A EXECUÇÃO DE LADY JANE
(12 DE FEVEREIRO DE 1554)
A roda do destino
girou, e não foi favorável a Lady Jane Grey, a talentosa e culta prima de
segundo grau do rei Eduardo VI, da Inglaterra. Doentio, o jovem filho do
bizarro Henrique VIII, não sobreviveu muito tempo à morte de seu pai (em 24 de
janeiro de 1547), falecendo após um longo e penoso sofrimento, em 6 de
julho de 1553. Como Eduardo tinha uma grande proximidade intelectual (ela era
muito culta) e religiosa (ambos eram protestantes) com a prima, ele, por meio
de um documento (Devise for Succession), legou a ela a coroa, para impedir que
sua irmã mais velha Maria I, que era católica, assumisse o trono. Meio contra a
vontade, mas estimulada pelos pais, o marido e os sogros, Lady Jane aceitou,
sendo coroada em 10 de julho de 1553, para consternação da população, que viu
nisso uma usurpação. Maria reage e depõe e prende Lady Jane em 19 de julho — o
mais curto reinado dos tempos modernos. Lady Jane e o marido são condenados por
alta traição, mas Maria pretendia poupá-los, pois, apesar de tudo, o casal era
benquisto. Porém, o sogro de Lady Jane se envolve num levante contra a rainha e
esta decide que aquilo era a gota d’água e manda executar Lady Jane Grey e o
marido em 12 de fevereiro de 1554. Onze dias depois será a vez do sogro.
A cena retratada nesse
quadro do pintor francês Paul Laroche, do início do século XIX, é quase exata.
Duas damas de companhia, inclusive a ama-de-leite da condenada, a acompanharam
na execução, feita no pátio externo da Torre de Londres. Seus nomes se perderam,
mas sabe-se que choravam muito. No quadro, uma aparece desmaiada e a outra
volta-se para a parede para não ver a execução. Emocionada e tensa, Lady Jane,
com os olhos vendados, treme e não consegue encontrar o cepo de madeira onde
porá a cabeça, como de fato aconteceu, sendo nesse momento ajudada por John
Bridges, 1º Barão de Chandos, o diretor da Torre de Londres na ocasião,
enquanto o carrasco, de nome desconhecido, observa ao lado do seu instrumento.
A palha ao redor do cepo de execução é para absorver o sangue da decapitação.
Ela está trajando as roupas íntimas da época, como aconteceu na ocasião.
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