiva, mecânica) que foi uma
importante fonte da ciência moderna, mas que se desenvolveu fora do âmbito
acadêmico universitário: uma figura como Leonardo da Vinci
ilustrará este ponto; e a figura de Galileu ilustrará outro ponto, a saber,
como esse tipo de desenvolvimento produziu o físico laico. Teve seu análogo na
economia; o empresário e o funcionário público, também partindo como o
artista-artesão de suas necessidades e problemas práticos, começaram a
desenvolver um repertório de conhecimento econômico que será analisado no
próximo capítulo. Em terceiro lugar, havia os humanistas. Profissionalmente,
eram estudiosos clássicos. Seu trabalho científico consistia na edição crítica,
tradução e interpretação dos textos gregos e latinos que se tornaram
disponíveis no século XV e século XVI. Mas eles gostavam de acreditar que o
domínio do grego e do latim tornaria um homem competente em tudo; e isso,
juntamente com sua posição social — também fora das universidades escolásticas
— transformou esses críticos de textos em críticos de homens, costumes, crenças
e instituições, bem como em literatos completos.
Eles não contribuíram, no entanto, para a economia técnica. Para
nós, eles são importantes apenas na medida em que influenciaram a atmosfera
intelectual geral de sua época. A Igreja Católica tinha poucos motivos para se
opor ao médico ou ao advogado leigo em si e, na verdade, não se opôs a eles;
era a patrona mais liberal do artista-artesão, cuja arte, de fato, permaneceu
primordialmente religiosa; empregava humanistas na chancelaria papal e em
outros lugares, e os Papas e Cardeais do Renascimento, alguns dos quais eram
eles próprios humanistas ilustres, incentivavam invariavelmente os estudos
humanísticos. O conflito que surgiu é, portanto, um problema. Pouco ou nada se
sabe sobre a saga de uma nova luz que brilhou sobre o mundo e foi ferozmente
combatida pelas forças das trevas, ou sobre um novo espírito de livre
investigação que os capangas do autoritarismo conservador tentaram em vão
sufocar. Tampouco a nossa compreensão do conflito é facilitada ao confundi-lo
com o fenômeno correlato, mas bastante diferente, da Reforma Protestante — a
revolução intelectual e a revolução religiosa reforçaram-se mutuamente, mas as
suas origens não são as mesmas; não se relacionam numa simples relação de causa
e efeito.
Não
existiu um Novo Espírito do Capitalismo no sentido de que as pessoas
precisariam adquirir uma nova forma de pensar para transformar um mundo
econômico feudal em um mundo capitalista completamente diferente. Assim que
percebemos que o feudalismo puro e o capitalismo puro são criações igualmente
irrealistas de nossa própria mente, o problema de o que teria transformado um
no outro [tão caro aos marxistas] desaparece completamente. A sociedade da
Idade Média continha todos os
germes da sociedade da era capitalista. Esses germes se desenvolveram
gradualmente, cada etapa ensinando sua lição e produzindo um novo incremento de
métodos capitalistas e de “espírito” capitalista. Da mesma forma, não existiu
um Novo Espírito de Livre Investigação cujo surgimento exigisse explicação. A
ciência escolástica da Idade Média continha todos os germes da ciência laica do
Renascimento. E esses germes se desenvolveram lenta, mas firmemente, no
sistema do pensamento escolástico, de modo que os leigos dos séculos XVI e XVII
continuaram, em vez de destruir, o trabalho escolástico.
Isso
se aplica mesmo onde é mais persistentemente negado. No século XIII,
Alberto Magno observou que Roger Bacon experimentava e inventava — ele também
insistia na necessidade de métodos matemáticos mais poderosos — enquanto
Jordanus Nemore teorizava num espírito inteiramente “moderno”. Mesmo o sistema
heliocêntrico de astronomia não foi simplesmente uma
bomba lançada
de fora para o interior da fortaleza escolástica. Ele teve origem na própria fortaleza. Nicolau
Cusanus (1401–1464) era cardeal. E o próprio Copérnico era cônego (embora não
tenha recebido ordens religiosas), doutor em direito canônico, viveu toda a sua
vida em círculos eclesiásticos, e Clemente VII aprovou seu trabalho e desejou
vê-lo publicado.
