1 - Antônio Coelho
Rodrigues, A república na América do Sul — ou um pouco de história e crítica
oferecido aos latino-americanos, vol. 231, Senado, Brasília, 2016.
2 - Anais do Senado
do Império do Brasil 1888 — livro 1, transcrição, Secretaria Especial
de Editoração e Publicações — Subsecretaria de Anais do Senado, 6ª sessão em 12
de maio de 1888.
3 - Os Sertões,
Fundação Darcy Ribeiro, Rio de Janeiro, 2013, p. 295.
4 - Revista Defesa
Nacional, nº 639, set/out, 1971.
5 - Walnice Galvão, No
calor da hora — a Guerra de Canudos nos jornais (4ª Expedição), 4ª edição,
Cepe, Recife, 2019, Kindle, p. 267).
6 - É bom que se saiba
que a eleição do próprio Congresso Constituinte ficou longe de ser democrática
ou minimamente respeitável, para os padrões republicanos. Diz Hélio Silva, em O
poder civil, com a colaboração de Maria Ribas Cecília Carneiro, LePM
editores, p. 9.
7 - Conforme Edgar
Carone e outros, as reuniões conspiratórias na casa de Floriano eram
conhecidas, e inclusive a professora das filhas dele — a esposa do coronel
Joaquim Mursa — era utilizada como ‘correio’ entre os conspiradores. Certa vez,
indagado pelo Barão de Lucena, o ministro de Deodoro sobre sua simpatia com os
oposicionistas, Floriano dirá que ‘não era verdade’, ele somente ‘recebia os
parlamentares [da oposição] a fim de aconselhá-los à moderação e à
tolerância’.
Não é uma gracinha!
Quem tem um amigo como Floriano não precisa de inimigo, pois já os tem em
demasia. Outro livro de Hélio Silva, em parceria com Maria Cecília Ribas
Carneiro, sobre o assunto é Nasce a República 1888–1894 – História da
República Brasileira, Editora Três, Rio de Janeiro, 1975.
8 - Visconde do Ouro
Preto, Advento da ditadura militar no Brasil, vol. 243, Senado Federal,
Brasília, 2017, p. 46.
9 — Helio Silva — Maria
Cecília Ribas Carneiro, 1889, a república não esperou o amanhecer,
LP&M, Porto Alegre, 2005.
10 — Para quem não
sabe, quando as tropas de Deodoro da Fonseca cercaram o quartel-general onde
estavam refugiados os ministros do Império, em 15 de novembro de 1889, o
Visconde de Ouro Preto solicitou que Floriano agisse, e ele disse que não
poderia porque os revoltosos tinham canhões. Então, Ouro Preto lembrou que, na
Guerra do Paraguai, ele havia atacado canhões sem nenhum problema, e ele
respondeu algo assim: “No Paraguai, os canhões eram inimigos; aqui, somos
todos brasileiros” — essa frase enchia os antigos brasileiros de
estremecimentos patrióticos. Porém, quando chegou a hora de defender a sua
permanência no poder, ele não hesitou em chamar estrangeiros, inclusive
inimigos recentes, para massacrar brasileiros — os dois irmãos que assassinaram
e profanaram o cadáver do almirante Saldanha eram uruguaios.
11 — Segundo o
Almirante de Esquadra Fonseca Hermes, no artigo “Os militares e a política
durante a República”, publicado na Revista Marítima Brasileira, no 2ºT, do ano
2000, o partido de Prudente mostrou-se muito dividido a respeito da paz no Rio
Grande do Sul. “Campos Sales, Manoel Vitorino, Leopoldo Bulhões e muitos
outros são unânimes em aceitar o protocolo do acordo… Francisco Glicério e
Quintino Bocaiúva achavam que a paz era um acinte à política do Marechal
Floriano Peixoto e defendiam a rendição incondicional dos rebeldes. Esta
posição… é a mesma… de Pinheiro Machado, representante oficial do castilhismo
(p. 30). O acordo final deixou ainda lacunas, que só seriam resolvidas na
Revolução Gaúcha de 1923, pela força das armas.”
12 — O sepultamento de
Floriano no cemitério de São João Batista se deu no dia 6 de julho de 1895,
depois que o seu mausoléu ficou pronto, e contou com ampla participação de
populares e políticos, inclusive de Prudente de Morais. Quando Morais se
retirou, os intratáveis jacobinos tomaram conta do lugar e começaram uma
sequência de discursos extremamente agressivos, tanto no seu elogio ao morto,
como hostis ao Presidente da República e outros supostos inimigos do marechal.
