terça-feira, 5 de maio de 2026


                        O CORONEL MOREIRA CÉSAR E 

CANUDOS DEVEM MORRER

A PROFECIA DO BARÃO DE COTEGIPE - 3


Um profissional dedicado

 O maior problema do Coronel Antônio Moreira César começou no dia 19 de abril de 1894, no auge de uma carreira ascendente, publicamente reconhecida, quando foi designado Governador Militar Provisório de Santa Catarina pelo Presidente Floriano Peixoto, num contexto particularmente confuso.

A sua nomeação é singular, pois até aquele momento não havia notícia de grande proximidade entre César e o Marechal Floriano, embora ele já tivesse chamado a atenção dos altos escalões, em virtude da sua dedicação, de sua cultura geral e competência profissional. Ela revela antes de tudo a ausência de quadros militares para suprir a administração pública estatal, a improvisação em nome da manutenção do poder e a importância das relações pessoais sobre a competência profissional, apesar do discurso, afinal o primeiro indicado por Floriano ao governo do estado era um tenente — o coronel entrou como que “na raspa do tacho”.

O tenente, como vimos, passou para o lado dos revoltosos e, com estes, tenta criar um país independente: os Estados Unidos Provisórios do Brasil, com a capital em Nossa Senhora do Desterro, a fim de criar dificuldades internacionais ao governo Floriano. Os revoltosos, entretanto, se dividiram numa luta estéril pela direção do movimento, favorecendo a reação do governo, por meio de sua marinha improvisada.

A frota legalista do almirante Jerônimo Francisco Gonçalves, após torpedear o encouraçado revoltoso Aquidabã, agiu rápido e desembarcou na ilha de Santa Catarina um pequeno contingente de alunos da Escola Militar do Rio de Janeiro. Jovens fogosos e florianistas radicais, eles tomaram as fortalezas ao norte da ilha de Santa Catarina e desabalaram para o sul, até se assenhorarem de toda a ilha no dia 19 de abril de 1894. No dia 21 de abril, o coronel Antônio Moreira César desembarca em Desterro, e no dia seguinte assume o governo.

Alguma coisa, entretanto, aconteceu entre 21 de abril e 28 de setembro de 1894, enquanto ele governava o estado, que manchou gravemente a sua reputação, construída em “uma carreira militar correta como poucas”, segundo Euclides da Cunha, que, após sua morte, o denunciará como um dos personagens mais sanguinários e cruéis de nossa história. A ponto de a cidade de Niterói retirar o seu nome de uma de suas ruas.

Mas o que será que aconteceu?

Eduardo Simões


Nenhum comentário:

Postar um comentário