Isso
não é de todo surpreendente, pois, como vimos, a autoridade da Igreja não era o
obstáculo absoluto à livre pesquisa que se convencionou fazer parecer. A
impressão predominante em contrário deve-se ao fato de que, até recentemente, o
mundo se contentava em aceitar o testemunho dos adversários da Igreja, inspirado
por um ódio irracional e por eventos individuais indevidamente dramatizados.
Durante os últimos vinte anos, aproximadamente, uma opinião mais imparcial vem
ganhando terreno [em alguns círculos ‘modernos’, predominantemente marxistas,
esse preconceito iluminista continua intacto, como ‘prova’ da tese do ‘ópio do
povo’ e da religião como uma ideologia ultrapassada]. Isso é uma sorte para
nós, por facilitar muito a apreciação do desempenho científico-escolástico em
nossa área. Se, então, removermos a camada de parcialidade, o verdadeiro quadro
do conflito se revela sem maiores dificuldades. Era primordialmente político em
sua natureza. Os intelectuais leigos, católicos tanto quanto protestantes,
frequentemente se opunham à Igreja como poder político, e a oposição política
contra uma Igreja se transforma muito facilmente em heresia.
Foi
esse espírito de oposição política e o perigo incidental da heresia que a
Igreja pressentiu — às vezes erroneamente —
nas obras dos intelectuais laicos, e que a fez reagir até mesmo a escritos que
nada tinham a ver com o governo da Igreja ou com a religião, e que teriam
passado despercebidos se tivessem sido publicados por um clérigo de cuja
lealdade política e religiosa a Igreja estivesse confiante. Havia, contudo,
outro ponto de importância limitada, mas, para nós, considerável. Parece que a
profissão científica nem sempre absorve as novidades com avidez. Além disso, os
professores são homens constitucionalmente incapazes de conceber que o outro
possa estar certo. Isso vale para todos os tempos e lugares. Na época de
Galileu, porém, as universidades estavam nas mãos de ordens monásticas, exceto
nos países que se tornaram ou estavam se tornando protestantes.
Essas
ordens acolhiam noviços e prontamente lhes abriam a carreira científica. Mas
não acolhiam o trabalho científico de pessoas que não queriam se juntar a elas:
daí um conflito de interesses entre dois grupos de intelectuais que se opunham
mutuamente. E o ressentimento profissional contra um oponente científico, do
qual todas as épocas oferecem exemplos divertidos, por vezes adquiria uma
conotação nada divertida em circunstâncias nas quais as universidades, embora
nem sempre tivessem a atenção do Papa, sempre tinham a atenção da Inquisição.
Mas isso não significa que esses professores não fizessem nada além de recitar
textos aristotélicos.
Direito e capitalismo
Devido à importância do
complemento financeiro da produção e do comércio capitalistas, o
desenvolvimento do direito e da prática de títulos negociáveis e
de depósitos “criados” oferece talvez a
melhor indicação
que podemos ter para datar a ascensão do capitalismo. Em torno do Mediterrâneo, ambos surgiram ao
longo do século
XIV, embora a negociabilidade não
estivesse totalmente estabelecida antes do século XVI.
Sentido do renascimento.
O “renascimento” do
interesse pelo pensamento e pela arte da Grécia e Roma antigas foi um fator tão
poderoso na vida intelectual daquela época apenas porque as formas antigas
forneciam recipientes convenientes para novas necessidades e significados, até
estas criarem seus próprios recipientes mais adiante. A verdadeira conquista
cultural daquele período não consistiu em recondicionar antigas relíquias.