Entre eles se destacou, pela intensidade e destempero, o escritor Raul Pompeia,
um funcionário público, que por conta disso perdeu um rendoso emprego na
Biblioteca Nacional e começou a sofrer isolamento dos intelectuais favoráveis a
Prudente e dos oportunistas. Em 3 de outubro de 1895, Pompeia tenta se
justificar com um artigo na página 4 do jornal O Paiz, chamado Clamor
maligno, onde acusa seus acusadores. A resposta veio pelo poeta e
jornalista Luís Murat, na primeira página do jornal O Comércio de São Paulo, no
artigo chamado Um louco no cemitério, que reprova fortemente o discurso.
Murat, porém, não fica só nisso e comenta, destratando, um quase duelo entre
Pompeia e Olavo Bilac, em 1892, quando Pompeia foi vaiado, chamando-o, por meio
de um terceiro, “o maior covarde que eu já vi”, além de referência explícita a
uma suposta preferência homossexual de Pompeia, já nascida no lançamento de O
Ateneu, em 1888. Pompeia escreve uma resposta a Murat, mas os jornais
recusam-se a publicá-la, e o bullying sobre Pompeia, vindo de todas as partes,
só aumentou. Na noite de Natal, de 24 para 25 de dezembro de 1895, Pompeia,
inesperadamente, se mata com um tiro no peito, diante de sua mãe e irmã, aos 35
anos. As duas eram estritamente dependentes da renda que ele trazia com seu
trabalho. Num evento que mostra como poucos a essência da sociedade
nacional.
13 — Segundo O Paiz,
Floriano, nesse momento, respondia às cartas que vários admiradores lhe
mandaram, entre eles um tal general Mena Barreto, que suponho ser o
Tenente-Coronel Antônio Adolfo da Fontoura Mena Barreto, em ação na Revolta
Federalista, que ainda transcorria. Ele então incumbe seu médico, Dr. Pedro
Nolasco, de terminar essa carta, devendo tecer os maiores elogios ao valente
oficial pela defesa brilhante da República no Rio Grande do Sul. Segundo o
Almirante Fonseca Hermes, o bilhete, que depois ficou conhecido como o Testamento
Político de Floriano, foi achado na hora de preparar o cadáver, num dos
bolsos do Marechal, talvez para ninguém dissesse que ele estava ansioso para
ver o país pegar fogo. Nem desse texto, feito na hora extrema, ele, o homem que
não sabia de nada, assumiu a autoria! O testamento é uma síntese do seu
pensamento tortuoso, estreito e obsessivo contra a ordem civil e o estado de
direito, e um lembrete de sua ‘mania’ estratégica, de ver conspirações
monarquistas em toda parte, urgindo um implacável esmagamento. O “inválido
da Pátria” estava velho demais para se expor às primeiras linhas do front,
mas não para não insuflar jovens cadetes a odiar e massacrar por ele e em favor
dele. Mesmo longe do poder, ele continuava envenenando o ambiente, jogando uns
contra os outros, como num governo paralelo, crente, ou querendo crer, que só
ele podia salvar o Brasil, das quimeras que a sua mente fantasiava.
14 — O interesse de
Castilho na guerra também era econômico, pois, enquanto durasse, o governo
federal mandaria dinheiro para a manutenção das tropas, para os fornecedores de
suprimentos, em geral grandes proprietários (carne, artesanato de couro, indústria
têxtil, propinas, etc.), e estes, por sua vez, o apoiariam nas demandas
estaduais, contra a oposição, em destrutivas e disfuncionais operações de
guerra, atrasando a estabilidade do país e do estado. O estudioso gaúcho
Gunther Axt diz em um artigo: “Em junho de 1895, a força legalista na guerra
civil montava a quase 24 mil combatentes, sendo apenas 8.300 das tropas de
linha. Os demais eram provisórios, muitos dos quais haviam transformado o
engajamento em um… negócio, pois recebiam soldo, armamento, fardamento e ainda
tinham relativa permissão para perseguir desafetos e praticar saques e
confiscos. A desmobilização [em virtude das tratativas de paz]… suscitava
resistências” (Gunther Axt, Ordem e terror limite: a cidadela do
Cati na fronteira do Brasil com o Uruguai entre 1896 e 1909, Cadernos do
Lepaarq, número 35, janeiro–junho 2021, p. 60).
Castilhos… não
pretendia aceitar a anistia dada pelo governo federal aos revoltosos de 1893 e
pretendia aplicar uma lição ao governo uruguaio, que, durante a contenda,
tolerou mobilização [dos federalistas] em seu
território. João Francisco… coadjuvou secretamente com o caudilho blanco
Aparício Saraiva nas revoluções do Partido Nacionalista, estaladas entre 1897 e
1904 [dentro do Uruguai], contrabandeando armas e munições (idem, Tiroteio
e mortes no clube Pinheiro Machado (Santana do Livramento 1910) — entre
cisão partidária local e crise internacional, História (São Paulo), vol. 41,
2022, p. 3).
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