domingo, 6 de setembro de 2026

 

O ESTUPENDO SUCESSO DE UM ESTUPENDO FRACASSO


Eduardo Simões


É interessante refletir sobre o enorme sucesso editorial da doutrina marxista nos últimos 170 anos, permitindo aos seus adeptos troar que Karl Marx é o filósofo mais lido dos últimos tempos. Ele também reina invencível na grande maioria das universidades, mesmo as mais tradicionais e afamadas, supostas pontas de lança do saber e da ciência mundiais.

Entretanto, creio também que nenhuma outra doutrina, que atingiu esse patamar de sucesso, alcançou jamais o nível que o marxismo chegou, no sentido de não entregar aos seus crentes nada daquilo que prometeu, e ainda assim continuar famosa e, surpreendentemente, ‘científica’.

De fato, o marxismo surge não só como uma crítica ao capitalismo, mas também como uma alternativa, religiosamente considerada como a melhor de todas, ao ‘detestado’ sistema. Porém, nos últimos 170 anos, ele conseguiu quebrar todos os países onde foi fielmente aplicado, independentemente da cultura, da raça da população e do continente onde tal país estava.

O fracasso da doutrina marxista é tão universal como a lei da gravidade. Algumas figuras particularmente patéticas do marxismo brasileiro clamam pela China como exemplo de sucesso do socialismo marxista. Eles esquecem de que a característica fundamental do ‘autêntico socialismo’, defendido com unhas e dentes por eles até uma década, era a inexistência, ou a estatização, da propriedade privada, restabelecida na China, assim como o retorno da famigerada, fora da China, classe dos empresários milionários — que orientam os dirigentes locais toda vez que a economia começa a ‘fazer água’.

O que existe na China é capitalismo de Estado, muito semelhante ao que havia na Alemanha de Bismarck, com a exceção de que a Alemanha bismarckista era mais democrática (havia vários partidos), com mais liberdade de expressão. Mas quem se importa com isso quando o partido no poder se autoproclama comunista, mesmo não fazendo nada que um autêntico projeto comunista recomenda, exceto destruir e perseguir até à morte quem pensa diferente? Não vamos considerar, é claro, que a experiência chinesa tem apenas 56 anos, comparada com 350 anos da Inglaterra e 250 dos Estados Unidos. Uma diferença tão pequena?

A lista de fracassos é impressionante: eles prometeram prosperidade, mas tudo que os povos colheram foi a mais negra miséria, a ponto de, em alguns países, as pessoas pegarem comida em lixões; prometeram mais democracia, mas tudo que colheram foi ditaduras bizarras, como aquelas que existiam no tempo em que os reis se julgavam a personificação da divindade; prometeram o fim o estado, e o controle das instituições públicas pelo povo ou, no mínimo, pela classe operária, mas o que houve foi a apropriação do aparato estatal por uma elite de burocratas, alguns saídos da ‘classe opressora’ recém-derrubada, dispostos a tudo contra quem ameaçar seus privilégios; prometeram a paz e o fim das guerras, cuja mola propulsora, segundo a doutrina, era a existência da propriedade privada e a ‘mentalidade’ capitalista, mas entregaram forças armadas e polícia política cada vez mais poderosas e fora de controle, com a polícia usada contra a sua população e as forças armadas como ameaça e guerras aos seus vizinhos, produzindo os piores genocídios da história, em tempos de paz, enquanto os países capitalistas desenvolvidos entravam num período de paz e acordos multinacionais; prometeram avanços culturais e progressos na relações humanas, enquanto no Brasil um tolo cantava: “enquanto houver burguesia não vai haver poesia!”, mas entregaram um ambiente de decadência e estagnação cultural, baseado em fórmulas estereotipadas, dignas de ditaduras que temem a livre expressão do pensamento, enquanto o homem comum se especializou em vigiar e denunciar o seu vizinhoi; anulou as expressões deDeus e o seu culto, apresentados como uma excrecência do passado, que as massas educadas pelo marxismo, iriam superar, mas instalaram em seu lugar o culto da personalidade que, na versão norte-coreana diviniza claramente a família detentora do poder local, regradindo à mais remota Antiguidade. Etc. etc.

O marxismo, hoje, não passa de um arremedo, uma triste paródia do capitalismo, e vive na dependência deste, como adolescentes rebeldes clamando liberdade e dando lições de vida aos outros, enquanto vivem às custas do pai. Mais de 170 anos após o Manifesto, o marxismo sobrevive apenas da crítica genérica e superficial que fez do capitalismo, estampada em almas simplórias, incapazes de fazer diferença entre o que é aprendido por pressão social e o que é herdado por condicionamento genético, inclusive as necessidades biológicas básicas, necessidades estas que Marx ignorou, mas só nos outros, e por isso enterrou quatro filhos, mas não se empregou, preferindo viver às custas de um burguês imaturo, Engels, imoral o bastante para frequentar a alta sociedade, que a riqueza de seu pai lhe abria, enquanto explorava duas pobres irmãs operárias irlandesas, para chegar à liderança do movimento proletário internacional, sem ser um deles.

O marxismo é o melhor exemplo daquilo que no livro do Apocalipse da Bíblia fala do Falso Profeta e da Besta sanguinária, que arrastam as multidões com a sua lábia e as deixam na miséria, em meio às doenças, mortes, fome, violências e guerras. Nada de novo se considerarmos que Deus, lá no começo, após o dilúvio, fez um acordo com Noé de que não voltaria mais a destruir a terra por causa dos homens, porque o seu coração pendia para o mal desde a mais tenra infância.

Marx, como a serpente do paraíso, disse que isso tudo era balela, fazendo o homem comum crer que possuía em si o poder quase infinito de transformar-se e à sociedade, pela força de sua vontade e a orientação das vanguardas iluminadas pela sua doutrina.

No geral, o sucesso persistente do marxismo mostra que a grande maioria da humanidade, independentemente de raça, cultura e localização geográfica, não é nada racional ou é muito maliciosa e odiosa — não perde uma oportunidade para oprimir seu semelhante, ou uma soma de tudo isso, como já sabemos há uns 3 mil anos.

O resultado foi esse!

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