Pensamento laico
A palavra “laico” foi
escolhida após alguma hesitação. 'Secular' não seria adequado porque deriva
outra conotação da distinção: clero secular — clero regular. 'Ciência leiga'
entra em conflito com o nosso uso do termo leigo (um homem sem formação em método
científico). 'Laicista' transmite a ideia de antagonismo à Igreja (cf., por
exemplo, as expressões 'estado laicista' ou 'laicismo'). Portanto, 'laico' terá
de ser usado para denotar pessoas ou qualquer atividade (científica ou
propagandística) de pessoas que não pertencem às ordens sagradas. O substantivo
será 'laicos'. Há, contudo, uma dificuldade mais séria. Por um lado, o sistema
educacional da Igreja Católica provou ser tão forte que muitos intelectuais
leigos continuaram a ser influenciados por ela. Muitos deles conservaram
hábitos mentais que não diferiam essencialmente dos intelectuais das ordens
sacras. Por outro lado, um número crescente destes últimos renunciou à
fidelidade ao sistema de pensamento escolástico tão completamente quanto
qualquer leigo poderia ter feito: Erasmo de Roterdã (1467-1536) oferece um
exemplo inicial. [Em tudo se nota uma mudança paulatina, por evolução, com suas
fases de transição, e não revolução. A ideia de revolução é primitiva, imatura e egocêntrica, no sentido da epistemologia de Jean Piaget, basicamente
antievolutiva].
Análises com sistemas
econômicos puros
Este problema é
um exemplo típico do que pode ser chamado de Problemas Espúrios, ou seja,
problemas que o próprio analista cria por meio de seu método de procedimento.
Para fins de descrição abreviada, construímos imagens abstratas de ‘sistemas’
sociais às quais atribuímos uma série de características bem definidas para
contrastá-los nitidamente dos demais sistemas. Esse método de Tipos
(logicamente) Ideais (discutido abaixo) tem, naturalmente, suas utilidades,
embora inevitavelmente envolva distorção dos fatos. Mas se, esquecendo a
natureza metodológica dessas construções, colocarmos o Homem Feudal ‘ideal’
frente a frente com o Homem Capitalista ‘ideal’, a transição de um para o outro
apresentará um problema que, no entanto, não tem paralelo na esfera dos fatos
históricos. Infelizmente, Max Weber emprestou o peso de sua grande autoridade a
uma forma de pensar que não tem outra base senão o uso indevido do método dos
Tipos Ideais. Consequentemente, ele se propôs a encontrar uma explicação para
um processo que, com atenção suficiente aos detalhes históricos, se torna
autoexplicativo. Ele encontrou isso no Novo Espírito — isto é, uma atitude
diferente em relação à vida e seus valores — engendrado pela Reforma (A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo, trad. por Talcott Parsons, 1930)...
Caso Galileu Copérnico
A subsequente luta em
torno do sistema copernicano de astronomia deve ser brevemente mencionada,
tanto para demonstrar o elemento de verdade na saga tradicional quanto para
reduzi-la às suas verdadeiras dimensões. Nicolau Copérnico (1473–1543) concluiu
seu manuscrito por volta de 1530. Durante décadas, sua ideia se espalhou
discretamente, sem impedimentos. Encontrou, de fato, oposição e até mesmo
ridículo por parte de professores que continuavam a se apegar ao sistema
ptolomaico, mas isso é o que se pode esperar diante de uma nova abordagem...
Foi esse ridículo, e não a Inquisição, que Galileu temeu quando, no final do
século XVI, tornou-se um adepto convicto da teoria de Copérnico. A execução
pela inquisição, em 1600, de outro adepto dessa ideia, Giordano Bruno, não é
prova em contrário, pois ele também sustentava visões puramente teológicas de
natureza herética e, além disso, expressava franco desprezo pela fé cristã. Mas
quando Galileu finalmente decidiu defendê-la (1613 e 1632), a teoria foi de
fato declarada herética por um grupo de conselheiros teológicos da Inquisição —
não, porém, pelo Cardeal Belarmino — e ele foi proibido de defendê-la ou
ensiná-la; quando não cumpriu sua promessa de se submeter, foi forçado a
renunciá-la e preso por quinze dias. A questão não é apenas que, neste caso,
uma teoria puramente física foi considerada teologicamente repugnante e que seu
defensor científico sofreu por isso, mas também que tal ocorrência era uma
possibilidade sempre presente em uma época que interpretava as escrituras mais
ou menos literalmente. Este é o elemento de verdade na saga. Mas é claro que o
caso foi bastante excepcional; para a maior parte do trabalho científico, essa
possibilidade praticamente não existia. Além disso, o caso de Galileu foi
complicado por sua impulsividade e seu infeliz talento para antagonizar
pessoalmente pessoas que estavam em posição de expressar seu ressentimento. O
caso do próprio Copérnico, e de fato toda a história da trajetória de sua
teoria até 1613, sugere que uma abordagem mais diplomática poderia ter evitado
o processo judicial.
TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 12
FEUDALISMO E
ESCOLÁSTICA
A vida de São Tomás de
Aquino transcorreu no auge da civilização feudal. Este termo sugere a ideia de
um tipo específico de sociedade guerreira, ou seja, uma sociedade dominada por
uma camada guerreira organizada, segundo o princípio da vassalagem, em uma
hierarquia de senhores feudais e cavaleiros. Do ponto de vista dessa hierarquia
de guerreiros, a antiga distinção entre homens livres e homens não livres havia
perdido muito de seu significado. O que importava não era se um homem era livre
ou não, mas se era um cavaleiro ou não. Mesmo o Imperador do Sacro Império
Romano-Germânico — para utilizar a expressão oficial — que era teoricamente
reconhecido como o senhor feudal de toda a Cristandade, era, antes de tudo, um
cavaleiro e se considerava tal; e até mesmo o homem não livre se tornava um
cavaleiro assim que conseguisse um cavalo e armas e aprendesse a usá-los — o
que, a princípio, era uma tarefa muito simples, embora na época de São Tomás
tivesse se tornado uma ocupação altamente especializada.
Essa classe guerreira
desfrutava de poder e prestígio inigualáveis e,
portanto, imprimiu a marca de seu próprio padrão cultural na civilização da época feudal. A base
econômica dessa pirâmide social consistia
nos camponeses dependentes e nos artesãos senhoriais, cujo trabalho sustentava
os guerreiros. Assim, parece que estamos diante do que à primeira vista se
assemelha a uma unidade estrutural, no sentido que a expressão “pirâmide social” de
fato pretende transmitir. Mas essa imagem é bastante irrealista. As sociedades, com
a possível exceção de tribos primitivas e do socialismo pleno, nunca são
unidades estruturais, e metade dos problemas que apresentam decorre do fato de
não o serem. A sociedade da época feudal não pode ser descrita em termos de
cavaleiros e camponeses, assim como a sociedade da época capitalista não pode
ser descrita em termos de capitalistas e proletários.
A indústria, o comércio
e as finanças romanas não foram destruídos em todos os lugares, e mesmo onde
foram destruídos ou onde nunca existiram, e, com eles, classes de caráter
burguês, se desenvolveram ou se reergueram antes da época de São Tomás. Em
muitos lugares, essas classes haviam superado a estrutura da organização feudal
e, auxiliadas pelo fato de que uma cidade bem fortificada era normalmente
inexpugnável às artes da guerra dos cavaleiros, desafiaram com sucesso o
domínio dos senhores feudais — o exemplo mais notório sendo a resistência
vitoriosa das cidades da Lombardia. Como realidade histórica, portanto, o
feudalismo significa a simbiose de dois sistemas sociais essencialmente
diferentes e em grande parte, mas não totalmente, antagônicos.
Mas havia outro fator
de origem e caráter não feudal que a classe guerreira não conseguiu absorver ou
conquistar: a Igreja Católica Romana. Não podemos entrar em uma discussão sobre
as relações extremamente complexas da Igreja medieval com os poderes feudais. O
ponto essencial a compreender é que a Igreja não era simplesmente um órgão da
sociedade feudal, mas um organismo distinto dessa sociedade, que sempre se
manteve como uma força por direito próprio.
