segunda-feira, 20 de abril de 2026

 

POR QUE ALGUNS BRITÂNICOS NÃO GOSTAM DE DONALD TRUMP?

Nate White, um escritor inglês

Algumas coisas me vêm à mente. Trump carece de certas qualidades que os britânicos tradicionalmente prezam. Por exemplo, ele não tem classe, charme, frieza, credibilidade, compaixão, sagacidade, calor humano, sabedoria, sutileza, sensibilidade, autoconsciência, humildade, honra ou elegância — todas qualidades, curiosamente, com as quais seu antecessor, o Sr. Obama, foi generosamente agraciado.

Portanto, para nós, o forte contraste expõe as limitações de Trump constrangedoramente. Além disso, gostamos de rir. E, embora Trump costume ser ridículo, ele nunca disse nada irônico, espirituoso ou sequer remotamente engraçado — nunca, jamais. Não digo isso retoricamente, quero dizer literalmente: nunca, jamais. E esse fato é particularmente perturbador para a sensibilidade britânica — para nós, a falta de humor é quase desumana. Mas em Trump, isso é um fato. Ele sequer parece entender o que é uma piada — para ele, piada é um comentário grosseiro, um insulto ignorante, um ato casual de crueldade.

Trump é um troll. E, como todos os trolls, ele nunca é engraçado e nunca ri; ele apenas se vangloria ou zomba. Assustadoramente, ele não só fala insultos grosseiros e sem graça, como realmente pensa dessa forma. Sua mente é um algoritmo simples, como o de um robô, repleto de preconceitos mesquinhos e maldade impulsiva. Nunca há nenhuma camada subjacente de ironia, complexidade, nuance ou profundidade. É tudo superficial. Alguns americanos podem ver isso como algo refrescantemente franco, direto. Bem, nós não. Vemos isso como a ausência de um mundo interior, de alma.

Na Grã-Bretanha, tradicionalmente nos aliamos a Davi, não a Golias. Todos os nossos heróis são azarões corajosos: Robin Hood, Dick Whittington, Oliver Twist [o próprio Churchill estava completamente desacreditado no Partido Conservador às vésperas da 2ª Guerra]. Trump não é corajoso nem um azarão. Ele é exatamente o oposto disso. Ele nem sequer é um riquinho mimado ou um magnata ganancioso. É mais como uma enorme e gordurosa lesma branca. Um Jabba the Hutt [o vilão de Guerra nas Estrelas] do privilégio.

E pior, ele é aquilo que os britânicos consideram imperdoável: um valentão. Exceto quando está entre valentões; aí, de repente, ele se transforma numa adolescente deslumbrada [como aconteceu com Vladimir Putin]. Há regras não ditas para essas coisas — as regras de Queensberry [lorde inglês que criou as regras do boxe] da decência básica — e ele quebra todas elas. Ele ataca quem está em posição inferior — algo que um cavalheiro jamais faria — e cada golpe que ele desfere visa as partes baixas. Ele gosta particularmente de chutar os vulneráveis ​​ou indefesos — e os chuta quando já estão no chão.

Portanto, o fato de uma minoria significativa — talvez um terço — dos americanos observar o que ele faz, ouvir o que ele diz, e depois pensar “Ele parece ser do meu tipo” é motivo de certa confusão e não pouca angústia para os britânicos, uma vez que os americanos, em geral, são considerados mais gentis do que nós, e na maioria das vezes o são.

Não é preciso ser um especialista em detalhes para notar algumas falhas nesse homem. Este último ponto é o que mais confunde e consterna os britânicos, e outras pessoas também; seus defeitos são praticamente impossíveis de ignorar. Afinal, é impossível ler um único tweet dele, ou ouvi-lo falar uma ou duas frases, sem se deparar com um abismo. Ele transforma a falta de tato em arte; é um Picasso da mesquinhez; um Shakespeare de merda. Seus defeitos são fractais: até mesmo suas falhas têm falhas, e assim por diante, ao infinito [como os fractais].

Deus sabe que sempre houve pessoas estúpidas no mundo, e muitas pessoas desagradáveis ​​também. Mas raramente a estupidez foi tão desagradável, ou a maldade tão estúpida. Ele faz Nixon parecer confiável e George W. Bush inteligente. Aliás, se Frankenstein decidisse criar um monstro feito inteiramente só de defeitos humanos, ele criaria um Trump. E um Dr. Frankenstein arrependido arrancaria tufos enormes de cabelo e gritaria em agonia: “Meu Deus… o que… eu… criei?”

Se ser um idiota fosse um programa de TV, Trump seria a série completa.

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