TEM ALGUÉM QUERENDO PENSAR.
Eduardo Simões
A apresentadora de um programa da
CNN, comentando os dados específicos da violência contra a mulher de 2025, que
apontam para o quarto recorde consecutivo de feminicídios, expressou uma
conclusão interessante: “simplesmente criar leis repressoras e aumentar as
punições não está funcionando; precisamos pensar em outras formas de combater
isso”. Exatamente na contramão da sumidade jurídica do governo que tentou
censurar postagens que criticavam o projeto — que, aqui para nós, não é bom —
recuando diante da reação, o que está se tornando habitual para o funcionário em
questão. Esse projeto vai na direção que alguns já suspeitam não estar dando
certo.
Como um esquerdista das antigas,
Lula e o seu PT não mudam, não evoluem. Daí não há mesmo o que esperar.
Entretanto, após tanto tempo, o feminismo, que como um movimento de massas já
tem mais de cem anos, começa a dar sinais preocupantes de grave senilidade, à
medida que muitas de suas principais
representantes insistem na tecla do machismo, do patriarcalismo, e a sua
recíproca inevitável: apelar para a força bruta, para encurralar esses
'abusados', esquecendo que esses termos são abstrações sociológicas, com
significados diferentes na mente de cada homem e mulher, sem falar que tal
relação só seria possível se todo homem nascesse de outro homem e fosse só por
este educado. Alguém fale para as ativistas de plantão que homens nascem de
mulheres e que, infelizmente, o homem tem participado cada vez menos da
educação de seus filhos. Se é que isso quer dizer alguma coisa?
A lei da Misoginia de Lula segue
a toada do governo: é preciso dividir, encurralar o opressor, assim é na luta
entre ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres, ‘homos’ e ‘héteros’
etc. Mas na hora de encurralar os homens machistas, quem irá fazê-lo: as
mulheres? Claro que não, mas outros homens, treinados e mentalmente lavados
pela ideologia esquerdista do estado petista. Até tomei um susto quando vi o
nosso presidente dizendo, com certo conforto, que as atitudes do presidente
Trump haviam gerado a união do povo brasileiro, fortalecendo-o para o embate.
Mas a política não foi sempre dividir, para ganhar em cima da polarização? Por
que nos uniríamos agora?
Sim, é preciso tomar outra
direção no combate às consequências da violência nacional em sua totalidade,
mas no que diz respeito às relações entre homens e mulheres, penso que a melhor
alternativa ainda é a colaboração e o consentimento mútuo, como sempre o foi. O
papel das mulheres mudou, isso é novo e traz ganhos e riscos que precisam ser
avaliados por ambos a cada momento, para a eventualidade de uma correção de
rota. A pior ilusão é a de quem acredita ter a resposta definitiva para essa
questão e, quiçá, as outras. Acreditar que alcançaremos uma sociedade perfeita
em algum momento da história ou mesmo imediatamente.
A escola é fundamental na revelação
dos novos papéis de homens e mulheres nas sociedades modernas e nas reflexões
sobre os seus efeitos e riscos, como o que nesse momento nos coloca diante de
uma queda acelerada nos índices de fertilidade, que pode levar a todos de volta
para as cavernas, para reaprender o valor de uma cooperação sadia, para a
sobrevivência dos dois. Creio que meninos e meninas, reconhecidos nas suas
especificidades, trabalhando juntos em dinâmicas de grupos, vinculados tanto à
eficiência profissional como ao treinamento psicossocial, poderá ser uma saída;
mas para isso acontecer, precisaremos viver a nossa primeira e autêntica
revolução educacional.
Enquanto isso não acontece,
devemos evitar os extremos de leis eleitoreiras, que reduzem fenômenos
individuais e coletivos extremamente complexos a meros 'incômodos' políticos ou
expressões da luta do bem contra o mal, curáveis com doses cavalares de remédios
errados e fora do prazo de validade. Tampouco devemos negar correlações e
idealizar a história, para melhor ou para pior, como fazem o movimento feminista
e os ultraconservadores, reforçando com seu diagnóstico errado o uso de
remédios inadequados pelo governo, que só estão agravando os sintomas e os
receios irracionais, apesar de todas as doses já aplicadas.
É preciso pensar em algo
diferente, fora da caixa, em um vigoroso movimento de encontro a soluções
viáveis, racionais e evolutivamente pertinentes para essa questão fundamental.
Precisamos começar a pensar em nossas próximas ações e relações.
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