Por mais estreitamente
aliada ou dependente dos reis e senhores feudais que por vezes esteja,
por mais perto que tenha chegado da derrota e de ser subjugada ao serviço da
classe guerreira, ela nunca renunciou à sua própria autoridade e nunca se tornou
instrumento dessa ou de qualquer outra classe. Visto que a Igreja sempre foi
capaz não só de se afirmar, mas também de travar guerras vitoriosas contra os
poderes feudais, esse fato deveria ser óbvio demais para exigir uma declaração
explícita, não fosse o fato de uma historiografia, inspirada por uma versão
popularesca da sociologia marxista, criar a impressão de que o pensamento
medieval era uma mera ideologia de uma classe guerreira latifundiária,
verbalizada por seus capelães. Essa impressão seria errônea não apenas do ponto
de vista daqueles que se recusam a aceitar a sociologia das ideias marxista. Mas também do ponto de vista do próprio Marx, pois mesmo que optássemos por
interpretar o sistema de pensamento católico como uma ideologia, ele ainda permaneceria
a ideologia do clero, não fundida com a ideologia da classe guerreira.
É importante ter isso
em mente devido ao monopólio praticamente completo do saber que a Igreja
Católica desfrutou até o Renascimento. Esse monopólio devia-se principalmente à
autoridade espiritual da Igreja. Mas foi grandemente reforçado pelas condições daquela
época, em que não havia espaço nem segurança para estudiosos profissionais,
exceto dentro de um convento. Consequentemente, quase todos os
“intelectuais” daquele tempo eram monges ou frades. Consideremos
brevemente algumas implicações disso.
Todos aqueles monges e
frades falavam o mesmo latim não clássico; assistiam à mesma missa onde quer
que fossem; recebiam uma educação idêntica em todos os países; professavam o
mesmo sistema de crenças fundamentais; e todos reconheciam a suprema autoridade
do Papa, que era essencialmente internacional: seu país era a Cristandade, seu
Estado era a Igreja. Mas não era só isso. Sua influência internacionalizante
foi fortalecida pelo fato de a própria sociedade feudal ser internacional. Não
apenas a autoridade do Papa, mas também a do Imperador, era internacional em
princípio e, em diferentes graus, na prática.
O antigo Império Romano
e o de Carlos Magno não eram meras reminiscências. As pessoas estavam
familiarizadas com a ideia de um superestado temporal, bem como de um
superestado espiritual. As divisões nacionais não significavam para elas o que
passaram a significar durante o século XVI; nada em toda a gama de ideias
políticas de Dante é tão marcante quanto a completa ausência da perspectiva
nacionalista. O resultado foi o surgimento de uma civilização essencialmente
internacional e de uma república internacional de intelectuais que era apenas
uma realidade viva. São Tomás era italiano e João Duns Scotus era escocês, mas
ambos lecionaram em Paris e Colônia sem enfrentar as dificuldades que teriam
enfrentado na era dos aviões.
De fato, tanto em
princípio quanto na prática, praticamente todos que desejassem podiam ingressar
em uma ordem monástica e também se juntar às fileiras do clero secular. Mas a
ascensão dentro da Igreja era aberta a todos apenas em princípio, já que as pretensões
dos membros de famílias da classe guerreira absorviam, na realidade, a maior
parte dos bispados e abadias. Contudo, o homem sem conexões nunca foi
totalmente excluído das mais altas dignidades, nem mesmo das mais elevadas; e ele não era impedido de se tornar uma figura-chave na formulação de ideias e
políticas. O clero regular (os monges) e os frades forneciam, por assim dizer,
o quadro geral da Igreja. Nos mosteiros, homens de todas as classes se
encontravam em igualdade de condições, e o ambiente intelectual era
frequentemente carregado de radicalismo social e político.
