SEM PAI, SEM MARIDO… E O FUTURO? Esse quadro do artista austríaco Peter Fendi, um dos principais representantes do movimento artístico austríaco Biedermeier, do início do século XIX, tem como título oficial: Má notícia.
Esse quadro representa uma cena muito comum na época das Guerras Napoleônicas. Um oficial do exército austríaco acaba de dar à esposa de um jovem recruta a triste notícia de que seu marido não voltará mais para casa — sendo provavelmente sepultado no campo de batalha onde morreu, conforme antiquíssima tradição militar. O oficial traz nas mãos os últimos pertences de seu falecido esposo. Não há o que fazer. Se ela for uma jovem muito pobre, até órfã de pai e mãe, o desafio para não mergulhar na mais crua pobreza será enorme, ainda mais com dois filhos para sustentar e educar. A pobreza de seu lar salta à vista, mesmo com o soldo do marido, enquanto estava vivo.
Para ela restava buscar trabalho e apoio nas Casas dos Inválidos, em Viena, Praga e Budapeste, trabalhando como servente, faxineira, etc., sendo-lhe eventualmente permitido morar lá, o que não era fácil e nem sempre possível, dado o grande número de viúvas nessa situação. Havia ainda os fundos de assistência das paróquias, ordens religiosas e a assistência pública aos necessitados, que, quando muito, lhe permitiria, e a seus filhos, continuar viva.
Nessa época, o suporte financeiro às famílias dos militares austríacos mortos era precário: as viúvas de oficiais recebiam uma fração do soldo, apenas o suficiente para não cair na pobreza, o que não era muito difícil, pois essas guerras geraram muita inflação e reduziram a produção de bens essenciais.
Uma escritora inglesa fez um breve estudo a esse respeito:
Na era napoleônica, a viúva de um oficial britânico tinha
direito a uma pensão, e, como viúva de um tenente, Tessa [um personagem de literatura] teria recebido 26
libras por ano. Para efeito de comparação, a viúva de um coronel receberia 80
libras. O marido de Tessa, o tenente Fleming [fictício], caso tivesse vivido até a
aposentadoria, teria recebido três vezes mais do que a pensão de viúva de
Tessa.
O que isso significava em termos de poder de compra? Esse
poder variava de ano para ano, conforme o preço dos grãos e de outros produtos.
De acordo com os Arquivos Nacionais Britânicos, em 1810, 26 libras equivaliam a
aproximadamente 173 dias de salário para um trabalhador qualificado. Era o
suficiente para comprar dois cavalos ou três vacas. Claro que Tessa não
precisava de nenhum dos dois e, em ambos os casos, não podia gastar toda a sua
pensão com eles. Ela alugava uma pequena casa, criava galinhas e tinha uma
horta considerável. Suas libras também compravam oito alqueires de trigo; um
alqueire custava 60 libras, provavelmente mais do que ela precisava. Ela
complementava sua renda fazendo renda. Sua produção não era grande e o
pagamento dependia da disponibilidade de um comerciante local. Em outras
palavras, ela e seu filho tinham um teto confortável sobre suas cabeças e
comida, mas ela tinha pouco ou nenhum dinheiro disponível para qualquer outra
coisa. Ela se virava com o mínimo.
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