ATÉ QUANDO FINGIREMOS QUE ELES NÃO EXISTIRAM?
Em 1944, entramos numa guerra que não era nossa nem
representava perigo ao nosso território. Enviamos 25 mil homens à Europa, dos
quais uns 450 e poucos morreram, que, adicionados às vítimas nos navios
torpedeados, dão algo em torno de mil mortos, numa campanha que não durou nem
um ano, apoiados pelo país mais rico do mundo. O resultado foi o grande e
chamativo monumento dos pracinhas, acima, uma homenagem justa ao seu sacrifício naquele conflito, no qual entramos meio a contragosto, improvisadamente,
por imposição de antigos tratados pan-americanos.
Na Guerra do Paraguai, nós tivemos um conjunto de
forças atuando que passou dos 60 mil homens, que sofreram baixas dezenas de
vezes piores, por mais de cinco anos, em condições materiais muito
piores e com mais improvisação ainda, contra uma força superior aos alemães na
Itália de 1944, ao lado de aliados que mal se sustentavam. O legado foi uma multidão
de veteranos com sequelas atrozes, para conter uma invasão ao território
nacional. O que sobrou desse enorme sacrifício são pequenos monumentos municipais, a maioria voltado para a representação de
nobres oficiais, ficando os soldados comuns: os pretos, os pobres, os recém
libertos, etc., relegados ao esquecimento. Quando faremos um monumento nacional
digno desses combatentes tão injustiçados e esquecidos, que, em termos proporcionais,
fizeram muito mais que os pracinhas da 2ª Guerra Mundial?
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