sábado, 30 de maio de 2026

O HOMEM TORMENTA (CANUDOS).

Um personagem foi fundamental para o desabamento da tempestade que aniquilou Canudos. O juiz de direito Arlindo Batista Leoni, que por meio de telegramas insistentes conseguiu o início da intervenção federal contra a comunidade, alegando que os canudenses queriam saquear Juazeiro, no início de novembro de 1896.

Contaminados pelo relato de Euclides da Cunha, jornalistas e pesquisadores não se preocuparam em procurar esse personagem e extrair mais informações a respeito do gatilho do conflito, informações que, hoje, fazem falta, como a sua relação com as pendências da política nacional. 

Deputados e ilustres lideranças políticas baianas, reunidos no Jockey Clube do Rio de Janeiro, em 1933, para homenagear o interventor da Bahia, nomeado por Getúlio Vargas, Arthur Neiva, o penúltimo sentado, à direita, com braços cruzados, de óculos e paletó claro. No centro, sentado, segurando um volume, uma estrela política em ascensão na Bahia: Juraci Magalhães. Na extrema esquerda, sentado, olhando fixo, com as mãos nas coxas, o homem que desatou a tormenta: o ex-juiz, agora deputado federal Arlindo Leoni, que, embora tenha passado seus últimos anos de vida no Rio de Janeiro, faleceu em 1936. Ninguém o procurou para esclarecer o que aconteceu em Juazeiro, naquele novembro de 1896. Quem pagou o preço por tanta elegância e sofisticação, às vésperas de uma ditadura, foram os soldados e os sertanejos em Canudos (copiado de https://editoradionisi.com.br/folhaespiritacairbarschutel/2021/03/20/dr-arthur-neiva/). 

  

Nessa foto, ele é o quarto da esquerda para a direita, de costas na primeira fila, num outro instantâneo acontecido no almoço de 1933 no Jockey Club.

Essa foto está no verbete Arlindo Batista Leoni, na Wikipedia em português. O curioso é que o verbete levanta vários cargos públicos importantes que ele desempenhou na política baiana e nacional, mas não faz nenhuma menção ao papel fundamental dele no início da Guerra de Canudos. Uma característica desse acontecimento foi o silêncio impressionante em que se fecharam todos os principais personagens dessa gigantesca tragédia-crime. A mesma omissão se vê no Dicionário Biográfico da Primeira República, da FGV, que traz a sua biografia mais completa, mas que também não cita Canudos. 



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