UMA MORIBUNDA MARRENTA.
Abaixo traduzo, com a IA, uma página do livro de John R. Green, A Short History of English People, que fala sobre os últimos dias de Elizabeth I.
“O triunfo na Irlanda lançou seu brilho sobre os últimos dias de Elizabeth, mas nenhum
triunfo externo pôde romper a melancolia que se acumulava ao redor da Rainha
moribunda. Solitária como sempre fora, sua solidão aprofundou-se à medida que envelhecia.
Os estadistas e guerreiros de seus primeiros dias haviam saído um a um de seu
Conselho; e seus sucessores observavam seus últimos momentos, intrigando por
favores no próximo reinado. Seu favorito, Lorde Essex, foi atraído a uma insana
conspiração que o levou ao cepo de execução. O antigo esplendor de sua corte
minguou e desapareceu. Apenas funcionários permaneciam ao seu redor, enquanto
“os outros membros do Conselho e a nobreza se distanciavam em todas as
ocasiões”. Onde ela passava em suas viagens oficiais, o povo, cujo aplauso
ela cortejava, permanecia frio e silencioso.
O temperamento da
época, estava mudando, isolando-a à medida que mudava. Sua própria Inglaterra —
séria, moral, prosaica [e feliz, pelo menos do jeito que os ingleses
reconhecem] — afastava-se friamente desta filha brilhante, fantasiosa e
inescrupulosa da terra e do Renascimento. Ela havia aproveitado a vida como os
homens de seu tempo a aproveitavam e, agora que eles haviam partido, ela se
apegava a ela com uma tenacidade feroz. Ela caçava, dançava, gracejava com seus
jovens favoritos, flertava, repreendia e divertia-se aos sessenta e sete anos
como havia feito aos trinta. “A Rainha”, escreveu um cortesão alguns
meses antes de sua morte, “nunca esteve tão galante nestes muitos anos,
nem tão inclinada à alegria”. Ela persistia, apesar da oposição, em suas
suntuosas viagens de palácio em palácio pelo campo. Apegava-se aos negócios
como antigamente e repreendia, à sua maneira habitual, “aquele que não se
importava em lhe prestar contas de algum assunto”.
Mas a morte se
aproximava. Seu rosto tornou-se abatido e seu corpo encolheu-se quase até virar
um esqueleto. Por fim, seu gosto por adornos desapareceu e ela se recusou a
trocar de roupa por uma semana inteira. Uma estranha melancolia se abateu sobre
ela: “ela segurava na mão”, diz alguém que a viu em seus últimos
dias, “uma taça de ouro, que frequentemente levava aos lábios
[aparentemente vazia]... Gradualmente, sua mente cedeu. Ela perdeu a memória, a
violência de seu temperamento tornou-se insuportável e até sua coragem pareceu
abandoná-la. Ela queria uma espada constantemente ao seu lado e a
cravava de tempos em tempos nas tapeçarias das paredes, como se visse
assassinos se aproximando. [Desenvolveu tanto mania de perseguição, medo de ser
assassinada, como por vezes sentava-se e chorava por horas a fio sem
consolo.]
Alimentos e descanso
tornaram-se igualmente desagradáveis. Ela passava o dia e a noite sentada em um
banco, apoiada por almofadas, com o dedo nos lábios, os olhos fixos no chão,
sem dizer uma palavra. Se quebrava o silêncio uma única vez, era com um lampejo
de sua antiga realeza. [Alguns disseram que ela temia deitar na cama e não mais
acordar.] Quando Robert Cecil [Conde de Nottingham, filho de William Cecil,
Lorde Burghley] afirmou que ela “devia” ir para a cama, a palavra a
despertou [irritada] como um toque de trombeta. “Devo!”,
exclamou ela; “por acaso 'devo' é uma palavra a ser dirigida a
príncipes? Homenzinho, homenzinho! Teu pai, se estivesse vivo, não teria ousado
usar essa palavra.” Então, conforme sua raiva se esgotava, ela
afundava em seu antigo abatimento. “Tu és tão presunçoso”,
disse ela, “porque sabes que vou morrer.”
Ela se restabeleceu
mais uma vez quando os ministros, ao lado de sua cama, nomearam o Lorde
Beauchamp, o herdeiro da reivindicação de Suffolk, como um possível sucessor.
“Não terei o filho de um patife”, gritou ela roucamente,
“em meu lugar.” Mas ela não deu nenhum sinal, exceto um
movimento de cabeça, com a menção do Rei dos Escoceses. Ela estava, de fato,
tornando-se rapidamente insensível; e, na madrugada do dia seguinte, a vida de
Elizabeth — uma vida tão grande, tão estranha e solitária em sua grandeza —
desvaneceu-se silenciosamente”.
John Richard Green;
A Short History Of The English People; Macmillan and Co. Limited;
London; 1926; p. 459.
Já o site
tudorbrasil.com.br acrescenta
“Foi com muita tristeza
que a morte da rainha foi anunciada nas ruas de Londres. Testemunhas
descreveram que houve um estranho silêncio entre uma atordoada multidão”.
Outra versão de suas últimas palavras claramente audíveis foi a seguinte:
"Todas as minhas posses por um tempo a mais".
Acima, ilustrando o
artigo, o momento em que o jovem Robert Cecil, a geração Z de Elizabeth I, dá a
infeliz sugestão para a rainha moribunda, mas ainda cheia de pose. Esse quadro
a óleo, de 1828, é do pintor francês Paulo Delaroche.

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