quarta-feira, 4 de novembro de 2026

 


E O PALHAÇO, O QUE É?
Eduardo Simões

Afinal, aconteceu o que todas as pessoas inteligentes que amam o sistema capitalista, por causa da prosperidade econômica que produz para todos, e a democracia liberal, o único sistema político que, bem calibrado, estabiliza a sociedade e acelera a distribuição da riqueza produzida pelo capitalismo, temiam. As idiotices de Donald Trump só serviriam para fortalecer a extrema-esquerda e os antiocidentais nos EUA e no mundo capitalista rico e democrático, enfraquecendo tanto um como o outro.

Não bastasse o crescimento da esquerda nos EUA, vemos agora, à medida que avançam as apurações, que uma nova força começa a se impor: o islamismo. No contexto das idiossincrasias do sistema americano, a aparição do islamismo radical e até terrorista é só uma questão de tempo.

Na última eleição presidencial nos EUA, eu fazia parte do MBL, pois tinha a ilusão de pôr o meu conhecimento em história a serviço do grupo. Quando, entretanto, tentei avisá-los do perigo de Trump, pois os seus discursos já anunciavam os desastres do presente — que naquele momento era futuro —, e da conveniência de ou apoiar Kamala Harris ou ficar neutro, afinal não era predominantemente um problema nosso, fui desligado sem aviso do meu grupo de discussão. Segundo o orientador, eu teria cruzado uma “linha vermelha”, da qual eu nunca fora avisado, e até hoje não sei qual seria. Fui silenciado e expulso do grupo. Hoje eu digo: para minha honra.

Inconformado com tanto autoritarismo e com a existência de regras secretas, enquanto Kim Kataguiri se gabava de exigir do Democratas a liberdade de opinião que era negada no seu grupo, eu sentenciei: “O MBL é uma seita trumpista com métodos stalinistas.” O curioso é que a questão que eles faziam de se posicionar nas eleições americanas, só era proporcional ao esforço que eles fizeram para não participar do segundo turno das eleições brasileiras. Trump, de fato, é o candidato ideal para um grupo desses, só não sei por que recusam os Bolsonaro. Chilique de adolescentes.

Agora o mal está feito. Trump é uma adaga cravada no centro sensível do país mais poderoso da civilização ocidental. É impossível aos EUA passarem por uma grande crise política, sem que esta não repercuta no resto do mundo, principalmente no ocidente, fortalecendo o oriente antidemocrático representado pela Rússia e a China, com o oportunismo da Índia e a aliança descarada do Brasil. O problema da África do Sul é continuar digna de algum respeito em meio a tanta corrupção e problemas econômicos. As tarifas do Trump apenas agravam um quadro extremamente complicado e de grande delicadeza. A pólvora está junto ao fogão.

Nenhum país poderá, sozinho, revivendo antigos modelos imperiais, como os EUA, ou insistindo em modelos econômicos fracassados, como o Brasil, se tornar grande novamente. Será que nós e o mundo aprenderemos definitivamente essa lição?

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