NÓS TEMOS REALMENTE QUE NOS ENVERGONHAR DE NOSSA VITÓRIA?
Eis como se comportam os povos que conhecem a sua história.
Acima vemos, uma comemoração extraoficial eletrizante dos 80 anos do
desembarque da Normandia. Houve também cerimônias oficiais com a presença
maciça de chefes de estado de todos os países que lutaram, menos a Rússia. Gente
de toda a Europa se encontra nesses festejos, inclusive alemães e italianos,
que eram inimigos dos aliados naquela ocasião.
Antigos veteranos da Segunda Guerra Mundial, que lutaram
contra uma ditadura totalitária, belicista e sanguinária, apesar de velhos e
doentes, eles têm todos os motivos para se encherem de orgulho e aparecerem em
qualquer lugar de cabeça erguida, pois cumpriram o seu dever com galhardia, sem
falar do imenso respeito e carinho de pessoas de todas as idades para com eles.
Essa gente conhece bem a sua história e sabe o quanto lhe deve, e não perde a
oportunidade para mostrar o quanto lhe é grata por isso.
Embaixo vemos comemoração, em Paris, dos 80 anos do fim
Segunda Guerra Mundial. Por que eles fazem isso? Afinal, os alemães, os quais são hoje
os principais aliados dos franceses, não foram os grandes derrotados nessa guerra?
Eles não temem magoar os alemães? Claro que não. Os alemães não facilitaram a vitória
dos franceses e seus aliados, que venceram essa guerra por méritos próprios,
com muito sacrifício. Por isso comemoram com boa vontade, alegria e orgulho a
história de seus parentes, que estiveram no conflito, e que hoje estão nos
livros que eles leem, e que revelam o quanto a luta foi dura e o quanto TODOS devem
àquela geração — nessa comemoração o nosso infeliz presidente não compareceu
aos festejos da vitória das democracias, mas foi se aninhar nos braços do maior
e mais sanguinário ditador da atualidade: Vladimir Putin, num desfile de 9 de
maio em Moscou, com os representantes de outras ditaduras.
Bem diferente é no Brasil. Um país onde o povo quase faz
questão de não conhecer e valorizar a sua história. Onde ser ignorante é uma
honra e o presidente da república se gaba de não ter estudos. Essa é a foto de
Marcolino José Dias, um típico soldado brasileiro da época da Guerra do
Paraguai, um daqueles que apareciam nos jornais do exército paraguaio desenhados
como se fossem macacos. Mas ele foi um herói, sua atuação na tomada da
fortaleza de Curuzú foi épica. Segundo dizem. Entretanto tudo o que ele seus
companheiros fizeram, foi relegado ao esquecimento. Livros sobre a guerra do
Paraguai, que retratam fielmente o que aconteceu, quase não existem mais; é
difícil até nos sebos, sinal que poucos foram vendidos em seu lançamento. Não
espere também encontrar muita informação sobre Marcolino, pois não há, como se
seus contemporâneos já soubessem que poucos se dariam ao trabalho de lê-la,
como os ignorantes que adoram aplaudir as mentiras que os paraguaios inventam a
nosso respeito. A maioria de nossos veteranos, após essa guerra, definharam em
asilos precários e agora, que já não é possível tratá-los como ‘macacos’, como
no passado, traidores brasileiros se unem aos eternos derrotados e eternos
ressentidos paraguaios para acusá-los de genocídio.
A má sorte de Marcolino é ter nascido no seio de um povo que não é digno de sua coragem e de seu desprendimento, um povo que ignora a sua história, sem senso de gratidão e, por isso, facilmente enganado até por seus piores inimigos. No mais, os paraguaios têm que engolir sua arrogância e seu ódio a nós, pois, se como dizem eles, nós não passamos de ‘macacos’, eles que levem na sua memória a lembrança de terem levado uma surra colossal de... ‘macacos’.
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