Foto-síntese: 2
jogadores holandeses contra um africano, mas só um é branco — a Holanda é
tradicionalmente um país de gente branca, com fama de ser historicamente racista.
A CRISE DEMOGRÁFICA
CHEGOU AO FUTEBOL?
Eduardo Simões
É dia de zebra ou é dia de
lógica?
Ontem, 29 de junho, a Alemanha
foi eliminada nos pênaltis pelo modesto Paraguai e a Holanda pela sensação da
copa de futebol, embora nada tradicional nesse esporte, Marrocos.
O que a biologia e a
probabilidade matemática teriam a dizer sobre esses resultados tão
surpreendentes, se descartarmos a princípio qualquer suposição de superioridade
racial, considerando que a inteligência ou o físico, superiores, isolados um do
outro, não são suficientes para garantir um resultado que está se tornando
comum: nações pobres e sem tradição em determinados esportes começam a deslocar
campeões tradicionais.
Não dá para negar que, em que
pese o ‘amor’ ao futebol ser importante, o peso de uma boa estrutura de suporte
é fundamental e nesse ponto os países da Europa, em especial a Alemanha, dão
uma lição em qualquer seleção da África ou da América Latina. Mas há um fator
que pode, até em condições mínimas adequadas, superar a vantagem das estruturas
físicas: o talento.
Chamo de talento o conjunto de
elementos biológicos e mentais, entre os quais coloco a autoconfiança ou a
automotivação e a socialização, que, associados a fatores físicos como:
capacidade de reação, de explosão muscular, capacidade de recuperação, etc.,
fazem o ‘craque’, o jogador diferenciado. Mas há um grande problema nisso.
Esses fatores, que são orgânicos (= físicos e mentais), aparecem em indivíduos
‘escolhidos’ aleatoriamente pela natureza, em imensas amostragens. São
fenômenos raros!
E o que acontece se as
amostragens diminuem, pela redução drástica da oferta de indivíduos à
sociedade, visível na queda do índice de fecundidade? Cai tanto a possibilidade
de um craque como de jogadores talentosos, que possam dar suporte a esse craque
em esportes coletivos. Aí a gente entende por que quase metade do elenco da
Holanda é negro, e bem menos na Alemanha; embora neste caso, constituam a base
da seleção principal e mais da metade do time: Rudiger, Tah, Musiala — o craque
do time — Sané, Nmecha, Brown.
Vai ser muito difícil aparecer um
jogador branco craque ou um time de bom nível na Holanda ou na Alemanha, onde
há mais de 50 anos o índice de fecundidade é inferior à taxa de reposição,
enquanto o Marrocos só agora enfrenta esse problema. O Paraguai ainda
consegue repor o que perde com alguma sobra (2,4).
Contra esses jogadores
'diferentes', nessas seleções, pode existir a pressão por serem, em geral,
imigrantes ou filhos de algum. Será que isso não dificulta os contatos com
os 'nativos' brancos, reduzindo a sua iniciativa, fundamental nos
momentos difíceis? Qual será a reação da população local com Tah, que perdeu o pênalti decisivo, e com Kluiver, Summerville e Timber, da Holanda, que perderam seus pênaltis?
Se esse for o caso, a tendência é
a África negra e a África do Norte e Ásia islamizadas se tornarem os próximos
celeiros de craques — embora a África negra ainda precise melhorar muito na
oferta de estruturas adequadas para os atletas prosperarem. As copas do futuro
serão jogadas majoritariamente por árabes e negros, seja por seus países, seja
por outros, com imensas multidões de africanos e asiáticos islamizados numa
vibrante assistência.
Ali junto, quase imperceptíveis,
pequenos grupos de brancos, com cabelos mais brancos ainda, discretos, sentados
nas arquibancadas, saudosos do tempo em que inventaram e ainda conseguiam jogar
esse esporte. E outros.
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