segunda-feira, 8 de junho de 2026

O CORONEL MOREIRA CÉSAR E 

               CANUDOS DEVEM MORRER

A HISTÓRIA DE UMA INJUSTIÇA — 22

Um homem que não era pulcro

Houve, no último quartel do século XIX, um assassinato, ou melhor, um linchamento, famoso no Rio de Janeiro, no qual Moreira César se viu envolvido, embora até hoje não saibamos por que ele foi arrolado no inquérito.

Esse crime, perpetrado por militares em via pública, à luz do dia, com a vítima sob proteção de uma importante autoridade militar, envolveu o mais prestigioso grupamento militar do Império e o próprio imperador. Euclides da Cunha apelou para todo tipo de contorcionismo linguístico e deturpação de fatos para ligar Moreira César a ele.

O relato euclidiano foi engolido pelo público com tanta pressa e acriticidade que o nome da vítima foi mudado, em detrimento dela mesma, tornando-se o único pelo qual ela é conhecida hoje. Modernamente, tem-se ressaltado a cor da pele da vítima, preta, para poder acrescentar um epíteto infame contra César: “racista”.

Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, em sua edição online, “pulcro” significa algo ou alguém: “Que possui grande beleza… belo, formoso. Que possui delicadeza, graciosidade, delicado, gracioso, mimoso.”

Logo, A-pulcro, com o prefixo de negação “A”, é justamente alguém desprovido de beleza, graciosidade, formosura, etc. Procurando nos jornais da época e documentos antigos, inclusive no seu jornal, O Corsário, o nome verdadeiro dele, conforme a ortografia da época, é Apulcho de Castro, pronuncia-se “apulco”.

Facilita essa confusão o fato de Cunha não citar o nome do jornalista supostamente vitimado por Moreira Cesar, além de errar a data do crime, que ele diz ter ocorrido em 1884, quando na verdade aconteceu em 25 de outubro de 1883. Em algumas edições modernas de Os Sertões, estão alterando criminosamente essa data, para fazê-las coincidir com o fato histórico, o que é, no mínimo, desonestidade.

Estaria Euclides se prevenindo contra a possibilidade de um processo por difamação e calúnia? Todos os elementos que ele apresenta, no único parágrafo em que dedica a esse assunto, apontam deveras para Apulco, mas, quando comparado com as notícias colhidas em jornais da época, ele se torna um dos trechos mais demeritórios de seu grande livro. Diz Euclides:

“Um jornalista, ou melhor, um alucinado, criara, agindo libérrimo graças à frouxidão das leis repressivas, escândalo permanente de insultos intoleráveis na corte do antigo Império.

Euclides injustamente acusa Apulco de criar escândalos, quando ele somente repercutia os escândalos da elite e que, à boca miúda, corriam pela cidade, desmentindo a fachada de honradez e civilidade que envolvia as principais figuras, às quais todos prestavam homenagem e que, por vezes, prejudicavam os pobres. Apulco podia até errar na dose, mas não errava no diagnóstico invariável: falta de vergonha na cara.

 Fora isso, ele era bocudo, debochado — chamava D. Pedro II de ‘Vovô’ — e muito criativo nas suas brincadeiras, mas nunca inventava escândalos ou calúnias, como Euclides fez. Aliás, nesse trecho, Euclides aproveita para dar uma pitada de sua visão autoritária, referindo-se às “leis frouxas” que regiam a imprensa no tempo do Império. Diferente do Marechal de Ferro, que fechou vários jornais oposicionistas para consolidar-se no poder — a única consolidação que ele tentou de fato e não conseguiu.

Eis uma série de trocadilhos da seção de humorismo, de 9 de outubro de 1883:

“Vou dar-te por conta uma seção de humorismo e, se não alcançar esse objetivo, o leitor que faça de conta que a teve.

Agora não há motivo para zangar-se, por essa história de dar uma por conta ou de fazer de conta. O leitor, se nunca deu uma por conta, pelo menos já fez de conta, conquanto isso não seja de minha conta, parece-me ouvir o leitor dizer: “Isso não é coisa que se conta” [fiz algumas poucas alterações ortográficas para o texto ficar mais compreensível].”

