quinta-feira, 5 de novembro de 2026

 


A INSUPERÁVEL SABEDORIA DO MERCADO DE CAPITAIS

Eduardo Simões

Uma coisa curiosa aconteceu nessas últimas semanas que mostra o quanto o mercado de capitais é sábio e o quanto os governos fracassados, como o nosso, perdem por querer criminalizá-lo.

A primeira reação da nossa bolsa de valores à vitória do Lula mandou um recado bem claro: “isso não nos agrada, estamos atentos, qualquer excesso e tudo estará terminado.” Foi uma reação compreensível à vitória de um governo que destruiu a disciplina fiscal, deformou o mercado de bens e serviços, aumentou a presença do estado na economia e joga para o acirramento político, para o ódio que polariza a nação, cegando-a a propostas construtivas, como se o que mais importasse fosse punir o adversário político. Uma receita de sucesso para  atirar-nos nos braços de aventureiros inescrupulosos o bastante para “fazer o diabo”, como disse a presidenta Dilma, para se eternizar no poder.

A reação em Wall Street, situada num país onde o Poder Legislativo ainda se dá ao respeito, foi exatamente igual, embora não na mesma intensidade, à da Faria Lima. Ao anúncio da derrota de Trump, a bolsa disparou num índice pouco comum por lá: alta de mais de 3%, mandando também um recado claro para o manda-chuva local: estamos fartos de loucuras, de aventuras e de sintomatologia psiquiátrica.

A reação do mercado de capitais por aqui foi bem mais dramática, chegando a entrar em circuit break, algo derivado tanto do nosso sangue latino como do tamanho da tempestade que se arma e da fragilidade de nossa economia.

As coisas aqui estão mais claras. Nós sempre soubemos que o Lula favorece a intervenção do estado na economia, em detrimento da iniciativa privada, apesar de todas as provas já dadas de que esse sistema não funciona — tenho bem claro na minha memória a imagem do Lula, numa entrevista, prometendo com toda convicção, mencionando o seu primeiro governo, de que jamais haveria déficit fiscal. Um mitômano que só pode trazer desgraça e empobrecimento generalizado. O mercado percebeu e deu vários sinais de que isso não estava bem, mas o povo o elegeu assim mesmo. A queda da taxa de juros, que está destruindo grandes empresas do varejo no Brasil, parou e nossa economia está sem rumo.

Já o Flávio Bolsonaro é demasiado incapaz para pensar numa alternativa econômica para um país, embora faça milagres com loja de chocolate. Os economistas que o cercavam davam esperanças, mas agora são passado. O povo assim quis.

Preparemo-nos agora para a tempestade perfeita que está se armando bem diante dos nossos olhos e que nós nos recusamos a ver, embora o mercado já a tivesse sinalizado. Damos qualquer coisa para não mudar ou mudamos para ser uma versão piorada do que éramos. 

Nos Estados Unidos, a situação foi mais confusa porque Trump sempre se colocou como candidato do capital e dos valores tradicionais da sociedade americana, embora a história de sua família não o qualifique para isso. Que fazer se a crise moral é mundial? Mais espetacular ainda é saber que a derrota de Trump abriu espaço, como os mais atentos previam, para a esquerda.

O mercado de capitais também lá, como aqui, rejeitou o populismo aventureiro, o intervencionismo estatal, o histrionismo psiquiátrico, o aventureirismo de ocasião, sinalizando aquilo que o capital sempre advogou, por meio de insignes pensadores, sobre o que seria ideal para a prosperidade de um país: liberdade de empreender; intervenção moderada do Estado para equilibrar as relações sociais, dar segurança e justiça; estabilidade com previsibilidade política e econômica; uma legislação equilibrada e aplicada igual e regularmente, etc., como acontece em todos os países capitalistas avançados.

Lula e Trump são os dois lados da mesma moeda, e mesmo ensaiando discursos aparentemente contraditórios, eles buscam exatamente os mesmos objetivos: criar exércitos de zumbis anencéfalos, que possam, por meio da propaganda irracional, do constrangimento e da pressão física, garantir-lhes uma longa permanência no poder.

A reação a isso começou nos Estados Unidos, já aqui nós vamos “tocar o barco” até não haver mais condição de evitar o naufrágio. E aí a gente vê quem se salva.

Como é de praxe.

O print abaixo mostra bem o quanto é rasa a compreensão da nossa esquerda e o quanto o seu discurso é completamente irracional e sem direção, pois durante os primeiros anos Trump sempre foi apresentado como o protótipo da extrema direita, até o Lula dizer que havia uma “indústria petroquímica” entre eles. Isso foi o suficiente para Trump passar a ser apresentado como dileto companheiro por muitos militantes petistas, um dos quais criou esse meme logo após essa declaração.



Como isso lembra o comportamento dos comunistas por ocasião do Pacto Germano-Soviético de 1939! Antes, Hitler era o principal inimigo a ser combatido, merecedor dos piores adjetivos, sendo que no dia seguinte à assinatura do pacto, 24 de agosto de 1939, ele passa a ser elogiado ou tratado neutramente, sobrando, é claro, críticas a Churchill que nunca se deixou seduzir pelo ditador alemão. A história do socialismo às vezes ganha ares de ópera bufa, muito bufa.

Nessa mesma linha, é o post abaixo cujo texto mostra o quanto a sua autora não entendeu nada do que estava acontecendo, mostrando Eduardo Bolsonaro desconsolado pela petroquímica desenvolvida entre Lula e Trump. E eu pergunto mais uma vez: o Trump não é extrema-direita? Ou esse termo, na esquerda, virou apenas uma ofensa genérica e anêmica, como o “chato” das pessoas normais, sem nenhum significado político relevante? É uma pena.

Isso mostra bem claramente o quanto esses dois líderes são iguais e o quanto Frederick Hayek estava à frente de seu tempo, quando no livro “Caminhos da servidão” profetizou que, no futuro, a extrema direita e a extrema esquerda se uniriam para combater as democracias liberais capitalistas.

O mercado financeiro, no Brasil e nos Estados Unidos, sinalizou corretamente que nenhum desses dois nos interessa e de nenhum dos dois sairá a solução para os problemas atuais ou a criação dos alicerces de um mundo futuro.

Fica para depois da tempestade.


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