TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 11
A
CONTRIBUIÇÃO DOS ROMANOS
Consideremos
agora a contribuição dos romanos. A doutrina de que a necessidade prática — e
não o fascínio da aventura intelectual — é o principal motor do empreendimento
científico pode ser posta à prova no caso da Roma antiga. Mesmo nos primórdios,
quando Roma era essencialmente uma comunidade de camponeses, havia problemas
econômicos de suma importância que produziam violentas lutas de classes. Na
época da Primeira Guerra Púnica, importantes interesses comerciais já haviam se
desenvolvido. No final da República, o comércio, o dinheiro e as finanças, a
administração colonial, a situação precária da agricultura italiana, o
abastecimento alimentar da capital, o crescimento dos latifúndios, o trabalho
escravo e assim por diante, tudo isso representava problemas que, em uma
estrutura política artificial criada pela conquista militar e todas as
consequências da guerra incessante, poderiam ter empregado uma legião de
economistas.
Mesmo auge das realizações culturais, quando muitas dessas dificuldades já chamavam a atenção, quando a paz, a tranquilidade e a prosperidade reinaram, temporariamente, no vasto reino, seus governantes capazes e a galáxia de generais e administradores brilhantes ao seu redor poderiam ter se beneficiado de um conselho de especialistas. No entanto, não havia nada disso — nada além de ocasionais lamentos sobre a balança comercial desfavorável do império ou sobre a perda da Itália causada pelos latifúndios.
Esta frase — os
latifúndios perderam a Itália — foi de Plínio, o Velho (23-79). O próprio
fato de ele não ter visto nada além do óbvio, e em particular de não ter
percebido que os latifúndios eram tanto consequência quanto causa desse
declínio, demonstra por si só que tipo de economia era considerada adequada por
um romano muito capaz e altamente civilizado.
A GRANDE
LACUNA
O Império
Oriental sobreviveu ao Ocidental por mais mil anos, sustentado pela burocracia
mais interessante e bem-sucedida que o mundo já viu. Muitos dos homens que
moldaram as políticas nos gabinetes dos imperadores bizantinos pertenciam à
nata intelectual de sua época. Eles lidavam com uma série de problemas legais,
monetários, comerciais, agrários e fiscais. Não podemos deixar de pensar que
eles devem ter filosofado sobre esses assuntos. Se o fizeram, porém, os
resultados se perderam. Nenhum raciocínio que precisasse ser mencionado aqui
foi preservado. Nos estados germânicos do Ocidente, problemas semelhantes
surgiram mesmo antes da época de Carlos Magno, e sabemos razoavelmente bem, por
meio de fontes literárias e documentos, como eles lidaram com eles.
Mas o vasto império de Carlos Magno apresentava problemas de administração interna e relações econômicas internacionais que eram desconhecidos para qualquer governante germânico anterior. A sabedoria prática, no entanto, não inferior à de qualquer outra época, é tudo o que suas medidas refletem. Os historiadores e filósofos que adornavam sua corte abordaram questões econômicas incidentalmente, quando o fizeram. No que diz respeito ao nosso assunto, podemos avançar com segurança mais de 500 anos até a época de São Tomás de Aquino (1225–74), cuja Suma Teológica é na história do pensamento o que a torre sudoeste da Catedral de Chartres é na história da arquitetura.
A torre sudoeste da Catedral de Chartres (conhecida como “Agulha Velha” ou Clocher Vieux) é considerada uma obra-prima românica de 105 metros que sobreviveu ao incêndio de 1194. A torre proporciona um contraste estrutural com a torre gótica noroeste posterior. Construída por volta de 1140–1160, serve como pedra angular da fachada da catedral, estabelecendo a transição do local da arquitetura românica para a gótica e servindo como um importante e duradouro marco para os peregrinos.
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