sexta-feira, 8 de maio de 2026

 O CORONEL MOREIRA CÉSAR E CANUDOS DEVEM MORRER — FONTES 1

Eduardo Simões

JORNAL O PAIZ - ÓRGÃO ESPECIAL DO COMMERCIO - 13/11/1883 - DO MARANHÃO.


dante de ordens, capitão Ávila. Este, depois de ter-se informado do Sr. desem-

.........

Algumas observações;

1 - O nome do jornalista morto não é, COMO TODOS DIZEM, Apulcro de Castro, mas Apulcho (pronuncia-se APULCO) de Castro.
2 - O Jornal do Commercio fala corretamente quando diz que a ofensa, principal, CALOTEIRO, foi dirigida contra um oficial específico - na minha pesquisa, que publico em partes neste meu blog, cito o nome dele completo - de uma unidade militar espécifica: o 1º Regimento de Cavalaria (uma unidade militar de elite formada por membros das famílias mais importantres e ricas), em favor de um humilde pousadeiro, possivelmente branco. O que temos, portanto, é um negro sendo massacrado por brancos ricos, guardiões da honra da nação, por querer defender o direito de um branco pobre.
3 - O jornalista tentou conseguir que o oficial quitasse a dívida apelando aos seus colegas e superiores, e após ver sua demanda desprezada deixou bem claro para a população para tomar cuidado, quando quisesse dar crédito financeiro aos oficais desse regimento. Não passou disso, pelo menos nos jornais.
4 - Antes do assassinato, depois que Apulco citou o nome do oficial e colocou sob suspeita todos os outros do 1º R.C., houve um quebra-quebra na tipografia do jornal. Desse episódio a suspeita lógica é que tivesse sido obra de um grupo, com tudo apontando para os oficiais dessa unidade. Apulco abre o verbo e os denuncia.
5 - O Paiz do Maranhão, portanto erra, tentando corrigir o Jornal do Commercio, quando diz que as ofensas não foram dirigidas a um oficial específico mas sim à toda oficialidade do Exército. Isso é claramente um abuso contra a verdade dos fatos, pois, no máximo, atingia a oficialidade do 1º R.C.
6 - No prosseguimento do artigo o jornal O Paiz, de forma execrável, começa a descaracterizar as denuncias de Apulco contra os golpes e a falsa moral da elite, querendo supor que tudo não passava de escândalos gratuitos saídos da mente do jornalista, quando, na verdade, ele apenas amplificava os escândalos que a prórpia elite produzia, num país onde o dinheiro e as amizades livravam qualquer um das justas garras da lei. O Paiz do Maranhão tenta, a todo transe, transformar Apulco no culpado de seu assassinato. Como dizia um humorista antigo: A gente que não está acostumado estranha.
6 - A situação criada era particularmente explosiva porque o que se viu foi um negro, publicamente chamando a atenção da elite branca dirigente do Império, para a preservação de valores morais fundamentais, que essa mesma elite, todos os odmingos, dizia ser sagrada ou de origem divina.
7 - A atuação do capitão Ávila, deixando que matassem um homem sob sua guarda, saindo apenas com braços contusos, foi simplesmente patética, uma mancha indelével de infame covardia na sua biografia.

Mas , nessa mesma matéria, tem um detalhe comumente ignorado nos livros: a comoção popular que se seguiu ao cruel e covarde assassinato do jornalista.




Tres dias de desordens provocadas pelo evento. 
O imperador, alheio a tudo isso e aos conselhos de quem ainda não perdera o juízo, foi confraternizar com o 1º R.C., dois ou três dias depois do assassinato.










Nenhum comentário:

Postar um comentário