TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 25
Por que os Estados
Nacionais Eram Agressivos.
Fica claro que foi a
persistência do domínio aristocrático, o acesso à riqueza idealmente
disponível e o colapso do poder supranacional da Idade Média — e não algo
derivado do próprio processo capitalista — que explicam não apenas o
surgimento, mas também a fisionomia política do Estado moderno. Em particular,
esses fatos explicam por que o Estado moderno foi “nacional” desde o princípio
e refratário a qualquer consideração supranacional; por que insistiu, e
mesmo compelido, a reivindicar a soberania absoluta; por que fomentou igrejas
nacionais mesmo em países católicos; e, sobretudo, por que foi tão agressivo.
Os novos poderes soberanos eram belicosos em virtude de suas estruturas sociais.
Surgiram fortuitamente. Nenhum deles possuía tudo o que desejava; cada um
tinha o que outros desejavam. E logo se viram cercados por novos mundos que os
convidavam à conquista competitiva. [Ou seja, o processo colonial europeu
do século XVI teve as características de sociedades aristocráticas, mais que
burguesas]. Devido a essa situação e à estrutura social da época, a agressão —
ou, o que é o mesmo, a “defesa” — tornou-se o eixo central da política [como
nos conflitos medievais, gerados por uma aristocracia guerreira].
Nesse mundo em
ebulição, a paz era apenas um armistício, a guerra o remédio normal para o
desequilíbrio político, o estrangeiro ipso facto o inimigo — como o fora nos
tempos primitivos. Tudo isso contribuiu para a formação de governos fortes
e cronicamente atormentados por ambições políticas que ultrapassavam
seus recursos econômicos, eram impelidos a tentativas de se fortalecerem
ainda mais, desenvolvendo os recursos de seus territórios e utilizando-os a seu
serviço. Isso, por sua vez, explica, entre outras coisas, por que a
tributação assumiu uma importância muito maior [a estratégia padrão do
mercantilismo].
Esses fatos, embora
fundamentalmente os mesmos em toda a Europa Ocidental e Central, produziram
resultados um tanto diferentes de acordo com as circunstâncias de cada nação.
Desconsiderando os países menores, constatamos que a principal diferença
residia entre a Inglaterra e o continente europeu. Na Alemanha, as
tendências econômicas e políticas foram interrompidas pelo curso dos eventos
centrados na Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), que criou uma situação
completamente nova e mudou para sempre o padrão político e cultural da
Alemanha. Em solo devastado e em uma população que, em alguns lugares, havia
sido reduzida a menos de 10%, os príncipes, seus soldados e suas burocracias
eram, na maior parte do território nacional, praticamente tudo o que restava
das forças políticas do passado. Na Itália, a situação diferia da alemã
apenas em grau. A França e a Espanha não tiveram que passar por
experiências como essas, mas os conflitos religiosos e os intermináveis esforços de guerra produziram
um empobrecimento semelhante na Espanha e condições políticas e administrativas similares às da França. Na maioria desses países — com exceção da Suíça e da Hungria — o príncipe [e não o burguês] passou a
personificar o Estado e a nação
a partir do século
XVI. Ele conseguiu submeter todas as classes à sua autoridade — a nobreza e o clero, a
burguesia e o campesinato, embora as duas primeiras sob o entendimento de que
deveriam continuar a ocupar uma posição de privilégio social e econômico. A
riqueza e o poder deste Estado eram o objetivo incontestável de sua política [a
busca por riquezas, para além do mérito e dos esforços para produzi-la, nada
tem a ver com uma fantasiosa característica burguesa: ela é universal e
atemporal].