 O seu jornal chamava-se O Corsário e tinha como texto de abertura, em todas as edições, a seguinte chamada:

ÓRGÃO DE MORALIZAÇÃO SOCIAL

ATACADO, SAQUEADO E INCENDIADO PELO GOVERNO LIBERAL, SENDO MINISTRO DA JUSTIÇA M. P. DE SOUZA DANTA, SENDO CHEFE DE POLÍCIA O. F. TRIGO DE LOUREIRO 

Tinhoso estava sempre dando uma boiada para começar uma briga e duas para não sair dela! Mas as causas em que se metia, em geral, eram justas, embora, talvez por isso, inevitavelmente perdidas. Prossigamos com Euclides: “E tendo respingado sobre o exército parte das alusões indecorosas, que por igual abrangiam todas as classes.”

Será? Eu chamaria antes de indecorosa a questão que gerou a morte de Apulco, e a forma como ela se deu. Tudo começou na edição de 9 de outubro, na seção A PEDIDOS, na página 3 do jornal.

1º Regimento de Cavalaria Ligeira: O safardana do oficial desse corpo ainda não se moveu a fim de pagar ao taverneiro da Rua da Quitanda.

Nem o senhor comandante, para quem apelou o credor, dignou-se a dar qualquer providência…

O Sr. ajudante-general [o comandante do exército] também não procurou saber qual o oficial do 1º regimento de cavalaria ligeira que caloteia os taverneiros e cinicamente lhes passa documentos para não cumprirem” [vales,  ou algo do tipo].

Após perceber que os colegas do ‘caloteiro’ também ficaram indiferentes, Apulco resolve partir para a ameaça e, para não perder a oportunidade, enfiou todos no mesmo saco e ‘baixou a lenha’.

        

“À vista de tanto indiferentismo, o que deverá fazer o roubado?

O único partido é gastar mais dinheiro, porém tornar conhecido o oficialzinho do primeiro regimento de cavalaria ligeira, como caloteiro que é.

Taverneiros! Açougueiros! Padeiros! Alerta!

Quando virem um indivíduo que tenha galões e que seja oficial do 1º Regimento de Cavalaria Ligeira, sentido com ele! Se não for o tal, poderá ser outro de igual jaez.”

O que há de indecoroso nisso, fora a dívida do oficial? O que há de indecoroso em solicitar a alguém, com condições de pagar uma dívida, que o faça, ainda que de uma forma acintosa, após esgotarem-se os meios de diálogo e conversa particular? Para mim, Euclides parece interessado em comprometer a vítima.

Ao dizer que Apulco foi “indecoroso” com o exército, mas sem citar o que aconteceu, Euclides deixa o leitor no ar. Mas isso pode ter um motivo: se ele o revelasse, muitos desconfiariam, afinal, como alguém com uma “carreira correta como poucas” se deixaria tomar por tanta fúria por causa da justa cobrança de uma dívida, que nem é dele nem de alguém de sua unidade militar? A verdadeira história deste assassinato e o seu desenlace estão ocultos em Os Sertões.

Se Euclides citasse dados como o nome da vítima e a data correta do evento, um caso famoso na cidade, pessoas que acompanharam o inquérito pelos jornais e lhe tinham memória diriam: “Mas ele já foi absolvido por isso!”, e a sua criação ficaria desmoralizada. Ao não citar a vítima e dar a data errada, ele punha uma dúvida no ar. Será que foi outro caso? Tudo, enfim, soa estranho nesse relato.

O 1º Regimento de Cavalaria Ligeira, a que se refere o jornalista, é o mesmo 1º Regimento de Cavalaria de Guarda, chamado hoje Dragões da Independência. Constituía, e ainda constitui, uma unidade militar de elite, responsável pela segurança do primeiro mandatário da nação. Nessa época, ele era formado por gente do topo da sociedade. Os filhos de grandes fazendeiros, que tinham recursos suficientes para bancar as despesas do curso de cavalaria e pagar por apetrechos cerimoniais próprios da arma. Moreira César era da infantaria, lotado em outra unidade.

