sexta-feira, 11 de setembro de 2026

 


A CARA DO BRASIL

Eduardo Simões

Dizem que Lao Tsé já nasceu velho. Que dizer de um povo que nasce senil?

Quando eu era jovem escolar, me ensinaram, na escola, que ainda não existia um brasileiro típico, exemplar, a partir do qual pudéssemos entender o país ou nós mesmos. Éramos um povo ainda em gestação. Como ficamos tão caducos, tão rápido?

De fato, a face do país espelha cada vez mais a face de seu governante mais querido, aquele que os brasileiros, de livre e espontânea vontade, escolheram para pregar todos os pregos na tampa de seu caixão. Os últimos acontecimentos revelaram, mais do que tudo, o resultado de nossa escolha.

Somos um povo velho, exaurido, sem nem termos alcançado a maturidade, o nosso auge biológico ou político, já sem ânimo para procurar algo novo para escapar da enrascada em que nos metemos, enquanto nos enganamos, multiplicando declarações e rituais, como no próximo julgamento do STF, que não mudarão a nossa infeliz realidade, mas nos darão a sensação, conforme o gosto de uma célebre economista, de que algo substantivo está sendo feito e que, em breve, teremos resultados.

Somos superficiais. Não nos preocupamos em aprofundar as opiniões que nós, ou os outros, temos sobre nós mesmos, e muito menos em procurar fatos que corroborem ou neguem nossas crenças. Todo superficial é um displicente, e vice-versa.

Somos também profundamente oportunistas, no sentido ruim, e mal agradecidos. Adoramos atribuir aos nossos antepassados, sem qualquer conhecimento de causa — odiamos a HISTÓRIA, principalmente a nossa —, os crimes que adoramos cometer, e contra eles voltamos nossa ira 'justiceira', por meio de discursos raivosos e atos de vandalismo contra a sua memória ou os seus sinais em nossos espaços públicos. Mas também adoramos usufruir da herança que eles nos deixaram.

Não são esse presidente e sua turma aqueles que mais alçam voz para condenar os “crimes” dos antigos, em especial aqueles que mais fizeram para que o Brasil se tornasse o gigante que é hoje, com uma língua e uma religião únicas, vindos de Portugal, integrado ao mais bem-sucedido sistema econômico de todos os tempos: o capitalismo ocidental oriundo da Europa branca, que eles tanto odeiam!

Como pode esse presidente e sua turma falarem com tanta empáfia da reforma do Conselho de Segurança da ONU, para incluir o Brasil, ou privar o povo do país de acordos benéficos a um povo tão pobre, a pretexto de soberania ou reconhecimento de nossa força, de nosso tamanho e prosperidade advinda de riquezas naturais? Riquezas naturais descobertas e integradas ao mercado internacional por quem? Tirem os portugueses e seus descendentes de nossa História e vejamos o que sobra.

Querer exibir-se como um governante poderoso para o mundo, como o atual presidente faz, escorando-se em uma grandeza conquistada por 'escravocratas', 'genocidas', 'patriarcas misóginos', 'preconceituosos', 'intolerantes', etc., é, por acaso, diferente dos patifes e canalhas que saem por aí exibindo riqueza e munificência, usando o dinheiro roubado de velhos pobres no Brasil? Inclusive aquele que vive em um condomínio de luxo na Espanha, familiar próximo desse 'ídolo nacional', o mesmo que, como a virgem pura em um lupanar, permanece inocente, sem saber de nada e sem se contaminar com o comportamento pornográfico dos que ele se faz cercar?

TIREM ESSE HOMEM DO PODER! AONDE ELE VAI ATRAI BANDIDOS! Talvez haja outro pior ou igual para pôr no seu lugar.

Há muito tempo que desistimos de cuidar — dá trabalho! — desse país, de nossa história, de nossa sociedade, de nossa justiça, de nossa república, de nossas cidades, de nossos velhos, mulheres e crianças, de nosso futuro, embora não nos falte quem queira nos mostrar como um modelo para o mundo se cuidar melhor. Não por hipocrisia, embora isso não nos falte, mas por completa incapacidade, ou preguiça (?), de se descolar do mundo de fantasia em que vive, para encarar a realidade de si mesmo e do entorno, que essa fantasia criou, à revelia da realidade.

Em vez do “SOU BRASILEIRO, NÃO DESISTO NUNCA”, melhor, talvez, seria: "SOU BRASILEIRO, NEM TENTO".

O que faremos quando chegar a hora de prestar contas de nossas ações delirantes, algumas inconscientes, e seus crimes bem reais?


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