sexta-feira, 26 de junho de 2026

 


A ESPADA DE DÂMOCLES

Recentemente, um apresentador da TV perguntou ao entrevistado o que queria dizer a expressão “espada de Dâmocles”. Na minha juventude, saber o significado dessa expressão, e outras, era a melhor prova de que alguém pertencia à Cultura ou Civilização Ocidental. Vinha nos livros didáticos.

Os tempos mudaram e hoje muitos brasileiros não sabem nem se existe ou o que é a Cultura Ocidental, preferindo o opaco vermelho do bicho-da-seda oriental. Para os saudosistas e curiosos, então eu explico:

Dâmocles era um cortesão da corte do tirano, uma espécie de rei de fato, Dionísio, na grande cidade de Siracusa, nos séculos V e IV a.C., muito aplicado e superficial, que vivia bajulando o tirano e o seu modo de vida. “Esse é um homem afortunado!”

Dionísio, querendo dar-lhe uma lição, ao mostrar o outro lado do poder, convidou-o para trocarem de posição, e convidou o cortesão para sentar-se à mesa dele, vestido como ele, servido de boa comida oferecida por belas atendentes. Dâmocles sentou-se todo contente, mas aí percebeu que sobre a sua cabeça havia uma espada com a ponta da lâmina bem acima de sua cabeça, segura apenas por um fio de crina de cavalo. Assustado, perguntou a Dionísio o que era aquilo, se ele queria matá-lo. Dionísio disse que não, mas que sabia de uma porção de gente que queria matar a ele, Dionísio, para se sentar naquela cadeira. Dâmocles perdeu o interesse por aquela 'fortuna'.

Essa expressão, portanto, significa uma situação de perigo iminente e duradouro, que pesa sobre os que se arriscam muito ou têm grande poder ou riqueza. 

O poder não é para quem quer só se divertir — embora no nosso país isso pareça frequente —, mas para quem aguenta os deveres e os perigos que o poder impõe. 


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