Eduardo Simões
Após comentar em rápidas pinceladas o sucesso do lançamento das ações da SpaceX na bolsa e o sucesso trilionário de Elon Musk, o jornalista J. Pontual sentenciou na Globo News: “Não é justo!” E quando se diz isso na TV, não se está apenas emitindo uma opinião pessoal, mas tentando condicionar ou dirigir a opinião de milhões de outras pessoas sobre esse assunto. Não direi que essa opinião é injusta ou não, mas será que faz algum sentido?
Na natureza, os grandes felinos, quando vão caçar, escolhem preferencialmente as presas mais jovens — as crianças, entre os humanos — mais velhas — os idosos — e as que estão feridas ou doentes. Isso é 'justo'? Desconsiderando que no Brasil mulheres, crianças e velhos, fisicamente mais frágeis, são cada vez mais vítimas preferenciais de criminosos, analisemos uma solução para a primeira ‘injustiça’.
O estado, por exemplo, podia intervir, gastando milhões dos contribuintes, para arrancar as garras das patas dos maiores predadores felinos para dar mais chance às pobres presas. Seria mais justo, mas também, num prazo não muito grande, a espécie escolhida desapareceria, causando um tal impacto ecológico, que os prejuízos seriam muito maiores que os causados com a ‘injustiça’ habitual.
Na sociedade humana, consideremos a ‘injustiça’ provocada por uma concentração colossal de talentos em pessoas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Jorge Amado, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Maria Bethânia, Gal Costa, Elba Ramalho, Pelé, Garrincha, Neymar, etc. Enquanto isso, milhões de cantores, compositores, escritores, arquitetos, pintores, futebolistas e atletas com menos talento, comem o pão que a miséria amassou, e talvez até abandonem o seu sonho. Tudo por causa da concentração de sucesso e contratos nas mãos desses gênios.
E se o estado, para tornar a sociedade ‘mais justa’, resolvesse ordenar limites para os ganhos e o sucesso daqueles dotados dessa genialidade, para dar mais espaço àqueles que não nasceram bem dotados? Tenho certeza de que os esquerdistas, e Pontual, jamais apoiariam uma medida dessas; antes, são os primeiros a propor mais ajuda pública para os já grandes e ricos ídolos, desde que manifestem simpatia pelo seu movimento. Principalmente nas eleições.
De fato, se o estado cometesse esse crime, talvez a nossa sociedade ficasse mais ‘justa’, mas também ficaria muito mais pobre e muito mais ignorante e ressentida. O prejuízo da correção seria muito maior que a injustiça da livre escolha dos consumidores de arte, literatura, esportes, etc.
Mas por que, o que vale para um lado não vale para o outro? Os esquerdistas sempre perseguiram os empresários bem-sucedidos que enriqueceram, como os seus ídolos, à custa de muito trabalho. Por que o talento natural de Elon Musk para mobilizar recursos e farejar grandes oportunidades precisa ser punido ou controlado, se os anteriores não o foram e a nossa sociedade só ganhou com isso?
As pessoas que, por livre e espontânea vontade, investiram milhões de dólares nas empresas de Elon Musk não o fizeram por causa de seus olhos, sua cor, sua preferência musical ou o time que ele torce — alguém sabe qual é? Tampouco por causa de suas amizades ‘quentes’, como é no Brasil de Vorcaro e JBS. Essas pessoas investiram nas possibilidades de negócios e ganhos financeiros a partir das iniciativas de Elon Musk, em seu absurdo, no momento, projeto de ir a Marte. E ele já deu mostras do que é capaz.
Ao longo de sua existência, uns 26–27 anos, as empresas de Elon Musk já registraram, ou tentam registrar, entre 4.500 e 7.000 novos inventos, enquanto a NASA, com quase 70 anos, só registrou ou requereu 4.800. Das patentes da NASA, migalhas que saíam dos laboratórios onde eles buscam solução para as viagens espaciais, 2.400 tornaram-se produtos comerciais, gerando fortunas para novos e velhos empresários e empregos para milhares de americanos. É atrás dessas ‘migalhas’ que vão os investidores das empresas de Elon Musk, e causam a sua fortuna — na época da corrida espacial, anos 60 – 80, no Brasil, muitos condenavam os americanos gastando milhões para ir à lua, enquanto milhões passavam fome no mundo, e todos diziam como Pontual: ‘não é justo’.
Enquanto nós, que mal gastávamos com o nosso humilde programa espacial, pensando nos mais pobres, víamos a nossa pobreza aumentar e ficar mais grave, eles reduziam a sua pobreza e disparavam à frente como superpotência, distanciando-se de nós.
Resta-nos torcer, orar, o que for, para que, um dia, muitos nossos veteranos e jovens jornalistas parem de usar o conceito de 'justiça' como desculpa para o fracasso ou a acomodação, aprendam como é que o mundo funciona, afinal eles vivem disso!
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