A maximização da
receita pública — para consumo da corte e do exército
— era o objetivo da política econômica, enquanto a conquista territorial era
o objetivo da política externa. Não é preciso demonstrar como a preocupação
com o bem-estar das classes que sustentavam esse sistema social se inseria
nessa política: esse bem-estar não era visto simplesmente como um meio para um
fim; era um fim em si mesmo para muitos grandes monarcas ou administradores,
exatamente como o bem-estar de seus operários era e é um fim em si mesmo para
muitos grandes industriais; mas precisava se adequar ao padrão político e ao
sistema social vigentes. Tudo isso — precisamente onde a preocupação com o
bem-estar de fabricantes, agricultores e trabalhadores era mais real —
significava a gestão de tudo, o que, por sua vez, significou a ascensão da
burocracia moderna, um fato não menos importante do que a ascensão da classe
empresarial. A economia resultante era uma economia planificada e
planejada, com o objetivo de fornecer recursos para a guerra. [Vimos isso
na União Soviética, onde os membros do Comitê Central do PCUS (a corte) geriam
o país, com o apoio de uma aristocracia composta pelos membros do Partido,
donos dos principais cargos públicos e administrativos, criaram a maior máquina
de guerra do mundo e dessa maneira todos os países 'socialistas', cuja maior
herança são sofisticados aparatos de repressão interna e de guerra, controlando
com rédea curta estados satélites (o antigos vassalos, na Idade Média)].
Nota de
Schumpeter
Devemos
nos limitar a um breve comentário sobre Colbert, que foi e ainda é considerado
o representante típico daquela entidade imaginária, o “sistema
mercantilista” — tanto que o colbertismo é frequentemente utilizado, especialmente
em italiano, como sinônimo de mercantilismo. Jean-Baptiste Colbert
(1619–1683), de origem burguesa, ascendeu ao cargo de ministro das finanças
(abrangendo também os assuntos da indústria, do comércio e da agricultura) no
primeiro período do reinado de Luís XIV. Ele foi um administrador honesto, capaz
e enérgico, que sabia como arrecadar dinheiro, intimidar credores, aprimorar
métodos administrativos e contábeis, estimular a indústria, construir palácios
e portos, desenvolver a marinha e assim por diante, embora tenha sido
notoriamente azarado na execução de seus planos mais ambiciosos, como o
empreendimento colonial, cuja história demonstra que os desperdícios do
planejamento público podem facilmente superar qualquer coisa que, em termos de
desperdício, possa ser atribuída à iniciativa privada. Não há razão para
exaltar suas realizações ou vê-lo como o grande defensor de algum princípio
fundamental.
Na Inglaterra,
observamos as mesmas tendências. Mas lá elas eram mais fracas e a resistência a
elas mais forte, porque o país foi poupado das experiências que, em outros
lugares, quebraram a espinha dorsal tanto das aristocracias quanto das
burguesias... Podemos adotar a teoria, talvez inadequada, de que foi a ausência
de invasões estrangeiras reais e a raridade de ameaças sérias de invasão que
reduziram a necessidade de um aparato militar — uma marinha, é claro, tem muito
menos peso político — para garantir o poder e o prestígio da Coroa e de todas
as agências administrativas dependentes da Coroa [enquanto distorcia a sua
função]. O sintoma mais óbvio da diferença que isso fez, a sobrevivência,
apenas na Inglaterra, da antiga constituição semifeudal, não é importante
em si para nós. Mas é muito mais importante o fato de que, ao longo de todo o
período, o Estado inglês não conseguiu se apropriar da vida nacional como
fizeram os outros Estados e que, em particular, o setor econômico da vida
nacional, incluindo a empreitada colonial, permaneceu relativamente autônomo.
O planejamento, se não inexistente, era mais limitado em escopo, preocupando-se
principalmente com as relações da economia inglesa com a Irlanda e as colônias
e com o comércio exterior; este menos rigorosamente fiscalizado do que na
maioria dos países continentais.
Influência de
Circunstâncias Especiais na Literatura Contemporânea.
Infelizmente, a
literatura a ser analisada, na grande parte dela, é condicionada por situações
específicas em países específicos que os escritores consideravam como certas, e
por questões específicas que surgiram dessas situações... Uma longa lista de erros
de interpretação e avaliação cometidos, especialmente por críticos “liberais”
do século XIX dessa literatura, mas também por outros posteriores, poderia ser
compilada para ilustrar essa verdade...
