Desde o início dos anos 80, a minha geração acompanha, entre angustiada e indiferente, o crescimento do crime organizado. Em 1983, a Rede Globo estreou a minissérie Bandidos da Falange, de Falange Vermelha, o primeiro nome do Comando Vermelho, já mostrando sua periculosidade em todos os detalhes — lembro-me de um chefão da FV, cercado pela polícia num conjunto de apartamentos populares, resistindo sozinho à polícia, com ele morrendo no final e o apartamento pegando fogo. Aquilo foi um marco. Quem tinha juízo ficou preocupado, mas a grande maioria continuou como estava, votando em políticos sabidamente corruptos e inoperantes, e sem se importar com o seu vizinho.
Um amigo meu, professor, disse certa vez: “Já que a política está uma palhaçada, vou votar no palhaço”. E votou! E o palhaço não fez nada, somente cuidou de si, como se esperava. Esse é o espírito que nos acompanha desde 1822, todo concentrado na barriga, não sobrando nada para o resto.
Agora os chefes do CV não morrem mais trocando bala com a polícia em apartamentos populares. Eles vivem em mansões e compram políticos e autoridades responsáveis por combatê-los, e a conta veio na forma de uma humilhação internacional. Nossos bandidos de estimação se transformaram em perigosos terroristas para o país mais poderoso do mundo. Demorará muito até sejam para os outros países? Estamos ampliando a nossa pauta de exportação com trabalhadores e criminosos. Oremos para que, no futuro, não se reduza a isso.
E o que está sendo feito? O presidente, desesperado por fachadas, fica histérico e faz ameaças veladas aos EUA, enquanto sugere enforcar seu maior competidor: Flávio Bolseiro. Este e a sua turma festejam a saia justa do presidente paleontológico. Suas chances de vitória na eleição se ampliam. Até o próximo escândalo.
Será que dessa vez vai dar certo? Se as canetas emagrecedoras funcionarem pra valer, com o que vamos empurrar esse país até o seu destino final?
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