quinta-feira, 18 de junho de 2026


MARILIZ ERROU POR UM TRIZ.

Eduardo Simões

No programa Em Pauta da Globo News, quando se discutiu sobre o novo patamar de riqueza de Elon Musk,  a jornalista Mariliz Jorge trouxe à baila o velho cacoete nacional de “ele podia pensar nos mais pobres”, como se aqui a gente pensasse algo além de multiplicá-los, até por pensar demais neles. No dia em que a pobreza acabar aqui, a grande maioria vai se sentir como se tivesse perdido o sentido da vida ou como se fossem os piores canalhas do mundo.

Desconfio que o sentimento de culpa por ser bem-sucedido não é praticado nem estimulado na sociedade americana.

Ela citou até as obras de caridade de Melinda Gates, ex-Bill Gates, graças à fortuna que lhe coube na separação. Não sei se ela sabe, mas desde o início do século XIX, milionários americanos, inclusive aqueles que a esquerda ressentida chamou de 'barões ladrões', fazem grandes obras de filantropia e, assim como Melinda, não conseguiram acabar com a pobreza nos Estados Unidos.

A ideia de que basta uma quantidade de dinheiro 'X', entregue nas mãos de um esperto, que não gastou uma gota de suor para conquistá-lo, ou aos organismos da ONU, o que dá no mesmo, para resolver a pobreza do mundo é uma grande baboseira ou uma tentativa tosca de golpe. Se isso funcionasse, de fato, a maioria esmagadora dos países do mundo já teria resolvido esse problema, porque ninguém, muito menos o estado, ganha com a pobreza endêmica. Ela apenas serve para manter viva doutrinas falidas como o marxismo e líderes populistas ultrapassados no poder, algo evidente demais para precisar ser citado.

Essa ideia parte do absurdo de que a pobreza tem uma causa única, e que todos os pobres que receberam ajuda farão, infalivelmente, um bom uso dela, quando qualquer um que não tenha passado a vida dormindo nos últimos 6 mil anos de civilização sabe que não é assim. O problema da extinção completa da pobreza, em função das características irrepetíveis de cada indivíduo, é insolúvel, e um ótimo pretexto para criar bodes expiatórios, dos quais a história está lotada, e ajudar alguns a dar vazão ao seu sentimento de inferioridade e problemas ligados ao complexo de Édipo.

Essas campanhas são tão descaradamente maliciosas que o único dinheiro que serve para resolver esse problema é o dos milionários, que trabalharam duro e o adquiriram em trocas livres de bens e serviços no mercado, enquanto o do Estado, o qual é tomado à força de todo cidadão, não serve.

Há um tempo surgiu na ONU a bobagem de que 2% da fortuna de Elon Musk — dois bilhões de dólares — era suficiente para acabar com a pobreza do mundo. Por que então não sugerir 0,5% do orçamento dos EUA, que é bem maior, ou 1% dos orçamentos de França, Alemanha, Japão, China, etc., os quais são muito maiores e mais fáceis de transformar em dinheiro vivo?

O pessoal da ONU não faz isso porque sabe que a resposta será não, pois em quase todos os países existe gente de responsabilidade e um mínimo de conhecimento das coisas, que sabe que isso é só mais um pretexto para rasgar dinheiro ou desviá-lo aos companheiros de plantão. É por isso que Elon Musk pediu para a ONU mostrar o seu projeto para acabar com a pobreza, e depois ficou com ele para si, para o seu próprio instituto de filantropia, o Instituto Musk. Se alguém vai pagar a conta, não é justo que fique com o crédito? Para um metido a sabido, um sabido e meio.

O exemplo de Cuba é clássico quanto a isso. Enquanto foi um país capitalista, que disputava com os outros países, sem privilégios, investimentos e mercados para seus produtos e serviços, Cuba foi o terceiro ou quarto país mais próspero das Américas. Depois que se tornou socialista e recebeu bilhões e bilhões de dólares de investimentos, ajuda e subvenções estrangeiras, disputa hoje, com o Haiti, a taça de país mais pobre das Américas. Cuba é o bantustão de estimação da esquerda.

Em Cuba, o socialismo utilizou sua velha tática de distribuir casas precárias às pessoas, para estas passarem fome dentro delas, ajudando a propagar o mito de um sistema que deu certo, mas a falta de manutenção está fazendo as casas desabarem sobre seus moradores.

O jeito, em Cuba, é ir para as ruas, e, no jornalismo brasileiro, alguns começarem a descobrir como funciona essa coisa chamada “realidade”. 

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