sexta-feira, 24 de julho de 2026



 TEM ALGUÉM QUERENDO PENSAR.

Eduardo Simões

A apresentadora de um programa da CNN, comentando os dados específicos da violência contra a mulher de 2025, que apontam para o quarto recorde consecutivo de feminicídios, expressou uma conclusão interessante: “simplesmente criar leis repressoras e aumentar as punições não está funcionando; precisamos pensar em outras formas de combater isso”. Exatamente na contramão da sumidade jurídica do governo que tentou censurar postagens que criticavam o projeto — que, aqui para nós, não é bom — recuando diante da reação, o que está se tornando habitual para o funcionário em questão. Esse projeto vai na direção que alguns já suspeitam não estar dando certo.

Como um esquerdista das antigas, Lula e o seu PT não mudam, não evoluem. Daí não há mesmo o que esperar. Entretanto, após tanto tempo, o feminismo, que como um movimento de massas já tem mais de cem anos, começa a dar sinais preocupantes de grave senilidade, à medida que muitas de suas principais  representantes insistem na tecla do machismo, do patriarcalismo, e a sua recíproca inevitável: apelar para a força bruta, para encurralar esses 'abusados', esquecendo que esses termos são abstrações sociológicas, com significados diferentes na mente de cada homem e mulher, sem falar que tal relação só seria possível se todo homem nascesse de outro homem e fosse só por este educado. Alguém fale para as ativistas de plantão que homens nascem de mulheres e que, infelizmente, o homem tem participado cada vez menos da educação de seus filhos. Se é que isso quer dizer alguma coisa?

A lei da Misoginia de Lula segue a toada do governo: é preciso dividir, encurralar o opressor, assim é na luta entre ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres, ‘homos’ e ‘héteros’ etc. Mas na hora de encurralar os homens machistas, quem irá fazê-lo: as mulheres? Claro que não, mas outros homens, treinados e mentalmente lavados pela ideologia esquerdista do estado petista. Até tomei um susto quando vi o nosso presidente dizendo, com certo conforto, que as atitudes do presidente Trump haviam gerado a união do povo brasileiro, fortalecendo-o para o embate. Mas a política não foi sempre dividir, para ganhar em cima da polarização? Por que nos uniríamos agora?

Sim, é preciso tomar outra direção no combate às consequências da violência nacional em sua totalidade, mas no que diz respeito às relações entre homens e mulheres, penso que a melhor alternativa ainda é a colaboração e o consentimento mútuo, como sempre o foi. O papel das mulheres mudou, isso é novo e traz ganhos e riscos que precisam ser avaliados por ambos a cada momento, para a eventualidade de uma correção de rota. A pior ilusão é a de quem acredita ter a resposta definitiva para essa questão e, quiçá, as outras. Acreditar que alcançaremos uma sociedade perfeita em algum momento da história ou mesmo imediatamente.

A escola é fundamental na revelação dos novos papéis de homens e mulheres nas sociedades modernas e nas reflexões sobre os seus efeitos e riscos, como o que nesse momento nos coloca diante de uma queda acelerada nos índices de fertilidade, que pode levar a todos de volta para as cavernas, para reaprender o valor de uma cooperação sadia, para a sobrevivência dos dois. Creio que meninos e meninas, reconhecidos nas suas especificidades, trabalhando juntos em dinâmicas de grupos, vinculados tanto à eficiência profissional como ao treinamento psicossocial, poderá ser uma saída; mas para isso acontecer, precisaremos viver a nossa primeira e autêntica revolução educacional.

Enquanto isso não acontece, devemos evitar os extremos de leis eleitoreiras, que reduzem fenômenos individuais e coletivos extremamente complexos a meros 'incômodos' políticos ou expressões da luta do bem contra o mal, curáveis com doses cavalares de remédios errados e fora do prazo de validade. Tampouco devemos negar correlações e idealizar a história, para melhor ou para pior, como fazem o movimento feminista e os ultraconservadores, reforçando com seu diagnóstico errado o uso de remédios inadequados pelo governo, que só estão agravando os sintomas e os receios irracionais, apesar de todas as doses já aplicadas. 

É preciso pensar em algo diferente, fora da caixa, em um vigoroso movimento de encontro a soluções viáveis, racionais e evolutivamente pertinentes para essa questão fundamental. Precisamos começar a pensar em nossas próximas ações e relações.


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