sexta-feira, 31 de julho de 2026


FEITIÇO VIROU CONTRA FEITICEIRO 

Eduardo Simões

Quando, em 1979, o inimigo incondicional, obcecado, alucinado, do Brasil, por acaso nascido em São Paulo, escreveu um dos livros mais pérfidos e cheios de mentira da nossa história: Guerra do Paraguai, um genocídio americano, os esquerdistas, muitos futuros militantes do PT, foram os que mais vibraram e tudo fizeram para espalhar as inacreditáveis mentiras que constam desse manual de ódio contra o Brasil e os brasileiros — lembro aqui que o senador petista Randolfe Rodrigues, suposto professor de história, agitou esse arremedo no púlpito do congresso quando de uma discussão sobre o aumento do preço da energia de Itaipu, em 2010 ou 11. Eu vi, eu ouvi.

O objetivo do livro, além de fomentar o ódio entre as duas nacionalidades, visava especialmente atingir o estrato militar, que naquele momento governava o país como uma ditadura, exatamente como acontecia com o Paraguai no tempo da guerra. Mas a ditadura de Solano López podia, era popular, heroica, progressista, enquanto a nossa devia ser combatida a todo custo, inclusive pela falsificação da história.

Infelizmente, o complexo de inferioridade e a ignorância dos brasileiros sobre a sua história entraram em campo, e esse lixo foi consumido como água, acreditando piamente que aquilo era sério. O autor até criou uma versão semirromanceada para a escola básica, para os brasileiros se acostumarem a ter vergonha de si mesmos e da sua história desde pequenos.  Pela primeira vez, a Guerra do Paraguai foi tratada como um genocídio dos brasileiros contra os paraguaios, por iniciativa de um ‘brasileiro’. Sob os auspícios das editoras brasileiras Brasiliense, fundada por notórios esquerdistas, entre eles o comunista Caio Prado Junior, elogiada pela Fundação Perseu Abramo do PT (https://fpabramo.org.br/o-papel-de-uma-casa-editora/) e a Ática, que lançou a versão escolar.

Deu certo! Hoje os paraguaios usam essa história e o termo ‘genocida’ contra nós, embora 'algo' tenha saído do roteiro: a primeira grande crise causada pela visão distorcida e falsa propalada por esse livro infame, mas tão engrandecido pela esquerda, foi justamente num governo de esquerda e no meio de uma disputa eleitoral. Isso não podia ser mais sintomático.

As palavras de Lula ditas no dia 30 de julho, dizendo que o Paraguai invadiu o Brasil, podem ser encaradas de duas formas:

1º — Científica e historicamente: ele está completamente certo!

2º — Politicamente: foi uma tremenda mancada, um tiro no pé. Esperemos que isso não se volte contra os brasileiros que moram lá e não cause demonstrações, lá, de xenofobia, pois, nesse assunto, eles parecem mais cegos do que nós, embora em seu próprio favor, neste ponto, o contrário de nós. Lula estava correto, mas não foi conveniente.

Para arrematar este assunto, por enquanto, deixo uma lembrança de dois esquerdistas encarnados, da década em que esse livro infeliz foi escrito, vestidos para sair e fazer sucesso.

 


Os grandes sucessos dessa dupla têm muito a ver com o universo da esquerda brasileira: Cama redonda: boa para quem vive desnorteado e não sabe por qual lado vai entrar para a história, e Marido só no documento: pois o socialismo só dá certo no papel.

 


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