O CORONEL MOREIRA CÉSAR E
CANUDOS DEVEM MORRER
A PROFECIA DO BARÃO DE COTEGIPE - 3
Um profissional dedicado
O maior problema do Coronel
Antônio Moreira César começou no dia 19 de abril de 1894, no auge de uma
carreira ascendente, publicamente reconhecida, quando foi designado Governador
Militar Provisório de Santa Catarina pelo Presidente Floriano
Peixoto, num contexto particularmente confuso.
A sua nomeação é singular, pois até
aquele momento não havia notícia de grande proximidade entre César e o Marechal
Floriano, embora ele já tivesse chamado a atenção dos altos escalões, em
virtude da sua dedicação, de sua cultura geral e competência profissional. Ela
revela antes de tudo a ausência de quadros militares para suprir a
administração pública estatal, a improvisação em nome da manutenção do poder e
a importância das relações pessoais sobre a competência profissional, apesar do
discurso, afinal o primeiro indicado por Floriano ao governo do estado era um
tenente — o coronel entrou como que “na raspa do tacho”.
O tenente, como vimos, passou para
o lado dos revoltosos e, com estes, tenta criar um país independente: os
Estados Unidos Provisórios do Brasil, com a capital em Nossa Senhora do
Desterro, a fim de criar dificuldades internacionais ao governo Floriano. Os
revoltosos, entretanto, se dividiram numa luta estéril pela direção do
movimento, favorecendo a reação do governo, por meio de sua marinha
improvisada.
A frota legalista do almirante
Jerônimo Francisco Gonçalves, após torpedear o encouraçado revoltoso Aquidabã,
agiu rápido e desembarcou na ilha de Santa Catarina um pequeno contingente de
alunos da Escola Militar do Rio de Janeiro. Jovens fogosos e florianistas
radicais, eles tomaram as fortalezas ao norte da ilha de Santa Catarina e
desabalaram para o sul, até se assenhorarem de toda a ilha no dia 19 de abril
de 1894. No dia 21 de abril, o coronel Antônio Moreira César desembarca em
Desterro, e no dia seguinte assume o governo.
Alguma coisa, entretanto, aconteceu
entre 21 de abril e 28 de setembro de 1894, enquanto ele governava o estado,
que manchou gravemente a sua reputação, construída em “uma carreira militar
correta como poucas”, segundo Euclides da Cunha, que, após sua morte, o
denunciará como um dos personagens mais sanguinários e cruéis de nossa
história. A ponto de a cidade de Niterói retirar o seu nome de uma de suas
ruas.
Mas o que será que aconteceu?
Eduardo Simões
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