Que camaradagem é essa, ligando o pobre capitão da infantaria ao oficial nobre do 1º regimento, ao ponto de aquele arriscar o imenso esforço que já fizera para evoluir na profissão, defendendo um suposto 'amigo' ou 'colega', numa causa tão indigna?

Com a ameaça de divulgação do nome do caloteiro, a sociedade carioca ferveu. Era o assunto do dia. Então, alguns homens invadem a sede de O Corsário e promovem um quebra-quebra. Apulco passa a imprimir o jornal em outra oficina. No dia 23 de outubro, ele volta à carga: em um extenso editorial, cheio de denúncias e desafios.

“O 1º Regimento de Cavalaria Ligeira diz para quem queira ouvir que Apulco de Castro há de ser assassinado… se continuar a publicar O Corsário.

Ora, Apulco não teme as ameaças do 1º Regimento, e O Corsário continuará a ser publicado. A sua oficina tipográfica está ameaçada de ser quebrada tantas vezes for montada… Sim, porque havemos de vingar-nos do 1º Regimento…”

A ira de Apulco é toda dirigida ao 1º Regimento de Cavalaria Ligeira, não se referindo ao exército na totalidade. Apulco prossegue:

“Já depositamos a nossa família em lugar seguroBebam, embora, como prometem, o sangue do negro, mas ficarão sabendo que o negro é homem que não teme a multidão... Assassinem-nos que dos vermes saídos de nosso corpo brotarão fantasmas que vos hão de perseguir eternamente.

O remorso.”

E, para não perder a viagem, entregou o nome do caloteiro com todas as letras: “Alferes Firmino Garges Bellegarde.”

Espatifou! Essa briga era justa, mas também era desigual.

Gente com esse sobrenome veio ao Brasil na frota do príncipe D. João, em 1808, no mesmo navio que este! O jovem príncipe Pedro, o nosso Pedro I, foi padrinho de batismo de um Pedro Bellegarde no Rio de Janeiro. Embora não dê para dizer que o alferes seja descendente direto deles, o sobrenome e a unidade militar nos dizem, porém, que não se trata de um homem pobre, sem recursos para pagar uma dívida dessas.

Dois dias depois, à tardinha, Apulco procura o chefe de polícia, por causa de um grupo de homens que rondava a sua casa, utilizando roupas civis e barba postiça. O chefe de polícia achou melhor Apulco haver-se diretamente com o comandante do exército, o Visconde da Gávea, mas, assim que saiu da delegacia, viu que o grupo suspeito o esperava e retornou.

Pouco depois, chega o capitão João Antônio d’Ávila, ajudante de ordens do Visconde da Gávea, que, após falar com os suspeitos, volta dizendo que estes queriam apenas dar uma sova em Apulco, mas se ele ficasse ao seu lado, nada lhe aconteceria. Relato de Hermeto Lima na Revista da Semana (ano XXV, Nº 38, Companhia Editora Americana, 13 de setembro de 1924, Rio de Janeiro, p. 30). Essa conversa do capitão com os facínoras é indício certo de que ele e os assassinos se conheciam; logo, eram militares. 

É possível que a surra fosse a ideia original, como a lembrar o jornalista da condição em que viviam muitos daqueles que tinham a pele como a sua. Afinal, era um negro cobrando coerência moral (HONRA) de homens da elite branca, em favor, provavelmente, de um branco pobre, talvez português, como o eram muitos donos de pousadas no antigo Rio. Mas a coisa saiu do controle, e mal a carruagem com Apulco dobrou a primeira esquina, esse grupo se atirou contra o jornalista, apunhalando-o selvagemente: 7 punhaladas nas costas, uma na boca e uma na ilharga. Segundo Hermeto Lima. Noutros relatos, fala-se também de um tiro. 

