ANHATOMIRIM, A LENDA QUE ABALOU SANTA CATARINA.
Não deixa de ser muito prazeroso para quem se dedica à história, como eu, que fui professor de escola pública, ver um tema de história ser promovido por órgãos públicos, como aconteceu nessa exposição em Florianópolis, ao longo de 2025, vista por milhares de pessoas.
Entretanto, a bem da história, é necessário fazer correções, em nome da objetividade factual histórica, a fim de que julgamentos injustos ou teorias tortas não obscureçam o caminho do entendimento das pessoas sobre o que elas são e a sua real possibilidade, como ser humano e como nação. Todos precisamos das referências de nossos antepassados, que não foram anjos, nem demônios, antes pessoas tão humanas quanto aquelas que frequentaram essa exposição e outras. Eles são o retrato de nossas potencialidades e o que eles fizeram, de bom ou de ruim, pode acontecer de novo se as circunstâncias se repetirem e seus descendentes ignorarem ou fantasiarem em demasia a sua história, não sabendo agir quando o contexto se apresentar.
Uma publicação, apresentada nessa exposição, cuja capa abre esse post, apresenta nas páginas 60 e 61 uma lista de 78 nomes de pessoas que teriam sido “fuziladas” ou “executadas” na fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, pelo 'cruel' e 'sanguinário' coronel Moreira César. O personagem em foco, o famoso coronel Folião, gaúcho, aparece como fuzilado ou executado nº 63. A publicação também traz uma foto do desditoso Folião, cuja vida foi encurtada tão violentamente.
Mas algo aconteceu. E eis que ele aparece vivo, numa revista argentina, em 7 de maio de 1904, participando de uma revolta que Aparício Saraiva aprontava contra o governo central do Uruguai. Não esquecer que o 'J' castelhano tem o som do nosso 'R'. Um milagre espantoso, ainda desconhecido, ou ele foi muito mal fuzilado. Abaixo, o número dessa revista argentina e o endereço de acesso.
https://hemerotecadigital.bne.es/hd/es/viewer?id=cdb3d19a-c1cf-4d52-85e4-7b9fb6bb69de&page=46
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