I. Toda a economia
daquela época — com a possível exceção do ramo holandês — foi escrita em e para
países pobres. Isso se aplica sem exceção se “pobre” for equiparado a
“subdesenvolvido”. Todos os países europeus estavam no início de suas carreiras
industriais e até mesmo agrícolas, e todos tinham consciência disso. Para
nós, a expansão econômica está primariamente ligada a novas necessidades e
métodos; aquela época, no entanto, tinha à sua frente possibilidades
praticamente inesgotáveis, com necessidades e tecnologias existentes além do
que se podia esperar do progresso tecnológico e das conquistas. Mas nossa
proposição se aplica, em um sentido diferente e com força adicional, aos
grandes países continentais que, na segunda metade do século XVII, também se
depararam com um imenso problema de reconstrução. Eles eram pobres até mesmo em
comparação com o que haviam sido no século XVI. Deve ficar claro que, em
tais condições, políticas e raciocínios feitos na época tinham um significado
que parecia absurdo para observadores que os analisavam sob a perspectiva do
século XIX.
II. Em todos os países
— inclusive na Inglaterra —, o setor agrário era predominante. Seus problemas
econômicos eram primordialmente agrários, e a maior parte de sua população era
composta por camponeses, agricultores e trabalhadores rurais. Nos séculos XVI,
XVII e XVIII, esse mundo agrário passou por transformações que o
revolucionaram: os historiadores econômicos falam, com razão, de uma
revolução agrária, ou melhor, de várias revoluções agrárias. Essa expressão
indica dois tipos distintos, embora relacionados, de mudança que se reforçaram
mutuamente e que teriam desmantelado a estrutura da sociedade medieval, ainda
que nada tivesse ocorrido no setor industrial. Por um lado, houve uma longa
série de mudanças nas tecnologias de todos os ramos da produção agrária — esse
processo ganhou impulso no século XVIII, mas teve início no começo do século
XVI. Por outro lado, em sintonia com as revoluções tecnológicas, houve um
processo de mudança organizacional que transformou os feudos medievais em
fábricas de grãos, lã e carne, destruindo as antigas relações entre senhores
feudais e camponeses ou agricultores. Basta mencionar a principal forma inglesa
desse tipo de mudança: os cercamentos. Governos e, consequentemente,
escritores adotaram duas atitudes caracteristicamente diferentes em relação a
essa mudança. No continente europeu, e especialmente na Alemanha, os
governos fizeram um esforço determinado e em grande parte bem-sucedido para
salvar os camponeses e transformá-los, eventualmente, em uma classe de pequenos
proprietários de terras. Na Inglaterra, a propriedade rural, com seus
pequenos agricultores, foi extinta e, apesar da melancolia que pairava
sobre as aldeias desertas, a grande propriedade rural prevaleceu, não como
uma unidade produtiva, mas como uma unidade administrativa que deixava a
produção a cargo do trabalhador capitalista, o fazendeiro [o dono da terra
com uma mentalidade de trabalho e prosperidade nitidamente capitalistas].
