FEITIÇO VIROU CONTRA FEITICEIRO
Eduardo Simões
Quando, em 1979, o inimigo
incondicional, obcecado, alucinado, do Brasil, por acaso nascido em São Paulo,
escreveu um dos livros mais pérfidos e cheios de mentira da nossa história: Guerra
do Paraguai, um genocídio americano, os esquerdistas, muitos futuros
militantes do PT, foram os que mais vibraram e tudo fizeram para espalhar as
inacreditáveis mentiras que constam desse manual de ódio contra o Brasil e os
brasileiros — lembro aqui que o senador petista Randolfe Rodrigues, suposto
professor de história, agitou esse arremedo no púlpito do congresso quando de uma
discussão sobre o aumento do preço da energia de Itaipu, em 2010 ou 11. Eu vi, eu ouvi.
O objetivo do livro, além de
fomentar o ódio entre as duas nacionalidades, visava especialmente atingir o
estrato militar, que naquele momento governava o país como uma ditadura,
exatamente como acontecia com o Paraguai no tempo da guerra. Mas a ditadura de
Solano López podia, era popular, heroica, progressista, enquanto a nossa devia
ser combatida a todo custo, inclusive pela falsificação da história.
Infelizmente, o complexo de
inferioridade e a ignorância dos brasileiros sobre a sua história entraram em
campo, e esse lixo foi consumido como água, acreditando piamente que aquilo era
sério. O autor até criou uma versão semirromanceada para a escola básica, para
os brasileiros se acostumarem a ter vergonha de si mesmos e da sua história
desde pequenos. Pela primeira vez, a Guerra do Paraguai foi tratada como
um genocídio dos brasileiros contra os paraguaios, por iniciativa de um
‘brasileiro’. Sob os auspícios das editoras brasileiras Brasiliense, fundada
por notórios esquerdistas, entre eles o comunista Caio Prado Junior, elogiada
pela Fundação Perseu Abramo do PT
(https://fpabramo.org.br/o-papel-de-uma-casa-editora/) e a Ática, que lançou a
versão escolar.
Deu certo! Hoje os paraguaios
usam essa história e o termo ‘genocida’ contra nós, embora 'algo' tenha saído
do roteiro: a primeira grande crise causada pela visão distorcida e falsa
propalada por esse livro infame, mas tão engrandecido pela esquerda, foi
justamente num governo de esquerda e no meio de uma disputa eleitoral. Isso não
podia ser mais sintomático.
As palavras de Lula ditas no dia
30 de julho, dizendo que o Paraguai invadiu o Brasil, podem ser encaradas de
duas formas:
1º — Científica e
historicamente: ele está completamente certo!
2º — Politicamente:
foi uma tremenda mancada, um tiro no pé. Esperemos que isso não se volte contra
os brasileiros que moram lá e não cause demonstrações, lá, de xenofobia, pois,
nesse assunto, eles parecem mais cegos do que nós, embora em seu próprio favor,
neste ponto, o contrário de nós. Lula estava correto, mas não foi conveniente.
Para arrematar este assunto, por
enquanto, deixo uma lembrança de dois esquerdistas encarnados, da década em que
esse livro infeliz foi escrito, vestidos para sair e fazer sucesso.
Os grandes sucessos dessa dupla
têm muito a ver com o universo da esquerda brasileira: Cama redonda: boa
para quem vive desnorteado e não sabe por qual lado vai entrar para a história,
e Marido só no documento: pois o socialismo só dá certo no papel.
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