quarta-feira, 19 de agosto de 2026

QUAL É A DIFERENÇA? 





Eduardo Simões

Sabemos que, ao final da Segunda Guerra Mundial, os nazistas, após terem perdido todas as suas reservas de homens adultos disponíveis à guerra, convocaram jovens adolescentes para o campo de batalha, como mostra a foto acima com o Ministro da Propaganda Goebbels, parabenizando um deles. O soldado mais jovem a lutar pelo exército nazista, oficialmente, foi Alfred Zech, com 12 anos.

Os comunistas soviéticos não poderiam ficar atrás! A foto do meio mostra o soldado mais jovem a lutar na frente de combate na Segunda Guerra, Serguei Alekshov, com apenas 7 anos. É verdade, porém, que ele, quando ia ao front,, não ficava na primeira linha e estava sempre acompanhado de seu pai adotivo, o que não excluía o perigo de ser ferido, como o foi diversas vezes.

Quem foi mais longe nessa aberração foi o ditador do Paraguai, Solano López, que no final da guerra, na batalha de Acosta Ñu, pôs em linha uma tropa de adolescentes. Testemunhas oculares apontam para crianças de menos de 10 anos, mobilizadas pelo ditador e criminosamente camufladas com barbas postiças, feitas de crina de cavalo, para parecerem adultos. Essas crianças foram mais criminosamente postas em locais de fogo cerrado. Alguns deles, segundo Doradioto, p. 415, estavam acompanhados das mães. 

O que há de comum nisso?

Não por coincidência, as três situações ocorrem em regimes totalitários — sim, podemos gabar a América do Sul por lançar o primeiro regime totalitário do mundo moderno. Pelo menos no Hemisfério Ocidental do globo. Essa, aliás, é a maior característica dos regimes totalitários: o completo desprezo, e até ódio, pela vida humana, principalmente a das crianças, que deleitam o ego dos ditadores. “Vejam como eu sou poderoso!”

O que há de desculpável?

É compreensível que crianças peguem em armas quando pertencem a uma etnia e essa etnia está explicitamente em desvantagem e sob o efeito de uma pena de morte decretada por uma etnia mais poderosa já agindo em seu território. Aí é cada um por si. Se for capturada, a criança fatalmente morrerá, só por ser daquela tal etnia. Não era nenhum desses casos.

É compreensível que, em zonas sob disputa e sob domínio do terror estrangeiro, algumas famílias liberem seus filhos mais jovens para lutar. O caso do Serguei foi extremo, pois perdeu pai, mãe e irmão mais velho, ficando sozinho, embora nada desculpe, posteriormente, o Exército Vermelho tê-lo enviado para o front de guerra, e não para a proteção da retaguarda. Que infâmia não esperar de um regime totalitário, que se propõe, sozinho, a salvar um povo ou toda a humanidade?

Mas, mesmo essas crianças liberadas individualmente pelas famílias, que aparecem em fotos de propaganda, em regimes não totalitários, são casos isolados, excepcionais, e já têm, em que pese sua pouca idade, uma estrutura física avantajadas, e nunca menos de 14–15 anos. As menores que isso só aparecem apenas em fotos de  propagandas.  

As crianças paraguaias que pereceram em Acosta Ñu estavam lá apenas para evitar que o ditador fosse preso. Ao invés de o grande ditador ter honra e se entregar, ou abandonar o poder, como se queria dele, ele preferiu sacrificar crianças para continuar sobre as cinzas do seu poder. Estava 'se lixando' para o seu povo. 

Qual é a diferença?

A grande maioria dos alemães, capitalistas, democráticos, civilizados, se envergonha profundamente desse período.

Os russos estão perdidos na história, e por isso só a repetem. Não acham isso certo, mas não hesitam em matar civis na Ucrânia, inclusive crianças, enquanto expõem símbolos da antiga URSS.

Os paraguaios tornaram esse episódio um galardão na história do seu país e de sua sociedade, e o reforçam, até hoje, em histórias em quadrinhos, como uma lançada recentemente, chamada GUARANI-TERRA SEM MAL, em que os brasileiros são apresentados como negros, cruéis e sanguinários — eles não perdem uma oportunidade para justificar seu ódio contra nós. Essa historieta é tão desonesta que não apresenta as crianças utilizando as barbas postiças como o general Caballero mandou, para os brasileiros pensarem que eram homens adultos. Por que nossos soldados não atirariam?

Os paraguaios transformaram o seu crime, e a sua infâmia, de convocar crianças para proteger um ditador sanguinário e psicopata em glória nacional, e se gabam disso até hoje. Nem imaginam que o envio de crianças para fazer o que é próprio de adulto significa, antes de tudo, o fracasso dos adultos dessa sociedade em alcançar seus objetivos e negociar ganhos com seus vizinhos. É apenas um ato de covardia e desespero. COMO QUERER QUE ISSO SEJA MODELO PARA O PAÍS?

Enquanto isso, nós, levados pela mentira e pela patifaria deles, fazemos questão de desmerecer publicamente os nossos antepassados que só foram para o Paraguai porque este nos atacou. Nesse ponto, somos muito piores e, com certeza, mais idiotas do que eles. 



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