sábado, 1 de agosto de 2026

 

NOSSAS CRIANÇAS NOS SALVARÃO DE NÓS MESMOS?

Eduardo Simões

Minha filha e seu esposo estiveram recentemente nos EUA e voltaram impressionados, e muito bem impressionados, com uma coisa. Nas proximidades de todo restaurante ou balcão de venda de bebida, havia cartazes bem visíveis dizendo: ‘a partir daqui, criança (menor de tal idade) não pode passar’. Justo quando se dirigiam a uma agradável varanda externa de um restaurante, com sua filhinha pequena. Mudaram de programa.

Ninguém é louco de descumprir uma lei dessas... nos Estados Unidos, pois alguém certamente ligará para a polícia e o dono do bar, se não puder enxotar o infrator, não o servirá, para não se tornar cúmplice. Lá, a polícia, mesmo com suas falhas, é uma instituição respeitada e o povo ‘chama polícia’, enquanto aqui, um afamado compositor, muito querido pelo nosso Judiciário, aconselha há mais de 50 anos: ‘chame ladrão, chame ladrão, chame ladrão!’

Enquanto isso acontece nos EUA eu penso no quanto de vezes que eu já vi crianças entrando em bares e restaurantes para comprar bebida para seu pai ou algum adulto, que não quis se dar ao trabalho de não corromper seu filho. Menor bêbado? Já vi até em festa de escola ou de Igreja. Mas penso também em 2017, quando um 'artista' fez uma apresentação completamente nu, em um renomado museu, e vários pais levaram seus filhos e os incentivaram a interagir com o 'pelado'.

O deputado Kim Kataguiri protestou contra esse ato desarrazoado e deseducativo e uma violência contra a natureza das crianças; e, por causa disso, sofreu uma campanha de críticas encarniçadas por parte de alguns jornalistas e renomados artistas, falando em favor da liberdade de expressão, do enaltecimento da arte, etc. Embora fique difícil para alguém normal discernir o porquê de alguém, por autoproclamar-se artista, poder fazer coisas que outros, pela lei, não podem, ou ainda porque a nudez é proibida num espaço público e em outro, igualmente público, é autorizada. No embalo desse esculacho, o TJ-Rio autorizou que crianças, acompanhadas pelos pais, frequentassem uma exposição de pornografia em um museu da cidade. Uma professora chegou a levar sua turma de alunos.

Se perguntar não ofende, eu pergunto: quem dá um tiro de verdade em alguém dentro de um museu ou num palco de teatro, é um artista ou um criminoso? Se ele alegar que é um 'artista', isso servirá como atenuante? A gente começa a duvidar.

Se os nossos pais cuidam adequadamente de seus filhos, por que temos tantos menores cometendo crimes, e crimes dos mais graves, inclusive na recente profusão de estupros coletivos perpetrados por menores? Se não cuidam, por que o estado deixa que esses pais levem suas crianças a lugares inadequados ao seu nível de entendimento e maturidade emocional? Será que, para a justiça, as crianças não passam de objetos nas mãos de seus pais, e para compensar isso, faz os professores prestarem contas minuciosas aos alunos, e não aos seus responsáveis, como se as crianças fossem cidadãos de 'primeira classe',  e os professores meras babás diplomadas?

A contraparte também aparece: velhotes sexagenários ou mais, casados e com filhos, aparecem de repente nas primeiras páginas da imprensa e dos sites informativos, envolvidos em infames episódios de exploração sexual de adolescentes e crianças. E assim fecha-se o ciclo, a começar pela infância, de um 'espetáculo pornográfico' a outro, com o aval do nosso Judiciário, criaremos uma geração de velhos pedófilos.

Enquanto isso, a grande massa da população ainda pensante do país, cada vez menos numerosa, preocupa-se com a nossa estagnação econômica e a nossa incapacidade de sair da armadilha da renda média. Ora, para sair dessa armadilha, o único caminho conhecido é o que nós sempre nos recusamos a tomar: cuidar do ser humano, desde a infância, para o bem de seus familiares e amigos, de sua comunidade e do estado. Os americanos sempre fizeram isso e continuam fazendo, enquanto nós persistimos na senda errada que tomamos, sustentados pelas justificativas mais vazias e sem sentido, usando inclusive da proeminência da arte para corromper nossas crianças.

Querer que a criança se torne um adulto produtivo com um alto nível de eficiência profissional e social, interagindo cooperativamente com o seu meio, começa por garantir que as crianças tenham oportunidade a uma infância saudável, sem violência, sem pornografia, sem abandono e sem superproteção, mas cuidada por todos, pois antes de qualquer pessoa se tornar um produtor, ela precisa acreditar que é um ser humano, e que merece respeito e proteção compatíveis com a sua idade, o seu discernimento e a sua estrutura emocional. 



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