No momento do ataque, o capitão Ávila, que dera a sua palavra de que Apulco estava seguro ao seu lado, limitou-se a empurrar os agressores, ficando com um braço contuso. Para mim, ele fez o pior papel de todos. Se sabia da armadilha ou participou da trama, foi um grande canalha, mas se não o sabia, tinha a obrigação de defender aquele a quem pôs sob a sua guarda, ao preço da própria vida. Saiu completamente desonrado do episódio.

Outro indício de que os atacantes eram militares e/ou gente de importância foi o cuidado e a lentidão com que os policiais e espectadores, que estavam nas imediações, se aproximaram da carruagem e o depoimento confuso que deram no inquérito. Para piorar as coisas, o Senhor Imperador, dois ou três dias depois do crime, numa atitude escandalosa, fez uma visita de cortesia, que poderíamos considerar até de agradecimento, ao 1º Regimento de Cavalaria.

É horrível também a forma como Euclides da Cunha falseia os dados. Ele não teve a hombridade de deixar claro a que episódio se reportava. Acusou gravemente Moreira César ao mesmo tempo que ocultava o nome da vítima e a real história por trás daquela tragédia. Diz ele em Os Sertões:

Entre os subalternos… figurava, mais graduado, o capitão Moreira César, ainda moço, à volta dos seus trinta anos, e tendo já, em seus assentamentos averbados, merecidos elogios por várias comissões exemplarmente cumpridas [meu destaque]. E foi o mais afoito, o mais impiedoso, o primeiro talvez [meu destaque] no esfaquear pelas costas a vítima, exatamente na ocasião em que ela, num carro, sentada ao lado de autoridade superior do próprio exército…

O crime acarretou-lhe a transferência para Mato Grosso, e dessa Sibéria canicular do nosso exército tornou somente após a proclamação da República” (Os sertões, idem, p. 296).

Um texto infame… para dizer o mínimo.

1º — Ele coloca Moreira Cesar no centro da ação criminosa, mas se exime de responsabilidade sobre o que diz, pois a palavra 'talvez', posta estrategicamente, o isenta da afirmação de que foi realmente Moreira Cesar quem iniciou o ataque, e até se ele estava presente.

2º — Não é verdade que Moreira César tenha ido para o Mato Grosso em virtude desse crime. O general Epaminondas Ferraz nos informa que a ordem de transferência dele para o 19º B.I., de São Luís de Cáceres, MT (p. 49), se deu no dia 1º de setembro, e o crime contra Apulco foi em 25 de outubro. Só no dia 10 de abril de 1884, 5 meses e meio após o crime, ele parte para o Mato Grosso.

3º — Estando já com transferência marcada para o Mato Grosso, por que ele iria se envolver de uma forma tão extremada numa questão tão mesquinha?

Segundo Ferraz, em agosto ele retorna ao Rio para prestar contas à Justiça. Com ele se apresentam o tenente Bento Thomaz Gonçalves, seu grande amigo do 1º B.I., o alferes Isnard (?) Caetano Pereira do Lago e Antônio Manuel de Aguiar e Silva, do 1º de Cavalaria Ligeira, que se notabilizou em Canudos.

Capitão Manuel de Aguiar e Silva, do estado-maior do general Carlos Eugênio, em Canudos do livro de Henrique Duque Estrada de Macedo Soares, Guerra de Canudos.


Foto de Flávio Barros do sepultamento de Aguiar e Silva, em Canudos, quase ao final da guerra, cujo título é Sepultura do Capitão Silva 02.21, hospedada na Brasiliana Fotográfica. Um ar de tristeza e desalento impregna a foto.


Embora não haja notícia de algum feito singular desse oficial, parece que era muito querido pela tropa, pois vários autores se referem à sua morte. Vejamos primeiramente o testemunho do jornalista Favilla Nunes, no Gazeta de Notícias, de 17 de outubro de 1897 — rememorando episódios da guerra.

 Às 3 horas, morreu em meus braços o capitão do 1º regimento de cavalaria Antônio Manuel de Aguiar e Silva, que havia sido baleado na linha, falecendo logo que chegou na barraca, sendo sepultado às 6 horas da tarde; era assistente do General Carlos Eugênio...” (citado por Walnice Galvão, No calor da hora… p. 267) (5).

