sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 


ESTE PAÍS ESTÁ, CADA VEZ MAIS, UMA VERGONHA!

Eduardo Simões

O presidente ignorante deste país, que se gaba de ser ignorante e de não ter estudos, assinou recentemente a autorização para a devolução do canhão El Cristiano ao Paraguai. Tudo por um momento na TV que não seja se defendendo de escândalos do seu governo ou de familiares.

Essa não é a primeira vez; afinal, em 2012, esse mesmo ignorante já havia transferido por 112 milhões de dólares duas refinarias que acabaram de custar 130 milhões, sem falar da perda dos lucros que essas refinarias poderiam dar e das oportunidades perdidas de negócios que poderiam ser feitos com esse dinheiro. O governo da Bolívia as tomou na marra e nos enfiou pela goela. Até parece que o ignorante que nos governa trata o patrimônio público como se fosse propriedade privada, que ele dispõe como bem entende, assim como os antigos coronéis do sertão de onde ele saiu, reproduzindo o modelo da infância.

Da mesma forma, o canhão El Cristiano não pode ser visto apenas por seu valor em metal ou peça de exibição, como um fotoprint de uma aventura do passado, mas antes como um símbolo e uma testemunha. Ele é o símbolo do valor de nossa RAÇA, que, mesmo em circunstâncias tão difíceis, foi lá e venceu. É também testemunha de quanto os nossos antepassados sofreram e morreram nessa guerra, em condições miseráveis, só para fazer calar esse canhão e, posteriormente, trazê-lo para casa, como um troféu e uma garantia de que ele não mataria mais brasileiros. Esse canhão é o testemunho da coragem, da bravura e da dedicação de nossa raça, no tempo em que os brasileiros não desistiam nunca, e por isso o país estava cheio de quilombos e de heróis. Esquecidas ou ignoradas no meio de tanta corrupção e ignorância.

Devolver pura e simplesmente esse canhão, 'tomado no braço' pelos nossos heróis, sem qualquer contrapartida, é tripudiar a memória de nossos antepassados, agredidos covarde e surpreendentemente pela iniciativa do tirano paraguaio. 

E que contrapartida os paraguaios poderiam dar?

Como todos sabem, ou deveriam saber, após a declaração desastrada, mas verdadeira, do presidente atual, de que o Paraguai iniciou a guerra, o país vizinho, oficialmente, convulsionou. O presidente se manifestou, o congresso local também, acusando-nos de ter começado a guerra e de ter praticado um genocídio no meio deles, quando qualquer um que não seja um ignorante ou um mal-intencionado sabe que não foi assim.

Tudo bem, talvez eles não consigam nos devolver os ossos dos passageiros sequestrados no Marquês de Olinda. Mas podem assinar um documento reconhecendo que foram eles que deram início à guerra, pedindo desculpas por nos terem ROUBADO o navio de passageiros Marquês de Olinda, por terem sequestrado e depois assassinado brutalmente, por meio de maus-tratos, privações e fome, alguns passageiros desse navio e o cônsul do Brasil em Assunção. Pedir desculpas por ter invadido, SEM PROVOCAÇÃO ou DECLARAÇÃO DE GUERRA, o Mato Grosso e depois o Rio Grande do Sul. Que não coube ao Exército Brasileiro a responsabilidade por LEVAR CRIANÇAS AO CAMPO DE BATALHA, mas ao seu próprio governante, e que as mortes na guerra foram decorrentes da dinâmica do conflito e não de um plano pré-estabelecido do Exército Brasileiro.

De quebra, pode vir até um agradecimento pela diplomacia imperial ter impedido que a Argentina anexasse completamente o país.

Ao devolver esse canhão ou qualquer outro troféu dessa guerra em nossas mãos, sem contrapartida, é o mesmo que:

A) Corroborar a mentira de que nós começamos a guerra e cometemos um genocídio proposital no país, e talvez, em breve, tenhamos de pagar bilhões e bilhões de indenização por um crime que eles cometeram, e ainda cometem com suas crianças, ocultando-lhes a verdade — e se for num governo de esquerda, alguém duvida que esse dinheiro não será pago?

B) É chamar de genocidas e agressores bárbaros os milhares de homens e mulheres que, em meio aos maiores sacrifícios, ganharam essa guerra para nós ou para a nossa elite, da qual esse presidente ignorante agora faz parte, e que, até hoje, não mereceram reconhecimento ou qualquer coisa que expresse, no mínimo, o agradecimento que a nação tanto lhes deve, se não as indenizações aos seus descendentes por promessas feitas na ocasião e nunca pagas.

C) Ajudar a perpetuar essa guerra na cabeça dos paraguaios, que até hoje nos odeiam por algo que os seus próprios antepassados fizeram por livre e espontânea vontade. É manter sempre um inimigo junto às nossas fronteiras, perdendo a oportunidade de acertar de uma vez por todas essa questão.

No momento, parece que brasileiros e paraguaios vão continuar dedicados a fazer o que sabem fazer de melhor: estragar o seu passado. Os paraguaios canonizando seus bandidos, os brasileiros demonizando os seus heróis.


É, meu amigo, no final você perdeu essa guerra, e a perdeu várias vezes. Foi convocado à força pelas patrulhas de alistamento, ou quem sabe saiu direto de uma senzala para o front de guerra, com um treinamento precário, uniforme improvisado e inadequado para o conflito, sequer um quepe que se ajustasse à sua cabeça. Lá você sofreu frio, fome, cansaço, doenças, picaduras de animais peçonhentos e de nuvens de mosquitos, mal-estar de doenças, as dores dos ferimentos e o estresse permanente da proximidade da morte, além de comandantes ineptos.

Mas, mesmo assim, você e seus companheiros venceram. E, por causa de sua vitória, esse país saiu engrandecido, assimilou novos territórios, e todos os outros países da bacia platina entraram num momento de grande prosperidade. Uma prosperidade que você e os seus descendentes não puderam usufruir no Brasil, muitos dos quais faleceram em estado de semi-indigência em asilos públicos e casas de caridade, sem receber as indenizações prometidas na hora dos embarques. Quem conhece os horrores de suas memórias, gravadas como ferro em brasa na sua mente, e que lhe apareciam em sonhos e mesmo com os olhos abertos? Marcas que deveriam estar naqueles que mais se favoreciam com o tipo de sociedade que existia aqui. Mas não era assim que as coisas funcionavam.

Hoje os descendentes daqueles que desguarneceram irresponsavelmente as nossas fronteiras do sul, estimulando o Paraguai a nos atacar, que fizeram promessas vazias, nunca cumpridas, de prêmios e recompensas aos que foram, em geral pretos ou pobres, querem devolver, sem mais, os troféus que vocês trouxeram, enquanto os antepassados dessa elite ficavam confortavelmente nas casas grandes, casarões e palacetes, a promover escândalos, como agora, e a pisar nos mais elevados valores civilizacionais, pelos quais vocês davam suas vidas.

O Brasil todo deveria se levantar em um único brado e gritar um MUITO OBRIGADO! Mas, sinceramente, a única coisa honesta para dizermos, se um dia nos encontrássemos com um homem desses, seria: SINTO MUITO! 

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