III. Mas não é de
todo surpreendente que a manufatura e o comércio internacional, por mais
insignificantes que fossem, atraíssem mais atenção literária do que a
agricultura. Elas eram crianças, estavam nascendo, e era delas dependia o
futuro da família [havia uma motivação psicológica derivada do senso
comum]. Além disso, tinham mais motivação e oportunidade para escrever sobre
si e em seu próprio nome do que os latifundiários e agricultores. Para a
economia, isso simplesmente significava que havia mais economistas “industriais
e comerciais” do que “agrícolas”. A empresa em larga escala — grande em
relação aos padrões ambientais — emergiu, em grande medida, no século XIV na
Itália, no século XV na Alemanha e no século XVI (sob o
reinado de Elizabeth I) na Inglaterra, primeiro na esfera financeira e
comercial e depois na esfera da produção. Mas, substancialmente, a indústria
manufatureira que os economistas observavam e sobre a qual refletiam era, quase
sempre, a indústria manufatureira do artesão (ainda organizado em guildas de
ofício), do "mestre" da indústria doméstica e do proprietário-gerente
de fábricas, que eram poucas e, em sua maioria, bastante pequenas. Na
Europa Ocidental, especialmente na Inglaterra, isso mudou (significativamente,
mas não fundamentalmente) com a Revolução Industrial das últimas décadas do
século XVIII, mas as consequências totais só se revelaram nas primeiras décadas
do século XIX. Muitos autores, ocasionalmente até mesmo A. Smith, classificam o
fabricante ao lado do operário. Nenhum autor, mesmo Adam Smith, tinha uma
ideia muito clara do que realmente significavam os processos que levaram ao que
os historiadores denominaram Revolução Industrial. A. Smith considerava, com
algumas exceções, a forma corporativa da indústria uma anomalia. Para ele
e seus contemporâneos, grandes negócios ainda significavam grandes negócios
comerciais e financeiros — particularmente, empreendimentos coloniais.
E eles os encaravam de maneira muito semelhante à forma como os economistas
modernos encaram qualquer tipo de negócio em larga escala, ou seja, com
sentimentos de desconfiança ressentida.
IV. Essa evolução
industrial e comercial foi caracterizada, quase até o final do período em
questão, por políticas e práticas comerciais "monopolistas" que
foram um dos principais temas da literatura econômica daquele período e que têm
sido alvo de ampla condenação por economistas e historiadores econômicos de A.
Smith até hoje. Por política pública e prática comercial privada
“monopolistas”, entendemos medidas e formas de comportamento destinadas a
garantir uma “saída” lucrativa para os produtos ou serviços de um indivíduo ou
grupo, por meio de: (1) exclusão do estrangeiro dos mercados nacionais e
internacionais — o que, enquanto os territórios nacionais não se tornaram
unidades econômicas, muitas vezes excluía produtores e comerciantes da cidade
ou distrito vizinho; (2) exclusão, dentro do possível, de todos os
congêneres que não o indivíduo ou grupo favorecido — por exemplo, excluindo
os varejistas dos negócios do comerciante; (3) restrição da produção do
próprio indivíduo ou grupo favorecido e regulação de sua distribuição entre os
mercados [uma forma embrionária do estatismo econômico moderno].
Vamos nos deter por um
momento para analisar, à luz das considerações precedentes, as razões para a
prevalência dessa política e prática. Primeiramente, poderíamos esperar
que, se o capitalismo pleno tivesse surgido repentinamente no mundo e se lhe
tivesse sido permitido desenvolver-se sem ser distorcido pelos fatores
mencionados, tanto o comportamento empresarial quanto a política pública teriam
sido, desde o início, o que de fato se tornaram, por um período, no século XIX.
Ou seja, poderíamos esperar que, neste caso, em países tão pobres em bens e
tão ricos em possibilidades, tivesse havido uma onda contínua de
empreendimentos competitivos. Essa expectativa, contudo, seria apenas
parcialmente justificada. A pobreza é uma cliente difícil, e os riscos
normais de se fazer negócios aumentam consideravelmente em um ambiente onde a
riqueza que alimenta a demanda não só precisa ser atraída, mas também criada.
Nos negócios, como em qualquer outro setor, a estratégia de desenvolvimento
muitas vezes exige táticas defensivas como complemento, embora a maioria dos
economistas de todas as épocas se recuse obstinadamente a reconhecer. Mas, em
condições nas quais o progresso a longo prazo era inevitavelmente lento, cada
etapa precisava ser protegida com especial cuidado para se obter os meios e o
tempo necessários para avançar além dela. É bastante natural que o
historiador observador fique muito mais impressionado com as práticas e
políticas de restrição protecionista, que dominam o cenário em todos os
momentos, do que com o panorama do processo ao longo do tempo. Mas é verdade,
no entanto, que mesmo um governo idealmente racional, motivado unicamente
pelo fomento do desenvolvimento industrial, teria que conceder privilégios de
monopólio em muitos casos nos quais a iniciativa privada seria impossível sem
eles [por exemplo, as grandes navegações], e que, em outros, teria que
permitir práticas monopolistas por parte dos empresários envolvidos. Isso
se aplica, naturalmente, com ainda mais força aos países devastados pela
guerra, como a Alemanha, onde apenas a perspectiva de lucros extraordinários
poderia estimular o empreendedorismo em uma população imersa na miséria e no
desespero. [Essa era a situação após a Guerra dos Trinta Anos e a
Segunda Guerra Mundial].