Mas como se pode
atribuir uma atitude mental radical — e, portanto, também crítica — a um grupo
social cujos membros eram obrigados a obedecer aos ditames de uma autoridade
suprema e absoluta? Esse aparente paradoxo é facilmente resolvido. As vidas e a
fé dos monges e frades estavam, de fato, sujeitas a uma autoridade que era, em
teoria, absoluta, e que proferia verdades imutáveis. Mas, além da esfera da
disciplina e da crença religiosa fundamental — além das questões de fé —, essa
autoridade não se propunha a dirigir seus pensamentos, nem a prescrever
resultados. Em particular, não tinha, em geral, qualquer motivo para fazê-lo no
âmbito do pensamento político e econômico, logo na ordem temporal de coisas… As
ordens monásticas eram instrumentos importantes da autoridade papal, mas isso
não as impedia de considerar as instituições temporais como obras humanas
historicamente mutáveis.
Longe de mim desejar
menosprezar a importância dos ideais e preceitos cristãos em si. Mas não
precisamos invocá-los para perceber que a subordinação monástica à autoridade
em matéria de fé e disciplina era compatível com ampla liberdade de opinião em
todos os outros assuntos. Devemos ir ainda mais longe. A posição sociológica
dos monges — fora, por assim dizer, da estrutura de classes — não apenas lhes
conferia uma atitude de crítica distanciada em relação a muitas coisas; havia
também um poder por trás deles que podia proteger essa
liberdade. No que diz respeito ao tratamento de problemas políticos e
econômicos, o intelectual clerical daquela época não estava mais, mas menos
exposto à interferência da autoridade política e de “grupos de
pressão” do que o intelectual laico de épocas posteriores. A acusação de
que a aceitação inquestionável da autoridade eclesiástica invalidava o
raciocínio desses estudiosos monásticos de um ponto de vista científico,
mostra-se infundada.
Contudo, ainda
precisamos considerar uma forma particular dessa acusação. A natureza analítica
de seu raciocínio tem sido frequentemente negada sob o argumento de que seus
argumentos só poderiam ser argumentos de autoridade: sujeitos à autoridade do
Papa, como estavam, não lhes restava outro método para estabelecer ou refutar
uma proposição senão invocar autoridades literárias reconhecidas por essa
autoridade suprema. Mas isso não é verdade. A questão pode ser esclarecida com
uma referência a São Tomás de Aquino. Ele ensinava, de fato, que a autoridade
era de importância decisiva em assuntos relacionados à Revelação — ou seja, a
autoridade daqueles a quem as revelações haviam sido feitas —, mas também
ensinava que em todo o resto (e isso inclui, é claro, todo o campo da economia)
qualquer argumento baseado em autoridade era “extremamente fraco” (Summa
I, quaest. I, art. 8, ad secundum).
Nas escolas fundadas a
partir do século VII por senhores temporais e espirituais, eram os clérigos que
ensinavam os fragmentos da ciência greco-romana, bem como teologia e doutrinas
filosóficas próprias — grandes mestres como Abelardo atraíam alunos e, ocasionalmente,
causavam muitos problemas às autoridades controladoras. Em alguns casos, a
partir dessas escolas, desenvolveram-se, nos séculos XII e XIII, as
“universidades” autônomas — associações incorporadas de professores, como em
Paris, ou de estudantes, como em Bolonha, que logo se agruparam em “faculdades”
de teologia, filosofia, direito e medicina.
Inicialmente, príncipes
e bispos não tinham nada a ver com elas, além do implícito na concessão de
privilégios corporativos e na supervisão religiosa. Consequentemente, as
universidades gozavam de grande liberdade e independência; davam mais espaço ao
professor individual do que as universidades mecanizadas de hoje; eram um ponto
de encontro de todas as classes sociais; e essencialmente internacionais. Mas,
a partir do século XIV, as fundações governamentais tornaram-se cada vez mais
frequentes. Os governos também assumiram o controle de instituições
anteriormente independentes. Eventualmente, isso mudou tudo. A influência
governamental não só permitiu a afirmação de objetivos puramente utilitários,
mas também a restrição da liberdade, particularmente em questões de doutrina
política. Mas, precisamente por causa do poder que estava por trás dos
professores do clero, as universidades mantiveram-se relativamente bem até a
cisão religiosa do século XVI.