Lelis Piedade também noticiou a morte do capitão Aguiar. Disse ele em 21 de outubro de 97, no Jornal de Notícias. “Num dos últimos combates, morreu o ajudante de ordem Aguiar, da coluna do General Carlos Eugênio, vítima de uma bala. O seu corpo foi conduzido solenemente para o cemitério, carregado pelo Coronel Dantas Barreto, Alferes Mangabeira, Enaut e outros. No ato da inumação foram tiradas fotografias. Muito sentida essa morte” (idem, p. 540).

Alvim Horcades também o cita no seu Descrição de uma viagem a Canudos, p. 78. Nesse trabalho [dinamitar as casas onde os canudenses ainda resistiam, no dia 1º de outubro] morreu o bravo Capitão Aguiar, pertencente ao estado-maior do General Carlos Eugênio.

Sabemos que Euclides mentiu, mas não sabemos por que César foi arrolado no inquérito. Ele estava entre os instigadores? Entre os que agiram? Era próximo de alguns deles? Foi vítima de uma calúnia por ser republicano e abolicionista?

O jornal Gazeta de Notícias, de 24 de dezembro de 1884, informa que, até essa data, a apuração ficou a cargo do desembargador Serafim Moniz Barreto, sendo denunciados pelo promotor os seguintes oficiais: 1º capitão Antônio Moreira Cesar, 2º alferes Manuel de Aguiar e Silva, 3º tenente Bento Thomaz Gonçalves e o 4º alferes Ismael Caetano Pereira do Lago (Ferraz o chama “Isnard”!).

Como a Justiça do Império era rápida!

Como testemunhas se apresentaram: 1ª Américo Cardoso, 2ª tenente Manuel Moreira Lyrio, 3ª major Nolthenio Tolentino Alvares, 4ª Pedro José da Cunha, 5ª Antônio José Ferreira de Sampaio, 6ª José Ferreira do Nascimento, 7ª Jorge do Nascimento Rocha e 8ª Alfredo Leopoldo de Moura Ribeiro. Depois das averiguações, inquirições e interrogatórios feitos, o juiz dispensa previamente dois dos acusados, declarando o seguinte:

“O que tudo visto e bem examinado, e considerando que todas as testemunhas, inclusive as referidas, nenhuma carga fazem [meu destaque] contra o 1º e 2º denunciados [Antônio Moreira Cesar e Antônio Manuel de Aguiar e Silva], contra os quais não há indício algum de participação no crime de que se trata [idem].”

E ponto final! A compleição física mirrada de Moreira César o destacaria no meio dos outros oficiais, em especial os da cavalaria, mas ele não foi reconhecido por ninguém.

Outra questão é: como é que Euclides da Cunha não conhecia esse veredito, se o Gazeta de Notícias era um dos jornais mais importantes no Rio de Janeiro?

Contra os outros dois, a coisa se complicava: Bento Thomaz teria invadido a pista de tráfego e segurado os arreios dos cavalos para parar a carruagem. Ismael Caetano foi supostamente visto subindo no estribo traseiro e projetando-se por uma janela, que ficava atrás da lona que cobria o carro, atingindo, pelas costas, o jornalista, sendo, provavelmente, o primeiro a atacá-lo. Mas, como as testemunhas se contradisseram ou, pressionadas, não sustentaram adequadamente o seu testemunho, o desembargador acabou por liberá-las.

Ao final, o infame testemunho do capitão João Antônio d'Ávila, inocentando a tudo e a todos, transformou toda aquela investigação em um circo hediondo. Resta datar e assinar:

Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1884, Serafim Moniz Barreto.”

A participação de Moreira Cesar na Questão Militar e a defesa escancarada do regime republicano o tornaram uma figura incômoda no Rio. Despacharam-no para a fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, onde participou da montagem do bem-sucedido cordão sanitário de 1886.

Eduardo Simões



                




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