Em segundo lugar,
porém, o capitalismo não surgiu num mundo vazio: cresceu gradualmente a partir
de um padrão preexistente dominado, no aspecto em questão, pelo espírito, pelas
instituições e pela prática das corporações de ofício. Novos métodos de produção
e novas formas de empreendimento encontram resistência em qualquer ambiente;
mas, nesses séculos, existia um mecanismo legal de resistência que funcionava
automaticamente.
Por um lado, a
legislação e a administração em todos os países, sob pressão das corporações de
ofício e em benefício próprio, submeteram a nova iniciativa “livre” a várias
regulamentações que restringiam a produção. Por outro lado, embora essas
regulamentações não tivessem raízes no sistema capitalista e o distorcessem, os
comerciantes, mestres e outros afetados por elas naturalmente tiraram o melhor
proveito da situação e se organizaram de maneira semelhante [às
organizações medievais]. Havia várias razões — além dos ganhos esperados com a
regulamentação restritiva — pelas quais isso lhes era fácil: os comerciantes e
mestres eram eles próprios produtos de um mundo onde a organização e a ação
corporativa eram reconhecidas e não tinham objeções em aceitar códigos “éticos”
e religiosos, que exigiam comportamentos padronizados, incluindo reuniões de
oração.
Eles não tinham
prestígio nem peso político enquanto agissem individualmente, ao passo que cada
Companhia Venerável era uma força política. No caso mais importante do comércio
ultramarino, a necessidade de prover proteção física e resistência a agressões
— existiam sociedades anônimas formadas exclusivamente para a pirataria — era
um motivo que inevitavelmente uniria os comerciantes e incentivaria a ação
corporativa também em outros aspectos. A Companhia Privilegiada, não uma
empresa comercial em si, mas sim a estrutura organizacional para o comércio de
seus membros, era, em parte em oposição e em parte em aliança com o sistema de
entrepostos medieval (jus emporii), para aproveitar ao máximo as
oportunidades oferecidas pelo protecionismo da época. Terceiro, os
governos dos estados nacionais tinham seus próprios motivos para criar ou
favorecer organizações ou cargos mais ou menos “monopolistas”. Um desses
motivos já foi mencionado: o da reconstrução [Alemanha, por exemplo]. Outro
era a perspectiva de ganho pessoal para os governantes — a Rainha Elizabeth
participava pessoalmente dos lucros (e perdas) de empreendimentos
“monopolistas”, inclusive com os lucros de roubos descarados. O mesmo
grande monarca oferece exemplos notáveis do
método de favorecer seus
favoritos, concedendo-lhes cartas patentes de monopólio.
Além disso, as
organizações "monopolistas" eram como esponjas, muito melhor de
espremer do que um grande número de empreendedores independentes. E,
finalmente, com governos fortes, essas organizações são mais fáceis de
explorar, mas também de controlar: seus próprios órgãos administrativos são
inúmeras ferramentas prontas para serem usadas pelos governos. Esse aspecto se
tornará ainda mais importante se nos lembrarmos da natureza da política
daqueles governos para os quais as medidas relativas ao comércio eram apenas um
dos instrumentos de uma política de poder agressiva: forçar o comércio em uma
direção e interrompê-lo completamente em outra era, em alguns casos, quase tão
eficaz quanto uma campanha militar; além disso, companhias coloniais de
diferentes nações podiam guerrear entre si enquanto os respectivos governos
nacionais estivessem oficialmente em paz.
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